Magic the Gathering (66) – Mana Vermelha

MINHA FORMA DE JOGAR NÃO É EXATAMENTE AZUL.

Quando comecei em Magic em 2019 minha primeira mana foi a azul. Passei pela verde, um período bem pequeno na branca e para não dizer que passei, a mana preta foi a que a menos toquei. Apenas através de guildas no caso do Dimir. Sozinha, um pouco usando tribos de vampiros da coleção M20, que funciona muito bem contra diversos arquétipos: De control, Aggro, Combo a Midrange.

Mas nunca considerei mudar de mana após 1 ano. Minha convicção é um pouco diferente do que seria mudar de mana. Não foi pelo hábito de pensar, puxa essa mana não parece ser muito vitoriosa. Depende da carta, da disposição, da sua forma de jogar e da sua diversão.

Se leu 10 artigos dessa coleção de 66, já deve ter notado que levo a sério os jogos do MTG (me divirto também), apenas que já cheguei a montar planilhas para observar o rating de vitória por deck construído, o tipo, decklist, sinergia e curva de mana. E todo sendo referenciados ao deck azul. Minha escolha inicial.

Se leu meu primeiro artigo, minha escolha da mana nada tinha haver com o próprio MTG. Muito antes de entender o que era, eu escolhi por ser uma cor que já tinha afetividade. Mas ao longo do jogo fui percebendo que eu tinha mais hábito de deixar a mão do que pensar em como descer a mão. O tal do planejamento, da análise, da jogada reativa, da resposta, da ilusão. Sim o muito que o Azul oferece em jogo.

Ganhei diversas partidas. Jogo físico e online. Em formatos Standart e Modern. Diversos decks construídos. Até que comecei a perceber que a jogatina do azul que apesar de muito estar presente em muitos outros jogos fora do MTG, como Skyrim, Deus Ex, Dishonored e etc, que permite o stealth, o sneaking, o spell illusion, cheguei a comentar que fiz o Jace Beleren da mana azul no Skyrim.

Mas provou-se bastante vulnerável. Como seria o Jace na prática? Bem ele é o cara que lidera. Mas não vai para o campo. É fato. Sem outros planeswalker, ele está mais para apoio do que para ataque frontal. Está mais diplomacia do que uma batida na fortaleza. Isso fica a cargo do Gideon, Chandra, Nissa e cia. Ele é o cara que fica a distância operando todo o campo de batalha. Na Lore e em Skyrim por simulação, se for optar apenas por magia de Ilusão (Calm, Pacificy, Illusion, Fear, Invisibility), sim são artíficios poderosos, mas apenas, não progredimos muito na história.

Faz ilusão de si pode ser bom para complementar outra tática, apenas ilusão não significa muita coisa. E notei que em jogos como Skyrim, meu estilo de luta é impulsionar sim a magia de Ilusão para garantir um Stealth quando for possível, ainda mais para inimigos fortes no início do jogo, mas que posso contornar-los e pegar “armas” poderosas no início da campanha. Mas não serve em muitas criaturas fortes, que resistem as magias.

Dragões, Dragon Priest ou a maioria dos chefes de dugenons não são alvos fracos e resistem as magias de ilusão. Mas levam uma safanão de uma magia de destruição. Não importa. Então eu invisto meu tempo em criar um mago sim, mais para feiticeiro (se você entende das diferenças de RPG), onde o éter (mana) é nato em Feiticeiros (Dragonborn), eu coloco na cabeça em pegar a armadura Draedric (A mais forte) encanta-las para regenerar a mana rápidamente, o cast da destruição reduzido, aumento a mana e a stamina inicialmente, depois aumento a vida.

Aumenta o poder da Conjuração e Destruição que no MTG seria o cast padrão de criaturas e o ataque direto, típico do Red. E uso armadura pesada, anel e colar com encantamento para resistência de magia e magia de fogo (a mais comum do jogo) e deixo nas teclas rápidas quase todas as magias de destruição, restauração (abjuração) e 2 de ilusão. Na verdade o Skyrim como se aproxima do RPG é mais fácil de notar que crio uma build mais voltada para o DPS (Rogue, Warrior, ou Wizard Warrior) do que propriamente um mago mental.

Em Deus Ex eu invisto em augs de invisibilidade e hackeamento. Mais aumento e uso na maioria das vezes os augs de força, quebrar parede, escudo de titã, proteção e manejo com armas. Novamente a parte “mago mental” fica em segundo plano.

Em Dishonored, no primeiro você tem poderes e habilidades convencionais. Eu invisto bastante na parte humana da coisa para facilitar ataques furtivos. Apesar dos poderes no jogo serem bem mais vantajosos em outros jogos de magos. Dá para perceber a diferença desse investimentos de habilidades no D2 e Outsider que você pode optar por ter os poderes ou não.

Nos jogos do Hitman apesar do Stealth ser muito presente e importante, mas prefiro abordagens mais mano a mano. Claro opto por um lugar sem testemunhas. Mas se estou em público existe alguma estratégia do mago mental. O resto do plano é executado como se fosse qualquer outra mana, não apenas a vermelha.

Jogos como Far Cry, Assassins’s Creed, The last of Us onde até o stealth é presente, nós temos mais enfrentamentos. E na ordem que coloquei, nenhuma Far Cry ofereceu um jogo furtivo decente, já o segundo tem um sistema mais complexo e o terceiro, é bom combinar o stealth para evitar dano desnecessário, mas ainda é possível passar o jogo todo sem se esconder.

Fallout é outro jogo onde a Stealth é bem valorizada. A questão de lockpicking também é uma coisa da ilusão. A diplomacia que existe neste jogo, tanto quanto no Skyrim, quando aumentamos o Carisma e o Speech. Vendemos mais caro, compramos mais barato, persuadimos e fazemos uma hostilidade desistir do mau caminho. São habilidades do mago mental. Mas são auxiliares na maior parte do tempo.

