Ciência da Computação (1) – História do Java

GIT HUB – REPOSITÓRIO (Java e Javascript \ Desktop \ Web – FullStack)

Seu lançamento oficial foi em 1995 pela Sun MicroSystems empresa norte-americana que teve enorme importância no desenvolvimento de estações de trabalho, servidores e tecnologias voltadas à computação em rede.

Um pequeno grupo de engenheiros da Sun, liderado por James Gosling, iniciou um projeto chamado Green Project. A intenção original não era criar uma linguagem especificamente para a internet. O grupo estudava como desenvolver programas capazes de funcionar em diferentes equipamentos eletrônicos, especialmente dispositivos domésticos inteligentes e sistemas embarcados.

O grande problema era a diversidade de processadores e sistemas existentes.

Um programa desenvolvido especificamente para determinada arquitetura normalmente precisava ser recompilado ou adaptado para funcionar em outra.

Era necessário criar alguma coisa mais portátil.

Foi nesse contexto que James Gosling começou a desenvolver uma nova linguagem.

Inicialmente ela recebeu o nome de Oak, em referência, segundo a história tradicionalmente associada à linguagem, a um carvalho que Gosling podia observar próximo ao seu escritório.

Oak recebeu influências de linguagens como C e C++, mas procurava eliminar ou simplificar alguns elementos considerados perigosos ou excessivamente complexos.

A linguagem adotava uma sintaxe que seria relativamente familiar para programadores de C++, mas introduzia conceitos que ajudariam a construir programas mais seguros e portáveis.

Um dos elementos fundamentais dessa arquitetura foi a utilização de uma máquina virtual.

Em vez de transformar diretamente o código escrito pelo programador em instruções específicas de determinado processador, o Java passaria a utilizar uma etapa intermediária.

O código-fonte:

HelloWorld.java

é compilado e normalmente transformado em bytecode:

HelloWorld.class

Esse bytecode pode então ser executado pela Java Virtual Machine — JVM.

Assim, diferentes sistemas operacionais poderiam possuir suas próprias implementações da JVM, enquanto o mesmo programa Java continuaria essencialmente independente da plataforma.

Dessa filosofia nasceu uma das frases mais famosas associadas à linguagem:

“Write Once, Run Anywhere” — escreva uma vez, execute em qualquer lugar.

No início da década de 1990, entretanto, o mercado de dispositivos domésticos inteligentes ainda não estava suficientemente desenvolvido para tornar o projeto comercialmente atraente.

Ao mesmo tempo, outra revolução começava.

A World Wide Web crescia rapidamente.

Os desenvolvedores da Sun perceberam que a característica de portabilidade da nova linguagem poderia ser extremamente útil em uma internet composta por computadores utilizando diferentes sistemas operacionais e arquiteturas.

Oak, porém, não poderia continuar usando esse nome por questões relacionadas a marca registrada.

A linguagem passou então a se chamar Java.

Em 1995, a Sun Microsystems apresentou oficialmente a tecnologia Java ao mercado.

Um dos elementos que inicialmente chamaram atenção foram os applets Java.

Eles permitiam que pequenos programas fossem carregados e executados dentro de páginas da internet por navegadores compatíveis.

Hoje os applets são uma tecnologia completamente ultrapassada, mas naquele período representavam uma possibilidade impressionante: páginas da Web poderiam deixar de ser apenas documentos relativamente estáticos e executar aplicações interativas.

Em 1996, foi lançado o JDK 1.0, consolidando a primeira versão pública da plataforma Java.

Entretanto, seria um erro imaginar que Java se tornou importante apenas por causa da Web.

Na realidade, sua influência mais duradoura ocorreu principalmente no desenvolvimento de sistemas corporativos e aplicações de servidor.

Durante o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, Java passou a ocupar um espaço enorme dentro de bancos, empresas de telecomunicações, seguradoras, órgãos públicos e grandes sistemas empresariais.

A linguagem oferecia orientação a objetos, gerenciamento automático de memória por meio do Garbage Collector, tratamento estruturado de exceções, extensa biblioteca padrão e uma plataforma projetada para funcionar em ambientes diferentes.

Em 1998, a Sun apresentou o Java 2, reorganizando a plataforma em diferentes edições.

Entre elas estavam:

J2SE — Java 2 Standard Edition, voltada ao desenvolvimento geral;

J2EE — Java 2 Enterprise Edition, destinada principalmente a grandes aplicações corporativas e servidores;

J2ME — Java 2 Micro Edition, criada para dispositivos com recursos computacionais mais limitados.

A J2ME teria posteriormente enorme importância no período anterior à popularização dos smartphones modernos.

