Xadrez (3) – Aberturas e Gâmbitos

Há um tempo que pensava em jogar Xadrez seriamente, coincidentemente há inúmeras pessoas procurando o jogo por causa de uma série do canal Streaming Netflix, que leva no nome uma tática chamada ‘Gâmbito da Rainha”, quando você oferece sacrifício da peça Rainha, a série por sua vez foi baseada na história real de Bob Fischer (m. 2008), considerado o maior jogador de Xadrez. Mas não, não vi a a série, por ser um romance de época tenho muito menos interesse, a minha perseguição ao Xadrez tem origem há mais de 2 anos e com um certo tom nostálgico, uns 20 anos por aí.

O clássico jogo estratégico pode ser uma combinação de táticas e ações por turnos que podemos analisar como sendo uma forma de prever lances e montar o jogo antes dele acontecer. Sou oriundo de muitos jogos de estratégia, e até recentemente (ainda) o MTG (Magic the Gathering), que defendo não ser um jogo de estratégia. Há quem discorde, mas se avaliarmos pela probabilidade de ter sorte, podemos considerar que MTG é um jogo que utiliza a teoria de jogo de simulação e não apenas de Soma-Zero.

A teoria de jogos é um estudo que avalia os objetivos dos jogos e seus sistemas. A Soma-Zero é todo jogo que quando resulta em uma vitória de alguém e o seu adversário, o outro, perde. Xadrez e MTG são Soma-Zero. Mas possuem uma infraestrutura distinta. Um prevê o controle e a informação perfeita. O outro prevê a probabilidade do controle e da informação, descrevo essas características respectivamente.

Durante minhas jogatinas em MTG, notava que independente de obter uma boa construção de deck minhas investidas em jogo dependiam das probabilidades e não da minha inteira habilidade. Em Xadrez temos a revelação plena das peças do jogo, a liberdade baseada nas regra de fazer lances, regras dos pontos por lances, xeques, mates, empates… o que me fez redescobrir que mais que a vitória, Soma-Zero, há mais em jogo do que se percebe.

E diferente de Magic, em Xadrez podemos nitidamente perceber a intenção do oponente. Podemos leva-lo para onde queremos, premeditar suas jogadas e sobretudo cercar seu front. Em Magic as aberturas (lances iniciais) são praticamente nulos. Eles são basicamente a ‘sorte’ que você tiver, será a sua primeira impressão. No Xadrez normalmente há uma cartilha para seguir, dado nossa liberdade de tomar os lances, normalmente há uma defesa em liberar o caminho do bispo e da rainha, movendo o peão da frente do rei duas casa.

Fazer o roque menor, para proteger o rei. Mover os peões antes da Torre, Bispo, Cavalo. Não deixar o rei encurralado ou nos cantos. Aproximar das casas do centro. Mas em Magic pouco se tem êxito em ter aberturas que possam garantir um jogo inteiro. Normalmente podemos desconsiderar parte de qualquer análise sobre como uma mão favorecida poderia mudar o jogo. Seja no início, meio e fim de uma partida. Em Xadrez certos lances podem definir a partida.

Em Xadrez há forma de mapear partidas:

  • Avaliação da partida por cálculos;
  • Avaliação da partida por Notação Algébrica (Notação dos lances);
  • Teorias de algum enxadristas ou filósofo de estratégia, aplicável;
  • Avaliação de lances importantes;
  • Jogadas pessoais;
  • Aberturas e ações de gâmbitos.

Em Magic:

  • Por ser aleatório, não há como avaliar partidas e nem definir aberturas;
  • São consideradas ações e táticas de momento;
  • A estratégia é praticamente obsoleta durante a partida;
  • Analisar inúmeras combinações das saídas cartas se torna mais ainda impossível.

Podemos dizer que teoricamente um jogo de Xadrez tem mais racionalidade por gerar certeza e controle do que um jogo de Magic. Que banaliza parte dos conceitos de pensamento e raciocínio lógico. Um jogo que baseia na sorte sem promover nenhuma inteiração, acaba por não ter qualquer cuidado com precisão ou previsão. Durante 1 ano de jogo eu não ouvi em nenhum momento alguma metodologia científica que provasse uma tática.

Em menos de 3 horas de leitura, sem exagero, de Xadrez, eu li sobre o Random de Fischer (são as possibilidades de 900 posições que as peças podem ter na abertura), Cálculo de Shanon, Notação Algébrica, Teoria de jogos…só para contar no dedo quais teoremas criavam um aspecto ciência de Xadrez. Onde não há qualquer interferência da probabilidade. E sim da premissa, suposição e análise.

Cada partida de Xadrez é movida por sua experiência e prática. Então quanto mais jogar, mais habilidade irá ter. Não podemos falar a mesma coisa de MTG. Existe um impacto negativo em relação ao jogo de cartas. Em MTG é notório que a experiência pessoal conte menos do que um deck caro que possui respostas dignas. Uma pessoa experiente sabe operar este deck. Mas apenas se ele for caro e potencial, essa pessoa vai conseguir ganhar.

