Brinquedo Assassino (1988): Vale à pena?

Brinquedo Assassino.

Sempre me deu medo a ideia de um boneco ser possuído por um espírito maligno. Passei anos evitando ver filmes com o ator Brad Dourif (que fez a versão humana de Chuck e sua voz) pela dificuldade de separar o personagem do restante dos trabalhos do ator. Devia ter uns 9 anos quando vi o filme pela primeira vez.

Todo filme de terror tem uma marca registrada. E quando se trata de filmes dos anos 80, eles sabiam como fazer produções. Desde as mais punks às mais criativas. Tecnológicas, multiverso, criaturas bizarras, mutantes, viagens temporais. Foi uma década muito interessante.

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E inventar de um boneco possuído por um ser humano só podia ser produto dessa década. Charles Lee Ray (uma união dos três assassinos reais conhecidos) era o personagem de Brad Dourif que apareceu no primeiro filme e depois como Flashback no filme “A maldição de Chuck” onde o pai contracenou com a própria filha. E depois dublou a voz do boneco, sendo a caracterização mais horripilante que se podia imaginar.

O grito horrendo de Brad Dourif deixou claro que Chuck era uma versão macabra de qualquer ritual satânico que alguém poderia testemunhar. Uma assassino e estrangulador do bairro é perseguido pela polícia até uma loja de brinquedos. Abandonado pelo parceiro Eddy Caputo e baleado, estava à beira da morte, quando ele encontra uma forma de se tornar mais que imortal.

Queria ressaltar que as músicas do longa contribuíram muito para o terror acontecer.

Em Brinquedo Assassino temos uma terror e suspense.

Vale à pena?

Se gosta do terror com contexto (história) e de um bom suspense, sim vale à pena.

Magic the Gathering (54) – Ugin (M21)

Ugin, o dragão espírito.

Ugin, o dragão Espírito (reprints) na coleção Core Set 2020 (M21) é uma carta incolor, que já fez parte da lore como um dos planinautas responsáveis por derrubar Nicol Bolas, o dragão deus.

UGIN

Particularmente não tenho nenhuma carta do dragão espírito (UGIN) as variantes de dragões da mana vermelha que possuo são genéricos. Mas que quando chegam em campo de batalha realmente fazem um estrago inesquecível. E a história de UGIN na lore nos faz querer tê-lo no deck.

A carta é um reprint (Fate Reforge e Ugin Promo), mas para tantos lançamentos, ela não é uma carta que está estampada pelo anúncio do Core Set 2020 que vejo por aí. E sim Teferi, qual fiz uma análise da carta em jogo aqui.  Mas entre as melhores opções, é uma carta que faz estrago num deck bem montado.

Seu custo de mana (CMC) é igual 8 (manas incolores), possui 3 habilidades, 1 ultimate. Começa com o valor de 7 de lealdade. São elas:

– Ugin, o dragão espírito causa 3 pontos de dano à qualquer alvo (+2);
– Exile cada permanente com custo de mana convertido igual ou inferior a X que seja colorida (-X);
– Você ganha 7 pontos de vida, compra sete cards e coloca até sete cards de permanente da sua mão no campo de batalha. (-10).

Análise estratégica.

Como o custo dela é 8, ela é conjurada no oitavo turno e se torna ativa no nono turno. A ser que você tenha uma peça ramp (Gerador de mana pool) e anteceda a carta em campo antes desse tempo. Sendo uma carta incolor, a melhor escolha para o deck seria a mana verde. Mas não fica apenas restrita, qualquer mana munida de artefatos amuletos que gerem mana podem dar conta do recado.

O card favorece cada mana conforme seus objetivos.

Ela começa com um ponto de lealdade alto: 7. E requisita para o skill ultimate (10) para acessar os efeitos “Ganhar 7 pontos de vida | Comprar 7 cards | Colocar 7 cards de sua mão no campo de batalha (Sem pagar o seu custo de mana). Em 4 turnos é possível utilizar esta habilidade, a não ser que você tenha alguma carta geradora de lealdade, pode ser que seja antes, essa habilidade é do tipo Control (típica da mana azul).

A habilidade que adiciona lealdade +2 é uma ação do tipo AGGRO (típico de manas Vermelhas e Pretas).

A habilidade que usa um número personalizado de custo de mana em X exila esse número de permanentes atendendo por cards que não sejam incolores. Se você pagar 10, o seu oponente exila\remove aquelas cartas do jogo. (Outra característica da mana azul e da preta).

