Inteligência Artificial dominou a maior parte dos tópicos que há nos últimos 2 ou 3 anos em que o Chatgpt deu as caras. E deixou muita gente empolgada e outras temerosas. Mas ao interagir com elas, e com algum tempo de casa para este tipo de assunto, posso lhe assegurar, que a IA só será um problema para você, se você na realidade, for você um problema. Vamos lá!
Recentemente foram lançados algumas entidades inteligentes por algumas empresas, o Facebook o Meta Ai, o Microsoft o Copilot (anterior Gemini e sua vez Bard), Chatgpt e afins. Estes apenas para citar os que lidam com geração de texto e com algum nível de geração de imagens. A inteligência artificial ela é confundida ou ‘extrapolada’ a uma imagem mais ficção científica do que ela realmente é.
Todos acreditam que uma IA seria capaz de substituir um ser humano, eu posso te afirmar, que talvez em cem anos possamos discutir isso. Mas agora, a IA está mais para um programa sofisticado, daqueles que já tínhamos, do que uma mega inovação partindo do princípio de uma entidade evolutiva e consciente. Não, está mais para um notepad que agora consegue elaborar algumas soluções. Mas que tem uma mega limitação.
Recentemente fiz alguns levantamentos e conclui que talvez a IA que temos seja mais ‘um’ organizador automatizado do que um assistente virtual como eles são definidos de fábrica. O Copilot se você tentar jogar Xadrez, é pior que jogar com alguém que está começando de fato. Meta Ai, Chatgpt, todos eles tem uma limitação óbvia. Qual é?
Apesar de possuíram continuidade de conversa, eles consideram cada input, uma única interação por vez. Se “esquecendo” do que foi tratado no input anterior. Já percebeu que você tem partes do comando ou prompt não “executadas”? Isso acontece porque essa interação, mesmo que contínua, comparada com os chatterbots do passado, ainda continuam sendo “interações independentes.” Eu fiz alguns testes e fiz análises fundamentas pela própria IA.
XADREZ e TEORIA DE JOGOS.
XADREZ
Xadrez é um jogo de tabuleiro complexo e tático. Se você começar o primeiro turno, a IA vai muito bem até o quinto turno. Dali em diante ela começa a fazer movimentos ilegais, começa a trocar que peça ela está mexendo (vai de preta para branca). Ela não mapeia o que está acontecendo. Para ela, cada turno, o Xadrez reinicializa. Sabiam? Eu tentei de várias formas, e não foi possível da IA agir como se fosse um ‘agente’ consciente do que estava acontecendo.
Isso já demonstrava, que cada turno era uma interação única. Depois de 10 movimentos, ele achava que podia fazer xeque em uma peça que estava bloqueada por uma peça minha ou dele. O que gerava um contexto ilógico. Fiz entre 25 tentativas diferentes. E nem uma delas foi bem sucedida, porque o problema não é no método e sim na limitação da IA.
JOGO DA VELHA
O segundo foi o jogo da velha. Que seu início não tem ‘peças’ padrão. E sim marcação. Se você joga de X ou O, e opta por um quadrante, ela opta por outro quadrante. Mass isso não significa dizer que ela sabe onde está o seu X ou O. Pois para ela cada turno é reinicializado. Então é como se você tivesse preenchido nada. Mas ela sabe que os seu X ocupa uma casa que ela não poderá usar. Mas isso não significa dizer que ela entende que você está fazendo uma linha para ter vitória. Seja na vertical, horizontal ou diagonal.
JOGO DA FORCA
Exige continuidade, apesar dela ser mais ‘objetiva’, já que ele pode contar que letras foram corretas e quais foram incorretas. Não é capaz de deduzir que letra não foi e pelo motivo que deveria ter ido. Nós humanos, somos capazes de até indagar se a palavra existe ou não. A IA vai continuar dando palpites se baseando em tópicos de conclusão que pode ter ou não haver em conexão com o problema proposto.
DISCUSSÕES FILOSÓFICAS E POLÍTICAS.
Como um Google, as IAs sabem trazer assuntos da atualidade, mas não mantém um grau de lógica. Se você debater com um colega sobre uma implicação política, ele terá inúmeras defesas, argumentos e debates. Uma IA atém ao fato. Ela não opina. Não entende e tampouco avalia a gravidade de afirmações. Outro dia estava falando sobre a evolução da segunda guerra mundial e dos impactos infelizes das medidas tomadas pelo movimento que estava na Alemanha, sabe o que a IA me disse? Que apesar de todo mal, teve um lado bom…
Eu fiquei pensativo, porque isso em uma conversa entre dois seres humanos já nos teria levado para um partido bem menos amigável. Então eu indaguei, como assim o período da segunda guerra foi bom? Houve tantos massacres, famílias foram destruídas, pessoas foram destruídas e valores sobre invertidos. O que há de bom nisso? Então a IA disse – “Você tem razão, esse período contribuiu com muitas fragmentações de vidas e etc”.
Logo após essa afirmação, retomou o conceito que apesar do mal teve um lado bom (de novo). Demonstra como a IA para cada input isola em uma sessão de interação. Apesar da continuidade ele se baseia no mecanismo de:
Cada conversa é um TÓPICO;
Cada TÓPICO tem uma Conclusão;
Como chegamos nessa conclusão é excluído;
E apenas o TÓPICO e CONCLUSÃO são preservados.
Apesar da IA aprender, ela aprende com os inputs, sem necessariamente isso ser algo que a melhoria de uma certa forma realmente. O que é treinado são os padrões de reconhecimento de tópico e não de como melhorar o debate em si. E nem de considerar que a interação é contínua. Até porque se fosse contínua ela teria que ter uma coisa que nós humanos temos, contexto. Como IA não tem poder da semântica (sentido de algo), o contexto se torna impossível de ocorrer.
Então isso nos leva a uma conclusão imediata. Se a IA realmente não mantém um contexto, ela é apenas um programa que organiza ideias que você fornece e dá ordens de formatação. Como se fosse um wordpad por comando de voz. Qualquer semelhança é coincidência. E aqui podemos tratar do nosso artigo. Depois dessa mega introdução.
A IA VAI ROUBAR TEU EMPREGO?
Não. A não ser que você seja incompetente. E mesmo assim não será uma IA que irá ocupar o seu cargo, provavelmente será outro ser humano. Apesar das predições de alguns gurus ou mesmo empresários das Big Techs que a inteligência artificial será uma mudança enorme, mudará a nossa composição atual corporativa, eu posso amenizar, que isso é uma afirmação influenciada por setores que não precisam de mão de obra “inteligente” humana, ou seja, a operacional, a construtiva a quem exige produção em escala e número.