No Xadrez, a vitória corresponde ao conhecimento da pessoa. E sua experiência é levada em consideração a cada movimento realizado. Se você passar 1 ano jogando, será bastante competitivo em uma partida. Vai evitar erros triviais, podendo inclusive inventar jogadas. O que é bastante frustrante em Magic. Daí minha conclusão dele não ser necessariamente um jogo estratégico. Ele está mais para jogo de azar, que foi o primeiro artigo – clique aqui para ler. (Há mais de 1 ano).

Fiz algumas partidas contra seres humanos através do site Chess.com, que parece ser o melhor site da atualidade do assunto. E é mais interessante jogar contra seres humanos. Bots tem respostas mecânicas. E não correspondem a intuição, que é justamente o objetivo desse jogo. Gerar reações e dessas, respostas que solucionam o problema. Bots normalmente fazem o movimento esperado para jogatina, e normalmente não erram.

Nós seres humanos erramos e tornamos as partidas mais naturais. Então quando coloco um bispo dando sopa para ser capturado, será que um ser humano morde a isca? Ele pode perder o cavalo para um peão bem posicionado. Ou ainda o tal do peão envenenado. Um Bot ignora e normalmente age em sintonia com sua programação. O ser humano age com algum ímpeto:

  • Solucionar o problema, ignorando a chance de vitória;
  • Errar um lance;
  • Pensar em criar um cerco nas peças importantes;
  • Criar condições de vitórias múltiplos.

Nestas partidas eu tive mais consciência dos meus atos do que em 1 ano de Magic. Que eu não sabia se iria sair alguma carta boa. Se iria sair um terreno. Ou uma carta coringa. No Xadrez eu tenho lugar para inventar. Em Magic não há espaço para criatividade. Durante a jogatina você pesca. Se levar um Salmão para casa é sorte. Em Xadrez você encontra o Loch Ness e registra.

Ainda que pareça, essa comparação entre os dois jogos, não desgosto de um ou de outro. Ou um é mais que o outro. Mas quanto mais jogo Xadrez, mas vejo o quanto MTG é um Poker de 1/1000 de chances. Mas já tinha um pé na crença que MTG era jogo da azar, fazia muito tempo.

Xadrez (2) – Mapeamento de jogadas

Xadrez é um jogo com modalidade estratégica, que falamos no artigo Xadrez (1) e com uma comparação ao jogo de cartas – Magic the Gathering, ao qual passei 1 ano publicando até a presente data 64 artigos sobre minhas experiências. E agora completo esse círculo de mais de 365 dias fazendo um teste de estratégia real e aparente. Xadrez é um jogo que é possível mapear jogadas e tomar decisões com níveis diferentes de informações, algo impossível de ser aplicado ‘trivialmente’ em MTG.

Mapear jogadas é uma forma de analisar sua performance, respostas, reações, ações e o onde acertou e errou. E aprimorar suas jogadas. Em MTG mesmo que houvesse uma forma, uma notação algébrica para entender como o jogo progrediu, seria dispensável, porque a gente não controla a carta que sai. Você não tem esse controle. Então não pode garantir aquela abertura ou aquele progresso.

Em Xadrez existe uma notação que varia um pouco de regra, mas uniformemente ela segue o seguinte:

  • Nome da peça (ação) casa; (Ex. Rd2) – Rei se move para casa D2;
  • Nome da peça (ação) casa: (Ex: Dxa8) – Dama toma peça na casa A8;
  • Situação de xeque: (Ex: Td3+) – Torre faz xeque na casa D3;
  • Situação de xeque-mate: (Ex: Dd1# ou Dd1++) – Rainha faz mate na casa D1;
  • Situação de roque Menor (0-0, roque menor para o lado do rei);
  • Situação de roque Maior (0-0-0, roque maior para o lado da dama\Rainha);
  • Quando o movimento se trata do peão, omite o nome da peça;
  • Em alguns casos a casa de origem para destino são exibidas;
  • As notações são feitas pelos jogadores ou por um software;
  • Quando o peão passa por promoção ou coroação e chega na última linha (a1 = D) da coluna A2 é promovido (coroado) para Dama\Rainha;
  • Regra do En passant (é quando um Peão é tomado por outro peão na diagonal quando este está na casa casa 5 e o outro faz dois movimentos da posição inicial) (exd e.p.)

Símbolos especiais:

SímboloSignificadoExemploComentários
#MateTb8#Torre dá mate ao rei ao ser movida para a casa b8.
+XequeDe5+Dama dá xeque ao rei ao ser movida para a casa e5.
xCapturaDxCDama toma cavalo.
e.p.Captura en passantexd e.p.Peão da coluna e toma peão da coluna d pela regra do en passant.
O-OPequeno RoqueRoque efetuado na ala do rei.
O-O-OGrande RoqueRoque efetuado na ala da dama.
=Promoçãoe8=DPeão da coluna e alcança a oitava fileira e é promovido à dama.

A notação é descrita com o número da jogada seguindo de um ponto de enumeração com a jogada sua e do oponente. Pois representa a ação e a reação. Assim você pode entender quais as respostas dadas. Como funciona por turno você vai perceber quais os momentos em que teve um erro, uma perda de oportunidade, ou uma jogada mestre, ou uma ótima oportunidade. Diferente de MTG que essa notação não faria nenhuma diferença. (Razão pela qual eu classifico MTG como uma estratégia condicional).

