Esta matéria e análise contém spoilers.
Deliberações do Universo Vingadores.
A história começa onde a outra terminou. Logo após Thanos ter vencido os Vingadores e ter aniquilado metade do universo, vemos uma derrota pairar no ar. Mas querendo que aquele bruto roxo sofra, sem esquecer que ele era um vindouro Goonies (Josh Brolin, Goonies, 1985), as claras vemos um filme que soube juntar Lords of the Rings, com todos os filmes da Marvel no sentido das sequências e na característica que fez estes filmes serem épicos: Aventura, ação, história e comicidade. E mais, juntar o que queríamos ver, um tapa na pantera e um excelente longa de 3 horas (ao meu ver, até curto) que merece três indicações ao Óscar: Efeitos visuais, atuação e fotografia.

Quando vi Homem de Ferro em 2008, há 11 anos, eu nem imaginava o que seria Vingadores. Não sou um leitor da banda desenhada, embora não ignore completamente a existência do mundo Marvel e suas coleções Dourada, Prateada e anos normais. Ainda que mais ignore completamente a origem de Thanos e as joias, como a maioria dos mortais, eu segui a cronologia e o canône apresentado nas telonas. Então, acredito que a Marvel adaptado aos cinemas já seria por si só uma obra de arte, o que me faz pensar em querer ler as Guerras Infinitas nos quadrinhos.
A cada vez que nas cenas pós créditos, Nick Fury (Samuel. L. Jackson) surgia para agrupar os seus vingadores em sua iniciativa, e descobrir pela Capitã Marvel, que ela foi sua inspiração para criar tal tropa, era apenas um começo. Após tantos filmes, chegamos na etapa final, ou pelo menos para essa etapa final. Já seguem rumores que agora teremos outras histórias para serem contadas. Talvez a Disney Go (Streaming) reviva a série da Agente Carter, aliás o Capitão terminou com ela.
Como toda história crescente termos uma lista de perdas permanentes, ou talvez como em X-Men: Conflito Final onde uma Phoenix – Jean Grey (Famke Jansen) deteriorava todos, em um Dias de um futuro esquecido, lá estavam eles lá de volta, não seria inapropriado dizer que personagens que morreram como Homem de Ferro, Viúva negra tenham sido uma caminho só de ida. Porque é assim que opera a indústria Marvel, hoje Wolverine é o velho Logan, daqui a pouco ele volta novamente para reprisar o papel do único Wolverine dos cinemas. É um marco, ninguém o fez além de Hugh Jackman.
A primeira coisa para ver um filme como Ultimato é encara-lo como um conjunto de todos os filmes da Marvel com um amadurecimento bem ao ponto e ao mesmo tempo onde um encontro está para ser realizado. Quando vi os créditos finais lembrei do último filme da série Clássica de Star Trek, onde cada ator tinha além do nome surgido na tela a sua assinatura, porque é assim que vemos o filme terminar uma época. Posso dizer que foi um marco, porque eu era 10 anos mais novo quando essa saga começou. Uma década.
Embora as mortes como o do Homem de Ferro possam parecer tristes demais, na verdade não é. A cena é bem dramática, mas nada do que esperaríamos não ver em relação ao Tony Stark. Ele teve até o momento dele de conversar com o próprio pai, falar sobre paternidade. Em uma volta no tempo para tentar reverter o que Thanos fez, era a única forma. Deu a Tony uma perspectiva diferente da própria vida, assim como Arya Stark e Carol (TWD), esse foi o personagem que mais mudou entre todos. De um Playboy egoísta para um Humanista colaborativo. Então perde-lo parece uma facada.
A história começa com Tony e Nebula esperando a morte no espaço, Gavião Arqueiro perdendo a família na hora da dizimação, e uma sede de vingança, mas sufocada pelo fracasso completo. Porque é isso que a Guerra Infinita transmitiu. Foi um fracasso total. Sim, foi isso que a história conseguiu passar. Como um gigante roxo daquele mata tudo, pega as joias e vence a iniciativa Vingadores, assim? A Capitã Marvel não é a solução, e era de se esperar. Herói forte nunca aparece mais que 10 minutos em um filme.
Já viu em games algum personagem poderoso como um Deus ficar perambulando por aí. Ele só é ativado porque você bateu alguma meta de missão. E a Capitã Marvel surge em apenas três ocasiões no filme: Salvar Tony Stark e Nebula, surgir em uma transmissão e no final do filme para derrubar a nave de Thanos. Mas quem salva mesmo a parada, de tudo e dá um ponto final, é Tony Stark.
Vemos todos os personagens juntos: Guardiões, Vingadores, Homem Formiga, Hope, Pai do Homem Formiga, família do Stark, Gamora, Thor barrigudo e uma sensação de que você já viu aquele filme. Porque é isso que a Marvel fez no último, ou seria, a última parte dessa saga. Não acho que vão finalizar aqui e deixar em ponto morto, porque agora dá aquela breve força de que tem mais para contar.