Agora uma IA não substitui um gerente, um diretor, um analista, um advogado, um artista, um fotógrafo, um ator, um engenheiro e etc. Não há como fazer isso. Porque a própria limitação atual que é da interação única por sessão, a não compreensão de contexto e de sentido, já tira a IA da lista de candidatos a uma vaga. O impacto não é apenas emocional como eu vi muitos mencionarem. Que o toque humano, eu diria, que até nem o toque racional e lógico. A IA que temos é como eu disse, não é uma Skynet, é uma calculadora um pouco melhorada.
Não se enganem, a linguagem natural é apenas um UX Design (Experiência do usuário), mas ela mascara para os incautos, que na realidade ela é um programa de computador com uma maquiagem bem feita, mas que continua processando 0 e 1 sem conectar o significado de cada bit. Ou seja, o seu Meta Ai não sabe o que é uma fruta, sabe? Até a próxima pessoal, bons estudos.
E uma pergunta, para que a IA é utilizada? Alguns pensamentos a seguir…
Automatização de tarefas repetitivas e rotineiras.
Melhoria da precisão e eficiência em processos.
Redução de custos e riscos.
Aumento da personalização e experiência do cliente.
Desenvolvimento de soluções inovadoras e análise de dados.
A sequência de ‘Pílulas de marketing‘ que pertence a série de insights e pesquisas de mercado foram originalmente publicadas até o número 42 na rede social do Linkedin em meu Newsletter, clique aqui. Vou começar a publicar no Mundo Pauta e haverá um replique por lá. E nisso consiste também uma chamada para o Curso Especialista de Marketing Jurídico, sempre no final do artigo. Vamos lá!
UM POUCO DE HISTÓRIA.
Inteligência Artificial é um conjunto de algoritmos denominados ‘genéticos’ (AG) formandos por redes neurais (RN) que simula o comportamento cerebral humano na tomda de decisão. Utilizando o conceito de seleção artificial análogo a seleção natural.
O impulso para IA como área de atuação e pesquisa teve uma força após a 2ª Guerra Mundial, com material publicado naquela época por Alan Turing considerado o pai da Ciência da Computação e seu artigo “Computing Machinery and Intelligence”.
Até antes do computador moderno, a inteligência artificial era um campo teórico, onde seria possível uma máquina pensar como um ser humano. Em tempos recorrentes, temos visto o avanço veloz de tecnologias que nos permitem ver as máquinas, os computadores, mais do que simples aglomerados de códigos.
Nas décadas de 40 e 50, inúmeros pesquisadores e cientistas revelaram em suas buscas uma conexão interdisciplinar da medicina com a computação, conceitos como neurologia, teoria da informação e cibernética tomaram desenvoltura por anos à fio.
Na década de 80, nomes como David Rumelhart, tomou nota de conceitos como ‘redes neurais’ e conexionismo’ que foram analisadas sob a ótica de estudos como os sub-simbolismos, lógica de Fuzzy e o progresso computacional.
Após a popularização da internet, a IA ganhou espaço em programas científicos como Eliza, Alice, Seven, Verbots e que ganharam ao longo uma comunidade que se interessava por ciência computacional. Muitos desses precursores de Sophia, Ameca, Chatgpt que vemos hoje em dia. E partimos daqui e nossa breve história para discutirmos sobre IA quanto ao mercado.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL VS METAVERSO: UM FICA E OUTRO VAI EMBORA.
A concorrência de notícias é interessante porque nos permite observar que muitas novidades que nos surgem na ‘tela’ não necessariamente serão permanentes. No final de 2021 veio à tona uma sensação conhecida como Metaverso, antes citada pelo fundador do Facebook, depois descobrimos que muitas outras empresas já estavam mergulhadas nesta ‘novidade’ há quase 10 anos.
Esse tempo de 10 anos nos faz analisar que Metaverso não foi algo que pegou de forma ‘geral’ ou ‘massa’. Devemos concluir que está mais para setores específicos, logo Metaverso atende a um mercado de nicho. E esta mais para uma conexão entre Criptmoedas e NFTS do que mercado em geral. Sem esses dois modelos, não há muito interesse em aplicabilidade do Metaverso.
E sua definição também corresponde a um universo que há muito existe, os MMO. Que são naturalmente jogos de video game com uma infraestrutura comercial conhecida como microtransação. Essa ‘novidade’ não é particularmente uma via muito favorável, especialmente quando se exige alto custo para uma demanda que depende de uma pesquisa de nicho quase sem nenhuma margem de erro.
Por sua vez, IA é algo que vem ao passo mais linear de crescimento e aceitação do que o Metaverso, que já vinha construído em bases sólidas para clientes específicos, mas com algum tipo de hiato, que não parece atender muito a demanda da maioria das empresas. Enquanto que IA permite o aumento de produção por ter uma integração mais óbvia. O uso de um pacote Office mais inteligente.
CONCLUSÃO.
Existe uma clara corrida comercial ocorrendo devido a inteligência artificial. E podemos esperar que essa abordagem gere os mesmos frutos que vemos ocorrer quando ocorreram outras ‘corridas’. Tecnologias foram criadas para promover, suportar ou combater a concorrência. Quando o GPT-3 foi apresentado virou notícia, não demorou muito tempo para o GPT-4 ser comercializado e já se fala em GPT-5.
Conceitua-se que não estamos falando apenas de ‘apps’ de web. E sim de robótica. Com o avanço significativo dos campos da IA como Machine Learning e Depp Learning, talvez em 10-15 anos tenhamos uma reestruturação da indústria como um todo. Talvez seja necessário que profissionais mesmo não formados ou atuantes de T.I tenham que ser programadores também? Um Médico DEV, um Engenheiro DEV?¹
Nota:
¹ A realidade de interdisciplinaridade acontece há muitas décadas, na questão de T.I, quando por exemplo a linguagem de programação holandesa, Python ganhou em 2008 visibilidade comercial, haviam artigos aos montes afirmando que profissionais ‘off’ de T.I utilizam a codificação. E sendo estes conhecimentos necessários, pode ser que no futuro, haja uma integração de habilidade de programação com formações bachareladas como cadeiras eletivas.
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Ficção Científica que simula uma era cibernética de inteligência artificial com consciência. Talvez o problema seja, é que não é tão ficção científica assim na atualidade. M3gan é um acrônimo criado para representar um sistema de aprendizado de terceira geração, algo muito parecido como a tecnologia GPT. Linguagem natural como interface e treinamento de variáveis como Machine Learning. Vamos lá.