Para comentar a partida pela notação:

SímboloSignificado
!Bom lance.
!!Lance brilhante.
?Mau lance.
??Lance péssimo.
!?Lance interessante.
?!Lance duvidoso.
±Vantagem branca.
+/=Ligeira vantagem branca.
+–Vantagem decisiva branca.
± invertidoVantagem negra.
=/+Ligeira vantagem negra.
–+Vantagem decisiva negra.
Posição incerta.

Pode ser considerado esta notação é uma base da informação do SIMX (Sistema de Informação de Xadrez). É onde você vai avaliar quais suas melhores jogadas, pontos fortes e fracos. É assim que s evolui no jogo.

Xadrez (1) – Fundamentos Básicos de estratégia

Base estratégica.

Xadrez é um jogo de estratégia antigo que possui diversos formatos, o mais famoso deles, é o xadrez clássico que lida com um tabuleiro de 64 casas (8×8) com 16 peças para cada jogador atendendo uma regra de limite de tempo por jogada e partida, e regras e vantagens por peças. Não depende da sorte em nenhum momento e exige visão de campo, previsão, paciência e atenção.

Até o artigo 64 de Magic The Gathering, leia sobre o diretório, finalizei (não vou deixar de publicar artigos por lá) que MTG pode ser considerado um jogo de simulação e orientação de estratégia, que se baseia na sorte para obter resultados de vitória ou de derrota. Ao contrário do jogo Xadrez. Que depende inteiramente de sua tática e esquema.

Procurei por um longo tempo no ano passado sobre boardgames de RPG e acabei encontrando um jogo de estratégia (MTG) e dali me inteirei sobre tudo que era material. Agora no final de 2020, acrescento na família, o xadrez. Que já era um velho conhecido. E que esteve presente em mais vezes do que eu posso contar. Todo jogo de estratégia utiliza as teorias de Xadrez para sua aplicação, o próprio MTG quando a sorte permite.

Tabuleiro x Cardgames.

Durante o meu período de 1 ano em MTG, senti que a criação de Decks era a fase mais importante do cardgames. Garantir uma forma de aplicar a estratégia com outra estratégia, conhecida como engenharia de deck. Era enfadonho, continua sendo. Exige pelo menos no cardgames físico ter um poder de aquisição considerável para se ter uma chance na mesa.

É uma verdade que tem que ser dita. MTGA mascara bem isso, porque você aparentemente não precisa ‘pay-to-win’ para tirar o melhor deck. Mas ainda sim há quem gaste ‘money’ real para conseguir os packs necessários. Diferente do físico, no virtual você não tem card avulso. Precisa comprar booster para tirar a carta essencial. E há uns usuários espertinhos que vendem contas com um número incrível de cartas por um valor alto….sim existe já isso.

Apesar de pensar que Xadrez é um jogo elite, nós temos um contrapeso enorme quando analisamos as chances de vitória e como a vitória ocorre. É certo que se você é jogador de Magic há muito tempo, pode vir a discordar dessa visão. Mas decks baratos (Groselha) tendem a ser menos eficientes em jogos de competição. E mesmo que muitos falem que é possível, é uma fala meio ‘for fun’. No fundo todo mundo sabe que os decks mais potentes são os mais caros.

Em Xadrez você não precisa comprar carta, não existe rotação. Você só precisa treinar todos os dias e jogar. Não precisa nem levar o tabuleiro, dependendo de onde você vai jogar. Se for num clube, numa loja, na casa do amigo, no campeonato, você só precisa levar o seu cérebro. Você não gasta nada. Percebe? Os valores dos prêmios de torneios são maiores que o da Wizard.

E embora muitos de fora possam imaginar que jogar xadrez é sopinha no mel (fácil), discordo. Especialmente se você entende de estratégia. Nada em Xadrez é óbvio. Você precisa ter uma atenção redobrada e já pensar em cenários possíveis antes da abertura. Porque você tem que pensar em quais as possibilidades que o seu oponente pode criar diante de seus lances.

Em MTG depende muito da sua mão e isso é que cria a sensação virtual de cenários imprevistos. Na maioria das vezes você precisa criar decks que funcionem como uma espécie de fetch. Cartas que buscam cartas para garantir que alguma estratégia ocorra. Mas as fetchs são cartas caras…caríssimas. Não é muito acessível. Já o Xadrez até para quem não possui muito, basta a tática mental para garantir algum retorno. Por isso citei que apesar do Xadrez parecer um jogo elite ele é ao contrário.

MTG é um jogo muito bom, não dispenso, ele me treina a pensar em cenários desfavoráveis e como lidar com situações beco sem saída. Mas não preza a parte que eu mais me interesso, a estratégia. Ela não depende muito de mim. Eu dependo da sorte e do azar do oponente para conseguir virar ou ganhar o jogo. E essa é uma habilidade única. Reviravolta em um jogo desvantajoso. Parabéns aos que conseguem revirar.

Mas ainda tenho interesse em continuar controlando minhas ações a todo momento do que depender da sorte para ter esse controle ou parcial controle. Mas jogar MTG nos ensina sobre algo que em Xadrez você levaria uns 10-15 anos para ter. Aquela pulga atrás da orelha. Quando a gente pensa como as peças vão se encaixar. Quais peças dos oponentes podemos superar, tomar ou desviar? Ou realizar o famoso lance de Gâmbito? Atrair através de um lance arriscado.

