Undone: Vale à pena?

Aviso: Esta crítica possui SPOILERS.

Lucidez ou poderes?

A narrativa de Undone é bastante peculiar e inconclusiva. Não significa ruim. Porém confusa. Para uma série de 8 episódios, acredito, iniciais. O final deixa muito no ar. A trama é interessante. E nos faz pensar se a ilusão acometida a personagem Alma (Rosa Salazar) é produto de sua imaginação ou algo acontecendo de muito estranho. Vamos à análise da série disponível no Amazon Prime.

Rosa Salazar parece ter um tanto para duplicidade de seus papéis. Ela é uma atriz que se sente confortável em ser uma personagem em um apocalipse ou em um drama comum de cada dia. Recentemente fiz uma análise de seu papel em Alita. Agora em Undone, algo como desfeito em tradução livre, ela incorpora Alma. E há algo de muito interessante na história, e se você é fã de Life is Strange, talvez eu tenha algo a dizer sobre isso.

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Life is Strange (1 e Before Storm), esqueça Life is Strange 2 (particularmente acho que tinha mais história para Max e Chloe…enfim). Temos uma adolescente que descobre ter o poder de voltar no tempo. E suas tentativas de mudar a linha do tempo não promete estabilidades. Baseado em um gráfico cartoon, Undone também empresta o visual e um pouco da trama.

Nas tentativas de ir e voltar, acontecem coisas muito confusas na cabeça de Alma. Tal como Max. Quase presa nas dimensões intra-espaciais. Como em LIS, os nativos americanos também tiveram um papel. No caso de Undone, os nativos mexicanos. E iniciou através de um trauma. Em Lis Max vê sua melhor amiga após 5 anos fora de Arcadia Bay, ser assassinada no banheiro feminino e ela volta no tempo naquele instante.

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Em Undone, a personagem acessa os seus poderes de pulo temporal após um acidente de carro. Ela fica entre voltar e ir. Ora pensamos que esta morta e viva. Mas volta e muda a linha temporal. Mas tem algo que fica no ar. Algo que espero ter uma segunda temporada. Porque na primeira temos muitas perguntas. Nenhuma resposta. Será que ela volta no tempo, ou está com problemas mentais muito sérios?

Há passagens na história que dá a impressão que ela realmente volta. Mas muito que particular tudo começa sua fase no hospital. Onde ela parece ficar em um loop infinito de acontecimentos. O que pode ser explicado muito facilmente da seguinte forma. Estando contundida após um acidente de carro, ela podia estar alucinando. Fica no ar quanto tempo ficou em coma, se é que ficou em coma.

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Então ela vai e volta na linha temporal. Ora mudando acontecimentos e fazendo correções em suas ações. Mas tudo poderia ser apenas aqueles devaneios que temos na mente antes de um fato. Tudo está na sua cabeça, correto? O mesmo acontece quando ela vai juntamente do seu namorado, Sam, no laboratório do seu pai descobrir o que está acontecendo.

Ela convence a segurança a dar os arquivos, após ela acessar o que poderia ser um segredo muito íntimo. A irmã desparecida. Mas tem algo que acontece e estranho nesta cena que reforça, mais que ela está alucinando do que tendo acesso a poderes místicos. A cena não mostra algum flashback, ou ela voltando no tempo, como acontece com o seu namorado em um dos episódios. Ela vê o passado dele. A da segurança, ela só arregala os olhos.

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Mas o que chama atenção na cena que deixa essa suposição mais fidedigna de trauma psicológico do que acesso a poderes especiais, é que, Sam aponta o protetor de tela do computador e indaga a namorada se ela conclui que a irmã da guarda estava desaparecida pode deduzir as fotos da família dela no monitor. Dando a entender que ela pode ter visto a informação e embaralhado na cabeça e confundido a memória.

Parte do controle desses poderes veem do seu controle emocional, uma analogia ao seu estado de espírito que anda abalado. Em especial porque ela teve um trauma muito forte no passado, há 17 anos. Algo que moldou a vida dela. Que a fez desistir da faculdade, que a fez ter medo de relacionar, de terminar o namoro com seu namorado (apesar de morar na casa com ele desde de então), de sentir para baixo todos os dias.

