Japonês (23) – Como funcionam os Verbos? (Parte 2/2)

Na parte 1 dessa pequena série falamos sobre a estrutura da frase no Japonês, clique aqui. E confira nosso diretório de Japonês – clique aqui ou nossa categoria em Japonês.

No artigo anterior mencionamos um verbo, que significa vai, ir, foi, vou. Ele é representado por 行きます (IKIMASU) está no formato -MASU, considerado uma forma polida e formal. O mais utilizado em Mangas, Animes e Games é a forma básica que significa a mesma coisa, a pronúncia é diferente é representado por 行く (Iku).

No exemplo anterior:

  • 私は今日レストランへ行きます。 (Eu vou hoje para o restaurante)

Não existe conjugação do gênero, número e grau como acontece no Português é verdade. Mas atenção aqui é que existe ‘temporalidade’ em verbos no Japonês. Eles ser referem ao presente\passado positivo e negativo. E não precisamos mudar a estrutura da frase por essa mudança no verbo. Vamos ver como isso é fácil a seguir:

  • 私は今日レストランへ行きません・ (Eu não vou hoje para o restaurante)
  • 私は今日レストランへ行きました。 (Eu fui hoje para o restaurante)
  • 私は今日レストランへ行きませんでした。 (Eu não fui hoje para o restaurante)

Parece que não mudamos nada. E não mudamos quase nada, apenas a temporalidade dos verbos. Vamos ver essa pronúncia em ROMAJI.

  • WATASHI-WA KYO RESUTORAN-E IKIMASU (Tempo presente e positivo) – Eu vou
  • WATASHI-WA KYO RESUTORAN-E IKIMASEN (Tempo presente e negativo) – Eu não vou
  • WATASHI-WA KYO RESUTORAN-E IKIMASHITA (Tempo passado e positivo) – Eu fui
  • WATASHI-WA KYO RESUTORAN-E IKIMASENDESHITA (Tempo passado e negativo) – Eu não fui

Notas:

Não pronunciamos o SU em MASU.

Não pronunciamos o SHI em MASHITA.

Não pronunciamos o SHI em DESHITA.

E não acrescente acento ao E de DES e nem ao A de MAS.

Vamos ver outros verbos, fica para vocês a lição de coloca-los em sua temporalidade positiva e negativa. Faça uso do caderno e lápis, isso ajuda na caligrafia e na memorização.

  • 出ます (demasu) – Sair
  • 話します (hanashimasu) – Falar
  • まなびます (manabimasu) – Aprender
  • あります (Arimaus) – ter
  • わかります (Wakarimasu) – Saber
  • します (Shimasu) – Fazer
  • よみます (Yomimasu) – Ler
  • ききます (Kikimasu) – Ouvir

Para ajuda-los nesta tarefa vou colocar um modelo de classificação de temporalidade com o verbo 行く (iku)

PRESENTE E POSITIVO

  • 行きます (ikimasu) – Ir\vai

PRESENTE E NEGATIVO

  • 行きません (ikimasen) – não ir\não vai

PASSADO E POSITIVO

  • 行きました (ikimashita) – foi\fui

PASSADO E NEGATIVO

  • 行きませんでした (ikimasendeshita) – não fui, não foi

Nota: 行 (é um kanji) que se refere ao ato de viajar, trilhar, caminhar. Ele é comumente utilizado neste verbo.

Japonês (22) – Como funcionam os Verbos? (Parte 1/2)

A estrutura gramatical das frases no Japonês é conhecida por ser uma leitura ou pronúncia de trás para frente. Já deve ter ouvido essa afirmação. Mas ela não é bem uma verdade. A leitura é feita intercalada. Pelo menos na a pronúncia ela é feita da esquerda para direita, cima para baixo ou no formato pouco usual pelos estrangeiros, da direita para esquerda. Como funciona uma estrutura gramatical de frases no Japão? Veremos a seguir:

  • QUEM | QUANDO | ONDE | O QUE FAZ

Simplesmente assim. Vamos ver alguns exemplos:

  • 私は今日レストランへ行きます。 (EU VOU PARA O RESTAURANTE HOJE)

Vamos por partes.

