O PROBLEMÁTICO DESASTRE DE STRANGER THINGS
Stranger Things é o grande elefante rosa dos últimos dez anos. Diferente de Harry Potter quando finalizou a saga em 2011, no livro uma parte, nos filmes duas partes, um prolongamento bem vindo e que ainda dividiu entre as versões literárias (bom) e cinematográfica (uma adaptação com cortes). A defesa sempre recai na versão literária, pois contém mais conteúdo e mais explicações.
O próprio Rony era diferente, uma vez que ele teve parte de sua atuação migrada para Hermione, na versão do cinema. Nos livros era mais intelectual. Mas isso não mata o gênero, a maioria só ouviu falar em HarryPotter devido os filmes e não os livros. Mas igualmente bons. Não podemos falar o mesmo de Stranger Things. Vamos lá?
OS PRIMEIROS PARADOXOS PREVIAM O FINAL DE STRANGER THINGS DESASTROSO.
Eleven foi a protagonista, sem ela não haveria Stranger Things. Gerando uma dúvida, Will se tornou o segundo protagonista na primeira temporada devido o primeiro episódio. Primeira falha de um roteiro. Sim, nenhuma história que queira ser bem sucedida tem dois protagonistas. Estamos concluindo assim porque foi isso que aconteceu na última temporada.
Mas devido uma sucessão de erros durante os dez anos. E erros que promoveram 5 temporadas em dez anos e não dez temporadas. Ela sempre foi o pivô. Mas haveria um terceiro protagonista, Joyce. E o que acabou criando um paradoxo. Antes que a lenta progressão da primeira temporada nos revela-se um mundo ‘estranho’, a série já colecionava erros de continuidade. Não, não erros entre as cenas, mas aqueles que seriam percebidos ao longo das temporadas.
Will se tornou um alvo vivo de Vecna, que até a quarta temporada não existia no roteiro. As pessoas se convenceram que até o som do relógio era ouvido na primeira temporada. Isso se chama efeito Mandela. Vecna foi um remendo. Demogorgon eram os vilões até a terceira temporada. O rei dos Ratos, ou devoradores de Mentes era o chefão da fase final. E estava perfeito como estava. Vecna foi aquele motivo para dar ar a franquia e lembra muito o puxadinho feito em Poltergesit 3, quando tudo feito até o Poltergeist 2 foi simplesmente desfeito.
Kane continuou existindo, Carol Anne era o principal motivo dele surgir. E agora espelhos e neve eram símbolos dos movimentos fantasmagóricos. Mas os problemas da família Freeling já coexistiam do primeiro para o segundo filme. Quando Diane na realidade era uma médium, e a filha também. No entanto no primeiro filme não é algo concreto. Apenas no segundo filme. E no terceiro houve uma transformação bizarra de ‘filme de terror’ para filme Trash, ou os famosos caça-níqueis comuns da época.
Cada temporada de Stranger Things reiminaginou uma Hawkins diferente. Com problemas diferentes, trazendo versões de uma Eleven pouco habituada uma menina traumatizada, enjaulada e tirada mãe ainda bebê. Ela demonstra um comportamento sociável na segunda temporada incompatível com este tipo de característica. No mínimo ela era tão civilizada, que é difícil de compreender que ela fosse realmente uma prisioneira no laboratório. Foi só encontrar a Max, que ela já sabia o que era se vestir e passear nos Shoppings dos anos 1980.
Foi para Chigado, conheceu a Kali Prasad que não fez sentido algum na segunda temporada e tampouco na última. Ela nunca foi explicada. Como Kali fugiu do laboratório? Como tantos como ela, fugiram? Ninguém foi atrás? E como assim? E de repente anos mais tarde o exército consegue encontrar e achar uma garota com poderes de ilusão? Ela foi um elemento narrativo surreal. Depois Eleven faz a jornada da heroína, mal ou bem, volta para Hawkins e vence a criatura. Mas na segunda temporada, a união das crianças se desfez. E isso foi o primeiro pior erro da narrativa. Nós conhecemos eles como parte de um grupo que lutava contra o mal. E de repente eles fariam equipes a parte e viveriam aventuras em duplas. Deu certo? Steve e Dustin? Ok, a gente se conforma. Mas daria certo mesmo que eles ainda fossem uma equipe.
Os Duffers de fato não vivenciaram os anos 80 em sua infância. Como todos nós, eles tiveram a infância nos anos 90. Que em parte teve heranças da ´década passada. Mas isso foi uma herança e não ao vivo e cores. Então nossa versão dos fatos é que aquela pegada de “Uma viagem ao mundo dos sonhos”, “Goonies” e “Conta comigo” não eram filmes muitos vistos por eles. Provavelmente eles viram muito “Curtindo a vida adoidado” onde Ferry apenas era um cara egoísta colocando os dois amigos em uma situação ‘utópica’ de rebeldia.