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A narrativa começa mostrando uma vida repetitiva. Claramente abordando a ideia de uma vida tediosa, e a perda de um pai que nunca mais voltou. Ela ficou a noite inteira na rua após a ligação de um compromisso dela durante o passeio juntos no Halloween. E isso claramente constitui um trauma considerável. Parte do que vemos na série pode ser apenas um turbilhão de pensamentos tempestuosos. E o que vem a seguir é ter uma resposta para pergunta fundamental: Ela está alucinando ou tem poderes realmente?

Sim vale a pena.

 

Daybreak

Série com fundo cômico, mas com uma boa trama, trata-se de um ataque bioquímico que colocou a terra a mercê de gangues de adolescentes no melhor estilo “cômico” de The Walking Dead, ao que posso dizer, não é um besteirol e nem drama adolescente. Parecia uma versão de TWD melhor com um pouco de Mad Max. Mas infelizmente, a Netflix cancelou a série. Só há 1ª temporada no catálogo, vale a pena ver, porque da forma que encerrou pode ser considerada uma mini série.

Josh, é um estudante canadense que é recentemente transferido para uma cidade americana tipicamente incomum e pequena. O diretor que gosta de ajudar os alunos, coloca na sua cola a popular Sam Dean, a garota que ele se apaixona e vira sua obsessão pelo mundo pós-apocalíptico . Alguns vão perceber que como a história é inicialmente contada como uma narrativa, e até engraçada, temos alguns elementos de Kick Ass, A madruga dos mortos vivos, TWD, Mad Max, algo meio parecido com Between (outra série cancelada).

 

Extra! Os Zumbis ganham um seriado!

Sou um adepto de obras literárias e cinematográficas, mas o segundo do que o primeiro, sobre a temática zumbi. Embora eu dispense quase toda produção atual de qualquer que seja o tema sobre Zumbis. Vou falar nesta matéria sobre The Walking Dead (TWD), Santa Clarita Diet, Guerra Mundial Z, Resident Evil, Black Summer, Kingdom e State of Decay. Ensaiar uma crítica contextual sobre o assunto.

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Vamos enumerar e explicar cada uma delas primeiro:

  • Santa Clarita Diet – Se trata de uma família que após a mãe contrair uma doença devido a um molusco contaminado, se transforma em uma morta-viva (undead), que possui alma e que é sedenta por carne humana. A comédia gira em torno de sua situação e a adaptação de sua família diante do caso. Apesar de ser uma comédia, a série consegue destacar mais os zumbis que outras do gênero;
  • The Walking Dead – Grupo de pessoas que após um surto de reanimação de mortos, causa desconhecida, passa a ter que lutar contra as adversidades de um mundo sem lei, onde o mais forte conquista. O foco é nas relações, dramas e sobrevivência das pessoas vivas. A cada temporada, os ‘walkers’ se tornaram uma peça secundária, quase sumindo da série por completo;
  • Guerra Mundial Z – É uma infestação mundial onde os zumbis possuem um dinamismo contrário aos contos canônicos. Eles correm, tem mais força e agilidade que os vivos. A obra foi novelizada e adaptada para os consoles. Conta com uma visão científica da trama;
  • Resident Evil – Trama que fala sobre uma conspiração governamental maquinada por uma empresa conhecida como Umbrella. E suas experiências que envolvem dominação mundial e pesquisas médicas ilegais. O foco é científico e conspiração governamental, os ‘zumbis’ estão mais para experiências do que um evento aleatórios de problemas;
  • Kingdom – É uma época feudal produzido por um elenco Coreano, onde os problemas de reinos, sucessão e vilajeros entregue as baratas dão forma a história. O evento zumbi é apenas uma parte contada. Tem uma forte semelhança com os acontecimentos de TWD. Como todo conto coreano (Japonês e Chinês), a trama é bem demorada em comparação. Os zumbis mal aparecem na primeira temporada em comparação ao TWD, por exemplo;
  • Black Summer – Se assemelha a versão seriada (e cancelada) de Mist com um toque de TWD. E em especial porque a trama está direcionada já na primeira temporada para os conflitos de uma relação humana onde o governo caiu e eles precisam lidar com o lado ‘animal’ dos seres humanos, os zumbis também são apenas um elemento secundário;
  • State of Decay é um título de console que permite os jogadores criarem um abrigo com sobreviventes dentro de um mundo destruído por uma infestação de mortos vivos. Onde sua relação com os sobreviventes e outros grupos de sobreviventes é a chave para superar os problemas. Tal como TWD, depois de um tempo, você percebe que o maior problema são os enclaves de seres humanos do que os zumbis na prática.