Durante muitos anos, milhões de celulares executaram jogos e pequenos aplicativos desenvolvidos em Java.

Quem utilizou telefones da Nokia, Motorola, Sony Ericsson, Siemens e diversas outras marcas durante os anos 2000 provavelmente teve contato com aplicações Java ME, mesmo sem perceber.

Outro capítulo fundamental aconteceu no universo dos smartphones.

Quando o Android surgiu comercialmente no final dos anos 2000, Java tornou-se a principal linguagem utilizada para o desenvolvimento de aplicativos para a plataforma.

Embora o Android não utilizasse simplesmente a JVM tradicional dos computadores — possuindo sua própria arquitetura de execução, inicialmente com a Dalvik Virtual Machine e posteriormente com o Android Runtime — a linguagem Java teve papel decisivo na formação do ecossistema Android.

Milhões de programadores passaram a aprender Java justamente para desenvolver aplicativos móveis.

A trajetória empresarial da linguagem também sofreu uma grande transformação.

Em 2010, a Oracle Corporation concluiu a aquisição da Sun Microsystems.

Com isso, Java passou a ser administrado pela Oracle.

A mudança gerou discussões dentro da comunidade, especialmente relacionadas ao modelo de desenvolvimento, licenciamento e evolução da plataforma.

Entretanto, Java já havia ultrapassado havia muito tempo os limites de uma única empresa.

Boa parte da plataforma passou a ser desenvolvida também por meio do OpenJDK, implementação aberta do Java que conta com contribuições da Oracle e de diversas outras empresas e desenvolvedores.

Ao longo dos anos, a própria linguagem continuou evoluindo.

Java deixou de ser apenas aquela linguagem extremamente associada aos grandes sistemas corporativos dos anos 2000.

Recursos modernos foram sendo incorporados.

O Java 5, por exemplo, trouxe mudanças importantes como Generics, Enums e Annotations.

O Java 8, lançado em 2014, tornou-se outra versão histórica ao introduzir recursos como expressões lambda e Stream API, aproximando a linguagem de paradigmas de programação funcional.

Versões posteriores continuaram acrescentando funcionalidades, melhorias de desempenho, segurança e simplificações de sintaxe.

Também houve uma mudança importante no próprio ritmo de evolução.

Em vez de esperar vários anos por grandes versões, Java passou a seguir um ciclo de lançamentos muito mais frequente, acompanhado periodicamente por versões de suporte prolongado, conhecidas como LTS — Long-Term Support.

Apesar de já possuir mais de três décadas de história, Java continua extremamente presente na computação.

Ele pode ser encontrado em sistemas bancários, serviços financeiros, grandes plataformas corporativas, APIs, aplicações Web, processamento de dados, infraestrutura de servidores, sistemas distribuídos e inúmeros softwares utilizados diariamente.

Frameworks como Spring e Spring Boot também contribuíram para manter Java extremamente relevante no desenvolvimento de aplicações modernas de backend e arquiteturas baseadas em serviços.

A linguagem ainda possui outra característica histórica importante: ela se transformou não apenas em uma linguagem, mas em um verdadeiro ecossistema computacional.

A JVM tornou-se uma plataforma capaz de executar inclusive outras linguagens, como Kotlin, Scala, Groovy e Clojure.

Isso significa que parte do legado técnico criado para Java ultrapassou a própria linguagem.

Talvez essa seja uma das maiores razões de sua longevidade.

Java conseguiu mudar sem abandonar completamente aquilo que havia sido construído anteriormente.

Um programa criado décadas atrás pode, em muitos casos, continuar funcionando em ambientes muito mais modernos.

Essa preocupação com compatibilidade ajudou empresas a construir sistemas destinados a permanecer em operação durante muitos anos.

Java certamente não é a linguagem mais nova.

Também não é necessariamente a melhor escolha para todos os projetos.

Mas poucas linguagens conseguem apresentar uma combinação semelhante de história, portabilidade, ecossistema, documentação, bibliotecas, ferramentas e presença no mercado profissional.

Da experiência conhecida como Green Project, iniciada em 1991, aos modernos servidores e serviços executados atualmente em ambientes de computação em nuvem, Java atravessou várias gerações da Ciência da Computação.

E continua sendo desenvolvido.

Para quem começa a estudar programação, conhecer Java significa mais do que aprender comandos, classes, métodos e objetos.

Significa também conhecer uma parte importante da própria história da evolução do desenvolvimento de software.

Em programação, tecnologias surgem e desaparecem rapidamente. Java é uma das exceções que conseguiu atravessar gerações.

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