Até hoje as pessoas gostam desse filme. Eu já o acho extremamente insano, mas no sentido contrário a qualidade. A narrativa em off é ainda pior, já que parece um monólogo de um rebelde sem causa sem motivo. No final ele queria rodar a cidade com um Cadilac indo a mil por hora. Ou o famoso, “matar aula” sem pensar nas consequências, mas a narrativa não faz o menor sentido também.
TODOS ADORARAM O FINAL, CONTANTO QUE DESCONSIDEREM O RESTO DA SÉRIE
Eu li de forma unânime que o final de Stranger Things agradou de uma certa forma. Um pé atrás quando li isso. Notas também não significam totalmente uma avaliação, apesar de Rotten Tomatoes acumular 53% de aprovação contra os 80% de média das temporadas passadas. Algo não deu certo. Quando senti a leveza do começo da última temporada e a ausência imediata do terror da quarta temporada. Já dava para notar que não daria para fechar em dois episódios, já que esse foi o esquema adotado desde 2016. E não deu. E forçaram um sacríficio. Onde até hoje as pessoas acreditam que Eleven está viva em uma pradaria e um vale com três cachoeiras. Uma invenção ensandecida de um Mike em luto. Ninguém quer admitir. Mas Eleven está morta. E sim, foi o final que os Duffers já esperavam. Não teria como ela terminar com eles ou viva.
Ao contrário do final do E.T, Steven Spielberg deu ao pequeno amigo de Elliot um final de dignidade. Duffers não criaram uma âncora para ela. Então a única solução foi matá-la. Depois de tudo, ela morre. E sim esse final foi pior que os furos, que a série sempre teve. Mas desgastou a série. Embora o anime lançado tenha ganhado adeptos e promovido uma segunda temporada, isso não significa o sucesso da série. Aliás significa a morte do material original para dar vazão a uma ponte de safena. Porque o anime não tem conexão canônica e portanto é um material independente. Entenda que parte do gosto por ela é uma esperança de ver a Eleven viva no final.
Duffers acreditaram nisso porque eles escreveram o pior roteiro que se podia. Não bastasse tirar Eleven do protagonismo de vez, colocaram dois personagens no pivô e ainda nem trabalharam eles direitos. Quem no final deu o golpe foi Joyce. Espera? Ela teve o filho roubado. Mas e a Eleven? Que teve a infância roubada? A liberdade roubada? A mãe roubada? A vida não vale? Tudo o que ela fez, salvou e enfrentou. Ela voltou para o Brenner no projeto Nina, não serviu de nada? Ela passou 1 ano no mundo invertido e na floresta comendo coelho cru, não serviu de nada? Sim, para os Duffers os sacríficios dela demonstram um herói ultrapassado, e mais que um final ruim, elas mataram a heroína por capricho narrativo.
O prólogo parece um filme a parte. Eles terminam a jogada, choram pela ida dela, notaram a lanterna oscilando dando a entender que ela está lá? E passam a bandeira para próxima geração de jogadores. Mas Chrissy, Eddie, Barb, todos foram simplesmente descartados por criaturas que se tornaram supérfluas ou ausentes.
A temporada final é apenas o deleite de mentes criativas esgotadas. Depois de dez anos, alguém quer ver a menina careca levantando carro? Eleven tinha mais poder nova do que mais velha. Vecna era mais assustador, Demogorgon era imbatível e o governo era mais misterioso. Mundo invertido era tóxico e as implicações de uma cidade sitiada eram reais. Na última temporada, parecia aquela corrida que no lugar de você correr até a faixa, a faixa corria até você. Foi desleixado e puramente superficial.
Até os trechos narrativos da última temporada, um custo 400 milhões de dólares, foram apenas descartados conforme os episódios sugeriam a origem de todo mal. Até hoje, ninguém sabe se o roteiro se baseou na peça que ninguém viu ou na falta de conexão dos Duffers. Só o que sabemos é que a temporada final foi uma viagem de alucinógenos. Era mais fácil admitir: Eles não sabiam o que estavam fazendo.
UNIVERSO A PARTE, CANÔNE LITERÁRIO PARA UM LADO STREAMING PRO OUTRO.
O dilema é que, quem coleciona as HQS e os Livros notou. Universo da Netflix e dos livros não se encontram em um paradeiro ruim. Sim porque lá pelo menos temos uma Kali menos ‘nada haver’. O que aconteceu com os bullies depois de enfrentarem Eleven no desfiladeiro. Qual foi a herança de Bob, morto na segunda temporada? Se não fosse essas raras jóias, Stranger Things como série teria deixado um gosto amargo e estragado na boca. Por um lado eles contam com o cânone da série, mas o fazem melhor. Porque explicam o que a série não foi ou não quis fazer, explicar. Citei Harry Potter como fonte fidedigna da adaptação. Livro uma coisa, filme outra. Faz sentido a leitura completa, menos sentido se fizer o filme. Não me levem a mal, ambos são boas produções.