Em MTG em especial as manas que usam o famoso sacrifício, elas precisam pensar em muito, e normalmente se for a longo prazo, precisa rezar para que as cartas seguintes possam completar a tática. Em Xadrez tem movimentos no primeiro turno que influenciam suas chances no décimo terceiro ou vigésimo turno, e que você pode desfrutar se souber lidar com os cenários, é aqui que entra o papel do MTG no Xadrez.

Joguei algumas partidas e já me inteirei de regras, vantagens, notações que o Xadrez possui. Você aprende qualquer coisa rápida depois da montanha complexa que o MTG possui. Eu levei uns 3 dias. E em xadrez leveis um pouco menos de 1 dia. Fiz algumas jogatinas no chess.com, tenho até uma versão virtual para o RV (Ultra Chess) , e obtive um resultado satisfatório. Indo para dificuldade desafiadora.

Usando algumas regras da cartilha de jogadores PRO famosos, é de sempre pensar em turnos à frente. Coisa que a gente pensa também em MTG. A diferença é que em um temos uma chance de garantir a vitória e o outro depende do que vai sair. Que pode ou não nos oferecer algum resultado positivo. Em MTG tua experiência influencia de uma forma indireta suas jogada. É certo que passar 20 anos jogando MTG você vai ter algo para tirar de proveito.

Mas é diferente da proporcionalidade de jogos de estratégia pura, como o Xadrez. Quanto mais você joga pelo tempo que for, maiores serão suas táticas e mais imbatíveis será sua força. Porque como a sorte não influencia, você tem a proficiência de suas jogadas totalmente ao seu favor. A abertura do Xadrez (os primeiros lances) é uma compilação de várias jogadas. Você sabe para onde ir, colocar as peças mais no centro da tabuleiro, evitar cantos, fazer o roque, pensar em táticas de coroação, prever os movimentos do oponente. Garantir sua posição e fazer xeque-mate.

Em MTG você não controla nada…nada mesmo. Você depende de um bom deck, normalmente caro, para garantir que a sorte seja menos influente. E precisa ganhar para resgatar o valor desse deck. Pelo menos. Eu acho que até fazer campeonatos para MTG surte uma sensação injusta. Porque você praticamente coloca a mercê de inúmeras combinações de decks poderosos para gerar inúmeros outros cenários que podem te favorecer ou não. Não é exatamente um jogo, ele não é linear e tampouco harmonioso. Suas ações são dependentes dos fatores incontroláveis.

Nem esporte na prática. Será sorte que um tenista, que uma atleta de ginástica atinja aqueles pontos? Ou será maestria consciente? Ela sabe o que está fazendo e utiliza ao seu favor tudo? A competição precisa sempre ter o controle. E jogos de azar não oferecerem estes quesito. Portanto ao meu ver, o MTG ocupa o lugar de como que eu falei no último (64) artigo de Magic, um jogo de orientação e simulação.

Ele orienta cenários imprevisíveis. Com uma mão desfavorável em um cenário mais negativo ainda, temos as chances de obter resultados positivos? Não há uma garantia certo? Garantia de vitória não é consumação de vitória. É uma certeza que precisa ser concretizada ainda. Mas seria o mesmo que pensar da seguinte forma:

  • MTG é um risco alto para investimento, sem garantias e depende de muita injeção monetária (Deck caro) e de consultores habilidosos (Jogadores PRO);
  • Xadrez é um risco variável de investimento que depende do adversário (mercado), não existe muito injeção monetária, ou pode ser feita (estudos e tutores de Xadrez) e que constrói os jogadores habilidosos ao longo do tempo.

O primeiro só garante um retorno, e olhe lá, se o jogador for bom e o deck também. Com tantas combinações não sendo possíveis determinar quais, você não tem muita certeza de retorno.

Em Xadrez você não coloca um montante, então não tem pressa de resgatar. Normalmente você depende da habilidade humana para conseguir um resgate ou o prêmio, e é possível garantir mais ainda essa performance pelo tempo de seu treinamento.

Em ambos os casos, você tem um retorno muito bom caso logre êxito, um deles (MTG) você tem um alto risco contra um baixo ou médio risco (Xadrez).

Quais dos dois investimentos você prefere?

Ao longo de minhas experiências, em MTG você garante diversão e aprendizado sobre variabilidade. Mas o menos importante, até por ser um obstáculo um tanto colossal, é ganhar o jogo. Xadrez não é um jogo trivial e nem impossível. Ele é um jogo que respeita o que você sabe. Seu risco é enorme, mas você garante pelo menos que o risco pode ser o que você quiser, dependendo de suas habilidades e experiência.

Jogar dados sempre tem um lado ruim. Em DnD você pode considerar duas formas de jogadas:

  • Para dano, Saves, Skills usar o dado ou o valor inteiro que ele provoca.

Quando você usa o dado, o dano, saves ou skill podem gerar mais possibilidades. Sim. Mas pode gerar menos possibilidades. Quando consideramos que o valor inteiro é nossa vantagem. O mesmo acontece quando consideramos o Xadrez. A rainha (dama) é a peça mais poderosa do jogo. Sem sombra de dúvida. Mas imagina se você não tivesse autonomia sobre ela.

