Nova Proposta de Valor: Magazine Luiza

O exemplo de posicionamento, a varejista e-commerce Magazine Luiza sediada em São Paulo, expande suas operações por diversos estados ações que ajudem as pessoas a verem como um catalisador de mudanças e não apenas uma empresas que quer ganhar dinheiro.

Em Estratégia de Marketing pensamos em criar produtos que transformem a vida das pessoas além de solucionar problemas específicos. Não é um segredo, mas um pulo do gato quando uma corporação compreende que o valor criado ao redor do produto um significado.

Em julho de 2021, o aglomerado Magazine Luiza investiu R$ 100 mi em infraestrutura para começar suas operações no Rio de Janeiro. O divisor de águas é que parte desse investimento tem por prioridade melhorar o padrão de vida da cidade.

Em uma percepção mais ampla entendemos que a empresa brasileira não quer apenas deixar uma marca de empresa rica e consolidar o seu market-share. Ela quer que você a ajude a ser uma autoridade e a responsável por melhorar a qualidade também da vida das pessoas em outros aspectos.

Uma das ações foi de colocar adesivos 30 ônibus da linha BRT com o logo da Magazine Luiza e melhorar a operação da linha e dos serviços do transporte com os recursos da empresa, parte do orçamento acima citado.

Além disso também anunciaram um investimento no WI-FI, supervia e bicicletas de aluguel. Se prestarem atenção o objetivo é facilitar e melhorar a vida de quem pega transporte público, claramente um melhoramento do padrão de vida do público direto do e-commerce em questão.

Algumas das aquisições da empresa envolve a Kabum e a HUBfintech que são respectivamente, o varejo da maior empresa de venda de games no Brasil e o sistema de pagamentos que vincula a legalidade do Banco Central as transações financeiras para que os clientes possam optar por um sistema:

  • Seguro;
  • Legal;
  • Confortável.

E para concluirmos as ações, a própria Magazine Luiza patrocinou o aumento do andamento da vacinação da Covid-19 com atuação nacional. Vamos agora entender a prática da Nova Curva de Valor adotada desde da criação da empresa.

Neste artigo aqui falei sobre a matriz de EREC que é uma formato matricial onde temos a capacidade de analisar atributos de serviços e produtos que existem ou irão existir e criar um novo padrão de como as pessoas podem consumi-lo.

À exemplo, a Disney é uma empresa que mudou a concepção de vender desfiles e atrações musicais como um produto que pudesse conduzi-la ao lucro. Parte da identidade da empresa hoje foi uma criação da demanda dos anos 40-50, a valorização dos musicais, shows da Broadway e óperas.

Mas não no formato que elas se encontravam. O objetivo era contar histórias da Carochinha utilizando o mesmo formato. E na matriz de EREC temos:

  • ELEVAR;
  • REDUZIR;
  • ELIMINAR;
  • CRIAR.

E o seu conceito é priorizar o que iremos agora vender e como vender. Magazine Luiza é uma análise que ofereça pronta resposta, é um e-commerce como qualquer outro que usa uma plataforma digital para vender os seus produtos. 

Não é incorreto, mas como ela faz é que muda o ritmo da compra e produto. As pessoas veem a empresa como um agente transformador que além de vender coisas pela internet, também as ajuda a conceberem uma sociedade melhor.

Um exemplo a considerar são as ações de inclusão, respeito a minoria, valorização do público além do perfil cliente e como pessoa, criação da um elo humano (o alter ego: Magalu) e a aproximação da empresa como se fosse uma pessoa em um círculo social.

O trabalho do Marketing é essencial para criar a imagem que a Magazine Luiza tem hoje. Até uns 5-10 anos atrás, ela era mais um Amazon, Lojas Americanas, Submarino e etc. Hoje podemos destaca-la como um patrocinador oficial do bem estar.

Como podemos entender a criação da nova curva do valor? No artigo que citei acima, elevei a análise para o Netflix e como ele inovou o mercado de de aluguel de filmes e séries e as plataformas streaming. Agora o propósito é o mesmo, mas demonstrando como a Magazine Luiza pegou o que já existia e inovou.

Alguns devem compreender essa ação de inovação como um disrupção. E agora vão entender como ela acontece na prática utilizando a matriz EREC.

ELEVAR.

  • Tipos de produtos;
  • Tipos de mercados;
  • Tipos de públicos;

REDUZIR.