A volta para a batalha de Nova York, mas não se empolgue, a gente não vê sua totalidade, apenas os momentos e curtos do que ela foi. Vemos o filme em outra perspectiva. Como se fosse o mesmo filme, mas em outro ângulo. O legal é que este filme apesar das 3 horas, o que achei curto demais, consegue fechar e amarrar as pontas soltas. Estava preparado para engolir a explicação de como matar Thanos, mas até que não foi uma forçosamente uma explicação do tipo ‘Vida extra” que pulou de uma planta carnívora.

Universo quântico do Homem Formiga e uma vontade de estapear Thanos deram o gás. A batalha que queríamos ver no último filme, foi vista e da melhor maneira neste mundo. Ainda acho que a luta entre Harry Potter e Voldemort, Dumbledore e Voldemort e Anakin e Obi Wan foram lutas mais demoradas, em especial a última citada. Mas quando se trata de um ‘mundo inteiro’ batendo em ‘um mundo inteiro’ seria apenas um filme para tal evento, o que eu não veria com maus olhos – 3 horas para parte teórica e 3 horas para luta.
Agora o interessante é ver Guerra Infinita e Ultimato de forma seguida, pois o filme é um só, diferente dos outros em que a sequência quebra o ritmo, aqui temos uma conexão. A perda óbvia de Viúva Negra coloca-a frente a frente do seu parceiro nas lutas, Gavião Arqueiro na busca da joia da alma. O que aconteceu com Gamora e Thanos aqui? A viúva negra nunca morreria em uma luta igual. Mas nem aqui ela morreu fácil, então digamos que é aceitável…até que a ressuscitem em uma história no futuro.
Viagem no tempo.
Gostei das citações da viagem temporal no filme. De Volta para o Futuro a mais conhecida, entre outras mencionadas dando a margem de como o salto é entendido no filme. A primeira aposta de como eles viajariam seria com a joia do tempo, o olho de Agamoto que estava em posse do Dr. Estranho, que pelo visto, tinha toda a resposta na palma da mão.

Mas não era com a joia, não seria possível já que ela só retorna alguns momentos no tempo. E elas foram destruídas por Thanos também. E sim com o experimento de Scott Long, o famoso Formiga. Que já havia encontrado com eles no Homem-Aranha De volta para a casa. O Universo quântico. Ele ficou lá por 5 anos. Para ele 5 horas. E nisso consiste a teoria que os levaria para solução.
Mas lembrando que essa teoria não foi lançada em Ultimato, no primeiro Homem Formiga quando a mãe de Scott ficou presa no universo quântico pressuponha que ela tinha morrido, em a Vespa, segundo filme, ele descobre que ela estava viva e nova. A ideia foi de juntar o cérebro do relutante Tony Stark, que repetia não querer o plano. Por quê? Ele tinha uma filha (Morgan) com Pops, então seu plano era se manter na estabilidade, que acabou por terra quando ele mesmo não aguentou a proposta de matar Thanos – e montar um receptáculo para voltar antes e pegar cada joia.
Por anos Thanos procurou as joias para colocar um equilíbrio no universo. Até que seria um projeto inofensivo se isso não implicasse em matar 50% do universo. Thanos não é uma sugestão de Vilão, não é um Vader e nem Voldemort, mas uma união poética dos dois, pois ele é apenas um alien enlouquecido que acha que isso seria a solução dos seus problemas. Visto que tocaiado em sua cabana em um planeta morto, ele está convencido de ter feito a coisa certa, mas no final conseguiu apenas uma coisa – ser morto.
O Rompe-tormenta, machado que dava o poder do Martelo destruído por Hera em Ragnarok, e a Thor uma arma para matar Thanos. Eles só conseguem a proeza logo depois que o Roxo volta para a casa e vira fazendeiro. Mas o problema era esse – era tarde demais para resolver as coisas assim. Então eles ficam por 5 anos se conformando com aquela situação. Na Terra, Capitão América fazendo parte de um grupo de reabilitação, um Tony Stark com uma família, um Hulk com a parte Bruce e Hulk fundidas (Um Hulk Inteligente), Gavião Arqueiro mercenário e uma Viúva Negra agindo como Nick Fury. Mas derrotados.
E surge uma ‘formiga’ pra dar-lhes a possibilidade de chutar o traseiro de Thanos e pôr um fim nesta história. E começam a revisitações de lugares. Não de todos os filmes, mas dos que nos fariam lembrar daquele começo que esperaria aquele final. A conversa com Frigga (Mãe) de Thor nos dá a melhor amplitude desses reencontros. É o que Martin McFly queria ter com as versões de sua mãe ao longo da linha temporal. E é essa sensação que temos ao ‘falar e ouvir’ como se fosse o Thor.
Pegar a bandeira antes do Roxo.
