Análise Literária (2) – Navio Misterioso de LoveCraft

Obras que cativam pela forma que são elaboradas é um exemplo que acontece neste conto de Lovecraft. A crônica é sobre um misterioso navio e desaparecimentos de pessoas. Primeiro tudo é contado como se fossem missivas com cortes de informação feitas em um arranjo do tipo por datas, com fatos omissos.

É definido assim, versão curta. É como se fossem pareceres que foram recolhidos de uma cena do crime, no entanto, somos levados a crer que o navio tem um mistério sobrenatural. Assim nos levamos em uma narrativa que parece uma brincadeira típica de nossas infâncias conhecida como “Repete a última coisa que falei com a parte nova”.

Como se fosse um truque de mágico querendo nos iludir para esconder a moeda. Depois que a parte curta é apresentada. Vem logo em seguida a versão longa, que inclui no texto, as partes ocultas que revelam que nada de misterioso há e tampouco sobrenatural, e sim uma comitiva pirata que havia deflagrado com problemas, pessoas em lugares diferentes e motivos bem menos nobres.

Muito das narrativas de Lovecraft não são exatamente sobre anormalidades. E o seu uso da escrita prioriza os detalhes como uma forma de contar com o suspense, como se tudo fosse normal e que por acaso, ali, escondido nas moitas, houvesse apenas um ser estranho, quando você apenas pensa em regar as plantas. Foi assim com o conto “O que vem da lua” deste mesmo autor.

Assim se repete pelo Stephen King quando elabora a narrativa, espreitando apenas detalhar a cena, como se tratasse de um texto arranjado sobre decoração de interiores, e no final, estavam querendo nos inserir na cena de tão concreta que ela seria. E de repente, faz uso da linguagem comum, para apresentar o monstro, o fantástico, o sobrenatural e o segredo.

Em outro conto de Lovecraft é comum por exemplo apresentar a ideia em uma perspectiva de primeira pessoa, onde o que o leitor lerá é como se fosse ele descobrindo tudo em primeira mão, sem poder, de antemão, capacitar-se do ambiente, dos elementos, do final ou do que virá. É o caso da Fera na Caverna.

Em Outsider de Stephen King a história é contada como se fosse um romance policial comum. E o monstro é representado por uma figura tão humana ao normal, mas que nos faz perguntar se há algo de anormal no caso, dada descrição que faz pouco caso a um famoso episódio de Arquivo-X. Mas tratando como se fosse um episódio comum de House.

Navio Misterioso não tem um pingo de sobrenatural, tampouco terror, de suspense na medida certa. E que nos pensar, ou deduzir, tardiamente, que se tratava apenas de fatos contados pela metade de um conflito entre piratas e a marinha americana.

Exterminadores do Além Contra a Loira do banheiro

Crítica.

Uma construção de terror base de o Chamado, com lenda urbana a famosa “Loira do Banheiro” com a profanação de filmes trash como Ash vs Evil Dead, o que coloca uma das primeiras produções desse gênero pelo cinema brasileiro a um patamar bastante interessante.

Ainda que haja um pitaco cômico, eu esperava, ainda com a participação de Danilo Gentili uma produção basicamente ‘Comédia’. Mas não, fiquei surpreso quando pensei em alguns momentos ver produções como terror espanhol ou europeu, que chega a ser bastante intenso. Não é uma produção japonesa que realmente faz você dormir apenas dois meses depois, com o medo da mulher sem parte da boca surgir debaixo das cobertas.

A similaridade desse filme com a série Ash Vs Evil Dead vai pelos acontecimentos marcantes onde situações como um bebê demoníaco entra em uma mulher morta e assume seu controle, mas não estamos falando de possessão, e sim uma pessoa entrar em outra literalmente. Ou ainda da luta de Ash no necrotério onde literalmente ele se deu muito mal por lá.

O roteiro de Exterminadores é basicamente falar de um espírito atormentador em uma escola local, se há momentos ‘Grovy’, sim, se há uma história e um contexto interessante de terror, também há. E para uma produção brasileira que não aposta muito neste gênero, está bem acima dos padrões.

O uso das técnicas de susto são as conhecidas, você olha para um lado, quando olha para o outro, você leva um susto com alguém que não estava ali antes. No canto da sala uma sombra. Os efeitos são bem feitos, eles lembram as tomadas de filmes de terror Coreanos. E merecem uma atenção especial.

Há um quesito de absurdo, o qual eu sustento como profanação, porque praticamente ultrapassa os limites totais do que você poderia esperar de bizarro. Não seria diferente com uma figura tão elétrica como Danilo, mas que coloca o pé da produção a um nível norte americano. Claro, se você opta por terrores clássicos ou blockbusters, e não explora uma seleção mais diversa, vai ficar boiando em saber que esse é um título realmente bom.

O que engana também é a publicidade ter colocado o título tão extensivo ou melhor espalhafatoso. Assombra a ideia de que um filme bobo e descarado com toques de humor e que possivelmente Leandro Hassum vai pular de uma janela gritando “Amauri, cadê meu dinheiro?”, embora o ator talentoso pudesse ser mais do que um comediante, vale o lembrete que as pessoas o conhecem por sua comicidade.