Agora em segundo lugar, vamos entender porque é tão difícil de fazer uma série, ao contrário de um filme ou games, sobre Zumbis e deixa-los em primeiro plano.

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Seria um prato cheio para um fã de Zumbis. Talvez porque um fã de zumbis não seja apenas aquele que gosta de todo tipo de zumbi em qualquer situação. Sempre fui muito adepto do filme ‘A madrugada dos Mortos Vivos’ onde os sobreviventes ficam ilhados em um Shopping. Razão pela qual faz tanto sucesso a saga de Frank em DeadRising em especial o quarto, onde o Megaplex, um shopping gigantesco dá início ao seu pesadelo pessoal.

Mas fazer filmes de Zumbis é muito mais fácil que torna-los um seriado. Cada episódios de 30-45 minutos precisam capitular problemas em que os zumbis se meteriam. A comédia Santa Clarita Diet fica entre o dilema de ser um morto vivo com situações que acontecem na não obrigatoriedade de ser um, problemas comuns do dia-a-dia por assim dizer. Como manter o foco em zumbis acéfalos? Na prática, não renderiam uma série e sim um filme.

Seriar Resident Evil é manter 95% na conspiração e 5% em ataque de zumbi. E a conspiração envolve problemas com a Umbrella, Relações humanas e problemas mal resolvidos do passado com o presente. Os zumbis só entram na história quando precisamos resolver questões de narrativas. Para quem escreve, sabe que o monstro precisa ser o pular da linha ou o virar da página. A não ser que exista apenas um monstro, e ele é o protagonista.

Ainda sim sou mais conectado ao universo Revil (Resident + Evil), do que por exemplo, The Walking Dead. Assisti a série até metade da quinta temporada. Depois larguei. Há diversos motivos, um deles é que a série foi uma trama de zumbis até a terceira temporada e muito forçosamente até a quarta temporada. Hoje as palavras chaves no Google para a série são Negan, Rick saiu, Michonne também vai sair e sussuradores. E não Horda ataca, Zumbi infestação e contaminação ficou séria.

Se o filme “Madrugada dos mortos vivos” fosse novelizada, ela seria um The Walking Dead. Na medida certa do filme temos problemas de pessoas e zumbis enchendo a paciência. Se você transforma em série, você tem problemas de pessoas e no season finale os zumbis enchendo a paciência. Não há como ter equilíbrio quando o principal problema da série não é o principal problema.

Ao assistir Kingdom, e como todo doroma (Drama Coreano, Japonês e Chinês), a sagacidade dos roteiristas é de manter um ritmo lento por uma razão de ser. Não é nada sem motivo, se já viu um drama coreano por exemplo, vai notar que para cada episódio você tem a apresentação de 1% de um personagem. Logo a primeira temporada focava nas pessoas, problemas do reinado, o rei morrendo, a sucessão sendo acusada de traição, problemas nos vilarejos, problemas de infestação, mais do que os zumbis propriamente dito. O ritmo é bem TWD, só que cada temporada levando mil anos para explicar um problema e nem exatamente relacionando ao problema.

A medida é corretiva é claro, The Walking Dead representa no título qualquer interpretação relacionada a conflitos, se fosse algo parecido com “Resident Evil” onde é implícito que há um ‘visitante maldito’ e ainda sim não se refere a exatamente as infestações, o ‘Andar da morte’ pode significar grupos de humanos matando. Não necessariamente que estão vivos ou mortos. State of Decay significa Estado de decadência, que se muito bem narrado, pode ser adaptado a qualquer situação de decadência.

Santa Clarita Diet se refere ao regime ‘Diet’ alimentar de um lugar chamado Santa Clarita, não há qualquer menção de Undead no título. Permitindo que a série ganhe um escopo diferente em cada temporada, quer seja ou não, sobre zumbis.

Black Summer se refere ao “Verão Negro” algo parecido com uma “data” que foi registrada como problemática. E nisso consiste em pensar como a narrativa poderia ser descrita. Black Summer não dá pistas do que se trata, e muito menos que se trata de zumbis. No pouco que assisti, é um Mist + Twd, onde o foco são pessoas e os zumbis são apenas problemas eventuais. Como se encontrássemos uma barata gigante pelo caminho. Que ainda pode ser evitada se ficarmos trancados em um prédio.