E mesmo que você, que está lendo este artigo, pense de uma forma diferente, ainda é uma forma aceitável. Pois há quem mantenha viva a chama dos magos mentais se sobressaindo de todas. O problema é que não é difícil de entender isso. Já passou um jogo inteiro sem matar ninguém ou mesmo sem ser visto. Não é difícil de cumprir com as exigências da mana azul.

Mas há quem, sou um deles, não aprecia muito a jogatina durante o tempo. E assim fiz uma decisão, mudei do Azul para o Vermelho.

DECK CONTROL VS AGGRO.

Se você tem 1 semana de MTG, já deve ter reparado que identificar um deck como um arquétipo é muito importante. Bem eu fiquei muito tempo pensando que meu estilo de jogo era o controle. O jogo mental. Pensar no futuro, comprar carta, prever, antecipar. Muito legal, mas pouco prático da minha parte. Eu fitava que a minha ideia simplesmente genial em colocar criaturas fortes para combater usando o azul.

Acontece que o azul tem criatura só forte com CMC alto ou quando tem com baixo, ela não tão impressionante. Sua sinergia está em criar power level (sim) com algum controle do campo de batalha. E você controla o inimigo, você ou o campo de batalha, ou tudo junto. O problema do Control não é nenhum. Na verdade o que me fez migrar para a cor não tem haver com dificuldades, obstáculos, apenas preferência do modo de jogo.

A mana vermelha é habitada por lagartos, dinossauros, dragões, goblins, inventores e talvez uma das coisas que mais chama a atenção, é o fato da planeswalker símbolo da mana, Chandra Nalaar ter nascido no plano de Kaladesh, onde a ideia do Steampunk se faz presente. Um estilo que eu gosto. Cheguei a fazer um vídeo no meu canal, o Junca Games, dos 8 punks que influenciam o retrofuturismo.

Muitos dos jogos que citei anteriormente tem algum elemento de steampunk. Além disso ela é inventora. Algo que eu eu também sou. O vermelho tem haver com a arte, o artista, o cientista, o rebelde, o desbravador. Muitas dessas qualidades são minhas por anos. Sou artista de fato, faço quadros, desenho, sou empreendedor e empresário, invento algumas ideias, transformo ideias em projetos. É bem diferente do azul que fica muito pensando no futuro do que no presente.

Muito do meu próprio comportamento é a cor vermelha. Então eu sempre senti que havia uma barreira no uso da mana azul com a mana certa. Testei um pouco de tudo. E olhei essa ponte quando fiz o meu primeiro deck Izzet. Que é a mana azul com a mana vermelha. E comecei a notar que havia um tanto do que eu fazia no Skyrim. A diferença é que ao invés de me posicionar a favor da maioridade do azul no deck, pensei que como no Skyrim, a maioridade o corre pelo lado da mana vermelha.

E sou bem sucedido na verdade. Ao contrário do MTG. Não era tão bem sucedido como poderia ser. Eu posso até afirmar que apesar da mana azul tem sido um belo material de estudo por 1 ano e meio, me serviu para entender o MTG de uma forma bem profunda. Talvez fosse bem diferente se começasse por outras cores. O aprendizado valeu e fica.

Quando construía meus decks do Azul para testar no Arena, a primeira coisa que eu sentia era que a sinergia nunca ficava adequada por conta do meu próprio raciocínio. Eu pensava em táticas agressivas em um decks que não era assim. Ou tampouco possível ser assim. Então muitas vezes eu precisava adequar o deck para rodar nos formatos com alguma consistência.

Comparando, consegui obter mais resultados com a mana Vermelha que com o Azul. Não precisando corrigir. E obtendo mais resultados positivos. Conta também o tempo de experiência. Hoje em dia eu entendo mais de Magic de quando iniciei em 2019. Mas mesmo assim posso dizer que a diferença que eu tenho em sentir que o deck vai responder melhor antes de jogar é bem mais fluído do que era com o deck azul.

Agora durante as jogatinas eu consigo perceber oportunidades, coisa que apesar do deck azul ter cartas excelentes com janelas perfeitas para aplica-las. Eu muitas vezes sentia que a carta não dava o melhor que que esperava que daria. Então isso mudou bastante quando alterei a perspectiva das manas. E olha que testei o azul com diversas categorias, combinações de 2 cores e 3 cores.

Mesmo assim sentia que coisa não rolava. Até perceber que a minha forma de agir habitualmente e em qualquer outro jogo era mais VERMELHA do que AZUL. Quem disse que MTG não é cultura.

Xadrez (4) – Treinamento e Prática

Xadrez é um jogo de estratégia purista, que não recebe influência nenhuma da probabilidade. Mas lida com ela a base do conhecimento que o jogador escolhe ter durante a partida. Isso significa, que diferente de jogos de azar na qual a probabilidade é um agente catalisador e ativo, em jogos de estratégia como Xadrez que não o detém como agente controlador, o jogador pode definir suas estratégias controlando as ações futuras do seu oponente.

Não é de hoje, nem deste último ano, mas há muito tempo que eu detinha um gosto por jogos de estratégia. E quando fui atrás de alguns que estimulassem a característica de RPG, descobri um gosto específico por estratégia duelista (MTG) que eu não sabia ter. Mas também não considero MTG e Xadrez duelos, e sim estratégias onde o objetivo é chegar em um ponto de informação.

Avalio sim que jogos como esses o que menos temos que fazer é de combater o oponente. Levamos em questão que derrotar um adversário é bem mais complexo do que responder a questões do tabuleiro. À fornecer respostas aos problemas é bem mais simples e divertido. Estimulante e um exercício sem igual ao nosso cérebro. Assim podemos considerar um jogo que trabalha o raciocínio, paciência, memória e visão tática\estratégica.