O filme todo é eles voltarem no tempo e pegarem as joias antes de Thanos e fazê-lo sumir. Na prática seria retornar as joias para sua linha temporal para se tornarem intocáveis, mas Thanos se coloca na frente do plano e tudo fica muito complicado. Uma Nebula que consegue trazer juízo a uma irmã morta no futuro e viva no passado (Dai um gancho, Viúva e Tony morreram, mas podem estar vivos em uma linha temporal alternativa)
A teoria temporal do Universo Marvel não opera igual a maioria. Se você matar uma pessoa no passado o que acontece com ela no futuro? Ela morre. Aqui temos uma Nebula do passado que é atingida e a do futuro não tem um arranhão acrescentado. Então a linha não segue etapas e sim ‘momentos’ desconectados, a brecha da Marvel esta aí quando quiserem ressuscitar os mortos.
A luta para conseguir pegar as joias e dar um fim no problema é o momento frenético do filme. Mas 3 horas significam um filme lento, correto? Não. Antes de ver, li que a trama ficava lenta. Mas sinceramente, nenhum filme da Marvel com suas 2h ou 2h30 usuais eram tão dinâmicas, que acrescentar 30 minutos a mais seria apenas aquele gostinho que sempre queríamos e não tínhamos. A trama corre, por isso achei até o filme curto.
E quando você vê aqueles filmes anteriores, aqueles momentos que um dia se tornariam o passado. Dá aquele orgulho de dizer, bem Thanos, pode ter matado 50% de tudo. Mas não fez 1% de nada que eles fizeram. E perde no final. Perde. Ele apanha. E aquele apanhar épico, digno de herói. Claro, digno de herói de quem bate nele. Ele pode ter uma espada meio parecida com o Cloud de Final Fantasy, mas o problema é que ele não é o Cloud, sem as joias, ele é um Hulk um pouco forte.
Não há cenas pós créditos e um último Stan Lee.
Não tem cena pós créditos. Blasfêmia. Ok. Seria pedir mais, aliás os 30 minutos adicionais inclusos no filme são as cenas pós créditos, seria injusto categorizar o filme que não tem cenas pós-créditos. Mas de praxe, a sala de cinema só esvaziou quando os créditos terminaram. É a única marca que consegue prender as pessoas no cinema após o filme acabar. E nem um “Os vingadores vão voltar”. E a homenagem feita a Stan Lee tanto em Capitã Marvel como neste, e na versão dos anos 70.
Dentro de um carro cheio de mulheres, o pai da Marvel, cantava Paz e não faça guerra. Na mesma base que indicava – “Aqui nasceu o Capitão América”. Lembrando que em 1970 ele ainda estava congelado no fundo do mar. Mas Howard Stark pai de Tony Stark trabalhava em projetos secretos e onde o Tesserec estava armazenado antes de parar em Asgard. Missão que levou Rogers e Tony, ex-inimigos da Guerra Civil e Vingadores a procura do fim de Thanos.
Avaliação.
Surpreso. Bem surpreso. Não totalmente porque eu já tinha lido Spoilers de propósito antes do filme. Mas fiquei surpreso mesmo assim, porque ler spoilers é diferente de ver o mel derreter. E não é a mesma coisa. Porque o impacto de ver cenas de perdas ou vitórias é apenas um grande impacto que somente cada um pode dizer o que achou, é pessoal. Então os Spoilers só me davam dica do que ia acontecer no roteiro, agora como ia acontecer isso ficou a cargo do belíssimo filme.

Cada cena, personagem, volta, permanência deu o filme o final esperado. Queríamos todos vivos. Mas pelo menos lutaram até o fim. Herói nenhum merece o fim, mas se é para ter um fim, que seja para valer. Não gostei de matarem Dumbledore e nem Sirius Black, mas pelo menos tiveram um final memorável…o que não me faz conformar mesmo assim.
A trilha dos Vingadores estava surreal, porque você sente essa música desde do primeiro filme. E ali você queria que os instrumentos berrassem quando fosse tirar o couro de Thanos. Senti, não só por mim, que o filme era um jeito das pessoas dizerem – Thanos, fora daqui. Fiquei satisfeito com que eu vi, merece óscar, merece ser revisto. E só por causa dele, merece que cada sequência seja uma prova que nem as Joias do Infinito seriam capazes de vencer a iniciativa.
Dou nota 95.0, seria dez senão fosse pelas mortes de Tony e Viúva Negra, acho desnecessárias, até porque eu acredito que eles poderiam ter evitado isso. Com mais pesquisa em um futuro destruído, eles tinham o tempo todo do mundo, Tony poderia ter construído uma manopla para ele, aliás ele resolveu uma forma de fazer uma máquina do tempo, que nunca foi construída em apenas alguns minutos. E a Viúva negra poderia ter pensado em algo melhor ali na hora? Mas o filme é excelente.