O caso de Stranger Things é no mínimo engraçada. Ela não começou como livro. Mas é nos livros, nas HQs que ela encontrou um ponto de qualidade. Onde pode continuar existindo. Os autores não são os Duffers. Será a síndrome do autor ‘que’ estraga as próprias obras? Duffers nunca souberam escrever isso é um fato. Sim, pode parecer jogar pedras na cruz. Mas já dava para notar os erros grotescos. E mais, escreveram apenas a primeira temporada e para funcionar como minissérie. No momento que a Netflix diz que gostou, falou mais alto o bolso e esqueceram do arco criativo. A segunda temporada já começa com erro de continuidade por assim vai.
O FUTURO DA STRANGER THINGS NÃO ESTÁ MAIS NAS TELAS.
Como eu, a adaptação para as telas não foi muito bem aceita. Aceita por um lado, mas já dava sinais de caducidade. Stranger Things durou 10 anos, nós vimos os atores crescerem. Mas não tiveram o mesmo impacto por exemplo de Harry Potter. Vimos um Rony com medo de aranha se apaixonar por Hermione, com a pinta a nerd com medo de expulsão mais do que da morte. Vimos a pedra filosofal se transformar de um conto leve em um conto pesado e de terror. Essa evolução aconteceu. Vimos isso acontecer. Mal ou bem, com furo ou não, cheio de lacunas entre as obras, Harry Potter é até hoje cultuado. Mas Stranger Things exclui parte do seu público conforme reinventava a trama.
O público que iniciou em sua totalidade em 2016, não era mais o mesmo na última temporada. Alguns sobreviventes estavam lá. Mas a obra adaptada, não de livros, mas da cabeça direta dos autores, morreu bem antes da segunda temporada. E notem, essa morte foi boa. Porque representava o rascunho original. De como eles imaginariam a série. Um menino é raptado, uma menina surge. Ela enfrenta os valentões e procura o amigo desaparecido. A música no final retrata a luta da mãe, e o xerife. E ali fechava a história. A menina surgiu do nada e sumiu do nada. Final perfeito? Final com alguma amarra. Perfeito seria ela não ter vivido como cobaia. Mas para a narrativa, faria sentido.
A segunda temporada para cima não foi pensada. Toda ela e todos os demais, foram uma gambiarra. E isso já podemos notar. Eles podiam ter pensando melhor ou ter recusado. Nem sempre se trata de dinheiro. Ganharam dinheiro? Óbvio. Mas a franquia será sempre lembrada como um boi inchado. Não há expressão que fundamente o que eu afirmei. Porque a série terminou assim esmo. Sem nenhuma lógica. A última temporada foi o prego da insanidade do roteiro mal escrito e senão ausente. Sim pelo documentário isso foi uma realidade. Tenho a impressão que eles ficaram orgulhosos em criar um desfecho sem roteiro? Foi isso mesmo?
Uma verba de 400 milhões foi o motivo de orgulho para não se dedicar ao máximo. Bem de qualquer maneira, os Duffers lançaram duas produções após o final, além do anime. E sabe? Ninguém se importou. Até os que falaram que a série terminou bem. Elogiando cada passo da quinta temporada. Mas quando o anime, já anunciado desde 2024, simplesmente passou desapercebido, já notamos que a série original matou o material por completo. E qualquer produção de Duffers é visto ou será visto como o motivo de ver sem se prender. Nada é sagrado. E tampouco nada tem lógica.
Pelo mesmo tempo de existência, Harry Potter se mantém vivo e com uma série saindo do forno. Stranger Things encontrou o beco sem saída com o mesmo tempo de vida. E não verá um remake no futuro. A não ser um fan service feito pelos próprios fãs como aconteceu com o final alternativo de Caverna do Dragão. Porque ninguém admitiu o final da Eleven. Ninguém. E isso de forma unânime. Só alguns admitem em público e voz alta. Mas ninguém de fato gostou da última temporada. Até o povo que chamou o outro povo de chato. Esses menos ainda gostaram.
O desafio, reveja a série pro completo, sabendo que o desfecho é ela Morta. Continua com a mesma impressão que terminou bem? A heroína morreu, e apesar do Vecna ter morrido, ele venceu. O que estava em disputa? Ao meu ver, a própria realidade da Eleven. Ela foi um rato de laboratório, e foi usada indiretamente por Hawkins mesmo que isso não pareça. Ela só serviu para ‘cumprir’ seu papel de alvo. E no final perdeu o papel de importância para qualquer outra pessoa. Pois nos tempos de hoje, ter poderes é o mesmo que ter problemas. No passado, em 1978, uma publicidade fez as pessoas irem ao cinema para ver um herói que desde 1938 existia como um símbolo – VOCÊ ACREDITA QUE UM HOMEM POSSA VOAR?