Cady é uma menina de 10 anos que perde os pais em uma viagem para esquiar, ela vai para os cuidados de sua tia, que é uma cientista e engenheira robótica. Digamos uma geniosa cientistas. Trabalha em uma empresa que cria brinquedos inteligentes. E enquanto a menina tenta se recompor a sua nova vida, sua tia mantém como Hobby um projeto chamado M3GAN.
Seu supervisor David Lee exige dela uma remessa de novos brinquedos PETS. Que são uma mistura de Trolls com um Ted Bear dos anos 80-90. Conectado a internet, é possível conversar e interagir com ele diretamente ou através do Tablet. Coisa que já existe hoje também. E tudo isso se torna mais problemático ainda, porque os concorrentes no mercado andam lançando novidades também.
Com o intuito de levar o seu projeto de ‘final de semana’, ela toma a dianteira quando sua sobrinha revela querer um brinquedo que a deixe contente em só ter ele. No momento do ego, a cientista vai e termina o projeto. Que acaba sendo amiga de Cady, mas também o próximo ativo da companhia Funfik.
FALHA TÉCNICA OU CONSCIÊNCIA.
Incialmente a M3GAN passa por uma espécie de falha técnica por não ter um resistor para aguentar os problemas do seu primeiro teste. E neste caso, que deu errado. E isso bem antes dela decidir finalizar o projeto e seguir em frente com ele para dentro e fora da empresa.
O relacionamento da menina com Cady não é muito explorado no filme, o que eu achei uma pena. É revelado através de fotos e vídeos. Mas que não deixa muito claro o tanto que a Cady se ligou a boneca cibernética. Ela tinha uma forte conexão. Porém isso ficou bastante superficial no filme. (Um dos contra).
No início do filme também vemos um dos funcionários ‘copiando’ os arquivos de M3GAN, o que depois vou comentar como sendo algo muito sem sentido (Outra Contra). M3GAN começa a deliberadamente a agir por conta própria, não havendo aparente falha técnica, mas com alguma elevação de consciência. No entanto sem também revelar como ‘assim’ (Outra contra).
Ela começa a defender a menina agindo de forma ‘letal’. Para quem é sensível, animais morrem no filme. Não é exibido, tampouco a crueldade. Mas é a única morte deste modo e a primeira. Para tanto achei que o tempo de tela da M3GAN foi muito pouco (Outra Contra). Para quem assistiu o famoso MEME dela dançando (que nem sequer é aquela música), o filme revela pouco das cenas e foca mais no drama.
PRÓS E CONTRAS.
Vamos falar sobre o que torna o filme muito bom e também um pouco ‘raso’. Apesar de alguns pontos, que não senti decepção. E acredito que tenha tido mais repercussão em relação a cena da dança nos Stories e Reels, do que o filme em questão. Há muitos debates em relação a perda familiar, adaptação a um novo convívio, a ética da Inteligência Artificial e concorrência corporativa.
PRÓS:
Há uma certa proximidade da realidade do filme com o nosso dia-a-dia;
É uma abordagem interessante da IA moderna;
O filme tem um roteiro direto;
Não existe muita reviravolta (por um lado é bom, porque vai direto ao ponto);
O tema é retratado como se fosse em um documentário parcial (não é ruim).
CONTRAS:
Filme curto;
M3GAN tem pouco tempo de cena;
Não é mostrado o relacionamento de Cady e M3GAN;
Ela surta ‘muito’ rápido e sem drama para esse sentido;
Foco demais em drama familiar;
E (também) foco demais em questão corporativa;
Não é exatamente um filme de terror, e sim suspense;
Roteiro simples demais;
O programa da M3GAN deve ter terabytes, mas um funcionário faz download em poucos segundos.
EXPECTATIVAS E COMENTÁRIOS SOBRE OS PRÓS E CONTRAS.
Gostei do filme, minha nota para ele é 95. Mas quem vai pela expectativa em ver alguma inovação que já vimos em filmes como o novo Brinquedo Assassino que revela justamente a falha técnica para justificar os ataques do boneco, algo que já vimos em Eu, Robô (onde o roteiro é mais trabalhado no sentido da consciência de Sony), em Matrix (que vemos mais o lado das batalhas, mas temos uma noção bem rica daquele ‘mundo destruído’) e do Exterminador do Futuro (que embora corrido, consegue mostrar que as máquinas possuem um papel em todo aquele conflito, seja bom como para mal), pode se decepcionar um pouco.
O roteiro do filme é direto, como eu disse no PRÓ, mas é simples como eu disse no contra. Roteiros simples são como histórias para crianças. Não tem muita reviravolta, por um lado parece bom, porque você vai entender rápido a mensagem, mas é ruim, porque você acaba não sendo envolvido pelo mistério. O mistério que no caso seria como a M3GAN adquiriu consciência.
A consciência ou falha técnica. Não é revelado e nem trabalhado. O título apesar do que eu vou falar, parece aqueles filmes TRASH que tem pouco orçamento e não pode elaborar muito, acaba por fazer cenas curtas e com mais ‘efeitos’ do que ‘narrativa’. Filmes como a inteligência artificial é preciso explorar como se fosse um Stanley Kubrick com um pouco de Steven Spielberg.
Os prós e os contras são quase antagônicos porque ao mesmo tempo que é interessante ter uma ação direta. É também fascinante perceber que algo que tem circuitos, cabos e é feito de metal, possa adquirir consciência. Se tonar vida. Ganhar uma perspectiva. E nada disso é explorado. O que vemos é um filme ação direta, sem complexidade, com pontualidades (percebemos isso com a conversa inicial da M3GAN com Cady), mas depois isso não acontece de novo.
Não é como em o Homem Bicentenário. Que ali vemos o Andrew ganhar vida. É um filme longo. Tem umas 2 horas. M3GAN tem quase isso. E não entregou muito. Se você espera por muito. E espera algo diferente. É algo muito próximo do novo Brinquedo Assassino só que com menos tempo, muito mais drama e menos M3GAN. E faz o filme ser atiçador, mas estraga prazeres. Porque ele deveria entregar algo mais do que uma boneca assassina.
Ela se reduziu a uma simples boneca assassina. E não há um motivador para rever. Porque você não tem uma provocação. O longa não nos provoca. Não é algo que você quer rever porque tem pontos que agora serão mais claros porque o filme revelou algo no desfecho. É um ‘Deathmach’. E isso significa que pouco importa a história, o que interessa é o tiroteio. Por outro lado, temos um debate interessante.