No último dia de 2020 comprei um tabuleiro de xadrez, não foi o meu primeiro, mas muito mais sofisticado do que os já tive. E faço questão de todos os dias joga-lo. A mente se adequa, que nem aquele ditado de Albert Einstein, quando a mente se abre ela não volta fechar. Sua cabeça se acostuma e começa a ficar ágil. E devo dizer que muitos anos de jogos de estratégia, com um intensivo de MTG por 366 dias, fez com minhas habilidades ainda precoces em Xadrez não fossem banalizadas.

Estou mais atento, consigo perceber oportunidades em futuros turnos e fazer jogadas com a consciência de obter informação mais exata. Assim garantimos a vitória no Xadrez. Ela depende de como nós nos preparamos. E sim, estamos sempre aptos a fazer escolhas que irão impactar nossa jogada e a do nosso oponente. Diferente de um jogo de azar.

Durante o período de jogatina com MTG, eu sentia que menos pensava e mais deduzia o que seria bom naquele momento ter nas mãos. Uma carta com condição de vitória. Só pensava em estratégia ou até mesmo pensava, quando minha mão era favorecida. Pelas tantas vezes que isso acontecia durante a jogada, eram poucas vezes que eu pensava. Em Xadrez você pensa continuamente na sua e na partida do seu oponente. É um jogo que mantém as engrenagens se movendo sem parar.

Alguns números comparativos (Xadrez vs MTG):

  • 1 Partida de Xadrez sem ser campeonato pode durar em média mínima de 3-4 horas ou até dias (máximas);
  • 1 Partida de MTG ou jogo B03 (pode durar 2 horas) considerando 3 partidas, nunca será em dias;
  • Xadrez você pensa a longo prazo, pensa antes de iniciar o primeiro movimento e elabora táticas sempre turnos à frente;
  • MTG você pensa no momento (curto), não tem o que pensar antes do primeiro movimento e elabora táticas sempre que tem alguma chance de criar danos ou oportunidades;
  • Xadrez você tem 315 bilhões de formas de mover os 4 primeiros movimentos, e depois de 10 lances você tem 170 trilhões de combinações possíveis;
  • MTG você não tem ideia de quantas as possibilidades e nem as combinações, nem medir quando isso ocorre;
  • Xadrez você tem o pleno controle;
  • MTG você não tem controle;
  • Xadrez é movido pela habilidade do jogador;
  • MTG é movido pela sorte do jogador.

Quando temos uma predisposição a gostar de certos jogos somos intransigentes a críticas. Então é normal que se você ler essa parte do artigo, não goste da ideia que em MTG a sorte lidere a suas chances. E que com certeza seu argumento será – “A pessoa não sabe fazer deckbuilder”. Mas o buraco é mais embaixo. MTG é um jogo eventual de estratégia que nos permite desenvolver a habilidade de resolver cenários improváveis, Xadrez é um jogo de estratégia nativa que nos permite tomar as decisões que nos levem a vitória ou não.

Ter como medir as combinações e soluções nos faz ter o controle. MTG você não consegue medir isso. E ainda precisa ter a disposição um controlador de probabilidade (decks caros) para ter alguma chance e mesmo assim não garante. Xadrez nos proporciona cenários imprevísveis também, também nos permite criar e inventar jogadas, não….MTG não proporciona. Ele limita.

Sei que o seu argumento seria, MTG é criativo. Se fosse dada a liberdade do conhecimento da informação (quais cartas), poder de controle (tirar a carta que quer), eu diria que a criatividade seria possível. Mas ela é só importante no Deck Building. E nisso consiste MTG, montar combinações que sejam capazes de nos dar uma chance em campo de batalha. Dar uma chance. Percebe?

Levei um ano de estudos para identificar que MTG dependia mais da sorte e do seu poder de aquisição (Deck caro) para ter alguma chance do que a possibilidade do seu esforço pessoal em criar maiores performances e expectativas que dessem pontuações superiores quanto as anteriores. Em MTG você aumenta sim sua capacidade de compreensão e agilidade. Mas não o que mais interessa em uma estratégia, controle. Você ainda precisa ter disposição e grana para comprar o melhor deck.

É como ser um piloto de corrida e depender mais do tipo do carro do que sua habilidade. Ainda que um carro faça uma diferença enorme. Será o piloto capaz de dar ao carro resultados que mecanicamente ou fisicamente se julgam serem imperfeitas e impossíveis antes de qualquer tentativa. O carro pode ser muito bom ou ruim, depende do piloto. Mas faz diferença quando comparamos uma Ferrari com um Fusca. Dependendo do terreno, o Fusca pode ser sair bem em relação a Ferrari, concorda?

Em MTG o valor absoluto é que independente do terreno a Ferrari vence o Fusca. Independente de qualquer vantagem que o Fusca teria, a Ferrari é melhor que ele.

No Xadrez não é bem assim. O Fusca pode ganhar sim a Ferrari. Se ele tiver alguns requisitos atendidos, mas baseado nas decisões do piloto:

  • Terreno;
  • Tipo de pneu;
  • Tipo de motor;
  • Torque para as viradas e Drifts;
  • Tamanho do carro;
  • Queima de Gasolina;
  • Manutenção do carro.

É como o ditado da Lebre e da Tartaruga. Pode parecer utópico, mas um Golias pode perder para um David quando você tem a liberdade de pensar em uma solução. Se for pelo MTG não interessa, o Golias vai vencer o David.

Cabe ter um Deck David Monstro para vencer o Golias Default. Mas basta o Golias Default nerfar e virar um Golias Master e o David Monstro perde. A base da estratégia é que se você tem uma chance baseada em sua autonomia, podemos considerar que não é um jogo de azar. E o treinamento e prática farão justiça para os enxadristas.

