Cyberpunk 2077: Um jogo comprado pelos gráficos

Em 10 de dezembro o jogo da CDPR (CD Projekt Red) que foi anunciado em 2012, há 8 anos, e pouco menos de 4 anos em desenvolvimento, foi finalmente lançado. Mas foi recebido por uma avalanche de emoções que sofreu com uma montanha russa que acabou em uma má reputação para o lado do estúdio Polonês. Mas o mal da raiz é mais embaixo.

Final feliz para CDPR – Estúdio tem lucro de U$ 500 mi (com um total de 8 milhões de vendas)

Em valor de mercado, o estúdio em seu lançamento perdeu U$ 1 bi.

Há uns 20 anos já se sabia que gráficos x jogabilidade impactaria as experiências. E essa briga só comprova que as análises em veículos ou redes sociais demonstra superficialidade da crise e do que realmente importa na indústria do entretenimento.

Lucro sempre será o fim de qualquer empresa, pensar em algo diferente disso é demonstrar uma enorme ingenuidade. Muitos criticam com quatro pedras nas mãos que o sistema econômico é injusto e que eles só capitaliza ideias. Mas em nosso mundo, o dinheiro é uma moeda oficial de troca de serviços e construções de pontes.

Pensar diferente disso é ir contra a maré. E normalmente se contradizer. Uma vez que as próprias opiniões são expressadas utilizando do dispositivo social de liberdade de expressão (pertencente a esse mundo capital) e por meio de dispositivos de comunicação que só poderiam ser comprados pelo mesmo capital.

Cyberpunk 2077 já era uma obra prima para os fãs antes do lançamento. Já existia no imaginário, quando que seu projeto era um buraco negro há 4 anos. O jogo em si não existia, até então que você possa colocar as mãos nele, ele é um projeto não final. Compreende a natureza? Investir seu tempo, crença e dinheiro em algo que não existe, mas pode existir. É diferente de algo que existe e você tem ele. Ficava muito surpreso quando as pessoas comentavam que ele o Goty de 2020, o melhor RPG do ano, e nem tinha sido lançado.

Gameplays fomentavam a crença de um jogo insano. Um insano que não existia realmente e só nas mentes do que acreditavam em alguma coisa. Outro ponto que me fez pensar nessa cegueira, foi a crença que as pessoas diziam sobre CDPR. Uma empresa diferente, transparente e honesta. Engraçado. É o mesmo elenco de adjetivos que eu ouço as pessoas dizerem para cada candidato na política todo ano que sai e entra. Por que não fico surpreso com eles agora, desapontados? Qual é a finalidade de uma empresa? Ganhar dinheiro.

Isso faz delas desonestas, mal-caráter e bandidas? Não. Uma empresa cria empregos, melhora a qualidade de vida e coloca pontes entre níveis sociais. Melhora a redução da desigualdade e constrói mundos melhores. Há uma exceção aqui e ali, mas é essa a definição de economia. Então temos uma ausência completa disso de quem apenas afirma que a CDPR era diferente. E agora recai em uma crença cega sem argumentar se a CDPR era diferente ou não, que o seu projeto de 8 anos eram ambicioso.

Sempre me perguntei porque todos os anos das empresas lançam os MESMOS jogos. Mais do MESMO. Não muda nada. Mecânicas todas iguais. Por que o público não se importa com a mecânica. E sim pelo gráfico. Será verdade? Com certeza que o seu ponto de vista será relativamente diferente do meu neste quesito. Vale por seu sentimento subjetivo. Aquele que decide. Bem. Quem dirá que Dark Souls é ruim. Que outros que é RPG. E que não é. Vai depender das pessoas certo?

Mas o resultado é o mesmo quando estamos falando de mecânicas. Não dá para condicionar emocionalmente na ausência de uma promessa como uma IA mais sofisticada, uma causa e efeito de ações, diferentes forma de seguir um caminho, um jogo que promete que você pode não precisar matar ninguém, são informações objetivas. Elas são o que são. E não são modificadas por sua percepção. É como 2+2 = 4. É matemática. É totalmente diferente de você perguntar para uma pessoa, qual é o quadro mais bonito: Monet ou Picasso? Estética tem um significado diferente. Mesmo sem ser abstrata.

As pessoas só não deram zero para todas as plataformas, porque elas estão embasadas no gráfico do jogo. Não é possível que os jogadores estejam de acordo que a CDPR entregou o que prometeu. Só se estivermos falando de gráficos. Mas jogos não primam, redundantemente, a prioridade não é gráfico é a jogabilidade. Seria o ponto crucial para determinar que um jogo é bom ou ruim. Dai se destaca do seguinte: se os jogos da Ubisoft tivessem gráficos do tipo do Witcher, alguém xingaria eles?

