Japonês (18) – Google Translate é eficiente?

Nenhuma ferramenta é eficiente como nossa própria percepção. O Google Translate que tem sua integração do aplicativo Google Lens que permite a tradução em tempo real, geralmente é um problema para ‘frases ou KANJI’. A tradução é literal ou individual. E isso pode se tornar um problema maior se você não tem um conhecimento prévio da língua, o que é o caso da maioria das pessoas.

Meus estudos iniciais fiz usando o Google Translate. Hoje já tem um pé de dúvida no que de fato ele consegue traduzir ou sua reprodução de áudio. Vamos ver alguns exemplos em que ele se confunde e traduz ao pé da letra ou ‘ao vício’ de sua base de dados.

  • A palavra a 妖怪 (Yokai) significa aparição. Se você colocar isso isoladamente não vai ter problema. A tradução de verbete não é uma preocupação. Mas muda quando ela está em contexto, ou seja, dentro de uma frase ou sendo recebendo um adjetivo. Mas no próprio Google Translate para o português ele não “traduz” para aparição e sim para YOUKAI;
  • Mas isso vai parecer caótico o que vou dizer, mas a tradução no desktop é Aparição e no Mobile também. Mas se vocês digitarem apenas o (YO) 妖 ele traduz como ROMAJI e YOUKAI. Mas ele não significa isso. E sim “Enfeitiçado, atrativo”, ele só tem o significado de “Aparição, fantasma” se tiver como sufixo o KAI (怪).

Esse caso não é particular. Mas é muito comum em traduções de KANJI que são na verdade traduzidos individualmente. Ou seja, uma sequência de KANJI não são traduzidos de forma contextual. Se você tiver 大妖 (Daiyo) e usar o Google Lens ele vai traduzir como “Grande demônio”, mas ele não significa isso sem contexto. Ele significa “Grande fantasma” também. Se você colocar o 日 (hi, dia) ele muda essa tradução para “Grande Fantasma dia”.

No Google Translate, sem mudar a pronúncia e o KANJI, o significado é o mesmo. Mas ele muda a tradução do significado conforme você coloca alguns KANJI ao seu redor que não seria capazes de gerar essa mudança. Por exemplo, em um templo shinto (Xintoísta) seria uma interpretação estranha.

Por exemplo 妖彼女 ele traduz como “Namorada fada”. Vê o problema? Mas YO não era enfeitiçado ou atrativo. Kanojo não é namorada, ela tem que um contexto geralmente associado a partícula の (na frente de um 私 para significa ‘meu, minha’. Você diria minha garota. Esse sentido geralmente se refere á ‘namorada’. Neste caso outro problema, fada para YO? Não. A tradução na verdade é Garota atraente.

Por que fada? Lembra que eu disse que o 妖 é traduzido como YOUKAI e está errado isso? Pois bem, se você fizer 妖請 (YOSEI) aí significa fada. E neste caso seria “Fada apenas” não tem a necessidade de dizer Garota Fada. Só se estivéssemos afirmando do tipo 彼女は妖請です (Ela é uma fada).

Não é apenas este caso, é bem frequente. E estamos falando de uma sequência de KANJI sem usar HIRAGANA e KATAKANA ao lado. Se isso acontecer, que é o mais comum, a variação dessa tradução é muito radical. Em muitos casos, você vai ver coisas do tipo, deveria ser – “Garota atraente” e no lugar vai ser “Garota monstro”. Sim já teve casos de tradução assim.

É bem mais comum com KANJI. Mas as traduções são também diversas quando se trata de combinar verbetes e uso de pontuações.

  • 私はアウロラとレストランへ行きました (Eu fui a um restaurante com Aurora) se você colocar o ponto final 。) vai mudar para Fui a um restaurante com Aurora. Com a omissão do EU. Com ou sem ponto é a mesma tradução.
  • アリアナは妖です (sem o ponto final) – Ariana é um monstro. Com o ponto final – Ariana é uma bruxa. Com ou sem ponto final na verdade é Ariana é atrativa. A tradução está incorreta no Google translate;
  • 妖アリアナ (Com ou sem ponto final, é traduzido como Fada Ariana) e seria Ariana atrativa.