  • Custo de compra;
  • Burocracia na compra;
  • Custo de logística.

ELIMINAR.

  • Conceito de empresa ‘só para lucrar’;
  • Barreira de relação marca-público;
  • Dúvida do papel social e econômico perante o público;
  • Dificuldades dos clientes de achar e comprar na loja.

CRIAR.

  • Ações sociais;
  • Alter ego: Magalu;
  • Sistemas de comunicação e compra.
  • Departamento de relacionamento: Social, econômico e corporativo;
  • Benefícios ao cliente além do produto.

A matriz aqui está disposta em lista, mas normalmente a veremos em quadros divididos em quadrantes onde cada campo nos oferece uma visão do que seguir. Cada um destes itens são:

Elevar – Compreensão do que devemos considerar como prioridade, mas já existe no negócio ou é existente no mercado. Seriam os seus pontos fortes;

Reduzir – É tornar menos relevante alguns comportamentos e ações que ainda sim são importantes para serem mantidos, mas não são a chave do sucesso da nova curva;

Eliminar – É uma fase que precisa remover o que gera custo, pouco ou nenhum retorno e o mais importante motivo de todos, deslocar o conceito do seu negócio ao novo sentido;

Criar – É o que não existia e se caracteriza segundo o seu plano, como o produto será de forma nova, oferecida. 

Cada etapa do EREC tem o objetivo de nos oferecer um mapa mental do que temos que criar, priorizar ou eliminar. 

O E-commerce da Magazine Luiza é igual à todos existentes no mercado, o que eles fizeram foi de continuar a não mexer no time do foco comercial: Vender e lucrar, negociar com fornecedores e manter a linha de interesse dos seus produtos diante do público.

Mas a mudança deveria ocorrer como o produto poderia ser entendido pelo público. Comprar um DVD, livro, games ou utensílio deveria ter um outro significado que apenas comprar estes produtos. Para torna-lo real deveriam:

  • Ser acessíveis;
  • Custo e benefício;
  • Sem burocracia;
  • Seguros;
  • Criar relacionamentos;
  • Promover satisfação.

São atributos que você SENTE quando compra. Por isso a empresa está investindo na compra da concorrência. No lugar de você se deslocar para outros lugares, pode fazê-lo tudo em um lugar só. (Acessível)

Ao conversar com algumas pessoas noto que muitas delas querem comprar na Magazine Luiza com a distinção de se sentirem parte do grupo de amigos e amigas da empresa do que propriamente dito o produto. (Relacionamentos)

A porta voz da empresa é uma entidade virtual que tem por objetivo sintonizar a empresa em uma geração tecnológica. As pessoas tratam a Magalu como se fosse uma pessoa real e por ela é compreendido como uma porta voz e relações públicas.

Parte dessas pessoas se sentem respeitadas porque o e-commerce realiza investimentos na estruturas das cidades e nos serviços que essas pessoas usam para irem ao trabalho. Aumentando a qualidade de vida do trajeto, criam um índice de satisfação e reconhecimento. (Satisfação e Custo e Benefício)

Hoje podemos nos assegurar que a Magazine Luiza não é apenas o promissor E-commerce no Brasil, como alguém que como a Disney, soube pensar em vender o produto com melhorias no campo social e econômico.

E mais uma gota em um enorme Oceano, a Magazine Luiza criou um novo mercado de E-Commerce, razão pela qual lidera em lucro em detrimento das outras e considerando o seu tempo de vida, podemos considerar que essa empresa acaba de criar um novo mercado em lojas virtuais.

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Rafael Junqueira é Professor, CEO e Diretor de Marketing da Junqueira Consultoria. Publicitário e especialista em Marketing Digital e Marketing de Relacionamento. Possui mais de 8 anos em experiência em Marketing Jurídico, autor de mais de 100 artigos. Pós graduado em Adm. de Marketing e Comunicação Empresarial (UVA), Marketing de Relacionamento (IBMEC) e Gestão de Riscos em Marketing Digital (ESPM).

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Conheça a matriz de EREC utilizada pela Netflix.

É de conhecimento específico que o mercado absorve as índústrias novas tratando-as como parte do mercado existente, algumas literaturas formalizam o termo mercado como setorial, apresentando assim a atuação pertence a cada segmento de mercado.