Durante a fase de pré-lançamento eu via as pessoas julgando o jogo como insano. Gráficos. Gráficos. Mas e a jogabilidade? Esse jogo será melhor que RDR2, porque terá melhores gráficos? E a jogabilidade? Será o jogo mais bonito da década?…e a jogabilidade?

Depois de ver o resultado do CP, não. Seriam um sucesso. Ter gráficos bons hoje permite resolver todos os problemas. As mecânicas podem ser as mesmas ou nem existir. Parece um deboche. Mas a indústria molda conforme seu público. E tirando um jogo aqui e ali, a maioria não tem personalidade. Cyberpunk 2077 é um exemplo. Coloque os gráficos bons, mas observe a mecânica dele, o que eles prometeram?

MECÂNICAS PROMETIDAS:

  • Diferentes formas de terminar a missão (Você termina a missão de duas formas, ou completa ela ou não);
  • Você pode passar o jogo sem matar ninguém (não é verdade);
  • A física dos veículos e maneira geral (não existe);
  • A IA é nula;
  • As missões são genéricas;
  • Tem tanta missão no jogo, sidequest, que lembra mais um MMORPG do que um jogo off-line;
  • Suas ações só influenciam a linha da missão, nada mais que isso;
  • O tempo de jogo é 35-40 horas (disseram que era ligeiramente menor que W3), W3 tem entre 100-150 só no main quest;
  • Cada lifepath só muda a opção de diálogo que não causa nenhum espanto no NPC, simplesmente é uma opção a mais ali. Não faz muita diferença ser de um caminho para o outro;
  • Open world, mas o jogo é claramente linear;
  • Cidade super vazia;
  • Personalização complexa (Fallout 4 tem mais opções);
  • Sua roupa faz diferença (Só que não faz nenhuma diferença);
  • Ser em primeira pessoa é mais imersivo (neste caso não faz nenhuma diferença);
  • Dá para ver o seu personagem no espelho, veículo e menu (deveriam ter feito esse jogo em 3ª Pessoa)¹
  • O sistema de furtividade é inexistente (é como o Far Cry);
  • Por conteúdos removidos, foram tantos que não dá para saber o que tinha na fase de protótipo para a final, tem muita missão que não tem os mesmos caminhos mostrados nas gameplays, até mesmo das liberadas para a imprensa;
  • Você pode terminar o jogo sem fazer uma missão main quest (mentira, você precisa fazer a main quest) a sidequest não faz nenhuma diferença e tampouco tem ligação;
  • Exploração vertical (a quantidade de prédios que você pode entrar é menor que a quantidade de construções que você pode entrar em Fallout 4. Não existe exploração vertical ou horizontal no jogo;
  • Suas escolhas mudaram o mundo – suas escolhas não mudam nada além das missões main quest dentro da história main quest;
  • Diálogos super superficiais, em W3 por exemplo se você descobrisse alguma coisa no jogo (seja em main ou sidequest), aparecia uma linha adicional para você conversar, neste jogo qualquer diálogo é dispensável.

¹ Gosto de jogos de primeira pessoa, até prefiro, mas não faço questão quando o jogo tem qualidade. Mas o POV (ponto de vista) faz diferença. E embora a primeira pessoa possa ter a característica principal de imersão (posicionamento espacial), a experiência do jogo é impactado pelo conforto. Se a pessoa se sente bem jogando em 1 ou 3ª pessoa, essa nota pode mudar para positivo ou negativo, independente do que você pense logicamente.

Mas após o lançamento, preferiria que esse jogo fosse em terceira pessoa. Não faz sentido ele ser em primeira pessoa, quando os diálogos são superficiais, mesmo os gráficos bonitos, não faz diferença tê-los em perspectiva. E as lutas, que é o que o jogo mais foca, seriam beneficiadas por uma visão ampla.

Que parte do jogo ruim as pessoas não perceberam? Especificamente porque estão preocupadas com a estética do jogo. O problema dos jogos ruins, virem a mesma coisa é porque a cor do batom é melhor que o que a pessoa pode oferecer. Temos uma safra de jogos iguais com gráficos insanos. E o jogador paga a conta depois. Porque ele precisa de PC das Nasa, consoles da geração daqui à 5 anos para rodar o jogo prometido. Não vejo positivo esse comportamento de estética.

O que foi avaliado pelos jogadores:

  • Gráficos;
  • Narrativa.

Para estes dois temos um ramo diferentes dos games. Game é interatividade, é jogabilidade, é experiência ativa. Gráficos e narrativa temos séries, filmes ou livros. Games precisam ter os dois, sem sombra de dúvida, mas eles são critérios em segunda prioridade para serem considerados em uma nota final. Não quero ensinar o padre a rezar a missa. Mas se você responder SIM a pergunta final abaixo, talvez eu precise ensinar o seminário do zero para alguns padres por aí.

Para finalizar, leia a análise de Cyberpunk 2077, e pense na seguinte premissa. Você pagaria R$ 200.000 pela carrorecia de um Porsche (sem motor)?