Capitã Marvel

Uma heroína do futuro

Esta análise possui spoilers.

Capitã Marvel apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em 1968, e deu ar de graça nas telonas apenas em 2018. Sua personagem, uma humana chamada Carol Danvers se encontra em uma batalha entre os Kree e os Skrulls, mas antes que vá pensar que essa é uma guerra parecida com Star Wars em um universo paralelo de Star Trek, vamos pensar que este filme fala sobre o começo da Iniciativa Vingadores com um Nick Fury mais jovem e com os dois olhos intactos.

Diante de uma crítica raivosa, li uma matéria que dizia que Capitã Marvel era um filme sem tempero. Normalmente isso não significa nada, especialmente quando você faz um comparativo superficial e simples do que seria um filme ideal para você.

Mas se você pensa em não ver este filme porque tem gente falando que o filme não é nada do que aparece nos trailers, espere, eu tenho certeza que essas pessoas viram um filme muito diferente do que está passando nos cinemas.

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Ela é poderosa? Com certeza vai fazer cada vingador parecer uma criancinha perto do que ela consegue fazer. Isso evitou até que o Tesserec fosse pego no passado, ninguém ousou muito desce no planetinha azul porque tinha uma ‘moça loira’ no meio do caminho.

Tem representatividade feminina e tem empoderamento, mas não fique com o pé atrás que esse filme não é politizado, ele é um filme de herói que com certeza você terá a possibilidade se divertir e de entender que a Marvel sabe se reinventar como nenhuma outra marca de entretenimento consegue.

Ainda que o personagem mais citado fosse o gato, Goose, como se fosse um filme ‘Cute’ do Star Wars, não. O gato é o que menos aparece, os poderes intensos da Capitã Marvel deixam claro porque Nick Fury resolveu criar a iniciativa Vingadores. E tudo tem haver com essa personagem. Em 5 minutos de filme eu percebi que a crítica que eu havia lido sobre o filme ser sem tempero, me deu um momento de epifania que realmente esse filme que estava assistindo não era o mesmo ‘Beta’ que eles tinha visto.

Tem o que tem no trailer e muito mais. Deixa a desejar? Se você espera um filme do tipo Guerra Infinita onde metade do elenco morre, o que eu gosto de identificar como efeito ou geração Game of Thrones, não vai ter isso por aqui…eu pensei até nesta teoria o porquê dessa conclusão desses críticos.

Você vai assistir uma história nos anos 90, vai ver Easter Eggs, vai rir, vai se divertir, vai gostar da Capitã Marvel, vai entender a perspectiva do conflito entre duas raças aliens e o que isso tem haver com a terra e os atuais Vingadores e vai entender como ela se tornou essa heróina e como o Nick Fury ficou parecendo um pirata.

Fiquei abismado em assistir um filme da Marvel que após 11 anos de legado, foi capaz de resumir em um filme uma sensação dos anos 90, mas mantendo o pé na realidade. Claro que tudo que tem na Marvel transforma o tempo pretérito em coisa de futuro para nós, em 1995 já tem alguns naves espaciais bem avançadas na terra. E um Coulson mais jovem. Referências são tantas que o filme ser visto uma vez se torna um pecado.

  • Shield
  • Um pouco de cada filme do Vingadores
  • Referências a Thanos
  • Guerra Infinita
  • Duas cenas pós créditos (Uma ligada ao Guerra Infinita e Ultimato) e a outra ligada ao Tesserec.

Uma simples e singular homenagem ao falecido pai da Marvel, Stan Lee, que sim surge no fim e no letreiro inicial que forma Marvel Studios no lugar dos personagens, vem cada foto dele para estampar o que seria o último filme feito quando este ainda estava vivo. O criador faleceu em novembro de 2018.

Carol “AVENGERS” Denvers

Com um pé meio parecido com Guardiões da Galáxia, uma vez que anos 80 e 90 são décadas coladinhas, Carol Denvers é uma mulher humana que procura se encaixar em um universo estritamente masculino, querendo se tornar a primeiro piloto de batalha, o que nos Estados Unidos na época a impedia.

Ainda que pense que os poderes a ajudaram chegar nesse status, ela era puramente humana quando se tornou um aspirante de caças. Os poderes vieram depois. Dando a ela um perfil de uma heroína antes de precisar de um poder para endossar tal situação. A personagem é carismática, acredito que a escolha de Brie Larson, transformou a experiência em única.

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Após um mal sucedido teste com um motor de velocidade da luz, Carol Denvers é anunciada como morta e o projeto Pégasus desmantelado. Sua projetista Dra. Lawson (Dra. Mar-Vell, percebe a referência ao produtora?), Carol Danvers acaba absorvendo o motor de dobra completamente quando o resolve explodir para evitar que a tecnologia seja pega.

Sem muita memória do ocorrido, ela é recrutada pelos mesmos que mantém uma guerra contra os Skrulls. Inicialmente você pensa que os Kree são os mocinhos e os Skrulls são uma raça odiosa, mas se há uma referência interessante aqui e tenho certeza que a história em quadrinhos ou não seguiu essa influência, é uma outra banda desenhada conhecida como Valerian e a Cidade dos Mil Planetas.