O Google translate consegue traduzir palavras e KANJI único. No entanto KANJI único não tem um significado expresso por estar sozinho. Digamos – “Amor”. Ok, é uma tradução válida. Mas sem conexão. Amor com, para ou o quê? Muitas vezes, pela gramaticalidade, o KANJI assume corretamente outra pronúncia a depender de sua posição na frase ou sequência.

No entanto o Google Translate assume um contexto específico e o adota para todos os casos. Com algumas raras exceções ele consegue acertar sem problemas. Mas se o texto não estiver muito ‘complexo’.

Outro exemplo muito bom é o caso do 高 (Taka) que significa ‘número, quantidade”. No entanto o Google Translate só considera que ele é “Alto”. Para ele ser alto ele precisa ter a seguinte composição 高い (Takai). Para ele ser considerado “Ensino Médio” a pronúncia já muda que é コウ. Mas o Google translate ao ler (pelo google lens) ou mesmo por você digitado, ele considera sempre o taka (de alto). de Altura.

Ele não considera que pode ser o TAKAI ou o KOU. Sempre TAKA. Logo a tradução sempre será ALTO. Outro exemplo:

  • 高車 – Deveria ser traduzido como Carros, mas ele é traduzido como Carro Alto. Para expressar pluraridade você é obrigado a escrever um número na frente do TAKA que aí então vai ‘sacar’ que significa quantidade – traduzindo para 2 Carros. Mas tudo piora quando você escreve 3高車 ele traduz como 3 carros altos e expressa em todos os casos o ROMAJI TAKA.
  • 高い車 vai traduzir para Carro caro;
  • Se você colocar 車を高い (objeto direto) ele representa que o carro agora é alto.

E apenas considera TAKAI porque o TAKA é em KANJI e o I é hiragana. Se ele tiver que ler o KANJI por completo, vai considerar TAKA. Outro exemplo nítido à isso é o caso do 日 (que tem traduções específicas a depender do seu tipo de pronúncia e posição)

  • 日 (ni) – significa japão
  • 日 (nichi) – significa domingo ou dia do mês
  • 日 (bi) – significa dia específico (número de dias)
  • 日 (hi) – significa sol ou dia (claro como o dia)

Você pode digitar um desses, que o sempre que o Google translate vai traduzir é o HI – dia. E detalhe que é preciso ter algo em contexto para representar algo. E não seria preciso. Normalmente o 日 está no padrão HI, mas quando ele representa outra pronúncia e significado do habitual, se não for muito claro, existirá uma legenda no topo chamado FURIGANA representando essa informação. Mas quase sempre conseguimos entender o que significa.

Mas o Google translate por exemplo não consegue identificar o dia da semana apenas pelo KANJI (como ele é comumente usados em muitos lugares)

  • 木曜日 assim é MOKUYOBI – logo quinta-feira. Mas normalmente é representado como cá fazemos – “quinta” então ele é apresentado após a data assim (木). O Google vai traduzir como árvore ou madeira.
  • O outro que tem variação bem conhecida é o 月 (Tsuki para lua, gatsu para mês, getsu para segunda-feira).

Essa é uma informação que deixo ciente para os que estão se aventurando pelas terras japonesas sem saber nada sobre a língua. O Google Lens traduz pelo padrão do KANJI 高 (Taka) para todos ocasos. Se tiver combinação, ele vai gerar uma tradução na maioria das vezes, estranha.

Lembra do caso da Garota monstro e que na verdade era Garota atraente?

Japonês (17) – Regra da Compressão

Em japonês existem algumas compressões na escrita que influenciam nossa forma de falar e a compreensão do significado. Por exemplo a palavra KATTE (Faça uma vez, uma vez). Como ter dois TT se neste idioma não existe uma letra T?

Ela é escrito como KATSUTE, mas não pronunciamos o TSU, ele é um TE prolongado. Na forma escrita ele fica かつて.  Mas não apenas ocorre com um segundo T, acontece com qualquer letra que se queira prolongar. Como é o caso da palavra スタツフ (SUTATSUFU) que fica como SUTAFFU (Funcionários, Staff).