Se você leu meus outros artigos de Xadrez e os 64 de MTG, já deve ter notado que fiz uma análise complexa e profunda entre jogos de estratégia e de azar. E que minha primeira pergunta foi de definir se MTG era estratégia ou azar. Saiba que escrevi diversos artigos sobre isso. E que cheguei na conclusão que você depende sim da sorte para disputas em MTG.

E depende do poder de aquisição para ter o controle dessa sorte. E que o seu quociente de esforço é desproporcional a intensidade do poder do deck. É preciso saber operar o deck, então o jogador precisa ter conhecimento das regras e do traquejo das jogadas. Não pode ser um noob. Mas um jogador de 1 ano pode ganhar de um jogador de 10 anos.

Em Xadrez isso pode ocorrer? Com muita dificuldade. Mas pode. Se você tem alguma bagagem também pode ocorrer com muita facilidade. Mas contra um GM (Grand Master) do tipo Gasparov, Magnus, Fischer (falecido), não. Aqui é anos, anos e anos de prática. É diferente de enfrentar um GP (Grand Prix) no MTG. Se você tiver um tempo de jogatina, e é preciso ter, saber os paranauês, e com um deck bom, você ganha um campeão de MTG sem problemas.

Em Xadrez você tem as opções de vitória um pouco parecidas com a do MTG, mas elas seguem um raciocínio consciente, baseado em suas ações conscientes. Então cada jogada, partida, anotação algébrica, turnos, lances te ensinam a aprender sobre. Então quanto mais você joga, ganha ou perda, mais você aprende. Em MTG, durante um ano, o que eu aprendi não foi apenas a jogar melhor. Mas não é difícil de jogar, é ter a probabilidade de ter uma carta favorável para ter a oportunidade de aprender melhor.

É que depois de jogar muito eu aprendi que para não perder é preciso ter cartas muito boas. Então isso independe muito de minha habilidade pessoal. Mas depende do meu conhecimento teórico e prático de como uma carta pode ser usada. As cartas podem ser usadas partindo do conceito daquela função dela, ou podemos inventar outra função para ela. Mas isso depende do seguinte:

  • Desta carta sair;
  • Do Timing;
  • Da margem de erro do oponente;
  • Do combo em sua mão.

São pré-requisitos que dependem da probabilidade. Não temos exatamente um controle disso. E nem temos uma garantia do controle caso tenhamos alguma ferramenta que possa proporcionar o controle do controle. Isso muda quando falamos de Xadrez. Lá podemos pensar em funções diferentes das peças. Você pode ‘rampar’ por exemplo elas. Sabia?

Um peão pode ser promovido ou coroado, ao chegar na última linha oposta ao seu formato, ele pode virar uma Rainha, Torre, Cavalo e Bispo. Ou permanecer Peão. Sabia disso? Você tem todas as estratégias de MTG presentes:

  • Mana Azul (Control) – É a jogada nativa do Xadrez;
  • Mana Vermelha (Aggro) – São jogadas agressivas do Xadrez;
  • Mana Verde (Ramp) – São peças que podem de fato assumir outras identidades ou serem usadas hipoteticmente como outras peças;
  • Mana Preta (Death) – Os Gâmbitos (sacríficios) do Xadrez;
  • Mana Branca (Life) – Quando você salva uma peça sua, mas o seu oponente acaba tendo que sacrificar a dele por algum motivo.

A diferença de MTG para Xadrez é que você pode assumir as cinco estratégias (conscientemente) ou adotar uma delas. Em MTG você pode montar um deck control, mas depende muita da probabilidade de você caracterizar seus resultados em um deck control. No Xadrez, a maior parte do tempo você vai pensar como um Deck Control, seguindo as habilidades nativas dessa mana:

  • Scry (Vidência ou Vigiar) – Analisando os turnos seguintes;
  • Draw Card (Comprar card) – Mover uma peça em um momento oporturno;
  • Removal (Remover ou Anular) – Capturar uma peça chave ou anular as chances de um Xeque\Mate;
  • Desconjurar (Devolver) – Obrigar o oponente a mover a peça para uma outra casa ou recuar;
  • Paralisar – Tornar a peça do oponente inútil.

Percebe? São táticas que existem no Xadrez e que possuem seus devidos nomes e que podem nos ajudar mais a entender como é que um treinamento em Xadrez unido com táticas de MTG nos favorece bastante no aprendizado.

Em Xadrez eu consigo, naturalmente ser Jace Beleren do que em MTG. Nós podemos identificar alguns pontos de tribos da mana azul nas peças:

  • Criaturas com voar – Cavalos;
  • Criaturas Aquáticas (Peças Líquidas) – Rainha, Bispo, Cavalos e Torre;
  • Planeswalker – Rei;
  • Terrenos – Um lance por turno;
  • Criatura Minúscula ou Pool Mana – Peão
  • Ramp ou Nerfar – Peão na última linha oposta sua formaçao.

No Xadrez o Rei é um Planeswalker, como você. Ele não pode dar xeque (atacar) o oponente. Mas ele pode capturar no caso do MTG seria uma espécie de Ultimate Skill. Mas que pode ser usado independente de sua lealdade. Mas comparável ao custo, temos que usar o Rei para colocar em dilema as estratégias. O Rei não pode ser capturado, portanto ele pode ser um pivô entre você e uma pedra no chão.

Ou seja ele invalida muitos movimentos. É arriscado coloca-lo, assim estará a mercê dos xeques das peças Rainha, Cavalo, Torre e Bispo. Mas também é uma peça Coringa. E seria uma criatura Hexproof e Indestrutível se comparado ao MTG.