  • 私 Eu, se referem a QUEM. Todas as pessoas envolvidas na sentença surgem neste ‘pacote’ ou neste ‘espaço. Você, e mais quem? Pessoas em geral. Pronomes pessoais;
  • は Wa se refere ao artigo definido. Ela é uma partícula que liga ao sujeito da sentença, mas pode ser referir a outros por uma questão de ‘definição’ conhecida. Essa parte vou aprofundar em outro artigo;
  • 今日 Significa hoje (KYO) é parte do nosso espaço sobre o QUANDO;
  • レストラン significa Restaurante está na nossa parte do espaço sobre ONDE
  • へ partícula (e) que significa ‘para’ neste caso a direção.
  • 行きます significa ir, vai, no tempo presente e positivo (afirma que vai), faz parte do nosso espaço do O QUE FAZ.

Nós interpretamos como no entre parênteses (EU VOU PARA O RESTAURANTE HOJE) ou Eu vou hoje no restaurante ou ainda, Eu vou hoje para o Restaurante. Mas o Japonês não fala de trás para frente. Se assim fosse ficaria tão estranho como se falasse no sentido que falamos.

  • EU O HOJE RESTAURANTE PARA VAI
  • VAI PARA RESTAURANTE HOJE O EU

Eles compreendem para nossa língua na verdade:

  • Começo da frase EU, vai para o final da frase VOU segue pela partícula (e) e vai para Restaurante e segue para o HOJE.

Começa na frente, vai para o final e dali vai para o começo. Mas a interpretação pode ser conveniente ao contexto. Como por exemplo Eu vou Hoje para o restaurante então seria (WATASHI-WA IKIMASU KYO RESUTORAN-E). Notem que aqui nós falamos de todas as direções possíveis.

Então não pense em: JAPONÊS EU FALO DE DETRÁS PARA FRENTE.

Pense: JAPONÊS EU FALO EM COMPARTIMENTOS E ESPAÇOS.

A facilidade de entender como a frase funciona permite que você trabalhe melhor com verbos, o que nós veremos na parte 2 dessa pequena série.

Japonês (21) – É melhor converter para Kanji?

CASOS FREQUENTES.

Em japonês muita coisa está escrita em KANJI. Ao contrário do que aprendemos inicialmente, o Hiragana pode escrever o que é representado em KANJI e vice-versa. Mas quando devemos optar? Para leitura, eu recomendo estudar os dois tipos, pois será uma escolha de terceiros e você vai querer compreendê-lo. No entanto, mesmo que você esteja a parte de sua própria escolha, deverá atentar pela uniformidade. Ou seja, o que se usa mais, para se fazer entendido.

Por exemplo, se usa mais さくら ou 桜 para representar Árvore de Cerejeira? O segundo, o uso do Kanji. Bem mais, o primeiro apenas para aprendizado básico. E para compreensão de sua leitura. Isso se estivermos falando da árvore, porque se quisermos uma composição essa pronúncia pode alterar. E mesmo assim vai exigir o estudo básico de Hiragana e seus sons.

Para representação da pronúncia no KANJI apesar de usarmos o HIRAGANA ele é conhecido pelo nome de FURIGANA, neste caso quando queremos por uma legenda sabermos a pronúncia e conseguinte o significado. E como de praxe, o Kanji 時 por exemplo muda de pronúncia e significado dependendo se sua posição (prefixo ou sufixo), o padrão da pronúncia é ジ (ji) que significa horas do relógio. E se for colocado como 24時 se for colocado na frente a pronúncia muda para とき (toki) e significa tempo.