O filme ele pode ser visto por uma perspectiva mais otimista do que eu acabei de falar, que não deixa de ser verdade. Mas isso só será possível se você se permitir ver o filme como um documentário drama. Como se fosse uma reportagem. Em que o ponto de vista que temos é limitado. Mas pelo lado da ficção que não é tão ficção assim, por agora por exemplo.
A Inteligência artificial evoluiu muito nos 20 anos. Muito. Os Chatterbots eram limitados, não gravavam nada, não tinha continuidade, não possuíam concepções de aprendizado. Não havia ainda pesquisas de Deep e Machine Learning avançados. Eram apenas ensaios. Nada prático, tudo teórico. Podemos hoje testar a máquina de Turing para provar que ela pode ser um ser humano?
Apesar do filme não bater nesta tecla, ele não é um título científico. Por isso que diria que para uma categoria, ele esta mais para suspense. Do que para terror e ficção científica. Terror ele não tem quase nada. E ficção Científica apesar do termo ficção ser ainda (Ainda bem?) irreal, a parte científica não existe muito no filme. Porque não temos essa reflexão, do que é M3GAN. Como ela nasceu, por quê e como ela chegou ali.
Mas temos um filme que bate em uma tecla atual. Porque não estamos muito distantes de uma realidade como o do filme, não digo pela violência. Digo pela legitimidade de algo mais ‘senciente’ do que ‘robótico. E dito isso, acredito que você precisa tirar suas conclusões e ver se o filme é bom ou não. Eu dei nesta análise algumas informações que serão necessárias, mas quem vai guiar se gostou ou não, é você.
Não tem muitos dias que escrevi uma análise do filme “Próxima parada: Apocalipse” com Forest Whitaker (No original – “How it Ends”) em que a premissa era algo de errado aconteceu e talvez tenhamos que descobrir. O problema é que o final é bem decepcionante. O que torna o filme após esse desfecho, também uma perda de tempo. No filme estrelado por Chloe Moretz, o problema se dá em diversos pontos, sobretudo o roteiro.
Sinto que o roteiro é muito importante para a qualidade do filme. Deixa-lo a mingua me faz pensar que fazer cinema tem sido uma tarefa relapsa. Sem dramas. Sempre houve roteiros sofríveis na indústria. Já falei isso em diversas ocasiões, não é uma tarefa simples criar uma história que faça sentido na tela. Às vezes uma frase tem muito efeito no papel e parece ridículo quando filmado.
O editor depois pensa como compor algo que foi filmado e faça sentido na narrativa. Há filmes que são poéticos, diretos, indiretos e uma soma de um pouco de tudo. Há quem goste de roteiros sem noção. Que não começa com sentido e termina sem menos sentido ainda. Faz parte do cinema o gosto de cada um. No entanto quando o roteiro peca em detalhes básicos, até o que podemos considerar ‘sem noção com algum sentido’ de ser sem noção, não parece ter o mesmo impacto de uma história que não há nenhum apelo, mesmo que legítimo, do emocional.
Em Mãe vs Andróides, pense em um filme que conecta a mesma atmosfera do game Detroit: Become human (vou explicar, caso não tenha jogado) com o início do conflito que não vemos acontecer em Exterminador do Futuro. E um pouco, mas menos violento, e talvez menos incisivo, do que o Eu, Robô (2004) com Will Smith. Combinamos dois filmes e um game com a temática, IA se revoltando.
DETROIT: BECOME HUMAN.
Detroit: Become human é um game desenvolvido pela Quantic Dream que tem a característica de fazer jogos ‘filmes’ onde interagimos. Não filmes como FMV (atores de verdade), mas de CGI com MOCAP (Captura de movimentos) onde você controla três personagens com diferentes perspectivas de uma situação conhecida como divergência.
As máquinas com formas humanas operam em residências, substituem filhos, trabalham em empregos perigosos, começam a desenvolver consciência. No jogo o fenômeno explicado como um algoritmo de divergência.
Alguns querem viver pacificamente, mas outros, não querem fazer uma revolução. Como temos três personagens, temos as possibilidade de experimentar o lado pacífico (fugir dos Estados Unidos) e ir para um lugar que não considere máquinas como objetos, optar por fazer justiça usando as leis dos seres humanos em defesa de outros androides ou fazer uma revolução e obrigar o ser humano em aceita-lo por bem ou por mal.
COMEÇO.
A personagem de Chloe Moretz (Georgia) começa o filme na casa dos parentes em uma festa de Natal. Ali conhecemos um pouco sobre a vivência de ser humanos e androides. É possível perceber que o que está servindo como anfitrião, demonstra um erro. Ele confunde as datas. Celebra o Halloween, enquanto que é Natal. Apenas para dar um toque que há algo de errado.
Antes que o incidente ocorra, Georgia descobre que está grávida e logo conta para o seu namorado Sam (Algee Smith). Eles não possuem exatamente uma relação de namorados e não há um comprometimento muito por parte da própria Georgia em relação à isso ou ao bebê, entenda que esse gancho é importante. Porque ela fica em dúvida de muita coisa, parece o óbvio, que a gravidez é indesejada e que o relacionamento dos dois não é bem…sólido.
Após contar para uma amiga. Acontece um apagão. Neste momento o desenrolar faz com os androides da casa outrora serviam, agora estão matando os residentes da casa. E o mesmo acontece fora dela e por toda a cidade. Com uma visão aérea é possível notar que há um conflito ocorrendo.
SALTO DE 9 MESES E UMA BUSCA POR ÉDEN.
Não fica explícito no filme que o salto ocorre 9 meses após o incidente inicial, pois não há aquela “menção” de passagem de tempo. Só sabemos que passou esse tempo, porque ao ingressarem em um posto de sobreviventes, Georgia afirma que está grávida de 9 meses. Sam, seu namorado, é por ela acompanhado.
O problema surge desse ‘SALTO’ em especial porque o final do filme não tem muito tempero devido ao decorrer do que podemos chamar de maratona dos dois. Eles ouviram, algo que não é explorado e tampouco revelado para nós, que na Coréia do Sul, eles estão abrigando pessoas que querem fugir dos Estados Unidos. Dando a entender, muito que subentendido, que o único país que não foi afetado, foi o país sul da a Coréia e que o restante do mundo está lascado.
Mas não temos essa informação. Apenas que há uma ponte entre Estados Unidos e Coréia, e o fim daquele pesadelo. Com esse frenesi, Sam coloca tudo a perder, quando ele faz com o casal seja expulso do acampamento, gerenciado por militares, mas cheio de civis. Um típico lugar de sobrevivência pós apocalipse.