 

 

Magic the gathering (53) – Teferi (M21)

Teferi, Mestre do Tempo.

A popularidade do mago Teferi é incontestável. A menção quase simbólica do Core Set 2020 (M21) traz o carro chefe da coleção, ou seja, ele o mago do tempo. Mas sua carta de planeswalker não é vantajosa, digamos, como sua fama. Sabemos que Planeswalker tem suas famas, mas não necessariamente são as melhores cartas do jogo. A combinação e o poder do combo podem ter potencialidades encontradas em artefatos, mágicas, criaturas e até mesmo em personalidades extremamente desconhecidas.

Mas por que será que Teferi é tido como o campeão de muitos? Pela mesma razão que gosto do personagem Jace Beleren. Uma predileção pessoal. Mas tantas as cartas que podemos definir que são potenciais, não vou dizer que a de Teferi é ruim. E a da atual coleção – “Teferi, Mestre do Tempo”, vai depender de como você monta o deck. Já vi duas versões dessa discussão: É uma carta boa ou uma carta ruim.

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Leitura da carta.

Vamos fazer uma leitura dela. O custo de mana (CMC) é igual à 4. Duas manas incolores e 2 manas azuis (2UU). É um Planeswalker Lendário e possui uma habilidade auto-trigada (auto ativada) e 3 habilidades que geram lealdade positiva ou negativa. Começa com 3 de lealdade.

A habilidade auto-ativada diz:

Você pode ativar habilidades de lealdade de Teferi, Mestre do Tempo, no turno de qualquer jogador, a qualquer momento em que poderia conjurar uma mágica instântanea.” Via de regra todas as habilidades de qualquer planeswalker só pode ser conjurada como um feitiço, em seu turno.

Neste caso significa dizer que você pode usar as habilidades listadas no seu e no turno do seu adversário. E neste caso engana um pouco se isso é praticamente uma super vantagem. A não ser é claro que você pense em um deck cheio de peças de Ramp (Gera mana pool) e defensores para o seu planeswalker. Por quê?

As habilidades a seguir são:

  • Compre um card e depois descarte um card (aumenta +1 lealdade);
  • A criatura alvo que você não controla sai de fase (“Naquele turno a criatura não existe para o seu controlador”) (Diminui -3 de lealdade);
  • Você pode jogar um turno a mais. (Diminui -10 de lealdade).

A habilidade Ultimate é a referente a jogar um turno extra. Ela custa 10 de lealdade. Se fossemos contornar o problema, teríamos que ter cartas para gerar lealdade além da sua possibilidade de usar habilidades pelo seu turno e o do oponente, seria muito um investimento para ter 2 turnos extras. Correto? Depende. Mas veremos o esforço que será preciso para tal cenário ocorrer.

Em tudo que já estudei de MTG, de cabeça, só vi uma carta que gerava lealdade. E era da mana azul. O que coloca Teferi em apuros se falarmos de guildas (combinações de cores). Ok. Se considerarmos mesmo que 4 cartas de geradores de lealdade (teríamos que considerar a possibilidade de serem mágicas instantâneas, e rezar para que seu oponente não as anule.

Ou pode optar pela criatura lendária – Trix, a tempestade inesperada que permite que mágicas (Com um único adendo) terem custo de mana (CMC) igual ou superior à 5 – essa carta impede que qualquer feitiço ou mágica sejam anuladas.

Para quem você tenha em mãos o seguinte cálculo:

  • 2 ativações da lealdade (compra de 1 card e descarta 1 card) + 2 habilidades;
  • 2 usos de mágicas instantâneas (que gerem lealdade) – + 2 habilidades;

Nessa soma, em seu segundo turno você já tem 4 habilidades somando ou seja 7 (lembra que é 3?). Mas tem um problema. Vários.

Se você tem carta sobrando no deck para colocar cedo o Teferi, é preciso de gerador de mana. Aliás você teria chances de concebê-lo antes do turno 4? Neste caso devido a essa habilidade seria suas habilidades instant? Por que neste caso ela poderia usar no turno de conjuração e não no turno 5. Se pensar bem seriam necessários 2 turnos extras para gerar a skill Ultimate (1 turno extra). Isso significa que no turno 7 (caso você conseguisse gerar a carta no turno (impossível) teria a possibilidade de jogar o turno 7 e 8 sem passar a prioridade.