Para o caso anterior, usaríamos talvez um FURIGANA para representar a nova pronúncia indicando que há outro significado daquele padrão do JI, que significa horas do relógio. No caso de Sakura que é a Cerejeira, temos um entendimento que precisa muito bem ser reconhecido devido a uma ineficiência da tradução, caso você use, do Google Translate.

O Google ele traduz sempre o padrão de algo. Para ele o 桜 significa Flor de cerejeira, Cerejeira e Árvore de cerejeira. Mas isso não é verdade. Esse Kanji só se refere ao pé ou árvore de cerejeira. Pois sua formação é constituída por 木 que é radical do KANJI, a o 女 que representa a feminilidade e o 尚 que representa o respeito pela antiguidade ou respeito.

Para representar flor de cerejeira o KANJI de composição muda e a pronúncia também, que é o caso do 桜花 , não é mais SAKURA é おうカ (Oka). E Cerejeira estamos falando a flor ou do fruto? Se for o caso do fruto que é o que nos sobra é representado por さくらんぼ (Sakuranbo). E há diferenças entre elas. Árvore, flor e fruto não são a mesma coisa, nem gramaticalmente e nem simbolicamente.

Mas é bem mais interessante escrever em KANJI, é também perceptível porque se usa bastante depois de um tempo de estudo. O ensino essencial do japonês alfabetizado é de conhecer 2.160 KANJIS e isso é algo substancial. O seu uso é corriqueiro e bastante divulgado. Neste caso, o bom entendedor e aluno é de caminhar o seu estudo para o KANJI. A leitura fica muito mais límpida. Vou demonstrar duas frases iguais usando HIRAGANA e KANJI.

As três principais árvores de cerejeira do Japão.

  • にほんさんダイさくら (Nihongonidaisakura) – As três principais árvores de cerejeira do Japão
  • 日本三大桜

Qual você leria com mais facilidade? O uso do KANJI em muitos casos tem haver com essa ‘legibilidade’ do que o formato de ‘multiplas’ ideias que o KANJI pode nos fornecer a depender da posição que está ou se encontra. É possível identificar no formato do KANJI o seguinte:

  • 日本 (Japão), 三 (três), 大 (Principal, Melhor, ótimo), 桜 (Árvore de Cerejeira).

DO QUE:

  • にほん (Japão), さん (3), ダイ (Principal), さくら (Árvore de Cerejeira).

Imagine o formato do HIIRAGANA em um texto mais complexo. Mais enxuto. O caos que isso gera? Imagine um cardápio ser escrito em HIRAGANA? Normalmente é uma composição de KANJI + Hiragana. Ou apenas KANJI. Há textos que são só escritos em KANJI, porque cada ideograma ali escrito pode significar uma expressão completa.

Japonês (20) – HQ Dias Demoníacos de Peach Momoko

Por Rafael Junqueira

Roteirista e ilustradora japonesa que é conhecida pela alcunha de Peach Momoko (桃桃子) foi a artista que colaborou com as edições a seguir que compõem Dias Demoníacos:

  • A lenda do Monte Kirisaki (Demon Days: Mariko, agosto/2021)
  • A saga Yashida: Parte 1 (Demon Dats, Mariko, agosto/2021)
  • A saga Yashida: Parte 2 (Demon Dats, Mariko, novembro/2021)
  • A saga Yashida: Parte 3 (Demon Dats, Mariko, fevereiro/2022)
  • A saga Yashida: Parte 4 (Demon Dats, Mariko, maio/2022)
  • Rei das Trevas: Dias Demoníacos (King Black 4 II, março/2021)
  • Assassina (Elektra Black White & Blood 4 II, julho de 2022)

Pela MARVEL e pela distribuidora Panini Comics foi lançado em 2022 uma coletânea com todas essas edições com o preço de R$ 199,90. Com capa relevo, com glossário no final dos Youkais (妖怪) e artes alternativas das capas de cada edição.