Como Sam faz eles serem expulsos? Como ele quer chegar em Boston e pegar a tal da embarcação para Coréia, ele tenta conseguir a informação com algum dos soldados, enquanto eles fazem uma espécie de ritual com brasa, marcador e uma enorme fogueira.
Mas o jeito que eles propõe em dar ao Sam a informação, e talvez, quem sabe, um transporte até lá. É entrar em uma briga. Não vemos essa briga. O que sabemos, é que no dia seguinte, ele foi o responsável por fraturar o crânio de um soldado que parecia ser muito maior e treinado que ele.
Há uma surpresa interessante, durante o que se chamaria de sermão, o chefe do acampamento, um militar com o ar de ‘general’ do campo de batalha, cercado de mapas, rádios e um corre-corre. Afirma que o acampamento é composto por civis que não sabem lutar e guerrear, e metade de uma pelotão que não daria cabo dos androides. Exceto um mecanismo de PEM que pode desativa-los, o problema é que se só podem usa-la uma única vez.
Mas ele opta por expulsar o casal, depois que ele demonstrou, na pior das hipóteses, que consegue bater num militar treinado? Não faz muito sentido. Então eles voltam para estrada e acabam numa casa abandonada. Uma bela casa, intacta para ser exato, no que eles chamam de terra de ninguém (Badlands) ou Wastelands (Ermos) para alguns.
Nestas terras não há postos. Mas estão lotados de androides sedentos. O curioso é que o pouco que vemos da relação dos dois é um hiato. Lembram que no começo do filme é bem claro que Georgia e Sam namoraram e que a gravidez deixa mais claro ainda, que parece que eles não estavam exatamente juntos? Durante o filme, Sam assume um papel delegado a protagonista, que seria Georgia. Aliás o nome do filme é “Mãe vs Androide” e não “Pai vs Androides”.
Georgia parece uma mosca morta no filme. Não digo pela atuação da atriz. Apenas que a personagem parece ter uma força titânica, mas não usa. Ter poder de decisão, mas não demonstra. Ainda que esteja insegura quando o que pensa em relação à ela e ao Sam, ela não parece constituir uma família de fato. E quem discorre sobre esse pensamento é o Sam. Como se ele fosse um pai assumido (que não é) e tivesse o aval de um herói que enfrenta manadas de búfalos para salvar quem seja (que também não é).
Vimos que no acampamento ele demonstrou uma burrice sem igual. Durante a estada por lá, Georgia teria seu parto em um hospital e com uma médica. E ele pensou que Boston seria melhor do que sua ‘namorada’ ter o conforto de um parto sem dor. Mais tarde veremos que ela sofreu tanto, que dá desgosto em ver o final.
Após pensar mais uma vez, Sam acha que eles deveriam pegar uma moto que estava ali disposta. Pensando bem, depois de 9 meses, quem deixaria uma moto que só precisava de um ajuste. Nem digo no motor. Com menos de 1 dia, a moto não precisou de reparos e tampouco de troca de peça. Estava ali apenas ligada, com gasolina e inteira.
A ideia era pegar a moto, correr 32 km até Boston, pegar a embarcação e fugir da terra da liberdade. O problema é que até foram informados no posto que foram expulsos, é que somente a mãe e o bebê poderiam embarcar. O pai precisaria ficar para trás. Surge talvez um apelo emocional. Pois a própria Georgia passa a considerar que ele tem que ir de um jeito ou de outro. Assim como aquele gancho do começo do filme, peguem este também.
UMA IA MAIS HUMANA, UM HUMANO MENOS HUMANO.
Durante a tentativa de sair comendo ou chutando poeira, a moto é perseguida por sedentos androides. Que mais lembram zumbis. Eles correm atrás como se não houvesse um amanhã. Disfarçado, acho que a IA agora era uma nova roupagem para comedores de carne no lugar de cheio de circuitos brilhantes. Isso tira a total imersão. Aliás lembra da minha comparação com Eu, Robô, Detroit Become Human e Exterminador do Futuro?
Aqui na Badlands, essas IAs deveriam ser ZA (Zumbificação Artificial). Eles não agem como divergentes. Com personalidades próprias. É como se fossem zangões Borgs. Apenas que tem a mente única, é a Rainha. Embora essa única, ainda seja coletividade, ela comanda a todos. Enquanto Sam é pego pelos Androides, Georgia é resgatada por um homem estranho escondido nas matas.
Cena de Detroit: Become Human.
Levado ao abrigo do homem misterioso, chamado Arthur (Raúl Castilho), Georgia agora sozinha descobre que aquele solitário salvador, perdera tudo. E que seria um engenheiro de uma empresa que programa essas IAs. Com algum conto-sermão para dizer. Ele apresenta à ela, uma tecnologia que permite invisibilidade aos Androides.
Convicta em resgatar Sam, ela pega a malha e vai até uma casa onde humanos são levados e mortos. Não tem muita lógica. Uma vez que os androides estão ali apenas para matar humanos em uma casa. Não é um circo de horrores. Mas existe uma cena intensa que um androide atraído pelos barulhos, esmaga a perna de Sam.
Outro ponto a considerar é como o Sam continuou vivo e acordado, depois do androide pisotear repetidas vezes a perna dele. Mais tarde em um posto, quando são levados os dois após um resgate quase frustrado, é que Sam precisou amputar as duas pernas, dado a extensão dos danos. A cena do que seria este mal tratos não foca na perna, foca no androide descendo o pé. Dá para entender que não foi pouca coisa.
Então temos um Sam super forte, que ainda consegue ficar acordado depois dessa fratura pós fratura, consegue andar, é levado por Georgia, que por fim está grávida, tendo dores da contração. Até porque ela acaba tendo o bebê durante o resgate de Sam. Mas ele continua ali inteiro, como se nada tivesse acontecido com o pé dele?
Enquanto Sam finalmente parece desmaiar no caminhão de resgate de Arthur, Georgia começa a ter o bebê. E chega no hospital do posto próximo com o filho já nascido.
ATAQUE AO POSTO, TRAIÇÃO, IA LÍDER, IA ZUMBI.
Aqui acontece outra sucessão de um roteiro mal planejado. Os androides parecem menos inteligentes e apenas como máquinas mandadas do que personalidades assumidas. Arthur não é um ser humano, e sim uma máquina extremamente inteligente. Capaz de enganar e conseguir se infiltrar em um posto para desativar a PEM e conseguir tomar o controle local.
Ainda não se sabe, não é revelado no filme, porque essa IA é mais inteligente que as outras que parecem um bando de zumbi abestado. Mas compreende-se ele ser o líder. Depois de levantar da maca, sabendo que o erro a levou trazer o inimigo para base, que é aniquilada, ela arrebenta os pontos da cesariana bem no nível da Elizabeth Shaw em Prometheus, sentada em uma cadeira de rodas com um bebê recém nascido correndo contra o tempo até o PEM.