Dentre os dois jogos, prefiro entreter-me com Xadrez, mas aprender com o MTG, as chances de vitória na estratégia nativa é mil vezes maiores do que se pode imaginar. Nisso consiste o treinamento e prática em Xadrez. Jogar todos os dias, mas:

  • Aliar estratégias de jogos de Azar;
  • Analisar probabilidades;
  • Jogar Sudoku;
  • Estudar táticas de guerras;
  • Manter um ritmo de disciplina em jogadas;
  • Fazer uso do Tabuleiro físico e virtual (Chess.com e Ultra Chess).

Xadrez (3) – Aberturas e Gâmbitos

Há um tempo que pensava em jogar Xadrez seriamente, coincidentemente há inúmeras pessoas procurando o jogo por causa de uma série do canal Streaming Netflix, que leva no nome uma tática chamada ‘Gâmbito da Rainha”, quando você oferece sacrifício da peça Rainha, a série por sua vez foi baseada na história real de Bob Fischer (m. 2008), considerado o maior jogador de Xadrez. Mas não, não vi a a série, por ser um romance de época tenho muito menos interesse, a minha perseguição ao Xadrez tem origem há mais de 2 anos e com um certo tom nostálgico, uns 20 anos por aí.

O clássico jogo estratégico pode ser uma combinação de táticas e ações por turnos que podemos analisar como sendo uma forma de prever lances e montar o jogo antes dele acontecer. Sou oriundo de muitos jogos de estratégia, e até recentemente (ainda) o MTG (Magic the Gathering), que defendo não ser um jogo de estratégia. Há quem discorde, mas se avaliarmos pela probabilidade de ter sorte, podemos considerar que MTG é um jogo que utiliza a teoria de jogo de simulação e não apenas de Soma-Zero.

A teoria de jogos é um estudo que avalia os objetivos dos jogos e seus sistemas. A Soma-Zero é todo jogo que quando resulta em uma vitória de alguém e o seu adversário, o outro, perde. Xadrez e MTG são Soma-Zero. Mas possuem uma infraestrutura distinta. Um prevê o controle e a informação perfeita. O outro prevê a probabilidade do controle e da informação, descrevo essas características respectivamente.

Durante minhas jogatinas em MTG, notava que independente de obter uma boa construção de deck minhas investidas em jogo dependiam das probabilidades e não da minha inteira habilidade. Em Xadrez temos a revelação plena das peças do jogo, a liberdade baseada nas regra de fazer lances, regras dos pontos por lances, xeques, mates, empates… o que me fez redescobrir que mais que a vitória, Soma-Zero, há mais em jogo do que se percebe.

E diferente de Magic, em Xadrez podemos nitidamente perceber a intenção do oponente. Podemos leva-lo para onde queremos, premeditar suas jogadas e sobretudo cercar seu front. Em Magic as aberturas (lances iniciais) são praticamente nulos. Eles são basicamente a ‘sorte’ que você tiver, será a sua primeira impressão. No Xadrez normalmente há uma cartilha para seguir, dado nossa liberdade de tomar os lances, normalmente há uma defesa em liberar o caminho do bispo e da rainha, movendo o peão da frente do rei duas casa.

Fazer o roque menor, para proteger o rei. Mover os peões antes da Torre, Bispo, Cavalo. Não deixar o rei encurralado ou nos cantos. Aproximar das casas do centro. Mas em Magic pouco se tem êxito em ter aberturas que possam garantir um jogo inteiro. Normalmente podemos desconsiderar parte de qualquer análise sobre como uma mão favorecida poderia mudar o jogo. Seja no início, meio e fim de uma partida. Em Xadrez certos lances podem definir a partida.

Em Xadrez há forma de mapear partidas:

  • Avaliação da partida por cálculos;
  • Avaliação da partida por Notação Algébrica (Notação dos lances);
  • Teorias de algum enxadristas ou filósofo de estratégia, aplicável;
  • Avaliação de lances importantes;
  • Jogadas pessoais;
  • Aberturas e ações de gâmbitos.

Em Magic:

  • Por ser aleatório, não há como avaliar partidas e nem definir aberturas;
  • São consideradas ações e táticas de momento;
  • A estratégia é praticamente obsoleta durante a partida;
  • Analisar inúmeras combinações das saídas cartas se torna mais ainda impossível.

Podemos dizer que teoricamente um jogo de Xadrez tem mais racionalidade por gerar certeza e controle do que um jogo de Magic. Que banaliza parte dos conceitos de pensamento e raciocínio lógico. Um jogo que baseia na sorte sem promover nenhuma inteiração, acaba por não ter qualquer cuidado com precisão ou previsão. Durante 1 ano de jogo eu não ouvi em nenhum momento alguma metodologia científica que provasse uma tática.

Em menos de 3 horas de leitura, sem exagero, de Xadrez, eu li sobre o Random de Fischer (são as possibilidades de 900 posições que as peças podem ter na abertura), Cálculo de Shanon, Notação Algébrica, Teoria de jogos…só para contar no dedo quais teoremas criavam um aspecto ciência de Xadrez. Onde não há qualquer interferência da probabilidade. E sim da premissa, suposição e análise.

Cada partida de Xadrez é movida por sua experiência e prática. Então quanto mais jogar, mais habilidade irá ter. Não podemos falar a mesma coisa de MTG. Existe um impacto negativo em relação ao jogo de cartas. Em MTG é notório que a experiência pessoal conte menos do que um deck caro que possui respostas dignas. Uma pessoa experiente sabe operar este deck. Mas apenas se ele for caro e potencial, essa pessoa vai conseguir ganhar.

No Xadrez, a vitória corresponde ao conhecimento da pessoa. E sua experiência é levada em consideração a cada movimento realizado. Se você passar 1 ano jogando, será bastante competitivo em uma partida. Vai evitar erros triviais, podendo inclusive inventar jogadas. O que é bastante frustrante em Magic. Daí minha conclusão dele não ser necessariamente um jogo estratégico. Ele está mais para jogo de azar, que foi o primeiro artigo – clique aqui para ler. (Há mais de 1 ano).