Por alguma razão. Ela teria tanta autonomia? Seria tão poderosa? Não. O mesmo vale para os peões. Que você pode pensar, são descartáveis. Longe disso. Peões normalmente são os lances que usamos para diagnosticar o campo de batalha. E de transforma-los em Rainha, Cavalo, Torre ou Bispo (coroação\promoção). E assim, eles ficam menos descartáveis, certo? Já imaginou em ter nove rainhas?

No Xadrez um sapo de MTG 1/1 consegue se tornar um URO 10/10. E você tem o controle disso. Reparou? Mais precisa quebrar a defesa do seu oponente antes, que assim como você, também tem o controle. Isso sim é um duelo. Ambas as partes tendo o controle, oferecendo ao jogo em geral uma visão de tática. Em MTG, um anão de jardim pode vencer o Drogon de GOT. Mas por sorte.

Em Xadrez, o Drogon mataria parte das peças, e você ainda precisaria ter uma bela tática para isola-lo ou usa-lo ao seu favor. Mas é sem dúvida que um dragão seria um inimigo supremo em campo, correto? Estratégias não é sorte. Nunca foi e nunca será. Embora goste bastante de MTG, minhas jogatinas de um ano, me mostraram que apesar do elemento estratégico presente ele depende de uma boa mão, de uma boa abertura.

E não temos muito disso, temos é uma seletiva. Onde podemos garantir alguma coisa dependendo da sorte. E se você precisa da sorte, em menor ou maior escala, para ter uma ação. Você não tem um jogo de estratégia. Você tem um jogo de azar que depende de todos os fatores que você não influencia ou controla. Mas o MTG é uma lição para quem quer arriscar e manter o controle no Xadrez. É um verdadeiro preparatório.

Magic the gathering (64) – Qual é o objetivo de MTG?

Joguei muito MTG para avaliar a infraestrutura e o objetivo do jogo. Todo jogo tem um objetivo. E se você pensa que é ganhar ou perder, não está enganado, mas não está completamente certo. Às vezes um jogo determina uma definição, chega em um ponto final, gera uma vitória, oferece uma resposta ou até orienta. Sua finalidade é importante porque assim podemos também saber utilizar o jogo como uma ferramenta de aperfeiçoamento.

Não me leve a mal, mas todos os jogos tem seus limites, e portanto devem ser considerados restritos ao seu campo de atuação, e não levar a mal, isso significa que mesmo que um jogo seja considerado o melhor, perfeito, ele tem uma atuação específica e não serve para todos os casos. E vamos começar pelo ano de 2019 para entender porque acho importante saber qual é a do MTG.

No finalzinho de 2019 comecei a procurar boardgames que fossem RPG e não estratégia, todos eles atuam como jogos catalisadores de um cenário e uma tática, que está a sua disposição inicial ao longo dos turnos, e que também lhe serve com uma pitada de liberdade para criar suas próprias ações conforme o jogo anda e você entende a ideia. Então de uma certa forma eu não encontrei, até porque o RPG é uma característica inata da estratégia e vice-versa.

Estratégia é basicamente uma forma de resolver problemas. E também assumir o controle. Sem o último fica difícil de gerar ações precisas e atingir objetivos. Em MTG nós temos um cenário imprevisível, ou imprevisíveis com uma mão inicial ou por turno desfavorável que nos exige montar soluções sem saber o que vamos enfrentar. Ainda que seguimos o metagame, essas surpresas podem colocar todo o nosso pensamento por algo abaixo.

Imagine que durante uma caminhada matinal você pegue um beco sem saída e quando tenta retornar aparecem três cachorros de rua raivosos. Desconsidere a situação anterior aquele beco sem saída e os cachorros. A partir dali o que você precisa fazer? Desviar dos cachorros e sair da rua sem saída. Certo? Na maioria das vezes você não possui a solução certa, ninguém possui todas as respostas prontas, esse é o objetivo de Magic the gathering.

Gerar soluções para cenários imprevistos. E com uma mão sempre desfavorável. O que se considera é o fator sorte (probabilidade) para obter resultados favoráveis. Entenda que o MTG nos coloca em uma situação sem controle, sem ciência e sem garantia. Você depende da probabilidade para ter uma chance e colocar uma solução em mesa. Mas isso nem sempre acontece, e não depende de você ter essa probabilidade. Muito embora tenhamos o controle dela, parcialmente quando obtemos cartas que controlem a saída de cartas, certo?

Por definição MTG não trabalha com estratégia, ele trabalha com probabilidade. E baseado nesta probabilidade você pode ter uma janela de estratégia. E deve estar se perguntando, depois de 3 ou 4 artigos falando sobre isso, por que novamente falo sobre isso? Porque estou determinado a explicar porque o MTG é muito importante para os jogos que são definidos como estratégia. O MTG é uma simulação onde nos encontramos em desvantagem e que como a qualidade de nosso deck builder seríamos capazes de reverter uma situação.