Outra regra de compressão é o caso do CHANNERU (Canal, Channel). No KATAKANA, ela é escrita como チヤンネル (que seria CHIYANNERU) a gente não fala CHI + YA. Integramos tornando-a como CHA.

O mesmo acontece com terminação -Y e I, o I prevalece. O mesmo acontece com terminação -e e I, o I também permanece. Na escrita todos os ideogramas serão dispostos, mas sua pronúncia será feita com a regra da compressão.

Mais alguns exemplos:

  • ジヤーナりズム (JIYANARIZUMU) pronunciamos JANARIZUMU = Jornalismo
  • いらつしやいませ (IRATSUSHIYAMAISE) pronunciamos IRASSHAIMASE – Bem vindo

Japonês (16) – Ghostwire: Tokyo como estudo

O jogo da Bethesda Ghostwire: Tokyo é um excelente exemplo de uso para estudar Japonês de uma forma plena. Pois você pode optar pelo áudio que é originalmente em japonês, a cidade que possui uma sequência de Hiragana, Katakana e Kanji que fazem sentido, são traduzíveis e estão em contexto. E pode fazer uso da alteração do idioma (言語) para o Japonês (日本語) para que os textos do MENU, INVENTÁRIO, NOTAS e LEGENDAS fiquem nesta língua.

  • Áudio para o estudo de proficiência audível e pronunciável;
  • Escrita para leitura;
  • Gamificação para fixação dos termos e frases.

E aproveito para usar o artigo de Japonês para falar sobre este jogo. Ghostwire: Tokyo é um jogo para PS5 e PC que se passa no distrito de Shibuya em Tókyo no Japão possivelmente no ano de 2022 ou 2023. Você é Aito que é incoporado por KK um agente de um grupo de investigadores paranormais. Logo que começa você está em uma situação bastante peculiar, morto.

E percebe que todos, exceto você e algumas entidades paranormais (妖怪) perambulam pelas ruas da cidade. Infestado de problemas e aparentes casos de pessoas que não conseguem fazer a passagem para o além, você passa a ter que ajuda-las. Usando de poderes emprestados de KK que se conecta ao personagem principal.

O game bate em três questões interessantes: Folclore Japonês, Xintoísmo e o Japão Moderno. Os cenários são realmente bem caprichados, a música é imersiva e muito envolvente. Como em jogos japoneses, a narrativa é um símbolo da qualidade que precisa ser apreciada. Então recomendo o jogo para os que gostam do Japão e/ou que estão aprendendo a língua.

Japonês (14) – Divagação pelas 3 escritas KANJI, KATAKANA e HIRAGANA

Este artigo não é um resumo de cada uma dessa escritas que já fiz á parte. Mas de uma discussão válida sobre o estudo do Japonês como um objeto de estudo linguístico. A língua japonesa já existia antes da influência do idioma chinês. Sua estrutura hoje como antigamente não existe mais. O que temos é uma formulação do Chinês com algo novo. Não é errado, mas talvez seja um pouco, quando falamos alfabeto no lugar de escrita.

Não se diz 3 alfabetos como muitas vezes lemos por aí. Se diz 3 escritas, podemos considerar o alfabeto a estrutura do KANJI e especificamente a combinação ‘fonética’ que conhecemos como HIRAGANA. Mas a verdade mesmo é que existe apenas 2 escritas e seria menos confuso, se considerarmos 1 escrita. Mas adaptação foi necessária para 3 escritas.

O Hiragana é o KANJI simplificado. O Katakana usa da mesma estrutura fonética correspondente ao Hiragana para apresentar estrangeirismo e destaque\ênfase. No entanto se você for mais a fundo do estudo, vai notar algo. O Katakana ele não representa apenas o estrangeirismo. Ele dá ênfase até em palavras de origem japonesa. Você pode ver palavras escritas no KANJI transliteradas para o HIRAGANA e em KATAKANA.

Um dos exemplos que trouxe foi o GITSUNE (raposa) que é em origem, uma palavra japonesa. Ela no entanto pode ser encontrada em KATAKANA. Como particularidade no uso de ênfase. Dar destaque. Então se confunde só um pouco que o KATAKANA seja apenas para estrangeirismo. Ela acaba sendo um ‘negrito\bold’ do HRAGANA.