Só que mesmo que isso fosse interessante, qual seria sua vantagem? Decks blues não jogam adiantados. Eles seguram o jogo. Seria interessante se esse ultimate com esse custo desse 5 turnos extras. E seguidos. Seu oponente teria problemas, ficaria em desvantagem.

E isso considerando que você consiga conjurar essas mágicas sem serem anuladas ou ainda, um criatura matar o planeswalker antes de fazer qualquer ação do tipo. Para criaturas verdes e vermelha (brancas e pretas) não é difícil conseguir uma criatura de custo acima do 3/3 para atacar esse planinauta. E mais, a mana verde tem criaturas de dano 4/4 ou até maior por custo de CMC baixissímo.

E veja que há uma chance enorme do seu oponente virar o jogo bem antes disso. Não estou considerando o fator de aleatoriedade. As cartas de mágicas que auxiliam no ganho de lealdade podem não sair. Ou seja, vai demorar mais tempo para chegar no 10. E ainda mais, pode ser que você não essas cartas. Logo só vai subir 2 pelo seu turno e o turno do seu oponente.

Investimento do Cálculo x Vantagem da Carta.

Ainda que insista em garantir, a vantagem suprema não parece muito interessante se pensarmos da seguinte maneira. O esforço de atingir a lealdade 10 para usar o skill ultimate já terá consumido parte do seu deck. Até lá terá perdido bem antes por uma criatura que te matou, ou atacou o planeswalker ou ainda aproveitou o fato que sua estratégia era fundamentada em um turno extra e não e um ataque direto.

Uma carta que é parecida com essa é de Jace Beleren (Edição Lorwin, pântano Sombrio – 2007) que tem um custo a menos em CMC = 3 e que precisa de 10 de lealdade para usar o skill ultimate que é colocar 20 cartas do grimório do adversário no cemitério. E essa carta não permite usar as habilidades de lealdade no turno dos demais. Não é uma carta muito positiva para colocar em campo.

A carta Jace, Adepto da Memória  (Core Set 2013 [M14]) já tinha custo (CMC) igual à 5 que tinha uma habilidade não adicionava ou tirava pontos de lealdade e permitia escolher um jogador para colocar 10 cartas do grimório no cemitério. Mais em conta. E skill Ultimate custava 7 (sendo a habilidade inicial em 3) e dava a opção para o jogador alvo comprar 20 cards. Se um turno você usou uma e a outra no seu oponente, ele já perdeu metade do deck (Se for standart), para selado e draft ele perdeu mais da metade.

Jace Beleren (2007) e Teferi, Mestre do tempo (M21) são comparáveis a um esforço que não vale muito a pena. As habilidades descritas do planinauta são funções de cartas padrões do deck azul. Comprar card, descarta card, ‘anular’ as funções da criatura. O custo de ter 1 turno extra não parece promissor.

Mas a vantagem é bem vinda, aliás um turno extra pode significar a diferença de você ganhar. Mas ao meu ver, seria altamente improvável que você não consiga utilizar essa vantagem antes do seu oponente vencê-lo. A não ser que ele não tire um terreno sequer.

 

 

 

 

 

Old Guard: Vale à pena?

Esta análise contém SPOILERS.

Seriam nossos ancestrais deuses?

Old Guardé um filme que foi feito para virar saga. Digo isso porque temos o prelúdio, alguns flashbacks e sobretudo um final que dá entender que terá uma continuação. Onde existe uma história mitológica do tipo deuses e deusas, inseridas em uma época moderna, muito parecido com a ideia de Hancock. Com uma diferença aqui e ali. Sabe qual é o engraçado, é a que a atriz Charlize Theron protagoniza os dois.

Minha comparação aos dois filmes foram apenas pela sensação do que uma história tinha haver com a outra. Mas o que temos no filme que seria tão interessante? Quando vi este filme disponível no canal streaming do Netflix eu julguei o livro pela capa. Mais um filme de ação, com Charlize Theron, deve ser Atômica 2. Ainda que fosse possível ler a sinopse e ver que não seria.

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Mas também a sinopse falava sobre imortais. Imortalidade. Já vi filmes que falam do gênero e não gostei muito. Embora fosse clássicos. Um deles é o Highlander. Como assim não gostei? O tema sim, a produção não. Acho que ficou desfalcado o roteiro. Tinha como fazer melhor.

