Thor: Ragnarok

Thor Ragnarok é rico em pontos chaves e elementos que deram certo para franquia Marvel nos cinemas. Ação, aventura, suspense e comédia. Embora muitos canais tenham criticado a nova trama como sendo um Deadpool, acabaram esquecendo dos pontos importantes do filme. Vamos lá, o Mundo Pauta viu.

O terceiro filme solo, mas não tanto de Thor, apresenta novamente o Deus do Trovão, filho de Odin que já faz parte do grupo vingadores fazendo jus ao seu título de Rei de Asgard. Quem se lembra desde do primeiro filme em 2011 em que ele foi desafiado por Odin a ser digno de levantar o martelo, essa é sua sina desde que passou a ser considerado oficialmente o representante do povo Asgardiano.

Antes de ingressar o grupo famoso, vingadores, Thor teve que conquistar o público para uma nova versão do super herói. Assim com a Mulher Maravilha conseguiu tirar os personagens da DC daquele processo ‘dramático’ de construção do personagem dando um boost na ação e fazendo a história ter mais valor que antes, Thor montou um personagem carismático de forma comparativa.

Não sou contra os filmes da DC, em especial aos títulos do Superman. Mas a moda de ‘reboot’ e da mudança do ator de quem faz o super herói cansaram a tentativa de amadurecer o personagem. Superman Returns deu uma interpretação interessante da continuação do relacionamento de Lois no segundo filme da série (1980) e Homem de aço quis reescrever como o ‘alien’ de Krypton é visto pela sociedade. A diferença é aceitação do personagem pelos terráqueos, válido, mas que se tornou bastante problemático inclusive com a morte dele em BVS sem dar o devido mérito ao Doomsday e a evolução do personagem.

O desmerecido conflito entre os dois, pelos menos na versão dos quadrinhos, é que Doomsday não era um personagem avulso como foi demonstrado no filme, capaz de matar o superman, mas que foi derrotado pela combinação da amazona e um ser humano que depende da armadura para fazer diferença. Tornando esse filme no mínimo estranho de se explicar. Não é ruim, apenas complicado.

Ao contrário da ‘crítica especializada’, Thor sempre teve personalidade. A não ser que você NÃO tenha visto Thor (2011) e Thor Lado Sombrio, e apenas tenha visto Thor: Ragnarok e ignorado os dois filmes do vingadores em que ele aparece, sim, você vai realmente concluir assim. Desde do primeiro filme em que ele surge, a forte personalidade dele se concretiza em ser um trabalhador para o seu povo.

Enquanto que seu irmão adotivo, Loki, prima pelo poder. Chegando a todo momento a criar problemas suficientes para que Thor pense em destruí-lo. Mas ele nunca pensou assim, embora fosse o sentimento constante de quem vê a relação dos dois. O seu relacionamento com Jane Foster ajudou a dar força pelo lado ‘humano’ do personagem criando este elo.

Associar o romance a história não foi uma perda de tempo como já li, na verdade sem este ponto eles teriam que inventar uma forma de um grupo avulso de personagens da terra, que logo o descartariam por conta do personagem agir de forma solo.

Já como integrante dos Vingadores, foi explorado o lado de trabalho de equipe dele que seria no mínimo distante, se fosse realizado antes do filme solo. É só reparar em Mulher Maravilha quando aparece no final do filme BVS (Batman Versus Superman).

Não entro no mérito de discutir a qualidade da película, mas a Mulher Maravilha do longa não se compara com a do sua versão solo. A personagem parece ‘outra’ em quesito de poder e presença de cena.

Em Ragnarok os elementos que fizeram o filme Guardiões da Galáxia ser o que é, é realmente muito perceptível. Talvez a encruzilhada de mostrar um personagem que fosse mais sério para o dia do julgamento final de Asgard tenha desagradado a alguns. Mas se vamos considerar os filmes da Marvel agora com a máxima seriedade que ‘nunca teve’ desde do primeiro, teríamos que reavaliar o número de continuações de cada história.

Ultron foi considerado um vilão pífio. Correto? Filmes como Transformers demonstram porque os filmes da Marvel não poderiam seguir o mesmo caminho. Por quê? Adoro os filmes dos Transformes, a fórmula que foi usada e reutilizada deu tanto certo que os números de continuações dos Autobots contra os Decepticons levou 5 continuações, uma década (desde de 2007) para concluir que os Transformes além de uma ligação com a terra desde dos primórdios tinha uma espécie de saga interna que levava a paralelos alienígenas e mitológicos.