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Toda série se mantém com uma dose elevada de drama, que ainda possa ser substituída por uma categoria de aventura, ação e comédia. O drama não é apenas aqueles fatos melodramáticos de perda e luto, tem haver com as relações humanas. Sejam elas passivas ou conflituosas. E zumbis não tem sido felizes nessas adaptações. Não há como manter o foco em zumbis, por quê?

Zumbis são serem reanimados com pouco ou nenhum cérebro, onde suas ações são apenas de morder e perseguir o que eles percebem. Não irã de fato ir atrás de alguém por vontade própria. E nem irão ter personalidades fortes para serem chamados de vilões. São obstáculos ou ferramentas, que serão utilizados por terceiros para dar uma dor de cabeça mais como adicional do que realmente um problema sério.

A maioria das mortes mais icônicas do seriado TWD foram causados entre humanos vivos. Resident Evil, seja os games com os filmes, podem transmitir a seguinte mensagem depois de um tempo – “Não é uma história de zumbis, e sim de monstros geneticamente alterados”. Lutar com uma versão reanimada de um zumbi em TWD não é o mesmo que lutar contra um zumbi em Resident Evil.

Ainda que as séries sejam aclamadas e adoradas por multidões, sabemos que a realidade é a seguinte – as pessoas adoram séries dramáticas. E nisso consiste a realidade do sucesso delas. Mas é comprovadamente difícil que estejam lá por causa dos zumbis. Até vampiros eu compreendo, eles possuem um ponto em diferencial aos zumbis e justamente pela capacidade de terem uma personalidade. E apesar de serem mortos vivos também, eles são mais do que mortos vivos.

A compreensão é que uma série basicamente de zumbis não existe. E sim uma série de drama familiar, ou casal, ou relações geral é criada e como tema secundário, escolheram zumbis. Ou poderia ser um apocalipse nuclear, uma guerra galáctica ou qualquer outro tema.

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Nighflyers

Crítica da 1ª Temporada série Nightflyers (2018-)

Baseado em obra homônia de George R.R Martin.

Quando sentei para assistir a série Nightflyers, desconhecia totalmente o trabalho do autor do livro que a originou, apesar de ter inúmeras referências, os nove anos de Game of Thrones (não assisti) e de entender que a trama em uma pré fase de investimento de tempo ao me preparar em vê-la, seria uma pancada logo de cara, e não estava errado. Não que o teor seja ruim, nem que o roteiro tenha bastantes furos  ou ainda que possamos considerar a obra como uma diversão.

Obras escandalosas do tipo, são ricas em acontecimentos chocantes e de personagens que vivem perdas em sucessivos momentos. Ainda que fosse um ausente ao trabalho de George R.R. Martin, nunca fui inocente ao gênero. E em Nightflyers temos uma mistura de horror, como loucura, insanidade, uma ficção, uma história, um grupo de personagens e aficionados por tramas grotescas.

Ainda que o grotesco seja interpretado como uma ofensa, não há alguém que vai discordar que cada episódio do pacote inicial da estreante série, consegue transformar o espaço num lugar aterrorizante, mas bem além do medo paralisante, temos o medo que nos fatia no silêncio, aquele que mais do que um alien monstruoso poderia nos acuar é aquele que não podemos entender, mas mesmo assim espreita no escuro, e de alguma forma, você está preso sem poder sair até resolver o problema.

Quando vi, dispensei o senso crítico e apenas assisti aos 10 episódios que foram sugados pelo tempo, pois nem vi passar e ainda achava que haveriam mais. Que acho determinante nesta crítica, é que não estou esperançoso de ver o resto da série, muitos seriados resumem o seu objetivo e como o desenrolar da história vai ocorrer na primeira temporada, aprendemos o Modus Operandi ali. E não gostei do que vi.

A construção da série, apesar de ter um roteiro extremamente deslizante, há furos em menos tempo que se possa pensar, é a forma como o formato é tratado. Geralmente gosto de histórias em que o universo é um outro ao nosso, e que podemos contar no mínimo quem a gente torceria para ganhar. Mas como ouvinte aos telespectadores de GOT e mais recentemente de TWD (The Walkind Dead), elenco fixo e temporário são os novos uniformes vermelhos (Star Trek: Série Clássica)¹, não existe para quem você torce.