Com esse tipo de ideia, as possibilidades são infinitas. Mas também tratar de temas como a imortalidade nos filmes elas beiram a dois resultados: Experimentos científicos que não deram certo ou um inveterado drácula de 2.000 anos procurando por sua amada na próxima reencarnação.

Mensagem do filme.

Mas quando iniciei o filme, ignorei parte dele. Não todo. Mas parecia ser mais um filme onde imortais são mercenários, que vivem por aí caçando uns aos outros, um formato do Highlander misturado com um filme de ação. Mas não. Ainda bem que vi. Descobri que a personagem interpretada por Charlize Theron era tão antiga quanto o tempo. Era uma espécie de guerreira com seus tantos séculos lutando e procurando melhorar o mundo.

Ela ajudava pessoas, três gerações depois essas pessoas eram responsáveis por invenções que permitiam a humanidade contornar problemas. Mas ela estava cansada. Porque depois de tantos anos, ela sentia que todos estavam pouco ligando para tudo o que eles ganhavam com suas ações. Ela não se importava com os créditos. Ela se importava com que a humanidade fazia com suas segundas chances.

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E vemos o descobrimento de uma quinta imortal. Uma jovem cabo dos fuzileiros dos Estados Unidos atuante no Afeganistão. O nome Nile (tem a haver com o Rio Nile) fértil no deserto que trouxe próspera condições ao Egito para evoluir. Uma clara mensagem que o poder dela como guerreira daria suas forças nos momentos mais áridos.

Imortalidade.

Com o fator do tempo parecem ser humanos que possuem um fator de cura que os permitam voltar a vida. Não há causa para isso. Não o filme não explica essa parte. Espero que tenha uma sequência, não apenas pela explicação, mas pela cena pós-créditos. Mas eles vivem tanto tempo, em um determinado ciclo, parece que a imortalidade acaba.

Quando um imortal surge, eles sonham entre si suas memórias. E inclusive é isso que eles vivem compartilhando entre si. O ponto é que temos imortais pé no chão. Não tem poderes, pelo menos possuem o dom de voltar a vida. Eles morrem e voltam. Não são imbatívéis. Super heróis diferentes. Mas para Wolverine do que para Superman.

No entanto o carcaju não morre e volta. Ele simplesmente não cai.

Como o filme é?

Se você vê o filme e conta para alguém, é sempre baseado em sua percepção e no imaginário. O que normalmente me faz pensar em uma história totalmente diferente quando leio uma sinopse escrita de forma pessoal. O que acontece na maioria das vezes. Já li sinopses que dizem mil coisas, parecia um filme de ficção. Mas era um filme de drama.

Quando li: 

“Eles são guerreiros milenares que lutam para proteger a humanidade. Mas nem mesmo a imortalidade está livre de ameaças.”

Eu não conclui nada. É uma explicação genérica, pode ser aplicável a qualquer coisa. Mas se tivesse dito dessa maneira:

A antiga imortal Andromache, cita juntamente de outros imortais descobrem sem explicações o surgimento de uma nova imortal, uma jovem fuzileira morta no Afeganistão, enquanto eles caminham para uma cilada que colocará sua existência em xeque.

E mudassem a capa do filme, porque estando moderno assim parece um filme genérico de ação. Eu teria me interessado muito antes do lançamento no catálogo. E a ausência do nome “Andromaque” em todos os lugares, me faz acreditar (rindo), que quem escreveu a sinopse ou as análises, não viram o filme. É tão importante quando saber o nome do Godzilla no filme do Godzilla.

A parte, o filme tem haver com mitologia grega, sobrenatural, imortalidade (mais do que a questão existencialista) como um fator desconhecido, segredos seculares e ficção. Tem indústria farmacêutica, um velho conhecido nosso o Sr. Merrick (primo do Harry Potter) um pouco diferente, chato do mesmo jeito. Cresceu e deu ruim.

Eu mudaria a capa para algo mais ‘Antiguidade com uma transição no futuro’. Tem muita história a ser contada para trás. Diria que é uma boa oportunidade para investir em heróis imortais. Depois que M. Night Shyamalan (não vi Sr. Vidro, apenas os dois primeiros) destruiu a enorme oportunidade de criar uma franquia do tipo Marvel, essa seria uma solução imperdível.

O filme mantém os pés no chão. Mas também nos oferece a ideia da seguinte forma. Eles são imortais. O que viram? Presenciaram? É algo que deixa muito claro a longevidade que a saga poderia ter.