Fiz algumas partidas contra seres humanos através do site Chess.com, que parece ser o melhor site da atualidade do assunto. E é mais interessante jogar contra seres humanos. Bots tem respostas mecânicas. E não correspondem a intuição, que é justamente o objetivo desse jogo. Gerar reações e dessas, respostas que solucionam o problema. Bots normalmente fazem o movimento esperado para jogatina, e normalmente não erram.

Nós seres humanos erramos e tornamos as partidas mais naturais. Então quando coloco um bispo dando sopa para ser capturado, será que um ser humano morde a isca? Ele pode perder o cavalo para um peão bem posicionado. Ou ainda o tal do peão envenenado. Um Bot ignora e normalmente age em sintonia com sua programação. O ser humano age com algum ímpeto:

  • Solucionar o problema, ignorando a chance de vitória;
  • Errar um lance;
  • Pensar em criar um cerco nas peças importantes;
  • Criar condições de vitórias múltiplos.

Nestas partidas eu tive mais consciência dos meus atos do que em 1 ano de Magic. Que eu não sabia se iria sair alguma carta boa. Se iria sair um terreno. Ou uma carta coringa. No Xadrez eu tenho lugar para inventar. Em Magic não há espaço para criatividade. Durante a jogatina você pesca. Se levar um Salmão para casa é sorte. Em Xadrez você encontra o Loch Ness e registra.

Ainda que pareça, essa comparação entre os dois jogos, não desgosto de um ou de outro. Ou um é mais que o outro. Mas quanto mais jogo Xadrez, mas vejo o quanto MTG é um Poker de 1/1000 de chances. Mas já tinha um pé na crença que MTG era jogo da azar, fazia muito tempo.

Xadrez (2) – Mapeamento de jogadas

Xadrez é um jogo com modalidade estratégica, que falamos no artigo Xadrez (1) e com uma comparação ao jogo de cartas – Magic the Gathering, ao qual passei 1 ano publicando até a presente data 64 artigos sobre minhas experiências. E agora completo esse círculo de mais de 365 dias fazendo um teste de estratégia real e aparente. Xadrez é um jogo que é possível mapear jogadas e tomar decisões com níveis diferentes de informações, algo impossível de ser aplicado ‘trivialmente’ em MTG.

Mapear jogadas é uma forma de analisar sua performance, respostas, reações, ações e o onde acertou e errou. E aprimorar suas jogadas. Em MTG mesmo que houvesse uma forma, uma notação algébrica para entender como o jogo progrediu, seria dispensável, porque a gente não controla a carta que sai. Você não tem esse controle. Então não pode garantir aquela abertura ou aquele progresso.

Em Xadrez existe uma notação que varia um pouco de regra, mas uniformemente ela segue o seguinte:

  • Nome da peça (ação) casa; (Ex. Rd2) – Rei se move para casa D2;
  • Nome da peça (ação) casa: (Ex: Dxa8) – Dama toma peça na casa A8;
  • Situação de xeque: (Ex: Td3+) – Torre faz xeque na casa D3;
  • Situação de xeque-mate: (Ex: Dd1# ou Dd1++) – Rainha faz mate na casa D1;
  • Situação de roque Menor (0-0, roque menor para o lado do rei);
  • Situação de roque Maior (0-0-0, roque maior para o lado da dama\Rainha);
  • Quando o movimento se trata do peão, omite o nome da peça;
  • Em alguns casos a casa de origem para destino são exibidas;
  • As notações são feitas pelos jogadores ou por um software;
  • Quando o peão passa por promoção ou coroação e chega na última linha (a1 = D) da coluna A2 é promovido (coroado) para Dama\Rainha;
  • Regra do En passant (é quando um Peão é tomado por outro peão na diagonal quando este está na casa casa 5 e o outro faz dois movimentos da posição inicial) (exd e.p.)

Símbolos especiais:

SímboloSignificadoExemploComentários
#MateTb8#Torre dá mate ao rei ao ser movida para a casa b8.
+XequeDe5+Dama dá xeque ao rei ao ser movida para a casa e5.
xCapturaDxCDama toma cavalo.
e.p.Captura en passantexd e.p.Peão da coluna e toma peão da coluna d pela regra do en passant.
O-OPequeno RoqueRoque efetuado na ala do rei.
O-O-OGrande RoqueRoque efetuado na ala da dama.
=Promoçãoe8=DPeão da coluna e alcança a oitava fileira e é promovido à dama.

A notação é descrita com o número da jogada seguindo de um ponto de enumeração com a jogada sua e do oponente. Pois representa a ação e a reação. Assim você pode entender quais as respostas dadas. Como funciona por turno você vai perceber quais os momentos em que teve um erro, uma perda de oportunidade, ou uma jogada mestre, ou uma ótima oportunidade. Diferente de MTG que essa notação não faria nenhuma diferença. (Razão pela qual eu classifico MTG como uma estratégia condicional).

Para comentar a partida pela notação:

SímboloSignificado
!Bom lance.
!!Lance brilhante.
?Mau lance.
??Lance péssimo.
!?Lance interessante.
?!Lance duvidoso.
±Vantagem branca.
+/=Ligeira vantagem branca.
+–Vantagem decisiva branca.
± invertidoVantagem negra.
=/+Ligeira vantagem negra.
–+Vantagem decisiva negra.
Posição incerta.

Pode ser considerado esta notação é uma base da informação do SIMX (Sistema de Informação de Xadrez). É onde você vai avaliar quais suas melhores jogadas, pontos fortes e fracos. É assim que s evolui no jogo.

Xadrez (1) – Fundamentos Básicos de estratégia

Base estratégica.

