O título segue a tendência do ano de lançamento, quando havia o temor da profecia Maia. Em 2012. O filme de origem espanhola conta a história de amigos que não se viam desde do tempo de escola, e se juntam em uma casa de campo para comemorar após 20 anos. O longa começa com um homem fazendo uma escrita muito a moda de Isaac Mendez de Heroes. E vamos a resposta simples, não vale a pena.
E para explicar segue uma breve análise. No século 21 nessas duas décadas iniciais tivemos uma boa safra de filmes que adotaram as fontes literárias. Maravilhosas histórias de livros adaptados no formato do cinema. Alguns deram muito certo e outros muito errado. Alguns ganharam fama e um universo expandido e outros foram esquecidos pelo tempo.

Em 2012 houve uma febre de filmes do final do mundo. Tudo baseado em uma desconhecida profecia Maia que contava com sinais que de o mundo acabaria, ou pelo menos, mudaria sua forma de existir, forçando os seres humanos em uma busca incessante pelo Vale perdido. Algumas dessas histórias tinha até um tempero, mas outras eram sem pé e nem cabeça.
O fim do mundo. Começou com uma boa introdução e terminou sem uma conclusão. A maldição de qualquer película que começa com um clímax e ser perder e não falar do que se trata, e inventar um apelo que mais parece um sonho que a pessoa acorda e reflete as loucuras oníricas fazendo comparativo com sua vida. O filme não é uma perdição. Mas tem um momento que você pensa que daria certo.
A ideia de unir as visões através de desenhos, um encontro no metrô, uma reunião com amigos, uma casa de campo. Uma estrela que não esta mais no céu, uma explosão enorme que provoca blecaute no mundo todo. Pessoas que desaparecem e animais enlouquecido. As perguntas são:
- O que provocou o blecaute?
- Que explosão era aquela?
- Por que as pessoas somem? Para onde vão?
- Porque as estrelas sumiram? Por que a terra não?
Nenhuma pergunta é respondida. No final temos uma conclusão meditativa. Acredito que até seria adequada quando falamos de filmes que não são de ficção, mas de drama. Todo roteiro que mostra uma questão precisa dar uma resposta. Muitas vezes ela não é satisfatória ou não é o que esperávamos. É compreensível. Mas quando uma história é contada para ser como uma ficção ela não pode terminar como sendo um reflexão filosófica.
Parece que entramos no restaurante para pedir pizza e saímos de lá com um carro. Aparentemente a resposta não desagrada. Mas você ainda vai pagar pelo carro. Que é obviamente mais caro que uma pizza. O mesmo gosto temos quando o filme termina. Costumo reparar que todo roteiro que se preze, prepara a resposta antes do arco da história começar a fechar.

Geniosos são aqueles que o fazem bem no finalzinho. O tempo exato para você perceber que aquela é a resposta. Mas no filme Fim dos Tempos (FIN, título original) remete uma ideia lúdica e emocional. Mais com o estado espiritual do que um filme de ficção científica. A tradução literal seria FIM. E por assim dizer podemos determinar que o fim de qualquer coisa pode ser qualquer coisa. Não fosse como o filme começou e como teve início aos acontecimentos estranhos, eu aceitaria o final como foi.
Mas senti como se estivesse vendo Lost. Na dúvida, mata todo mundo e diz que estavam vivendo os últimos minutos da sua vida. Até hoje a fumaça negra ficou em minha mente sem qualquer explicação. De fato o título da série fez os roteiristas se perderem. Não é por falta de talento, mas todo show biz sofre com alterações e substituições, nenhuma série aguenta mudança de trama. Tinha que ser o furo que foi.
Filmes são mais compactados. Você não tem o perigo persistente de colocar uma personagem errada naquela cena, porque ela não teria como estar naquela cena. Então o maior desafio é contar uma história e tentar não desviar do fim lógico do enredo. O criador tem a liberdade de dar destino aos seus personagens como quiser. Mas uma história sem pé e nem cabeça, não é uma história. É um retalho.
Senti após assistir 1h35 como tivesse visto dois filmes. Um terminou no momento da explosão nos céus e outro começou. Um falava de profecia e acontecimentos fenomênicos e outro tratava de reflexão da vida e do destino baseado em suas decisões. O problema do roteiro que preza por ficção e drama é um assunto dominar a cena e descartar o outro com facilidade.
Uma da razões que eu acredito que a série cancelada Nevoeiro tenha sofrido. Muito drama, muito dramalhão. Para um nevoeiro como coadjuvante. Muita expectativa, pouca entrega. Tinha mais assuntos pessoais acontecendo do que o medo que aquele nevoeiro provocava. No filme havia drama, mas após o problema maior assentar. E dramas pessoais só tem poder nas tramas quando eles causam um conflito ético ou dilema. Senão, acabam por ocupar o enredo e matam a história.
Se Frank Darabont tivesse optado por trazer a rixa entre vizinhos e problemas da cidade. Nevoeiro seria um filme muito diferente do vimos. A opção pelo diretor de Fim dos Tempos foi de tentar unir drama com ficção, aquela indagação de dilemas pessoais, amigos, questões de existencialismo unidos a tragédia grega cósmica. Não dá certo quando você une muitos elementos assim. Talvez em uma série, mas em um filme, é uma lambança.
O filme termina mal. Mal porque não conclui nada. Não sabemos como isso aconteceu. Se removermos o 2012 nem sequer vamos ligar ao fato da profecia maia. E o filme nem sequer cita qualquer profecia. Mas inventa um personagem que se chama Angel, um amigo dos protagonistas, que depois de ser obrigado a consumir ‘doces’ batizados, subiu em uma árvore e começou a ditar profecias.
Mas nada faz muito sentido no filme. Se estiver esperando por um filme de ficção. Não veja. Se estiver procurando por um filme de reflexão pessoal, veja a partir de metade do filme. Mas daí temos outras opções melhores, e conta com um filme completo. A fotografia não é ruim, nem as sequências. Mas existe uma clara percepção de que o roteirista e o diretor não conseguiram chegar em um acordo que história deveriam contar.
Fragmentos da trama são até toleráveis porque você espera uma finalização que embase todos os acontecimentos. Mas quando vê o final. Percebe que ele poderia ter evitado distrações e elementos narrativos que nos levam a crer que estamos diante de uma pérola de terror. Mas quando na verdade temos uma trama que irradia reflexões pessoais e a busca de cada um no mundo. O fim do mundo foi uma ‘desculpa’ para pressionar essas decisões. Mas não foi muito feliz. Tornando a obra muito confusa.
A resposta é, não vale a pena ver.