Vale à pena?

(Baseado no Old Guard: Comic)

Sempre caio na possibilidade de ver filmes baseados em sinopses. Tive surpresas na grande maioria das vezes de ver uma história completamente diferente do que descrito. Desta posso dizer, uma boa sinopse faria diferente. Não vi trailer, só vi a capa. E porque achei interessante? A sinopse dizia imortalidade. E vi o nome Old Guard. Pelo fato de gostar de classes de RPG como Mage, Witch, eles sempre possuem a possibilidade de serem guardiões durante a trama.

Então quando li Old Guard e imortalidade, dei uma chance. Pela sinopse eu teria rejeitado. Não dizia muita coisa. Imortais se veem encrencados…(risos). Em qual filme as pessoas não estão encrencadas? Mas os primeiros minutos do filme não foram nada interessantes. Quando eles foram para uma missão de resgate, foram brutalmente massacrados. Isso me chamou a atenção. Em especial porque morreram e voltaram a vida. Espera isso é bem Highlander.

A diferença é que os Highlander precisam absorver a energia de outras pessoas para se curarem ou ficarem mais jovens. Esses imortais  não precisam disso. Eles se recuperam de tudo que sofreram. E continuam imortais. Algo não os deixa morrer. Espero que na sequência, que sei que vai ter, explique que história é essa. E também tenho certeza que essa explicação deve ser alvo de cobiça de algum vilão no próximo. Mas também o filme passa uma outra mensagem bacana, Old Guard lembra Velha Escola (Old School).

Uma proteção. Alguém por nós. Mas heróis sem intenção de serem heróis fazendo boas ações chegam no limite. O grupo estava exaurido. Mas encontraram na sociedade uma nova esperança. O filme é bem interessante. Gostei. E fiquei querendo mais. Para alguém que estava deixando a reprodução rolar enquanto mexia no celular. Foi uma boa reviravolta.

Sim. Vale a pena. Super pena.

 

 

 

 

 

Narcosis: Vale à pena?

Narcosis vs Ameaça Profunda.

Quando li sobre esse game, foi antes de ver o filme Underwater (Ameaça Profunda) com Kristen Stewart. Foi bem antes de ter o filme inclusive passando nos cinemas. Quando ouvi o anúncio, liguei o fato. Porque Narcosis se trata de uma trama submarina onde por causa de um terremoto você fica isolado há 11 Km de profundidade e por causa da ausência do oxigênio você começa alucinar.

Tirando o fato da narcose (Narcosis), no filme de Kristen Stewart, temos uma raça misteriosa submersa há uma profundidade de também 11 km com uma plataforma, que ali na descrição do jogo também existe, com o intuito de exploração econômica. Similares, não? A Ameaça Profunda adota o estilo Lovecraft com seres de dar medo e Narcosis aposta na influência da alucinação para transformar os seres do abismo em bizarras criaturas.

Você veste um traje submarino pesado e que trava sua mobilidade. Sua visão fica atrás do visor do capacete, assim é possível ver o HUD (Energia, oxigênio e boost do seu salto). Como em todo jogo você inicia em uma piscina submersa que resume ao treinamento antes de descer na profundidade. E nas primeiras horas você tem uma espécie de tutorial a cada parte que passa para ter uma noção dos controles.

Evidente que sua percepção quanto ao nível gráfico é de um jogo ultrapassado. Sim. E a importância não é desvalorizar uma trama pela estética. Mas apesar de dar esse conselho aqui, diria que depende do seu ponto de vista. Para jogos submarinos há uma menção forte, duas para ser exato, que prima pela qualidade da trama, jogabilidade e história do que Narcosis poderia oferecer. Embora a proposta fosse das melhores.

Essa dica vai para Subnautica. O gênero de subnautica é de oferecer um jogo de ficção científica, de trama pois precisamos descobrir o que está acontecendo, de terror, survivor (você precisa criar habitats) e explorar um planeta alien que é coberto por 98% de água. E seus problemas começam apenas no abismo oceânico. O problema é que você precisa descer por lá para resolver partes do seu enigma.

O comparativo entre os jogos nos oferecem que a proposta de um se resolve no outro. Mas narcosis detinha a ideia de criar aquele pesadelo. A influência real do medo do monstro. Mas o monstro pode ser algo tão natural, que na ausência da luz, as sombras se tornam os monstro mais vil. Mas quando acendemos a luz, não passam de silhuetas embaralhadas. Essa é a ideia. Mas não há uma execução muito boa.