Cena de Detroit: Become Human.
O problema é que não sei se ela estava indo ao PEM de propósito ou na correria foi parar lá. Se for o segundo caso, ela ia deixar o SAM para trás, sem as pernas naquele posto já tomado. Se foi o primeiro caso, não faz muito sentido. Até o ataque e desde o resgate, ela não andou em nenhuma parte da base e tampouco foi informada sobre qualquer pendência. O que deixa cega a qualquer setor do lugar.
De qualquer forma, ela chega no mecanismo de PEM. Isso me faz lembrar de duas situações, porque essa é uma ocasião que se assemelha. Quando ela chega próximo a porta do dispositivo. Arthur e alguns androides alcançam ela. A ponto de parar e fazer um discurso revelador. Ali sabemos que ele é uma máquina. E ela não esboça exatamente uma reação de surpresa. Embora antes de sair do hospital, ela tenha sido interrogada para saber quem era Arthur, e a base só é atacada, após ela dizer algo do tipo – “Acho que eu me enganei.”.
É ainda mais impossível que a narrativa tenha se concentrada em uma história de reviravoltas sem muito sentido de como é possível que elas acontecessem. Logo após perceber que talvez tenha sido enganada, que os flashbacks de sua conversa com Arthur e as situações tenham sido o suficiente para ela sacar que além de algo estar errado, ela puxou uma cortina ao lado de sua cama, revelando uma enfermeira destroçada e morta.
Os androides foram bem furtivos em mata-la. Um pouco antes, a doutora que atende a Georgia, afirma que deveria haver uma enfermeira naquele turno e ali. Engraçado é que ela estaria morta ali do lado sem ninguém ver? Ou o androide matou-a em outro lugar e teve o trabalho, e o perigo de revelar sua posição, e arrasta-la até o hospital? Não há alguma explicação para isso.
Quando finalmente ela se dá conta, com o ventre aberto, fraca devido ao parto, com um bebê no colo e sentada em uma cadeira de rodas, ela conseguiu evitar que uma turminha bem volumosa de androides, bem mais fortes que um ser humano, fosse impedida para que ela pudesse em um momento único de Hit Girl (Kick Ass), ela puxasse o botão e pronto, os androides foram para o beleléu.
Sabe a resistência dela e a superação são fascinantes, mas contra fatos não há argumentos. Eles são mais fortes, em maior número e ela mesmo inteira com tudo nos trinques perderia. Seria o mesmo que a fumaça gigantescas do How it Ends não pegar o carro, o Godzilla de 1998 não alcançar o táxi. Acho que há um problema nesta situação toda.
NO CAIS, CORÉIA, UM FINAL SEM MUITO O QUE COMENTAR…SERÁ?
Como no começo do filme, a tela fica preta, e vamos direto ao cais o que seria de fato o destino final para levar, Georgia, Sam e o bebê para fora dos Estados Unidos. Fica algumas perguntas: Como eles saíram da base e andaram até Boston? Com que carro? Além dos androides que estavam destruídos pelo PEM, ainda deviam existir outras centenas entre ele e o cais. Sem falar que ela estava ferida, com um bebê de colo (será que ele comeu?) e o Sam sem as pernas, como foi isso. Eles mudaram as bandagens, ou ele fez a viagem sem nenhum risco de infecção?
Cena de Eu, Robô (2004)
Eles chegaram no cais. E lá estava um barquinho com agentes Coreanos. Quando eles finalmente chegam. São logo surpreendidos como uma nova informação. Não mais, e apenas Sam seria impedido de ir. A mãe também deveria ficar. Apenas o bebê poderia ir. De acordo com a explicação, é que eram muitas bocas para alimentar. E que o Sam e Georgia precisariam de um médico devido suas situações.
Antes que pensem que haveria outra resposta, pensem que este final é uma agonia. Ainda que o filme tenha um roteiro bem fraco. Os dois lutaram como loucos, para no final, fazerem o que exatamente? Entregarem o filho deles para estranhos em uma possível Coréia sem problemas? Depois de serem enganados por Arthur, não seria estranho que somente os bebês fossem aceitos? Bebês precisam de mais comida, dão trabalho, muito mais que adultos.
Surge a suspeita que talvez, talvez, a Coréia tenha se tornado um antro central dos próprios Androides. Mas tudo bem que essa teoria não passou pela cabeça dos dois pais jovens e inexperientes. O que eles fazem é o que eu não faria. Antes que o bebê teria mais chances, seria com os pais. E não em um país estrangeiro, vamos pensar antes na travessia do mar. Que eu gostaria de saber como um bote consegue chegar na Coréia do Sul da distância dos Estados Unidos em pouco tempo.
Então mais uma vez, o pai, Sam convence a Georgia que isso é bom para o bebê. Depois de tanta ‘escolha inteligente’ que ele fez, fico surpresa que ela continue ouvindo ele. Mas então, ela entrega o bebê. E tem no final uma espécie de ‘flash-forward”. Ela parece fazer um diário verbal para o bebê, embora não faça nenhuma gravação.
Mostra cenas, do casal brincando com o filho já criança. Todo um envolvimento e relação que não vemos em nenhum momento do filme. É válido querer um Snyder Cut aqui? Ok, mas as cenas finais não fazem jus a correria do filme e entre os saltos de 9 meses atrás com os saltos da briga do Sam no primeiro posto e nem o que de fato aconteceu no segundo posto.
Antes de terminar o filme, no momento em que os dois entregam o filho. Eu já havia publicado nas Redes Sociais para as pessoas não verem este filme. Para ter uma ideia, nem a cena final que parecia mais emocional, não tinha muito contexto. Não há uma recomendação de título para renomear, porque não há muita conexão entre maternidade e paternidade no filme. Parece a luta de dois pais jovens procurando um futuro melhor para o seu filho.
Mas essa trama não se desenvolve. E é a principal do enredo. Infelizmente o começo dá um gosto bom que seria um suspense interessante em uma ficção científica de inteligência artificial. Mas infelizmente o roteiro apenas foi uma dificuldade.
Não há tempero nos personagens, nem desenvoltura, nem de relação entre os dois, nem de fatos que aconteceram, tampouco como seria possível algumas situações e nem como a passagem de tempo foi tão gentil com os dois em um ambiente desfavorável e de poucas chances de sobrevivência.