Se não fosse por isso, poderíamos dispensar o KATAKANA. E seria apenas o Hiragana e o KANJI. Como existem KANJI para todo HIRAGANA, poderia ser somente KANJI. Como no chinês. Mas como são 3 escritas, pode parecer, mas ao longo prazo, para a sua melhor compreensão do que isso significa, quando você estiver no nível N2 ou N1, sua escrita será quase majoritariamente KANJI.

O que podemos concluir com isso?

  • O estudo do HIRAGANA precisa ser basicamente a nivelação para você se tornar um falante básico da língua;
  • Katakana para o estudo de áreas turísticas;
  • Kanji para fluência da língua.

E um detalhe muito importante:

  • KATAKANA não é apenas ESTRANGEIRISMO. Muitas palavras que estão em KATAKANA são de origem japonesa e estão apenas com um destaque específico. Como se você quisesse criar uma ‘segunda intenção ou interpretação’.

Japonês (13) – Orientação de estudos – Livres ou JLPT?

Se você está começando a estudar o idioma japonês, acredito que você tenha que iniciar utilizando alguma referência conectado ao seu objetivo principal. Se você quer trabalhar, morar, estudar ou passear. Em cada um destes requisitos, você precisa saber Japonês em algum nível. Alguns mais exigentes e outros nem tanto.

  • Trabalhar (N4, N3, N2 ou N1);
  • Morar (N3, N2 ou N1)
  • Estudar (N3, N2 ou N1)
  • Passear (Nenhuma proficiência ou N5)

Li recentemente uma notícia sobre a diminuição da população brasileira no Japão e haviam dois motivos enumerados:

  • O envelhecimento da população brasileira no país;
  • E não tinha proficiência na língua.

O exame JLPT que é dividido em 5 NÍVEIS é usado por muitos estudantes (querendo ou não) almejar objetivos como TRABALHAR, MORAR e ESTUDAR para começarem seus estudos. De minha parte, prefiro seguir um plano de orientação à parte. Acredito que muitos só façam o exame para N5, os requisitos são mínimos, e na prática não se exige muito do aluno.

Os estrangeiros que não tem ascendência japonesa, possui proficiência N4. Este exame é contato de trás para frente, logo N5 é na realidade o nível básico enquanto que o N1 é o nível avançado. A parte na própria notícia demonstra que por terem vistos diferentes (Ascendentes e não), o primeiro grupo pode mudar de empregador e o segundo não, embora a notícia não tenha destacado o terceiro motivo, é de ‘manter’ um empregado com proficiência maior e com estabilidade.

Essa pergunta o Mundo Pauta irá atrás: Há ascendentes brasileiros no Japão com Nível N5 apenas ou até mesmo nem possuem? De todo modo isso não muda o nosso objetivo do artigo, mas pode influenciar no futuro segundo a resposta dessa pergunta.

JLPT pode permitir um acesso melhor ao caminho do estudo, no entanto está voltado para fazer o exame. E a forma de como ele é aplicado, não é do mesmo modo que os japoneses nascidos no país aprendem a língua. Você estuda japonês para passar em um exame, conseguinte não significa APRENDER O IDIOMA.

Não estou jogando palha no fogo ao afirmar isso. Não apenas essa notícia traz luz a proficiência não atingida pelos brasileiros, mas como tem muita pouca gente fluente nele. E a maioria são por motivos dos quais não listei exatamente, mas que se enquadram em fãs de ANIMES e MANGÃS. OU seja ‘PASSEIOS e RECREAÇÃO’. O investimento dessas pessoas são o mínimo possível.

Se orientar por um plano criado por você é bem mais interessante porque você acaba seguindo uma ordem de aprendizado (naturalmente autodidata) e que lhe permite aprender o mesmo idioma em que os candidatos do exame estão se exigindo aprender. A diferença é que um vai fazer uma prova (então o plano está voltado neste sentido) e outro vai aprender o idioma (porque está em um plano diverso de áreas de conhecimento)

Em ambos os casos, o aluno tem que estudar todos os dias. A diferença é aplicabilidade e sua atenção. Uma vez que isso pode significa perda de foco após um tempo. Pois no exame você vai começar a se estressar para passar em uma prova e não aprender o idioma.