Trama Espacial com prato raso.

Certa vez joguei um jogo, não me recordo o nome, mas era de tema espacial com elementos de Lovecraft (tentáculos, criaturas estranhas e etc) que a trama foi logo entregue em cinco minutos e se tornou uma entediante corrida. Onde você tinha que ir no ponto A e voltar para o B. E depois volta para o A de novo. Mas você já se esqueceu daquela aparição que estava no ponto B. E dali em diante lembra que o jogo já entregou o mistério há 30 minutos e que a aparição não era mais temível. Eu pedi reembolso do jogo em menos de 2 horas.

O trailer dizia uma coisa, mas o jogo era outra coisa completamente diferente. O mesmo acontece com Narcosis. É um jogo parado. O que é exatamente a ideia. Na escuridão do abismo. Onde um movimento pode nos fazer pensar que há um monstro imenso na escuridão. Munido de flares você tem receio se o monstro na escuridão é imenso mesmo ou é apenas sua imaginação.

Tal como acontece neste jogo que não me recordo o nome, Narcosis deixa claro que você começa a alucinar quando seu oxigênio começa acabar. Em determinados momentos do jogo, isso em 5 minutos de jogatina, você percebe que seu estoque de oxigênio começa a diminuir em ritmo rápido e você começa a ver coisas. Portanto pega caminhos alternativos e sai da rota, colocando sob o efeito e pensando lidar com criaturas bizarras.

A mecânica é logo notada. O que mata na prática 90% do mistério. Embora isso não entregue o segredo do que provocou o terremoto que atingiu a estação submarina. E que pode ser uma interessante descoberta pelos jogadores. Senti que a cadência do jogo não era a mesma dos trailers. No trailer dava a impressão de um jogo bem mais finalizado e otimizado.

Narcosis não é bem a inovação do ano.

Algo mais…como é a palavra? Refinado e sofisticado. Quando assisti, já estava em formato finalizado (não era Beta). Então minha percepção do projeto para o produto final não tinha sofrido com a dispersão do que era antes e o que é agora. O trailer vende um jogo bem mais bonito. Mais fluído. Mas orgânico. Mais lapidado. Devo dizer muito mais FHD (Full HD). Mas não.

O jogo lembra no desenrolar da trama e nos gráficos, uma versão remasterizada de Silent Hill 1 . Ainda que pareça exagero. O gráfico não é bem trabalhado. Ele é quadrado. Seu personagem é muita mais lento do que no trailer. E os gráficos me fizeram lembrar de Anacronox. Cito esses jogos quase como um xingamento. Mas o único objetivo é de fazer comparativo, ambos os jogos foram e são bons. Mas eles possuem outras intenções.

Hoje se SH1 ganhasse um reboot teria a cara dos resultados em relação aos jogos da Capcom e seus remakes para RE2 e RE3. E ainda seriam grandiosos títulos. E ainda o é. Anacronox é um exemplo típico de RPG baseado em diálogos e influências do mundo ao seu redor. Na época, os gráficos eram de primeira. Hoje são quadros e retângulos preenchendo a tela.

Eram uma maravilha no começo do século 20. Mas embora possa parecer próximo, isso foi há 20 anos. E como gráficos não são um critério definitivo de qualidade. Temos que considerar que SH1 e outros da safra de 20 anos ou mais atrás, são efetivamente bons. Mas seriam melhores com gráficos melhores, adaptados a nossa realidade. Narcosis não usufrui da qualidade de jogabilidade da maioria dos jogos que apostam em tramas submarinas.

A grande maioria ou possui uma versão alternativa de biomas: Oceano e terra. Ou faz uma breve aparição como parte do contexto. Quando não em sua totalidade, no caso subnautica. Ou como parte da regra geral do jogo, sem oferecer melhoramentos ao bioma aquático como Raft, Stranded Deep, jogos de survivor. Ou Forest que possui água, mas foca em uma ilha. Nenhum deles chega perto da ideia de Subnautica. Embora possuam focos diferentes.