Ainda que as mortes do elenco fosse a princípio algo inevitável, pois tratamos de uma história interessante. A raça humana sofre com uma doença chamada Célio. Embora no decorrer dos episódios não sentimos de fato que esse fardo esteja de fato preocupando os humanos, aliás parece ser um super surto de gripe do que uma pandemia ameaçadora. Um grupo recrutado pelo comandante da Nightflyers, uma nave terrestre, resolvem através dos cálculos do Dr. D’Branin que a resposta pode estar em uma espécie de veículo espacial alienígena.

Quando entramos juntos dos personagens na nave, logo nos identificamos com o filme “Event Horizon” que no Brasil foi dublado como Enigma do Horizonte (1997, Sam Neil) o possesso engenheiro da nave Dr. Weir que ficou eternizado por sua frase – “A realidade é muito pior” conta a história de uma nave (Event Horizon) que usa a dobra do tempo para viajar para localidades longes, mas o experimento dá errado e a nave vai para o inferno por 7 anos, literalmente o inferno. E volta.

Ainda que possamos enumerar alguns títulos similares a obra como Dead Space, aquela câmara aberrante de Alien 4 a Ressurreição com a Rainha Alien tendo seu filho mais horrível ainda, podemos citar a Nostromo como material irmão estético, mesmo piso e mesmos corredores escuros. As obras criam uma ótima referência, mas não superam o circo de horrores, talvez os mais acostumados com esse conteúdo não fiquem surpresos.

Uma volta pela internet provou-se certeiro que apenas os que gostam da trama de GOT e se mantiverem fiéis a ela, acharam a obra inigualável e com certeza serão frequentadores assíduos das próximas temporadas. Mas existe um sobreaviso sobre obras grotescas. Elas costumam aumentar de intensidade conforme o tempo passa e não para em um limite conhecido. A série não possui dificuldade em sua interpretação, nem a forma como ela aborda os seus problemas.

Ainda que fosse possível confundir a cabeça de alguns, os episódios são pontuais. Eles contam um pouco sobre o trajeto terra e nave alienígena, poucos eles sabem sobre a raça Volcryns, temos personagens traumatizados, pegamos alguns pontos sobre a raça humana e o quanto ela é antagônica ao universo de Star Trek (Federação não existe por aqui) está mais para uma realidade pessimista da sociedade.

A ficção científica da obra é centralizada em segredos da nave. Os segredos são excelentes. Porque descobrimos inclusive a relação da mãe Cynthia com o seu filho Roy, depois a trama nos presenteia (ou levamos uma voadora) que Roy não é o seu filho e sim um clone e que o DNA que corre em suas veias, também corre nas de Melantha, e sua conclusão é óbvia. Pois Melantha e Roy passam a ter um caso.

Ainda temos a visita as astronautas que preferiram matar seus comparsas, torturar por mais de 15 anos o capitão e dele tirar o sustento, produzindo clones para um canibalismo, pelo menos consciente, já que os clones eram produzidos desprovidos de autonomia e células complexas. As mesmas cientistas eram as responsáveis pelos projetos genéticos que tornaram possível Roy e Melantha.

E abandonadas pela raça que nem sequer se preocupou em procura-las. Cientistas de renome no campo científico, foram abandonadas no quintal de casa. No quintal, pois elas estavam bem mais próximas do que se podia imaginar. Temos uma absurdo de acontecimentos que vão de um surto aceitável de Rowan a uma amnésia inaceitável dos seus atos. Ele mata, surta, acalma e volta para tripulação em um rito de águas passadas.

Ainda que não fosse um furo de roteiro, poderia fazer parte da sociedade humana, já que há muitos flashbacks pertencentes aos demais personagens que nos fazem pensar se a raça humana não esta vivendo no universo que a Event Horizon foi parar. Mesmo o roteiro picotado, teríamos uma boa história? Tem que goste de tanta miscelânea, não sou um excludente desse grupo.

Mas a narrativa de Nightflyers não exige um elemento interpretativo acima da média e nem reprises para compreender o fio da meada. Mas os choques da trama nos paralisa diante de tanto segredo e de tanta loucura a bordo.