Que pelo menos no filme, atribuiu um ataque terrorista a raça Pearl, que na verdade não eram terroristas e sim uma raça procurando tecnologia para fugir de outra raça que provocou a destruição de seu mundo e povo. Pearl é Skrull. Não são inimigos, e a então Carol, ou conhecida pelos Kree como Vers, acaba vendo que ela é usada em uma guerra desleal liderada por Ronan…lembra dele ao lado de Thanos em filmes anteriores?

O universo da Marvel é bem mais interessante quando você percebe que a Capitã Marvel, como um filme atribuído a uma época anterior ao Guerra Infinitas, consegue amarrar a história dos Vingadores, a convicção de algumas personagens e obviamente a apresentação da personagem, já que o filme tinha todo esse objetivo. Quem era aquela mulher que Fury chama no final do filme? Esta aí a resposta.

É um paradoxo falar em nostalgia em um filme que retribui-se ao passado e anterior ao momento que a gente fala “Iniciativa Vingadores”, toda cena pós créditos dos filmes solo surgia um Nick Fury Tapa-olho convidando cada membro a formar o que ele havia chamado de iniciativa, o que eles e nem nós sabíamos que Vingadores era como Carol Danvers era conhecida na terra. Seria Iniciativa Protetora, mas o decalcs no caça da Capitã inspirava outro nome.

Ação e diversão.

Todo filme da Marvel é recheado de ação e diversão. Na medida certa, parece que as heroínas tem conseguido equilibrar bem melhor comparado aos heróis. A boa experiência de ver Diana (Gal Gadot) fez como víssemos que os estúdios mediram certo como demonstrar poder e lado humano na mesma cena.

Aquela máxima de donzela indefesa e cavaleiro reluzente não é mais uma realidade. Que com certeza Carol Danvers é, é uma humana que nunca acreditou em donzela e muito menos em indefesa, ela tem um jeito de moleca. Que com certeza cativa. Porque ela (Brie Larson) consegue realmente expressar isso na personagem, Na medida certa.

Eu li também que o filme não era aquilo que vemos no trailer e que deixou querendo mais. Eu acho que a medida está mais do que adequada para um filme que tinha o objetivo de apresentar a história  e a personagem. O que é preciso para ver o filme é tirar a expectativa do ritmo que estava antes, por quê? Esse filme se passa em 1995 quase 30 anos antes ‘problemão’ no universo.

Em Capitão América – O primeiro vingador, não o primeiro filme e sim uma retórica a época dos anos 40, demonstra que o ritmo começava lento, alguém se lembra? Mais história, menos ação. E enquanto os filmes iam sendo lançado, íamos vendo, mais ação e menos história. Até o ponto de vermos apenas ação e nenhuma história. Marvel é um como bom vinho, todo vinho se delicia como uma boa história, mas depois é apenas degustação.

Tem ação no filme? Se alguém me disser que não tem ação, e não viu nada. Não viu o mesmo filme que eu.  Tem muita ação. A Capitã só sai na pancadaria. Tanto quando era humana normal e depois quando tem poderes. Ela não é uma mulher de muita conversa, e quando fala é um prenúncio de briga. Então posso afirmar que esse filme é um ‘Fist Power’ o tempo inteiro.

Mas se você sair do Guerra Infinita agora vai achar que esse filme é chato. Prefira não ver nenhum filme antes ou se preferir, veja os filmes anteriores a sessão de pancadaria ou a síndrome Game of Thrones. O ritmo é desacelerado porque a urgência de um mundo que não sabia que tinha um alvo nas costas não existe ainda. O filme ocorre 10 anos depois do rapto de Lone Star para Guardiões da Galáxia, então não espere um ‘Anakin Skywalker’ no auge do lado negro\sombrio logo de cara.

Mas é um exagero falar que isso é um filme sem tempero e nenhuma ação, se estamos falando de um tempo remoto a ameaça, de uma era que precedia diversas descobertas e que se fosse o primeiro filme visto da Marvel antes do Homem de Ferro em 2008 não seria criticado a este nível. Você sai do filme querendo mais? Com a Capitã Marvel ao seu lado, você quer ver Thanos virar poeira e bem rapidinho.

Gato Goose.

Embora fosse uma atração, porque na prática, ouvi falar que ele seria um xodó a parte. O Gato é um personagem que entrelaça a origem de alguns acontecimentos, embora mais cômicos, que canônicos e que complementam a parte da história dentro de um universo mais Quinta dimensão. Goose é um gato alien que tem a forma de um gato da terra. Ele não parece nada de anormal a primeira vista, até que se descobre que ele tem uma espécie de ‘Polvo interno’ e claro um arisco como todo felino dá a marca símbolo no olho de Nick Fury.

Mas ao contrário do que eu li, o gato não é uma representação dos animais fofinhos que surgem no universo Star Wars e não é uma tentativa de personificação do Raccon ou o Groot, é apenas um gato alien que tem seus momentos. A história central não é desvirtuada e nem tampouco ocupada por um alien peludo que lembra um pouco Garfleid. Mas seu surgimento na terra deve-se a diretora do projeto Pégasus, que é o verdadeiro centro da história.

Nota: 98.0