Cada filme do Thor, eu digo cada trama deveria levar mais ou menos esse tempo para contar a história. Imagine como seria tedioso isso acontecer? Não que essa conclusão faça Transformers ser um filme chato e nem suas sequências, muito pelo contrário, a abordagem da saga dos Autobots é DIFERENTE do que a MARVEL criou para seus títulos.

Essa dinâmica comprovado pelas bilheterias e aceitação do público ajudou a construir como os filmes foram feitos. De fato se havia uma chance do Ultron ser mais explorado, ou o Visão outra personagem igualmente importante, ou mesmo dos irmãos Maximoff que tem todo um contexto que leva inclusive a relação de ódio a Tony Stark, a perda de Sokovia, deveria ter pelo menos três filmes além dos Vingadores só para eles.

E Mercúrio apesar de ter super velocidade morrer daquela forma desagradou muita gente. Aliás ele tem supervelocidade, como ele morreu? Simples, o objetivo dele era de ficar na frente do Gavião Arqueiro. Logo sua morte não é exatamente uma ineficiência, mas um furo no roteiro. Se ele pensava em salvar o Gavião, não seria melhor tira-lo do lugar no lugar de ficar na frente dele?

É válido, com certeza. Mas imagine o tempo que seria necessário para produzir cada etapa? O custo inclusive? Disponibilidade dos atores? Mudança de elenco porque os atores não puderam cumprir a agenda? Entre outros fatores. Sem falar que o tempo que distancia os títulos dos Transformers demonstra que essa forma de apresentar a história pode causar uma leva perda de “sensação e ação”. Considere a história das máquinas e seres humanos como um trabalho de paciência.

Se Thor levasse 10 anos para chegar no terceiro filme, acho difícil que seria tão aclamado como ele é hoje. O ingrediente secreto do filme Ragnarok é compreender que abordagem da Marvel até agora e ver cada filme de Thor, e esquecer esse ‘raciocínio’ da crítica de avaliar um filme independente. Nenhum título tem o compromisso de apresentar o personagem do zero sempre, estamos falando de sequências aqui.

E se você deixar de ver o filme porque alguém disse que ele é mais piada que ação e que seus personagens são caricatos, é realmente uma perda considerável de diversão. Por minha vez ouvi falar de um amigo essa crítica. Graças, não a li, teria perdido 130 minutos de um grande clássico. Lembre-se Thor Ragnarok não é um filme independente, ele ter contexto dos anteriores.

Veja o filme e tire sua própria conclusão. Como há um conhecimento geral – ‘Nada nunca agradará ninguém ao mesmo tempo‘.

A grande cena fica para Jeff Goldblum como o verdadeiro Grão-Mestre, em certos momentos pareço ter visto o tom de ‘cinismo’ de Seth Bundle nas atuações (A Mosca, 1986). Cate blanchett consegue criar um elo de ‘vilã’ e entrar no ritmo das cenas sem perder o contexto, aliás quem é a primogênita de Odin? Hela a general dos seus exércitos, revelam que a história de Asgard nunca foi…benevolente.

Muita da história é revelada em Ragnarok em especial o destino dali em diante de Asgard e o que isso tem a haver com a Terra, Guerras Infinitas e Thanos. As duas cenas pós créditos revelam muito do que se esperar, inclusive com o personagem “O Colecionador”, criando uma ponte entre as sagas.

Embora o subtítulo seja “Ragnarok” observe o filme como sendo uma conclusão de vários outros fatos da série. Hulk, Bruce Banner que faz uma participação como coadjuvante faz uma ligação entre Os Vingadores: A Era de Ultron e as Guerras Infinitas. Fazendo talvez uma ‘sátira’ do conto do Hulk no planeta selvagem, após ser expulso da terra e viver como escravo em um planeta, onde se tornou Rei.

E a apresentação mais uma vez da história passada de Asgard, a última Valquíria viva. A pequena participação do Dr. Estranho também é genial, especialmente para esclarecer a integridade do universo criado pela Marvel até agora.

Nota: 95.0