Ou seja, aquele beco sem saída. O MTG nos ajuda a pensar em soluções durante a situação. E nisso consiste aquela máxima, se você puder evite o risco, senão contorne o risco. Mas de forma não proposital, não nos colocamos em perigo para ganhar, MTG é 100% você em um risco e tentando ganhar. MTG é quase que uma tentativa de acertar e errar. Você monta decks que são capazes de sair de uma situação em que você não manda em nada. Imagina as pessoas que ganham campeonatos assim? São geniosas.

E é por isso que eu acho no mínimo um pouco negativo fazer campeonatos de Magic. Onde a probabilidade de uma mão desfavorável nos coloca em xeque o tempo todo. E ao usar esse trocadilho, eu vou começar a falar em artigos do famoso e centenário jogo de estratégia, que não depende de nada em sorte e que nos oferece uma visão de controle desde do princípio e que tem as margens de suas regras e táticas, um lugar muito importante para o Magic, o Xadrez.

Xadrez é um jogo que origina a ideia do que é estratégia. Magic é uma parte do jogo, seria aquele momento que escolhemos aplicar uma ação de gambito (sacrifício), de isca, de enganação, de perspicácia. É o momento da pegadinha. O Xadrez é aquela janela bem pequena que acontece no Magic que é de termos a chance de aplicar o que pensamos quando montamos o deck.

Em 2018 se não me engano saiu uma reportagem falando que as combinações resultantes de Magic the Gathering para os cenários de jogo eram incalculáveis e que contrapondo o Xadrez, haviam cenários finitos, definidos. Isso argumenta sob o meu ponto de vista. Que Magic não é um jogo de estratégia, para tantas combinações sem gerar um resultado preciso, isso se chama simulação. Como ganhar um jogo de simulação? Mas isso treina sua mente a lidar com situações imprevistas.

Xadrez é um jogo que não depende da sorte. Ele é um jogo tático onde suas peças estão em cima da mesa e que garantem o controle sob o seu ponto de vista. Para os que pensam que somente isso já garante a vitória, vamos repensar melhor isso. MTG não tem resultado específico das possíveis combinações, isso já gera uma chance quase mínima de vitória, na verdade, a maioria das vitórias e derrotas podemos atribuir em 75% influenciado pela sorte. Os demais 25% é quando temos a sorte de termos sorte.

Xadrez você define condição de vitória quando chega em um caminho para atingir essa vitória. Mas isso não garante nada. Se fosse assim, um dos oponentes na abertura do jogo estaria com os dias contados antes de começar o jogo, certo? Certo. Sabe quantas são as possibilidades de jogatina em um jogo de Xadrez comparado ao Magic?

O cálculo de Shannon avalia que sejam 900 (elevado a 40) entre as posições legais em um jogo temos uma comparação de 4×10 (elevado a 76) e 6×10 (elevado a 96) para medidas mais exatas seria um comparativo ao número de átomos no universo. Por ser uma quantidade grande de possibilidades. Ainda que possamos definir os cenários possíveis isso nos garante (que temos essa quantidade de caminhos.

Em Magic não é possível determinar por quê? Assim consiste que o jogo é mais complexo que Xadrez? Na verdade por não termos como definir algo, o jogo ultrapassa o conceito de complexo. Ele passa a ser um caminho de limite sem garantias. Ou seja Magic não garante um cenário específico. E se você não pode garantir isso, não pode garantir um resultado também. Nestes casos podemos avaliar que entre outras e uma parcialidade dessa análise, Magic depende da sorte para gerar o resultados. Podem ser 2 cenários possíveis (muito menos que o Xadrez) ou 1 trilhão (sendo movimentos legais ou não).

Ao jogar Magic notei que normalmente um deck sempre considera 2 ou 3 cenários de vitória. Muito dificilmente você tem um leque de possibilidades. Você tem muitas ações e surpresas. Mas a vitória é sempre concedida da mesma forma:

  • Arregimentar
  • Concessão (desistência)
  • Vitória por pontos
  • Empate

O arregimentar é quando o oponente brota de fichas no campo de batalha e você fica indisposto a ter uma defesa ou de ter um contraataque.

A concessão ocorre na maioria dos casos quando o oponente não tem uma resposta. Em Xadrez você sabe como ou quando deve conceder. Você prevê isso. Em Magic, isso pode acontecer quando você mesmo sabendo que tem uma criatura ou carta boa, ela não sai à tempo.

Vitória por pontos varia, mas normalmente é com ataques diretos ou fichas ou usando a criatura base mesmo.

Empate é mais difícil. Os dois precisam ter no mesmo turno a condição de vitória e que não se sobreponha. Ou seja devem ocorrer ao mesmo tempo vitória ou derrota. Em Xadrez você consegue forçar vitória, derrota e empate já bem antes de começar o jogo.

Mas em Magic muito embora as pessoas adorem falar que ele é infinito de soluções, na prática sempre temos o mesmo resultado de vitória. Concessão ou vitória por pontos. Sempre usando uma criatura nerfada ou fichas. Para ‘n’ soluções, temos 2 soluções para todos os cenários. Percebe? Em Xadrez você pode dar cheque mate em 3-4 movimentos, ou passar dias fazendo isso, ou usar um peão virando rainha (dama), ou ainda gerando um gambito (isca\sacrifício).