Moda, alimentação, literário, fonográfico e assim por diante. Toda nova ideia é catalisada a partir de um desdobramento do que há. E pouco sobra espaço para novas linhas de pensamento.

Engana-se quem pensa que não há formas de adequar o que é novo em um novo parâmetro, assim criando uma nova forma de abordar o cliente e vender o mesmo produto de outra forma.

Os pesquisadores Chan Kim e Maurborgne, ambos professores na INSEAD, o primeiro professor de estratégia e gestão internacional e a segunda professora de estratégia e gestão, passaram cerca de 15 anos coletando estudos sobre o que eles puderam resumir como ‘Nova Curva do Valor’.

O escopo das pesquisas avaliavam através de uma matriz, elementos que poderiam ajudar a alavancar um novo mercado criando um índice de diferença para que assim pudessem distanciar-se da imitação e criassem então uma partícula totalmente nova, se destacando como únicos naquela arte de negociar.

A matriz Erec é um dos métodos estabelecidos pelos professores ao longo de seu livro publicado em 2005 – A estratégia do Oceano Azul. Os princípios da matriz é organizar os Mix de Marketing (os 4 PS – Praça, Preço, Produto e Promoção), as características do produto (Tangível e Intangível e suas diversas outras classificações segundo sua função) e abrir um novo mercado.

EREC são as iniciais em português de Elevar, Reduzir, Eliminar e Criar. O livro por eles publicado estabelece diversos setores da indústria como exemplo de explicar porque esses cases foram bem sucedidos se sobressaindo sobre os demais.

Casos como Nicklodean (1905), Cirque Du Soleil (1980) e entre outros. Para então que houvessem um novo mercado, a indústria, ou seja você, deveria criar um um novo valor, assim a Nova Curva do Valor.

A percepção funcional e emocional do cliente, que será tratado em outros artigos pode requerer mais atenção a sua enorme complexidade, o ponto primordial deste assunto é que se o seu cliente consome por um diferente parâmetro que é o emocional, a percepção dele deve ser estudada para que a matriz de EREC possa ser alimentada com a informação correta.

Há necessidade de entender o seguinte, por anos o Marketing transformou-se em um tipo quarto, da quarta geração de percepções. A primeira geração era o Marketing de Massa (Nenhuma diferenciação, uniforme e conveniente – década de 1970), Marketing Segmentado (Diferenças elas consideras, havia um meio a meio na uniformidade e pessoalidade, e havia uma diferença entre necessidade e desejo – década de 1980).

A terceira geração se tratava do Marketing Personalizado (Focado no cliente, a esfera do produto era baseado no que o cliente percebia, características do público na produção – década de 1990).

E a quarta geração que é o Marketing Individualizado (Produto = Percepção Emocional e Posicionamento do Cliente – década 2000 e atual).

A Nova Curva do Valor é um estudo que influencia como as pessoas verão o seu produto. Para isso é preciso organizar o que faz do seu produto hoje e focar no que ele será amanhã. É pensar no futuro no presente. A criação do novo mercado ou por assim seja nas palavras dos pesquisadores e professores da INSEAD, o oceano azul.

Pensa-se em novo mercado e baixo custo. Baixo custo de implementação. As características de precificação do produto segue uma linha orientada ao seu foco, não confunda os dois.

Assim podemos pensar em um case para exemplificar a matriz de EREC. Vamos pensar no canal Streaming Netflix. Antes de tudo, o canal é uma variação das locadoras de vídeos.

Como a internet é um movimento que mudou os setores, ela deve ser compreendida como o motivo catalisador no passado para uma locadora tradicional de aluguel de filmes se transformar em uma Netflix. Quando isso aconteceu, alguma empresa no passado pensou em criar uma nova forma de vender o mesmo produto de outra forma, para continuar no mercado.

Assim foi a origem dos streamins hoje. No passado as características do produto (O vídeo) e o serviço (Aluguel, programa de fidelidade, localização, logística) eram realizados de uma forma que gerava custo para o setor e o mercado consumidor.

Mas para os moldes anteriores, esse custo era percebido de forma positiva. Quando a internet começou, a forma de consumir passou a ser on-line. Aos poucos as locadoras que vinham dos anos 70 por todo mundo viu as suas fitas VHS se tornarem DVDs e em pouco tempo em memória virtual transmitida por plataformas digitais.