Quando pensamos em Narcosis e nos trailers pensamos em um jogo do Alien debaixo da água. Se é difícil criar um jogo de tema alien e da saga alien, imagine que um estúdio queira recriar uma ideia do tipo. Não é impossível. Mas há aqueles que seguem os bandos. E normalmente temos um jogo que lança uma ideia incrível. E depois vemos umas 100 desenvolvedoras fazendo jogos similares. Mas nenhuma delas vai chegar ou atingir o mesmo grau de maestria.

No papel a ideia é boa, mas faltou um Dead Space Submarino.

Se Narcosis fosse na mesma intensidade dos Ambientes e da sinistra presença que encontramos em Dead Space, apenas trocando o espaço pelo oceano, teríamos algo a admirar. E apesar do título criar o maior spoiler da terra que é a narcose, a condição que ao termos poucos oxigênios, começamos a sofrer de perda de consciência e entre o período de voltar e ir, temos as alucinações, não parece haver alguma intenção dos desenvolvedores de prender os jogadores a história.

Certo que fui precoce em pedir o reembolso. Mas há alguns pontos que contaram para essa medida. Hoje mais do que no passado, há uma combinação do que você vê como material de demonstração (teasers, trailer, criadores de conteúdo, sites da desenvolvedora e etc) e entre o que você experimenta. Poucos são os dispõem de demos para tirarmos a prova. E quando temos a obrigação de apenas entender o jogo pelo consumo efetivo (compra), nossa crítica é duas vezes maior (pior para desenvolvedora) do que tirarmos uma conclusão sem optarmos por gastar algo.

Inicialmente isso pode significar, testei e não gostei não compro. Ruim certo? Não. Testei e não gostei. Passa duas semanas. Outra percepção. Testei e gostei. Comprei e ainda faço propaganda. A base de raciocínio é simples. Se assim o fosse talvez eu desse uma segunda chance para Narcosis. Mas senti que fui enganado. Quando vi o trailer, vi as fotos, pesquisei e fui em criadores de conteúdos (que insistem em fazer zoeira no lugar de vender o peixe da empresa), senti que esse jogo era o jogo.

O que nos atraí? Qualidade gráfica. O que reluz é ouro. Depois a interatividade, o que podemos fazer, podemos inventar. E trama, o que envolve o personagem e traz carisma. Mesmo dependendo do título, sabemos que esses pilares são trabalhados diferentemente. Uns mais e outros menos. Em Narcosis o que foi vendido através de conteúdo foi um jogo de terror no abismo com cara de Ameaça Profunda, com um toque de Alien Isolation e com uma sensação de o filme a Esfera com Segredo de Abismo. Sem delongas.

Mas a verdade é que temos um jogo que entrega a sardinha na bandeja em cinco minutos, a parte gráfica é um Silent Hill 1 remasterizado. É um jogo adaptado para VR ou seja a proporção das criaturas não é muito bem percebida sem o dispositivo. Os comandos são chatos de manejar, porque como precisa de um VR em POV (Ponto de vista ou primeira pessoa), você se sentir um bobão virando para esquerda ou direta sem qualquer controle.

O personagem anda em um movimento quase linear, diria que o Aliens Vs Predador de 2001 é mais assustador. Não é uma Ameaça Profunda, tampouco um Alien Isolation e muito menos uma esfera misturado com Segredo do Abismo. É um jogo que beira o PS2 com temática submarina tentando pegar a onda de Lovecraft e terrores espaciais. Mas não como Dead Space.

Vale à pena?

Este artigo detonou o jogo não é mesmo? Sinto ser um desabafo, mas conta com uma avaliação de quase 3 horas de jogo. E com um tempo de pesquisa. E infelizmente devido a qualidade do material divulgado, houve uma distorção do que era contra o que era de fato. Resolvi não dar uma segunda chance ao título. Se ele é bom, se tem uma boa trama para depois, se há algo de sobrenatural. Eu não vi em nenhum canal. E nem quero. Seria matar a charada do jogo.

E vai uma atenção interessante. Criador de conteúdo que vira o jogo na intenção de divulgar o trabalho da empresa é um baita de um tiro de canhão no pé. Para que comprar o jogo se posso assistir o camarada zera-lo na minha frente? Por não optar, comprei e me arrependi. Não sei se há um efeito retroativo. Se a pessoa que não compra porque opta ver o seu criador de conteudo de estimação jogar ou o que evita de ver spoiler e nota que a propaganda era enganosa.

Mas se gosta de jogos submarinos e de temática terror. Aproveite uma promoção ou ficar de graça. Porque esse jogo valendo mais que 1 real, não vale à pena.