Seria mais interessante um título com o nome da assombração – “Katarina”. O título faz uma menção bastante interessante ao que podemos falar de “A morte te dá parabéns” que pode sugerir um filme do tipo Pânico, mas que está mais condicionado ao tema de viagem temporal, o que acaba matando essa curiosidade se você for uma pessoa que não gosta de filmes de ‘Assassinos e jovens’.

Se ainda for um ‘hater’ da linha Ash Vs Evil Dead, ainda que fosse pelo lado do tipo sabichão americano que com um trabuco e uma motosserra está satisfeito em fatiar morto vivo e ainda paquerar as garotas, nós temos em Exterminadores uma visão mais Caça-Fantasmas, com um ar absurdo, mas sério também. E sério em pontos interessantes, porque temos as tiradas básicas da comédia contextual, aquela que falar um WTF vale e resume em muito todas as emoções de um momento sinistro.

Você vê clichê, sim. O filme que não tiver clichê não tem graça. Clichê é um conjunto bem interessante de movimentos no cinema que nos permite compreender uma parte da história sem precisar optar por uma linguagem e terminologia nova, então teremos umas piadas sobre “Sociedade”, mas nada que faça lembrar que o filme é de estúdio brasileiro.

Já vi muito filme de terror americano, e alguns chegam a ser tão idiotizados que merecem uma vista de olhos, e este filme? Merece?

Vale a pena ou não?

Os filmes de terror que mas me colocam no eixo do medo apavorante é aquele que alia mistério, com fatos que poderiam ser reais e a trilha. A música faz tanto parte da construção da narrativa, que se ela se ausenta, os elementos precisam ter casamento perfeito para dar sustos. Não que não seja possível, mas a música tem mais participação em revelação na calmaria do que durante um processo do aterrorizar em si.

O filme embarca bem com a música que segue os passos do contexto, que oferece ao olhar suspeito uma forma nas notas e que faz muito sentido quando vemos e escutamos. Não há nenhuma música que desgrace a obra. A fotografia é básica de terror – chuva, trovão, raio, corredores de uma escola. Me fez lembrar outro trabalho do ator – “O pior aluno da escola” que Carlos Villagrán fez o diretor, que chega ser um excelente trabalho e bastante cômico.

Os personagens são centrados naquele estereótipo – O sempre ignorado, o cara estrela, o outro cara estrela mas que tem um gosto pelo desconhecido, o descrente mas faz o serviço e o estudioso. Trata-se de uma realização bastante interessante, porque os atores conseguem mostrar seus personagens em uma consistência.

E que fazem parte dentro da ação e terror, o momento único de fazer comédia, mas que não estraga o terror. Já parou para pensar se em um contexto sério como Guerra Infinita você contasse com Chapolin Colorado? Ele não é cômico por que quer, ele é só muito atrapalhado.

Se espera um filme como o “Todo mundo em pânico 3” (2003) que faz paródias de filmes com o Chamado, eu desencorajo a comparação. Ainda que eu pensasse desta forma antes de assistir, mudei minha perspectiva ao longo da história, e que ainda não se influencie por um fator, não sou fã e nem acompanho assiduamente os trabalhos de Danilo Gentilli. O que tira ainda o peso de avaliação do filme, ao contrário das inúmeras vezes que assisti o filme americano citado.

Remova as esperanças de um ser um filme recheado de piadas engraçadinhas ou tiradas de Portas dos Fundos – porque há um filme de terror que ocorre aqui e muito apreciativo.  Vale a pena a ver? Sim. É um terror mergulhado em comédia? Não. É um terror que dentro do contexto e pautado para momentos certos, existe uma comicidade, mas não lembro de dar uma risada sequer. Possui ação? Possui suspense.

Nota: 85.0

 

A Floresta maldita

Floresta de Aokigahara localizada no Japão tem uma história macabra, conhecida como um parque para as pessoas cometerem suicídio, também é emplacada por uma força maligna que é justamente a causa desses acontecimentos. A irmã gêmea Jess de Sara (Natalie Dormer) simplesmente desaparece no Japão, convicta e preocupada a garota voa para o país nipônico. Tudo que é terror japonês já clama pelo Grito ou Chamado. (Ou Fatal Frame).

Normalmente terror japonês é claro em seu objetivo, tem algum espírito maligno que antes era um ser humano que foi brutalmente morto e a maldição de sua manifestação é a razão dos acontecimentos. Em parte você deduz logo de cara, pois quando você ouve falar que a Floresta Maldita é semelhante a Mulher de Preto, então a ficha cai. Ou não se você não viu esta dica.

Apesar do filme “Imagens do além” (Shutter, versão de 2008) ser de origem americana, eles conseguiram pegar a ideia de demonizar um ser humano morto de forma brutal. E o filme é extremamente assustador, especialmente quando revela o que o atormenta.

