Após ver o filme comecei a ler o livro, mas acho que sou um desses que vê a versão cinematográfica e depois o livro. Bem sempre achei que as versões fossem diferentes em todos os casos. É legal ver aquilo que lemos. Mas é mais saboroso ver diferentes ângulos de uma mesma história. A Fidelidade é algo que deixo para quem gosta dela. Gosto de adaptações. E Stephen King nunca foi um escritor médio, sempre foi de alta expectativa.
Li que Torre Negra foi um fracasso, graças vi primeiro. Pois se a crítica ditasse verdades eu não veria um filme na terra desde que botei os pés nela. Não vejo fracasso. Talvez tenham colocado novamente a expectativa do livro fiel. Ou tenham se esquecido que independente de fazer filmes, Stephen já tenha ganhado sua fama escrevendo seus livros, e em especial por 30 anos a série Torra Negra já cativou quem não liga para as críticas.
Nevoeiro no Netflix, dois filmes no cinema na ordem seguida de lançamento. Acho que muitos não entendem os contos do mago dos livros. Ele não é tipo cara que escreve sobre filmes de terror. Ele escreve histórias que possuem terror. Então ou você gosta do estilo dele ou não gosta.
IT era um livro que engordava as prateleiras, longo que deve ser. Conta a história de uma entidade sobrenatural extraterrestre que muda sua forma conforme o temor das pessoas. No formato de um palhaço chamado Pennywise, ele atormenta crianças. Atormenta qualquer um. E a cada 27 anos ele assombra. Ao contrário de Freddy Krugger que foi uma comparação que li, Pennywise ataca quando as pessoas estão acordadas.
O filme no cinema fazia as pessoas saltarem. Eu só ouvia risada. Não, não era engraçado. As pessoas estavam rindo para aliviar a tensão. Parecia um encontro de amigos. Ninguém ali estava escondendo o medo não. Terror assim não se fazia como antigamente. Eu gosto de filmes de terror, mas pelo mistério do que pelos sustos. Quando vieram filmes em que o desmembramento ou uma desfiguração era o ponto central, apenas por ser, não me interessei.
Dá para encarar filmes de terror que tem ciência por trás. Quando não tem. Não é que eu despreze. Apenas não vejo muito sentido. Essa é a minha justificativa por ter parado de assistir Walking Dead. Adoro filmes de zumbi. Fazer Merchandising comigo surtirá efeitos a mil maravilhas. Mas TWD não é uma série de zumbi. É uma série de conflitos humanos onde os zumbis estão ali para figurantes. Primeira e segunda temporada pode ser considerado Zumbi, em diante não é.

Quem é Negan? Qual é o zumbi mais agressivo da série? Todo mundo sabe quem é Negan, difcilmente sabe se os zumbis ficaram agressivos ou não. TWD não se perdeu, mas a proposta nunca foi de ser uma série sobre zumbis.
Eu gosto de Resident Evil e em contrapartida temos conspiração governamental e em parte temos zumbis. Admito que REVIL seja certamente assim. Mas há uma teoria, explicação, sabemos a origem, temos ciência, temos lógica. Não é só uma zumbizada matando tudo.
IT não é uma história, é uma mega história. Quem gostou de Stranger Things vai notar, além da presença de um dos atores da trama, a semelhança. Os anos 80 é uma versão adaptada, no livro é anos 50. Existe novamente uma espécie de ‘similaridade’ entre o grupo do ST com o IT. O garoto que some, o grupo que vai atrás, a pop cultura dos anos 80, a mãe protetora, a visão do mundos pelas crianças e etc.
É notável perceber como uma história de terror dos anos 80, que na prática do filme, é bem mais ‘gore’ do que os filmes da referida década. Pode ser muito mais envolvente e divertido que os filmes atuais. Eu gosto de terror que mexe com tecnologia, o tal famoso, fantasma da máquina. Mas acho que os cineastas, alguns, se perdem no uso do dispositivo ao invés de contar uma história.

É melhor deixar a crítica para quem sabe fazer no estilo ´Isso é muito Black Mirror’. Porque pelo menos lá o tema é usar a tecnologia para discussões. Às vezes o terror pode ser apenas uma situação atípica, não precisa ser um monstro, uma coisa ou um demônio. Não sou adepto de filmes anteriores a tecnologia. Eu gosto de tramas. E IT conseguiu trazer essa trama com pitadas de terror. Não é um terror gratuito, bobo com um monstro horrível.
É um monstro horrível que por contexto da história esta ali. O que me faz criticar mais uma vez Alien Isolation da Creative AssemblySega. Tão belo, um organismo perfeito, tão fiel a obra, tão único. Mas o Alien é um deus imortal? Sinceramente…imagine o Death Claw de Fallout 4 imortal? Aquele lagarto é muito mais forte que um xenomorfo. A história tem até sentido, mas passa desapercebido quando que todo o seu esforço contra o alien é apenas uma enorme distração.

E muitos falavam: Que inteligência artificial impressionante. Estudei IA o suficiente para saber que Alien não tem nem sequer a IA mais básica. Ele anda de forma aleatória. Mais burro que o do filme. O primeiro do Ridley Scott o danado sabia que a Narcissus era uma nave de fuga. Estão lembrados? Esse daqui fica desfilando pelos corredores. Ele não precisa te ver. Ele naturalmente vai te achar. Mesmo que não veja. A animação é impressionante. É uma pena.
E falavam que Colonial Marines era ruim?
A história é que faz sentido, são elas que dão corpo a obra. Sem elas, o resto é apenas confete. E IT não é perfeito. Tem um gosto de quero mais, e pelo jeito vai ter mais. Contar mais só mata e traz spoilers. Então posso dizer da seguinte forma:
IT não precisava de um subtítulo para dizer que é a Coisa. Que remete ao refilmagem de John Carpenter em 1982 de The Thing que foi traduzido como Enigma de Outro mundo (criativo não acham?) mas que caiu como uma luva. Pois a criatura era morfa e copiava a forma absorvendo. Então ser um enigma e sendo um extraterreste não é uma má tradução. Mas na prática é a “Coisa”.
IT não é a coisa é “Isto”. Que pode ser interpretado como a Coisa, apenas que eu acho que os tradutores quiseram fazer referência ao alien do polo norte. Já que o Pennywise não é um palhaço. Com algumas pesquisas é possível entender que ele assume forma, mas não de uma forma ‘melecada’ com o alien do polo norte faz. É mais sofisticado. Assustador. Se The Thing (versão de 2015) mais do que a versão de 1982, tivesse apostado num terror científico, ele seria mais tenso que o IT e que o Alien 1979.

IT bate na tecla dos anos 80 como a gente gosta de ver, no terror mitigado. Aquele que vai em partes até contar uma história. Que pode ser derrotado por crianças. Mas que não crianças indefesas. E que há um ponto crucial para entender aqui. Filme de terror nos anos 80 era sutil. IT não é sutil. Quando precisa ser brutal, será sem censura. Mas não será sem motivos. Se é que podemos dar motivos.
Minha nota 95.0 (Sempre tem algo a melhor, eu queria 4 horas de filme)