Ainda que pareça finitos os movimentos, eles são mais diversos que o Magic. Muito mais. Em uma mesma partida, jogada várias vezes tendo a mesma abertura, você tem inúmeras possibilidades de caminho. Em Magic a probabilidade impôe um desafio parecido. Mas como a probabilidade ela gera caminhos que são pré-definidos. Logo ela tira o conceito de controle dos jogadores.

O que gera dinamismo não é a probabilidade do cenário, é a tomada de decisão das partes. Logo o Magic é muito limitado perante o Xadrez. Por isso pedi que não me levassem a mal lá no início do artigo. Magic é excelente, para treinar nossa mente a pensar com qualidade, rapidez e em situações críticas. Mas não é um jogo de estratégia. É um jogo de orientação e engenharia de deck.

Cyberpunk 2077: Um jogo comprado pelos gráficos

Em 10 de dezembro o jogo da CDPR (CD Projekt Red) que foi anunciado em 2012, há 8 anos, e pouco menos de 4 anos em desenvolvimento, foi finalmente lançado. Mas foi recebido por uma avalanche de emoções que sofreu com uma montanha russa que acabou em uma má reputação para o lado do estúdio Polonês. Mas o mal da raiz é mais embaixo.

Final feliz para CDPR – Estúdio tem lucro de U$ 500 mi (com um total de 8 milhões de vendas)

Em valor de mercado, o estúdio em seu lançamento perdeu U$ 1 bi.

Há uns 20 anos já se sabia que gráficos x jogabilidade impactaria as experiências. E essa briga só comprova que as análises em veículos ou redes sociais demonstra superficialidade da crise e do que realmente importa na indústria do entretenimento.

Lucro sempre será o fim de qualquer empresa, pensar em algo diferente disso é demonstrar uma enorme ingenuidade. Muitos criticam com quatro pedras nas mãos que o sistema econômico é injusto e que eles só capitaliza ideias. Mas em nosso mundo, o dinheiro é uma moeda oficial de troca de serviços e construções de pontes.

Pensar diferente disso é ir contra a maré. E normalmente se contradizer. Uma vez que as próprias opiniões são expressadas utilizando do dispositivo social de liberdade de expressão (pertencente a esse mundo capital) e por meio de dispositivos de comunicação que só poderiam ser comprados pelo mesmo capital.

Cyberpunk 2077 já era uma obra prima para os fãs antes do lançamento. Já existia no imaginário, quando que seu projeto era um buraco negro há 4 anos. O jogo em si não existia, até então que você possa colocar as mãos nele, ele é um projeto não final. Compreende a natureza? Investir seu tempo, crença e dinheiro em algo que não existe, mas pode existir. É diferente de algo que existe e você tem ele. Ficava muito surpreso quando as pessoas comentavam que ele o Goty de 2020, o melhor RPG do ano, e nem tinha sido lançado.

Gameplays fomentavam a crença de um jogo insano. Um insano que não existia realmente e só nas mentes do que acreditavam em alguma coisa. Outro ponto que me fez pensar nessa cegueira, foi a crença que as pessoas diziam sobre CDPR. Uma empresa diferente, transparente e honesta. Engraçado. É o mesmo elenco de adjetivos que eu ouço as pessoas dizerem para cada candidato na política todo ano que sai e entra. Por que não fico surpreso com eles agora, desapontados? Qual é a finalidade de uma empresa? Ganhar dinheiro.

Isso faz delas desonestas, mal-caráter e bandidas? Não. Uma empresa cria empregos, melhora a qualidade de vida e coloca pontes entre níveis sociais. Melhora a redução da desigualdade e constrói mundos melhores. Há uma exceção aqui e ali, mas é essa a definição de economia. Então temos uma ausência completa disso de quem apenas afirma que a CDPR era diferente. E agora recai em uma crença cega sem argumentar se a CDPR era diferente ou não, que o seu projeto de 8 anos eram ambicioso.

Sempre me perguntei porque todos os anos das empresas lançam os MESMOS jogos. Mais do MESMO. Não muda nada. Mecânicas todas iguais. Por que o público não se importa com a mecânica. E sim pelo gráfico. Será verdade? Com certeza que o seu ponto de vista será relativamente diferente do meu neste quesito. Vale por seu sentimento subjetivo. Aquele que decide. Bem. Quem dirá que Dark Souls é ruim. Que outros que é RPG. E que não é. Vai depender das pessoas certo?

Mas o resultado é o mesmo quando estamos falando de mecânicas. Não dá para condicionar emocionalmente na ausência de uma promessa como uma IA mais sofisticada, uma causa e efeito de ações, diferentes forma de seguir um caminho, um jogo que promete que você pode não precisar matar ninguém, são informações objetivas. Elas são o que são. E não são modificadas por sua percepção. É como 2+2 = 4. É matemática. É totalmente diferente de você perguntar para uma pessoa, qual é o quadro mais bonito: Monet ou Picasso? Estética tem um significado diferente. Mesmo sem ser abstrata.

As pessoas só não deram zero para todas as plataformas, porque elas estão embasadas no gráfico do jogo. Não é possível que os jogadores estejam de acordo que a CDPR entregou o que prometeu. Só se estivermos falando de gráficos. Mas jogos não primam, redundantemente, a prioridade não é gráfico é a jogabilidade. Seria o ponto crucial para determinar que um jogo é bom ou ruim. Dai se destaca do seguinte: se os jogos da Ubisoft tivessem gráficos do tipo do Witcher, alguém xingaria eles?