A história é basicamente uma jornada de descoberta da jovem Mariko Yashida que revela ser uma descendente Oni e como ela, o universo à sua volta correspondem ao mundo fantástico do Xintoísmo japonês. Não apenas com este elemento, mas com a transformação de heróis da Marvel como Hulk, Thor, Tempestade, Wolverine em personagens da cultura japonesa.

Os traços são os habituais gênero oriental que se aproxima dos mangas (まんが) que todos conhecem. Mas sua leitura não é da direita para esquerda, é como nos quadrinhos ocidentais. Há alguns elementos muito importantes que são algumas presenças de hiraganas que surgem nas páginas da revista, e para efeito de curiosidade, eles realmente significam algo.

Os traços são similares ao cartoon do game Okami (おおかみ) de 2006. As histórias são envolvidas pelo folclore japonês como a cobra gigante semelhante a Quimera Orochi, que na HQ é representado pelo simbionte Venon. Hulk que é um Oni, ainda brutamontes como o seu alter ego em Marvel. Wolverine é um lobo, outra figura muito simbólica e marcante na cultura japonesa.

Há a presença inclusive da famosa Yokai Yuki-onna que é uma figura do folclore retratada na revista. E a última história, Assassina, coloca Elektra no tempos dos Samurais. A edição é uma revista de formato grande e com 256 páginas coloridas*.

Notas:

A maioria dos mangas são da direita para esquerda, de cima para baixo e são preto e branco. Alguns, as primeiras páginas são coloridas apenas. Neste caso, a HQ apesar de ser roteirizada e ilustrada pela japonesa e ter elementos dessa cultura, o formato de leitura é ocidental.

Fotos: Rafael Junqueira\Mundo Pauta.

Japonês (19) – Hannya é um Youkai mal ou bom?

Depende do contexto a interpretação. Hannya parece ser de origem Hindu, que significa “Sabedoria”. E a fonte descreve que a Sabedoria que emana das etapas da iluminação do budismo. A conscientização referente ao sofrimento, a identificação do desejo que gera o sofrimento, a libertação do desejo e por conseguinte a extinção do sofrimento e a iluminação pelo esclarecimento deste caminho.

No Japão a representação de Hannya não tem haver com uma característica abstrata, não apenas, ela retrata outro tipo. Emoções, perfil, estado de comportamento. Mas ela se refere também a personificação física, uma máscara com uma face retorcida e chifres na altura da testa lado a lado as têmporas.

O chamado teatro das expressividades ou por aqui como Noh. É usado máscaras para vestir um perfil e assim termos uma identificação de um personagem. Hannya pelo Japão é um demônio. Representa tanto pela inveja e ciúme.

Essas diferentes interpretações levam em conta a cultura do país. No Hindu se tratava de um benefício que todos mundo quer chegar, na iluminação. No Japão é uma emoção baseada na inveja e no ciúme, com ódio, cólera. O que ninguém quer. Essas interpretações se validam das heranças que temos com outros lugares, sejam por meio da influência adquirida quando somos contatados por esses povos.

Por exemplo, o portal Torii é de origem Hindu também, e provém da palavra Torana. No japão e na índia, o portal tem quase a mesma função. Mas cada lugar tem um detalhe que se complementa e que faz parte da cultura local.

Então se por acaso você já leu em um manga (まんが) que o Hannya era bom ou mal, isso vai depender exclusivamente da interpretação do criador do quadrinho. Pode retratar ou não a cultura local ou uma miscelânia de ideias. Logo não é uma verdade absoluta a versão que você está lendo ou ouvindo sobre Hannya.

Em Ghostwire Hannya se trata do personagem antagonista principal, e ali é condicionado ao personagem um estado de insanidade e perda. Já que toda a procura dele no jogo é justamente de achar uma forma de reverter as mortes de sua família. E de quebra ele acha que poderia fazer isso pelas outras pessoas também. Essa jornada dele, o levou a loucura.

No game ele não é exatamente um vilão, só uma pessoa que enlouqueceu.