Xadrez é um jogo de estratégia antigo que possui diversos formatos, o mais famoso deles, é o xadrez clássico que lida com um tabuleiro de 64 casas (8×8) com 16 peças para cada jogador atendendo uma regra de limite de tempo por jogada e partida, e regras e vantagens por peças. Não depende da sorte em nenhum momento e exige visão de campo, previsão, paciência e atenção.

Até o artigo 64 de Magic The Gathering, leia sobre o diretório, finalizei (não vou deixar de publicar artigos por lá) que MTG pode ser considerado um jogo de simulação e orientação de estratégia, que se baseia na sorte para obter resultados de vitória ou de derrota. Ao contrário do jogo Xadrez. Que depende inteiramente de sua tática e esquema.

Procurei por um longo tempo no ano passado sobre boardgames de RPG e acabei encontrando um jogo de estratégia (MTG) e dali me inteirei sobre tudo que era material. Agora no final de 2020, acrescento na família, o xadrez. Que já era um velho conhecido. E que esteve presente em mais vezes do que eu posso contar. Todo jogo de estratégia utiliza as teorias de Xadrez para sua aplicação, o próprio MTG quando a sorte permite.

Tabuleiro x Cardgames.

Durante o meu período de 1 ano em MTG, senti que a criação de Decks era a fase mais importante do cardgames. Garantir uma forma de aplicar a estratégia com outra estratégia, conhecida como engenharia de deck. Era enfadonho, continua sendo. Exige pelo menos no cardgames físico ter um poder de aquisição considerável para se ter uma chance na mesa.

É uma verdade que tem que ser dita. MTGA mascara bem isso, porque você aparentemente não precisa ‘pay-to-win’ para tirar o melhor deck. Mas ainda sim há quem gaste ‘money’ real para conseguir os packs necessários. Diferente do físico, no virtual você não tem card avulso. Precisa comprar booster para tirar a carta essencial. E há uns usuários espertinhos que vendem contas com um número incrível de cartas por um valor alto….sim existe já isso.

Apesar de pensar que Xadrez é um jogo elite, nós temos um contrapeso enorme quando analisamos as chances de vitória e como a vitória ocorre. É certo que se você é jogador de Magic há muito tempo, pode vir a discordar dessa visão. Mas decks baratos (Groselha) tendem a ser menos eficientes em jogos de competição. E mesmo que muitos falem que é possível, é uma fala meio ‘for fun’. No fundo todo mundo sabe que os decks mais potentes são os mais caros.

Em Xadrez você não precisa comprar carta, não existe rotação. Você só precisa treinar todos os dias e jogar. Não precisa nem levar o tabuleiro, dependendo de onde você vai jogar. Se for num clube, numa loja, na casa do amigo, no campeonato, você só precisa levar o seu cérebro. Você não gasta nada. Percebe? Os valores dos prêmios de torneios são maiores que o da Wizard.

E embora muitos de fora possam imaginar que jogar xadrez é sopinha no mel (fácil), discordo. Especialmente se você entende de estratégia. Nada em Xadrez é óbvio. Você precisa ter uma atenção redobrada e já pensar em cenários possíveis antes da abertura. Porque você tem que pensar em quais as possibilidades que o seu oponente pode criar diante de seus lances.

Em MTG depende muito da sua mão e isso é que cria a sensação virtual de cenários imprevistos. Na maioria das vezes você precisa criar decks que funcionem como uma espécie de fetch. Cartas que buscam cartas para garantir que alguma estratégia ocorra. Mas as fetchs são cartas caras…caríssimas. Não é muito acessível. Já o Xadrez até para quem não possui muito, basta a tática mental para garantir algum retorno. Por isso citei que apesar do Xadrez parecer um jogo elite ele é ao contrário.

MTG é um jogo muito bom, não dispenso, ele me treina a pensar em cenários desfavoráveis e como lidar com situações beco sem saída. Mas não preza a parte que eu mais me interesso, a estratégia. Ela não depende muito de mim. Eu dependo da sorte e do azar do oponente para conseguir virar ou ganhar o jogo. E essa é uma habilidade única. Reviravolta em um jogo desvantajoso. Parabéns aos que conseguem revirar.

Mas ainda tenho interesse em continuar controlando minhas ações a todo momento do que depender da sorte para ter esse controle ou parcial controle. Mas jogar MTG nos ensina sobre algo que em Xadrez você levaria uns 10-15 anos para ter. Aquela pulga atrás da orelha. Quando a gente pensa como as peças vão se encaixar. Quais peças dos oponentes podemos superar, tomar ou desviar? Ou realizar o famoso lance de Gâmbito? Atrair através de um lance arriscado.

Em MTG em especial as manas que usam o famoso sacrifício, elas precisam pensar em muito, e normalmente se for a longo prazo, precisa rezar para que as cartas seguintes possam completar a tática. Em Xadrez tem movimentos no primeiro turno que influenciam suas chances no décimo terceiro ou vigésimo turno, e que você pode desfrutar se souber lidar com os cenários, é aqui que entra o papel do MTG no Xadrez.

Joguei algumas partidas e já me inteirei de regras, vantagens, notações que o Xadrez possui. Você aprende qualquer coisa rápida depois da montanha complexa que o MTG possui. Eu levei uns 3 dias. E em xadrez leveis um pouco menos de 1 dia. Fiz algumas jogatinas no chess.com, tenho até uma versão virtual para o RV (Ultra Chess) , e obtive um resultado satisfatório. Indo para dificuldade desafiadora.

Usando algumas regras da cartilha de jogadores PRO famosos, é de sempre pensar em turnos à frente. Coisa que a gente pensa também em MTG. A diferença é que em um temos uma chance de garantir a vitória e o outro depende do que vai sair. Que pode ou não nos oferecer algum resultado positivo. Em MTG tua experiência influencia de uma forma indireta suas jogada. É certo que passar 20 anos jogando MTG você vai ter algo para tirar de proveito.