Durante a fase de pré-lançamento eu via as pessoas julgando o jogo como insano. Gráficos. Gráficos. Mas e a jogabilidade? Esse jogo será melhor que RDR2, porque terá melhores gráficos? E a jogabilidade? Será o jogo mais bonito da década?…e a jogabilidade?

Depois de ver o resultado do CP, não. Seriam um sucesso. Ter gráficos bons hoje permite resolver todos os problemas. As mecânicas podem ser as mesmas ou nem existir. Parece um deboche. Mas a indústria molda conforme seu público. E tirando um jogo aqui e ali, a maioria não tem personalidade. Cyberpunk 2077 é um exemplo. Coloque os gráficos bons, mas observe a mecânica dele, o que eles prometeram?

MECÂNICAS PROMETIDAS:

  • Diferentes formas de terminar a missão (Você termina a missão de duas formas, ou completa ela ou não);
  • Você pode passar o jogo sem matar ninguém (não é verdade);
  • A física dos veículos e maneira geral (não existe);
  • A IA é nula;
  • As missões são genéricas;
  • Tem tanta missão no jogo, sidequest, que lembra mais um MMORPG do que um jogo off-line;
  • Suas ações só influenciam a linha da missão, nada mais que isso;
  • O tempo de jogo é 35-40 horas (disseram que era ligeiramente menor que W3), W3 tem entre 100-150 só no main quest;
  • Cada lifepath só muda a opção de diálogo que não causa nenhum espanto no NPC, simplesmente é uma opção a mais ali. Não faz muita diferença ser de um caminho para o outro;
  • Open world, mas o jogo é claramente linear;
  • Cidade super vazia;
  • Personalização complexa (Fallout 4 tem mais opções);
  • Sua roupa faz diferença (Só que não faz nenhuma diferença);
  • Ser em primeira pessoa é mais imersivo (neste caso não faz nenhuma diferença);
  • Dá para ver o seu personagem no espelho, veículo e menu (deveriam ter feito esse jogo em 3ª Pessoa)¹
  • O sistema de furtividade é inexistente (é como o Far Cry);
  • Por conteúdos removidos, foram tantos que não dá para saber o que tinha na fase de protótipo para a final, tem muita missão que não tem os mesmos caminhos mostrados nas gameplays, até mesmo das liberadas para a imprensa;
  • Você pode terminar o jogo sem fazer uma missão main quest (mentira, você precisa fazer a main quest) a sidequest não faz nenhuma diferença e tampouco tem ligação;
  • Exploração vertical (a quantidade de prédios que você pode entrar é menor que a quantidade de construções que você pode entrar em Fallout 4. Não existe exploração vertical ou horizontal no jogo;
  • Suas escolhas mudaram o mundo – suas escolhas não mudam nada além das missões main quest dentro da história main quest;
  • Diálogos super superficiais, em W3 por exemplo se você descobrisse alguma coisa no jogo (seja em main ou sidequest), aparecia uma linha adicional para você conversar, neste jogo qualquer diálogo é dispensável.

¹ Gosto de jogos de primeira pessoa, até prefiro, mas não faço questão quando o jogo tem qualidade. Mas o POV (ponto de vista) faz diferença. E embora a primeira pessoa possa ter a característica principal de imersão (posicionamento espacial), a experiência do jogo é impactado pelo conforto. Se a pessoa se sente bem jogando em 1 ou 3ª pessoa, essa nota pode mudar para positivo ou negativo, independente do que você pense logicamente.

Mas após o lançamento, preferiria que esse jogo fosse em terceira pessoa. Não faz sentido ele ser em primeira pessoa, quando os diálogos são superficiais, mesmo os gráficos bonitos, não faz diferença tê-los em perspectiva. E as lutas, que é o que o jogo mais foca, seriam beneficiadas por uma visão ampla.

Que parte do jogo ruim as pessoas não perceberam? Especificamente porque estão preocupadas com a estética do jogo. O problema dos jogos ruins, virem a mesma coisa é porque a cor do batom é melhor que o que a pessoa pode oferecer. Temos uma safra de jogos iguais com gráficos insanos. E o jogador paga a conta depois. Porque ele precisa de PC das Nasa, consoles da geração daqui à 5 anos para rodar o jogo prometido. Não vejo positivo esse comportamento de estética.

O que foi avaliado pelos jogadores:

  • Gráficos;
  • Narrativa.

Para estes dois temos um ramo diferentes dos games. Game é interatividade, é jogabilidade, é experiência ativa. Gráficos e narrativa temos séries, filmes ou livros. Games precisam ter os dois, sem sombra de dúvida, mas eles são critérios em segunda prioridade para serem considerados em uma nota final. Não quero ensinar o padre a rezar a missa. Mas se você responder SIM a pergunta final abaixo, talvez eu precise ensinar o seminário do zero para alguns padres por aí.

Para finalizar, leia a análise de Cyberpunk 2077, e pense na seguinte premissa. Você pagaria R$ 200.000 pela carrorecia de um Porsche (sem motor)?