Obs: Nenhuma parte deste artigo fora escrito por uma Inteligência Artificial.
Na década de 1980, Nevoeiro (título original: Mist) fora escrito por Stephen King, publicado originalmente na revista Dark Forces e posterior, no livro de bolso — Tripulação de Esqueletos em 1985. Em 2007, o diretor Frank Darabont, lançou o filme que brindaria os acontecimentos de um projeto secreto militar e uma inesperada fenda entre as duas dimensões, apresentando o terror inimaginável — impondo duras decisões aos habitantes — iremos neste artigo falar sobre a diferenças entre livro e filme.
A narrativa se desenrola entre o espanto da misteriosa névoa que cobre a cidade e a revelação do pior lado do ser humano — quando são confrontados com a necessidade de sobrevivência. Entrei em contato com essa história a princípio pelo filme, descobri posteriormente que se tratava de um conto do autor King e levei um bom tempo para achar o livro. Que por sua vez não seria encontrado como um livro a parte, mas como um dos contos contidos na Tripulação de Esqueleto (1985) .
A distinta parte que podemos apurar entre a obra literária e a adaptação cinematográfica, pode ser localizada no seu desfecho. Stephen King não opta pelo radical; e no final da obra, David não tira a vida de seus vizinhos e tampouco do seu filho. No lugar de tal decisão chocante, eles saem do mercado e seguem indefinidamente por entre caminhos.
“Acima daqueles aparentes hieróglifos havia uma figura de evidente intenção pictórica, embora sua execução impressionista não permitisse uma ideia muita clara acerca de sua natureza. Parecer ser algum tipo de monstro, ou símbolo representando um monstro, e tinha uma fora que só poderia ser concebida por uma uma imaginação doente.” (O Chamado de Tchulhu, Pg. 299)
Mas o livro não corta para uma finalização em que o veículo simplesmente desparece e a letra miúda ‘fim’ surge. Eles passam em suas casas à procura de seus familiares, transpassam rodovias à procura de outros sobreviventes e testemunham uma selva de criaturas bizarras retorcendo nas árvores, alados insetos pousando no capô, tentáculos à espreita e claro, o encontro com a enorme criatura que chega a esbarrar na lateral do carro deles. Eles testam frequências rádios a procura de refúgios, na obra, o nevoeiro não é escoado e o exército não surge para salvar a todos.
“Existem coisas de tanta perversidade e horror – suponho que assim existem coisas de tamanha beleza – que elas não conseguem cruzar as insignificantes portas da percepção humana” (Nevoeiro, Pg. 222)
Aquela dimensão estranha, que foi acidentalmente aberta pelo projeto denominado ‘Ponta de flecha’ permitiu que alguma realidade onde criaturas com características similares ao nosso mundo, reproduzia em um circo de horrores aberrações como aranhas com face de caveiras, insetos gigantes e uma enorme aparição com silhueta de crustáceo mutante, a leitura nos permite entender que há um mundo novo a explorar, sem saber se há chances de sobrevivência.
Agora quanto ao filme, temos a mesma saída do mercado com os mesmos personagens, a brutal diferença é que no lugar de David poupar a si o destino de ser o algoz, pensando em ser o salvador, ele decide tirar a vida dos seus vizinhos e de seu filho, com a intenção de preservá-los ao sofrimento de serem atacados ou devorados.
O encontro com a criatura gigantesca acontece como no livro, a passagem na vizinhança a procura de sobreviventes. Mas os testemunhos de ver criaturas percorrendo os lugares, acompanhando sua incrível a adaptação ao nosso mundo, não acontece.
E após o ato hediondo de David, alguns minutos posteriores, percebemos que se ele tivesse esperado teria conseguido superar aquela situação agonizante, uma vez que uma tropa de militares expurgava as criaturas, incendiando-as, e conforme se aproximavam do carro deles, a névoa ia ao poucos se dissipando.
Em um documentário, o diretor Frank Darabont justificou a mudança do livro por um final que ele achou que seria mais interessante. O motivo dessa adaptação, era de que ele intencionava chocar o público com um ato deliberado e desesperado de um pai. Como se o conto já não fosse o chocante o suficiente.