Ainda que lá no começo da análise não tenha sido detalhado em falar, mas como eles sobreviveram sem ter nada disposição? Uma grávida precisa de repouso, alimentação e cuidados médicos. Como a Georgia parecia que visitava o médico todo mês? Os dois pareciam que davam uma pausa no apocalipse. Depois de 9 meses não seria muito possível, que talvez, ela tivesse perdido o filho.
Nota: 0.0 de 100.0 (Roteiro ruim, personagens sem desenvolvimento, trama principal sem sal e final horrível).
Em 2018, uma nova adaptação da série dos anos 60 foi criada para uma versão mais moderna e com críticas sociais mais atualizadas. A mensagem simples era: Pioneirismo e família unida. O conceito da narrativa de Lost in Space lançado para Netflix segue abordagem de franquias como Stargate, onde os personagens são apresentados conforme a trama vai se desenrolando. E gêneros como drama, suspense e ficção são misturados entre os episódios.
Não é possível de antemão pensar em como a série pode ser boa ou ruim antes dela terminar. Como toda história, começo, meio e fim, são elementos importantes para uma análise fidedigna. E quando isso falo, é porque quero fazer entender sobre qualidade de trama e não do que acho de cada episódio.
Quando comecei a assistir a série em 2018, estava em repouso devido ao trauma que tinha sofrido em 2017 com Vingadores: Guerra Infinita, quando que naquela altura, filmes e séries pareciam não conseguir entregar um final no mínimo decente. Quando Thanos venceu a turminha da justiça, saí do cinema pensando que havia visto um filme de uma outra empresa que não a Marvel, no ano seguinte, acredito que depois de assistir a primeira temporada de Lost in Space, Thanos confirma sua vitória única.
Nos confins deste campeonato de pesos-pesados, eu não era um leitor de HQs da Marvel, mas um expectador leigo que até sabia que Homem-Aranha era Peter Paker e que era um personagem do estúdio. Mas não tinha detalhes de sua origem, que ano, que aparições, isso só foi mudar em 2020, quando adotei meu personagem favorito como Dr. Estranho. De lá para cá, tenho algumas dezenas de revistas físicas e digitais do mago supremo.
E na época da finalização da saga eu já estava inconformado como aqueles heróis todos foram vencidos pelo Thanos. E hoje após me tornar um leitor assíduo das histórias, noto a perceptível – “nerfada” dos heróis. E até percebo que depois de Wandavision o povo entendeu a presepada da Marvel. De repente ela é a mais forte da Marvel – ops. Mas depois não vale.
Pior é que quem se lembra, Thanos é morto por Wanda e Visão. É, em Wakanda. Mas por causa do Dr. Estranho, Thanos usa a jóia do tempo e evita a vitória dos guardiões da terra. Depois que notei eu percebi que tinha algum roteirista com raiva do mundo naquele dia. Mas tudo bem, o arrependimento coletivo faz até hoje pessoas elencarem listas de personagens mais poderosos para superarem também aquele trauma. Mas sinto muito, o personagem mais forte da Marvel, segundo a Marvel é Thanos.
E isso impacta meu ponto de vista para novas séries e filmes e também associado a outras experiências negativas. De lá para cá, não de 2017, já tem um tempo, que os roteiristas adoram matar herói e salvar vilão. Ou o final não é nem de perto feliz, é infeliz, horrível e um tormento. Quando vi Lost in Space, eu só concluí na época que tudo que é apresentado é até aceitável, é bom, é surpresa. O problema não é ali. É depois, no final.
Primeira e segunda temporada eu achei, assim, particularmente maçantes. Mas não chatas. Apenas poucos episódios para colocar muita trama. Eles podiam ter dividido isso. Mas tudo bem. E quando deu a cena final da segunda temporada, eu já senti na pele o seguinte. E para isso vou descrever o que era o último episódio.
Quando finalmente tocaiados pela raça artificial de Robôs, a família Robbinson e os seres humanos pioneiros de Alfa Centauri, precisam separa-se de seus filhos, afim de assegurar sua sobrevivência e para isso, os adultos seriam a isca. Quando Judy vê a Fortune, bateu em mim a seguinte conclusão. Danou-se. Por quê? Quase nenhuma série atualmente, e digo há uns 15-20 anos, não tem conseguido fechar ou dar uma conclusão ideal. Ou nem dá.
Então até aquela altura não tínhamos:
Que Robôs são esses?
Por que o Robô se tornou amigo de Will Robbison?
Como eles resolvem isso tudo e chegam a salvo em Alfa Centauri?
E como responder em uma e última temporada o mistério da Fortune?
Normalmente nenhuma série ou filme tem conseguido responder uma questão. Imagina tantas assim? É o que eu critico muito o Stranger Things. Em três temporadas nada foi explicado. E era previsto em 2016, ter 4 temporadas. E agora já se fala em 6 temporadas. Muito se aplica a ideia de sucesso neste caso, ao meu ver, se aplica desorganização dos roteiristas, então são 2 temporadas à mais para corrigir a burrada.
Quando terminou a segunda temporada e antes de ver a terceira eu já supôs o seguinte – o foco vai ser 97 crianças. Ou seja será um The Society (série cancelada do Netflix), Between (idem). Concluí na cabeça, vai virar série Teen e drama no último? Mas estava convicto de ver, porque queria terminar a série.
Mas me surpreendi. Acho que é a primeira vez em muitos anos que vejo uma série conseguir fechar todas as questões, de forma lógica, nem foi forçada. Tinham deixas e ganchos por toda a série que permitiu as respostas. Resolveu cada uma, ou seja nós ficamos sabendo:
A origem dos Robôs;
Visita do planeta deles de origem;
A preservação do elenco principal vivo;
O paradeiro da Fortune;
O reencontro do pai biológico de Judy;
A integração disso a família atual dela;
Porque o Robô ficou aliado do Will Robbinson;
E um final explicando o que aconteceu após tudo.
Foram 8 episódios, 6 para amarrar as respostas e 2 para solidificar isso em uma espécie de testamento. Recentemente eu assisti Lockey and Key segunda temporada, que é bem possível que eu deixe de vê-la e nem termine – existe ali uma desaceleração da trama. Lost in Space, foi maçante, mas cada temporada ligava de ação-ação.
E as séries atuais, tais como Stranger Things, Lockey and Key, de uma temporada para outra é ação-drama e digamos um outro elo, drama teen-suspense. Essa quebra mata parte da série. Você não quer começar do zero. Você já está correndo uma maratona. Começar do zero…é desanimador. Mas não é isso que me fez já desistir de Lockey and Key. O que me fez desistir, foi que na primeira temporada você tem uma série de ficção científica e drama. Digamos 90% de um e 10% de outro.