Mas diferente desse filme, quando cheguei ali pela metade do Floresta notei que a coisa ia terminar como manda o figurino. Se quiser ver o que acontece com ela é só selecionar com o seu mouse o espaço entre os tags a seguir [SPOILER MATADOR] Ela morre no final possuída pelo demônio que mantinha a sua irmã presa na floresta. [SPOILER MATADOR]

Também está disponível no Netflix.

The Silenced

Terror coreano na década de 40. Mas na medida certa que os coreanos adoram usar o movimento de câmera timelapse para criar aquele movimento bizarro do morto no final do corredor. Há arrepios em filmes coreanos o suficiente.  Dá frio na espinha só de lembrar. The Silenced trata de um internato para jovens e há alguma coisa acontecendo nele.

Uma aluna Joo-ran vai estudar nesta escola que tem regras rígidas e típicas de uma escola tradicional. Mas há algo de estranho quando algumas alunas começaram a trata-la com um certo desprezo. Se o motivo pelo qual elas estão sendo raivosas envolve o desaparecimento de uma aluna nas pendências da escola e sem rastro algum.

Até aqui você relaciona a trama com os pôsteres e pensa. Filme de drama coreano com abusos aplicados nos anos 40 em escolas femininas tradicionais. E você se engana quando começa a notar que o filme tem um prelúdio bem básico de um drama.

A aluna nova não era a substituta preferida? Claro que Joo-ran começa a reparar que entre um vulto aqui e ali, a escola não é exatamente uma escola. A trama ela consegue envolver, porque normalmente filmes orientais ficam dentro de um rito que só eles conhecem. Então nós ficamos a ver navios quando uma menina coreana põe a mão na boca porque a outra proferiu uma profanidade. E você ali no meio sem entender porquê.

Se você sabe o quão é estranho ver uma menina melecada com uma substância amarela debaixo da cama, então você percebe que a escola é mais estranha do que nunca. A diretora que não engana ninguém finge de morta – mas as alunas que somem nos corredores sem deixar vestígios e tem uma relação com a suspeita dos caseiros com o porão da escola. Porque lá existe uma grande relação em como o Wolverine se tornou Wolverine com uma menina que se tornou uma arma X.

Se contar mais não serão 50% de spoilers. Terror e ficção para ser mais exato. Depois conta como é que foi o filme.

Este filme se encontra no catálogo do Netflix.

I am not a serial killer

Cidade pequena, filme feito de maneira rústica, a ideia é demonstrar um lado antiquado do interior. Com foco em relações e nos personagens. E o que acontece quando você entra em contato com um adolescente que trabalha num necrotério, tem pensamentos bizarros e enquanto isso a polícia tenta solucionar uma série de brutais assassinatos?

Quando assisti ao filme pensei estar vendo uma versão normal de Let Me in. Basicamente a versão vampiresca interpretada pela última vez por Chloe Moretz, trazia um cenário dos anos 80 muito bem adaptado a época com poucas locações e uma verdade sinistra e crua de como vive um ser das sombras. Mas o filme I am not a serial Killer consegue com uma simples narrativa trazer um pouco de terror, lembra bastante os anos 80’s e o trash clássico.

Fase difícil da adolescência, e imagine trabalhar no necrotério, onde sua mãe e tia dividem a sala com um morto sendo costurado? Tudo indica que haverá um problema muito sério com John Clever (Max Records) e sua mania de pensar em homicídios. Acompanhado por um terapeuta que mais lembra, pelo menos em certos momentos, o personagem John Keating (Robin Williams) em a Sociedade dos Poetas Mortos. Poético, mas sem a genialidade incentivadora, o terapeuta é um daqueles que são mais confusos que o paciente.

E a ronda dos brutais assassinatos? O que mais parece ser é uma drama que envolve um adolescente com problemas familiares, contra um valentão na escola e com uma mania esquisita de pensar em morte o tempo todo? Mas o título faz menção ao personagem crowley (Christopher Llyod), um senhor de idade com a saúde abalada, boa pinta e carismático.

Até o próprio John faz o bom samaritano, ajudando o casal em tempos difíceis.E aí que vem a relevação, o assassino dos crimes brutais. As pessoas tem os órgãos arrancados do corpo em vida. Semelhança com os assassinatos do torso que baseado em fatos verídicos, mesmo na obra cinematográfica (2006) e na versão de jogo eletrônico de 1999, o ‘modus operandi era de mutilar os membros, lavar cada um e embrulhar em pedaços de jornal. Até um caso desse foi abordado em L.A Noire da Rockstar.

Mas aqui o caso é mais sobrenatural. Envolve a sobrevivência de um ser humano que procura estender seu tempo de vida tirando a de outros. No caso, tirando os seus órgãos e fazendo-os funcionar em um corpo já debilitado. Quem será? Crowley é claro. Mas imagina que essa é a parte menos bizarra. Até que seria um terror de alto nível apenas com a pinta de Dr. Frankestein. Fica para a surpresa geral como é que ele faz isso e o que de fato se trata.

O filme está no catálogo do Netflix com o nome original em inglês.