Mas é diferente da proporcionalidade de jogos de estratégia pura, como o Xadrez. Quanto mais você joga pelo tempo que for, maiores serão suas táticas e mais imbatíveis será sua força. Porque como a sorte não influencia, você tem a proficiência de suas jogadas totalmente ao seu favor. A abertura do Xadrez (os primeiros lances) é uma compilação de várias jogadas. Você sabe para onde ir, colocar as peças mais no centro da tabuleiro, evitar cantos, fazer o roque, pensar em táticas de coroação, prever os movimentos do oponente. Garantir sua posição e fazer xeque-mate.

Em MTG você não controla nada…nada mesmo. Você depende de um bom deck, normalmente caro, para garantir que a sorte seja menos influente. E precisa ganhar para resgatar o valor desse deck. Pelo menos. Eu acho que até fazer campeonatos para MTG surte uma sensação injusta. Porque você praticamente coloca a mercê de inúmeras combinações de decks poderosos para gerar inúmeros outros cenários que podem te favorecer ou não. Não é exatamente um jogo, ele não é linear e tampouco harmonioso. Suas ações são dependentes dos fatores incontroláveis.

Nem esporte na prática. Será sorte que um tenista, que uma atleta de ginástica atinja aqueles pontos? Ou será maestria consciente? Ela sabe o que está fazendo e utiliza ao seu favor tudo? A competição precisa sempre ter o controle. E jogos de azar não oferecerem estes quesito. Portanto ao meu ver, o MTG ocupa o lugar de como que eu falei no último (64) artigo de Magic, um jogo de orientação e simulação.

Ele orienta cenários imprevisíveis. Com uma mão desfavorável em um cenário mais negativo ainda, temos as chances de obter resultados positivos? Não há uma garantia certo? Garantia de vitória não é consumação de vitória. É uma certeza que precisa ser concretizada ainda. Mas seria o mesmo que pensar da seguinte forma:

  • MTG é um risco alto para investimento, sem garantias e depende de muita injeção monetária (Deck caro) e de consultores habilidosos (Jogadores PRO);
  • Xadrez é um risco variável de investimento que depende do adversário (mercado), não existe muito injeção monetária, ou pode ser feita (estudos e tutores de Xadrez) e que constrói os jogadores habilidosos ao longo do tempo.

O primeiro só garante um retorno, e olhe lá, se o jogador for bom e o deck também. Com tantas combinações não sendo possíveis determinar quais, você não tem muita certeza de retorno.

Em Xadrez você não coloca um montante, então não tem pressa de resgatar. Normalmente você depende da habilidade humana para conseguir um resgate ou o prêmio, e é possível garantir mais ainda essa performance pelo tempo de seu treinamento.

Em ambos os casos, você tem um retorno muito bom caso logre êxito, um deles (MTG) você tem um alto risco contra um baixo ou médio risco (Xadrez).

Quais dos dois investimentos você prefere?

Ao longo de minhas experiências, em MTG você garante diversão e aprendizado sobre variabilidade. Mas o menos importante, até por ser um obstáculo um tanto colossal, é ganhar o jogo. Xadrez não é um jogo trivial e nem impossível. Ele é um jogo que respeita o que você sabe. Seu risco é enorme, mas você garante pelo menos que o risco pode ser o que você quiser, dependendo de suas habilidades e experiência.

Jogar dados sempre tem um lado ruim. Em DnD você pode considerar duas formas de jogadas:

  • Para dano, Saves, Skills usar o dado ou o valor inteiro que ele provoca.

Quando você usa o dado, o dano, saves ou skill podem gerar mais possibilidades. Sim. Mas pode gerar menos possibilidades. Quando consideramos que o valor inteiro é nossa vantagem. O mesmo acontece quando consideramos o Xadrez. A rainha (dama) é a peça mais poderosa do jogo. Sem sombra de dúvida. Mas imagina se você não tivesse autonomia sobre ela.

Por alguma razão. Ela teria tanta autonomia? Seria tão poderosa? Não. O mesmo vale para os peões. Que você pode pensar, são descartáveis. Longe disso. Peões normalmente são os lances que usamos para diagnosticar o campo de batalha. E de transforma-los em Rainha, Cavalo, Torre ou Bispo (coroação\promoção). E assim, eles ficam menos descartáveis, certo? Já imaginou em ter nove rainhas?

No Xadrez um sapo de MTG 1/1 consegue se tornar um URO 10/10. E você tem o controle disso. Reparou? Mais precisa quebrar a defesa do seu oponente antes, que assim como você, também tem o controle. Isso sim é um duelo. Ambas as partes tendo o controle, oferecendo ao jogo em geral uma visão de tática. Em MTG, um anão de jardim pode vencer o Drogon de GOT. Mas por sorte.

Em Xadrez, o Drogon mataria parte das peças, e você ainda precisaria ter uma bela tática para isola-lo ou usa-lo ao seu favor. Mas é sem dúvida que um dragão seria um inimigo supremo em campo, correto? Estratégias não é sorte. Nunca foi e nunca será. Embora goste bastante de MTG, minhas jogatinas de um ano, me mostraram que apesar do elemento estratégico presente ele depende de uma boa mão, de uma boa abertura.

E não temos muito disso, temos é uma seletiva. Onde podemos garantir alguma coisa dependendo da sorte. E se você precisa da sorte, em menor ou maior escala, para ter uma ação. Você não tem um jogo de estratégia. Você tem um jogo de azar que depende de todos os fatores que você não influencia ou controla. Mas o MTG é uma lição para quem quer arriscar e manter o controle no Xadrez. É um verdadeiro preparatório.