Que questionamos se todos os personagens não são as várias facetas de apenas um, ou os Volcryns criaram uma raça parasita que nos atacou através do Célio ou ainda, que mesmo diante de tudo, a raça humana é apenas uma simulação.

O sobreaviso fica para o teor que é pesado, pode ser impressionante para alguns públicos, com certeza haverão marcas na história que serão intimidadoras e outras geraram mal estar. É uma série que tirando a ideia provocante de assustar pelo o que assusta as crianças (Sombras no escuro) e não por monstros aterradores (Alien), poderia ser bem melhor. Mas que precisaria ser menos corrida, menos torturante e menos sem noção.

Nota:

50.0

 

Os Inocentes

Série inglesa criada por Hania Elkington e Simon Duric (The Innocents) com o elenco formado por Sorcha Groundsell, Percelle Ascott e Guy Pearce. Temática: Nudez, drama, romance, ficção e suspense.

O casal jovem formado por June (Sorcha Groundsell) e Harry (Percelle Ascott) pensam em fugir juntos para longe de suas famílias para começarem uma vida juntos. Neste meio tempo uma experiência cruza o caminho dos dois, revelando um segredo do passado de June e colocando Harry em uma situação bastante complicada, e que tem haver com o estado do seu pai.

A série foi lançada na plataforma streaming do Netflix no dia 24 de agosto com 8 episódios. Com a promessa de trazer uma série de suspense, sobrenatural, drama e romance que cativasse o público adolescente e adulto jovem. E também o público que gosta de elementos sobrenaturais, de heróis e super heroís. E de uma forma não tão direta, o empoderamento feminino.

Qual é a promessa da série? Se você já viu Dark, The Rain, Safe, todos disponíveis no Netflix, percebeu que a narrativa deles muito se difere de uma série americana. O jeito de contar a história pode ser a gosto ou contragosto de quem vê. Os inocentes dividiu muito a opinião das pessoas. Muitos gostaram e outros odiaram.

Se você gosta de romance adolescente e gosta de sobrenatural. Mas não é muito fã de Crepúsculo, mas gosta mais de um Arquivo-X, a série inglesa consegue juntar um pouco de todos e fazer uma mistura que dê certo. A atriz inglesa Sorcha lembra muito a sua conterrânea Rachel Hurd-Wood (Peter Pan, 2003), consegue se colocar no papel de June.

Dentro do contexto onde ela e apenas as mulheres da história, possuem uma espécie de poder que é ativado por emoções fortes. Elas copiam a forma de quem elas tocam enquanto estão em uma espécie de pânico emocional. Algumas no entanto possuem outras habilidades, como ler e absorver os pensamentos de quem eles se transformam.

E o efeito camaleão faz com que o original fique em uma espécie de transe. O personagem Halvorson (Guy Pearce, Covenant, Promtheus ou Amnesia) conduz uma espécie de projeto onde ele consegue manter algumas mulheres sob o controle de não sofrerem a metamorfose.

Dentro dessa loucura, temos um chamado Steinar que é o sujeito durante o trailer que agarra Harry e mostra que na verdade ele é ela. De uma forma interessante, quase vampiresca, essas mulheres que possuem estes poderes, e ainda sem explicação como elas o possuem, a forma real é refletida nos espelhos. E qualquer pessoa pode notar isso.

Com um acervo bem mais amplo de produções originais do Netflix, muitos filmes de origem européia e outros da ásia, em sua grande maioria Coreanos, a tendência é no investimento de séries onde sobrenatural + drama, suspense + drama ou ação + drama parecem ter dado bons frutos.

Vale a pena? Não é possível uma produção agradar a todos. Muitos comentaram que a série começa lento. Talvez por terem se acostumado com séries que são mais rápidas. Toda série Inglesa preza por narrativa. Eles adoram apresentar os personagens, os lugares, é algo bem “Stephen King”, uma amostra do que tudo é para depois você entender porque aquilo está acontecendo.

A série não decepciona, o roteiro está no início, é preciso apreciar como a história é contada. E não desprezar o conteúdo da trama apenas devido como a velocidade é contada ou não. Permita saborear essa série. Dark é uma série confusa, tão parecida quanto Twin Peaks, e já estão pedindo pela segunda temporada. Vale sim a pena. Veja e diga o que achou.