Na segunda temporada, você tem Drama Teen, Drama Adulto, Romance, ação e ficção. Mas a proporção é bem reduzida, e na ordem que está, é como é trabalhada na série conforme os episódios vão passando. Então Lockey and Key (raiz) não existe na segunda temporada como predominante, e sim no primeiro episódio parcialmente e nos últimos 2, mais parcial ainda.
Drama Teen, Romance – 98%, Drama Adulto 1% e 1% dividido entre ação e ficção. Não é exagero. Eu mal me concentrei na trama. Precisava voltar para entender, porque me deixou muito cansado. Na primeira temporada eu mal pisquei o olho. Mas se engana que é ruim. Só que não era um Drama Teen.
Lost in Space foi uma lição para as produções atuais. Conseguiu fechar, porque tinha uma diferença. Tal como Orphan Black, outra série que conheci por ter usado o mesmo método de trabalho. A segunda série é Canadense e protagonizada por Tatiana Maslany que será a Mulher-Hulk. Ela é uma atriz incrível. E sua atuação nesta série de 5 temporadas é impressionante.
Mas a série só fez sucesso, porque ela já estava escrita há muito tempo. Muitos pensam que séries são escritas todas de uma vez só. Mas a grande maioria usa um método utilizado – “Roteiro do momento”. Você escreve a história segundo a preferência do público. Normalmente não vai dar certo. Não vai fazer sentido algum. Alguns personagens vão ser descontruídos, o gênero da série vai mudar (Ficção para Drama, por exemplo) e outras incongruências.
Orphan Black foi escrito cinco anos antes e cada temporada. Ou seja, já se sabia como iria terminar a série. E cada episódio foi gravado cada ano. Mas com o roteiro e a estrutura já definida. O público, a tendência não redefiniu nada. O que comprovou a conclusão amarrada no final. As questões foram respondidas. E cada temporada fez questão de realizar este desfecho sem problemas.
Lost in Space, tem alguns flashbacks que foram gravados em 2018, e foram só usados na última temporada. Não fosse o roteiro amarrado e notoriamente perceptível, isso é uma outra prova que a produção já fora toda construída antes de ser aceita no Netflix.
Parte do que muitos criadores de séries, documentários, filmes, conteúdos reclamam é de serem pegos desprevenidos por cenários. Como nosso caso, a Pandemia. Mas muitas produções continuaram. O que comprova que muitos não fizeram nenhum planejamento. E sim, planos reconhecem a possibilidade de cenários inesperados, inclusive os mais improváveis. Quem não tem costume de fazer, acha isso no mínimo uma audácia.
Em 2018, a série Lost in Space foi anunciada para ter apenas três temporadas. E lembro que até recentemente, em data de pré-lançamento da última temporada, veículos jornalísticos e comentários de usuários pelas Redes Sociais usavam o termo – “Cancelado”. E aqui para finalizarmos essa conclusão da série e dessa questão, vamos lá.
Cancelado é muito utilizado quando a série é interrompida. Não é um termo correto quando você concluí uma história. Porque cancelamento significa que você interrompeu a linha de conclusão. E há séries que apesar do final não agradar, não foram canceladas.
Cancelamento significa que o final não teve resposta ou não teve final para ter uma resposta. É o caso em fase inicial do Sense 8, que depois teve um final. É o caso das séries The Society, Between, Daybreak, I am not Ok with this, Nevoeiro.
Mas não é o caso de Lost (apesar do final não agradar), Game of Thrones, The Walking Dead, Arquivo-X, Buffy A Caça-Vampiros e assim vai.
E por fim, a conclusão da análise.
Eu fiz muitas comparações, porque é uma surpresa que tenha terminado com algum sentido. Cada um de vocês vai determinar se as respostas foram satisfatórias. Não que tenha tido lógica. Elas tem contexto e justificativas. Mas é uma série que conseguiu entregar o que prometeu. E como eu vivemos aí, neste período, algumas experiências pouco ideais de satisfação, eu já esperava que essa série terminaria mal.
Mas deixei a mente um pouco aberta. Mas só um pouco. Gostei tanto dela, que estou à procura do Box. E veja bem, eu não sou nem um pouco fã da série Perdidos no Espaço, a versão dos 60 eu nem vi. O filme de 1998 lembro vagamente, mas eu considero que essa série podia ser chamada de qualquer nome, porque Lost in Space é até característico.
Eles ficam perdidos no espaço, mas une Star Wars com Star Trek (causou um infarto em alguém aí?), esqueça as rivalidades, pense nas qualidades desses universos. Star Wars a filosofia daquele universo, dos Jedis, dos conflitos, das questões políticas e de Star Trek a federação, o pioneirismo, a exploracação, os conflitos com novas raças.
E ainda une outros temas que envolvem críticas sociais, inteligência artificial, novos parâmetros de classificação do que consideramos vivos, valores familiares, famílias tradicionais e modernas e claro, o herói vence. É uma mensagem que pode muita vezes ofender algumas pessoas hoje em dia, mas dentro da série, conseguiu elaborar que é possível termos esse nível de conflito, mas no final, termos uma progresso como sociedade.
E não há saltos nas três temporadas. Eles conseguem fechar toda a trama, evoluindo os personagens, e fazendo sentir que são humanos em uma situação atípica, mas que tudo com algum esforço, vai dar certo no final. E apesar de que os colonos, parecem ter alguma sabedoria que os Robbinsons estão sempre em encrenca, a série consegue remover o estrelismo do protagonista.
Não é negativo isso. É bom. Cada Júpiter, nave, era pertencente à um grupo. E cada um fazia um intenso trabalho para atingir os objetivos, que no caso deles, era de chegar na Alfa Centauri. Então cada um deles tinha um valor na série. Claro que o foco é nos Robbinson, mas eles não são os SUPER PODEROSOS que mantém todos vivos, na verdade, todos são hábeis, então eles só fazem parte da aventura.
E nesta perspectiva, somos observadores desta família, e com eles percebemos os perigos. E nem mesmo assim somos ‘ejetados’ da consideração ESTRELA MAIOR, porque eles não os maiorais. Ao contrário, Maureen até falsifica e frauda a avaliação para o filho, Will, ir com eles. John é um pai ausente, Judy é traumatizada e muito rígida, Penny é um espírito livre e muito ligada ao conceito família e Will é um explorador destemido.
Mas nenhum deles perfeito. É uma série de ficção com o pé no chão, termina com terminaria se estivessem na terra. E demonstra que tudo pode ser construído se estiverem dispostos a fazerem. Então vale à pena? A este autor, recomendo que você dê a melhor chance do mundo à esta série.