Hoje essa frase não VALE NADA. Porque foi essa mensagem que Duffers abominaram na última temporada. VOCÊ ACREDITA QUE UMA MENINA POSSA TER PODERES? Para eles, ela existir é um problema. Ela morta, todos estarão salvos. Nota que mesmo todos terem tido uma conexão, o exército deixou todos em paz? Ela era o problema? Vecna terminou mais herói que ela. A inversão total dos papéis. Não me entendam mal, Arhur em Coringa foi uma vítima da violência. Mas nada justifica ele matar o Murray. Isso significa vilão. Vecna era vilão e não o amigo. Eleven era a heroína e não a vilã. Foi uma inversão de papéis, porque antes dela ser sacrificada, isso já tinha acontecido. Ela morrer, pareceu que ela sempre foi o problema. Mas Vecna existir, não teria problemas. Entenderam porque Stranger Things morreu nas telas?
A continuidade será no ANIME que não tem nada haver com a série, segue uma trilha a parte. As HQs que contam histórias paralelas e os livros que enriquecem os personagens. Estranhamente todos eles andam de forma independente. E garantem um final melhor do que o apresentado pelos autores originais. Isso se chama de universo expandido. A diferença é que esse universo nasceu junto da série original, contrariando a física de acontecimentos a maioria das séries. Estranhamente, Harry Potter nunca precisou de universo expandido para garantir qualidade. Embora tenhamos hoje Hogwarts Legacy para iniciar isso, foram mais de dez anos após o final e com a obra em peça adaptada “A criança amaldiçoada”, ainda no final do último livro, Harry Potter confere se a cicatriz não lateja, confirmando que Voldemort continue morto.
Stranger Things não aprendeu. Harry Potter é o heroói e Voldemort é o vilão. Luke é o herói, Vader é o Vilão. Mas eles quiseram dizer, Eleven é a vilã e Vecna é o herói. Acho que os Duffers não entenderam. As pessoas admiram Vader não por ser um vilão. Nem Thanos, nem Dr. Destino, nem Dormammu, tampouco Darkseid, Luthor, Coringa ou Arlequina. Ninguém os admira. Mas eles são impressionáveis. Habilidades que chamam atenção. Mas seus princípios não são defeindidos. E isso pegou os jovens autores de surpresa. Vecna ser redimido por um trauma, uma encruzilhada. Ele é confuso. Ora um menino vítima, ora um psicopata a la Damien. Quem é Vecna?
CONCLUSÃO
Não é a primeira vez que uma obra morre. Em Corpo Fechado, Fragmentado e Sr. Vidro. O cineasta indiano Shyamalan não foi capaz de concretizar uma saga de heróis. Eles os classificou como meros humanos com poderes extraordinários como meros deficientes mentais. Ele podia ter uma ‘Marvel’ na mão. Mas preferiu jogar fora. No passado eu nunca critiquei obras dele. Sinais, Sexto Sentido, a Vila e a Dama na Água. Até George Lucas foi criticado. As pessoas compraram a ideia dos Jedis, mas não aceitaram o seu futuro. Em parte existem duas obras, ou uníssonas ou separadas, depende da sinergia. Harry Potter divide opiniões, Senhor dos Anéis divide opiniões. Mas conseguem atingir patamares entre as duas formas de vê-las. Stranger Things teve um merchandising tímido, portanto a obra em si se torna irrelevante ao longo prazo.
Foi há 6 meses o último capítulo. E ninguém fala mais nada sobre. É comum, primeira temporada e última temporada ficar na boca do povo. Lembram da primeira temporada? Surtiu efeito por meses. Mas a última temporada, não vi GOT, talvez tenha sido pior. Porque a finalização exigia um final digno. Eleven lutou PRA NADA. Ela não tem existência respeitada. E foi ridicularizada. Particularmente eu considero a série terminar na primeira ou segunda temporada. Terceira para cima não faz nenhum sentido. E tão mal começou, a série já caducava em conexões narrativas. Parecia as passagens de um louco que só queria fazer sentido a cada segundo que passava. O ditado – “Antes só do que mal acompahado” tem uma transliteração nova – “Antes uma temporada boa do que outras quatro sem sentido”.
Eu não gostei da última temporada em NADA. Minha nota não é ZERO, nem menos ou negativo. Não é acima de ZERO. Eu não tenho nota. Eu considero a última temporada inexistente. Ela não aconteceu ainda. E se não acontecer, considerarei a primeira e a segunda temporada. Para pelo menos Eleven continuar existindo. Já que na primeira ela praticamente some junto com o Demorgorgon.