A dispensa do material físico foi um dos pontos que fez as locadoras do passado pensarem em um futuro possível para o aluguel. Sem fitas ou DVDs o que o cliente pode consumir. No início as locadoras começaram a integrar lojas de conveniências em suas estruturas para oferecer LOJA e ENTRETENIMENTO, como foi o caso do Blockbuster, depois mais tarde a fusão do Blockbuster Americanas.

Por um breve momento a fusão determinou o fim da locacadora tradicional. No passado elas tinham os seguintes pontos.

  • Aluguel
  • Devolução física
  • Rebobinar
  • Multa por atraso ou dano
  • Programa de fidelidade
  • Acervo de filmes
  • Cliente Vips
  • Programas de promoções
  • Compra no Atacadista\Importadora

Parte dessas características deixou de existir para dar uma nova forma, aqui nós usamos o método dos 4 passos ou a matriz de EREC para determinar o que fez uma locadora tradicional se tornar uma Netflix, Amazon, Disney+, HBO e etc.

O produto era o entretenimento visual. Nessa parte os setore concordavam. E isso não significava o fim do setor, apenas uma mudança de percepção por causa da internet, os pressionava a pensar como a fita VHS e o DVD se transformaram em dados digitais.

Assim podemos pensar em ELEVAR, REDUZIR, ELIMINAR E CRIAR como espaços que nos fazem pensar em quais itens eles colocariam em cada espaço.

ELEVAR:

  • Acervo de Filmes
  • Preços Baixos
  • Aluguel

REDUZIR:

  • Programa de Fidelidade
  • Clientes Vips
  • Programas de Promoções

ELIMINAR:

  • Rebobinar
  • Mídia Física
  • Multa por Atraso e Dano
  • Devolução Física
  • Regionalidade
  • Compra no Atacadista e Importadora

CRIAR:

  • Aluguel por um plano completo (mensal);
  • Plataforma acessível pelo browser da internet;
  • Diferenças de acervo por país (Público Alvo potencial);
  • Conforto, Acessibilidade e Portabilidade.

Diferente do Netflix, Youtube Premium, Google Play, Amazon Prime, Looke que compartilham da mesma ideia possuem alguns diferenciais entre eles que constroem um outro oceano azul neste progresso das locadoras, e qual é?

Eles permitem a compra do vídeo para ser conservado em nuvem. No lugar de ter uma fita ou dvd ocupando espaço. Por que a Netflix não faz do mesmo jeito?

Por que a ideia da Nova Curva de Valor do EREC e a construção do Oceano Azul é de justamente criar este marco distinto entre as marcas. O que pode parecer positivo para o mercado consumidor, é notado pela empresa como sendo um marco de imitação. Se a Netflix é igual as demais, por que deveriam contrata-la?

Acima na matriz podemos ver cada característica sendo moldado ao novo. É crucial que você, leitor(a), compreenda a fundamental estrutura de como o Valor é desenvolvido na visão do Marketing Estratégico para compreender amplamente o método de 4 passos do EREC.

Assim destaco um tópico, que falarei em algum artigo no futuro, sobre os 3 IS (Identidade, Imagem e Integridade) e a Matriz Baseada em Valores (Relação Empresa e Indivíduo, que analisa através de correções de Mente-Missão, Coração-Visão e Espírito-Valores)

SOBRE O AUTOR.

Rafael Junqueira é Professor, CEO e Diretor de Marketing da Junqueira Consultoria. Publicitário e especialista em Marketing Digital e Marketing de Relacionamento. Possui mais de 8 anos em experiência em Marketing Jurídico, autor de mais de 80 artigos. Pós graduado em Adm. de Marketing e Comunicação Empresarial (UVA), Marketing de Relacionamento (IBMEC), Gestão de Riscos em Marketing Digital (ESPM).

REFERÊNCIAS BIOGRÁFICAS.

  • KIM, W.Chan; Mauborgne, RENÉE. A estratégia do Oceano Azul. Rio de Janeiro, Elsevier,2005.
  • KOTLER, Philip; KARTAKAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing 3.0. Rio de Janeiro, Elsevier, 2010.
  • BASTA, Darci; MARCHESINI, Fernando R.A; Oliveira, José A.F; Sá, Luís C.S. Fundamentos de Marketing. Rio de Janeiro, Editora FGV, 2006.