Piano (4) – Leitura da clave do fá

Clave do fá costuma ser uma pedrinha no sapato de muito iniciante em piano. A maioria, como é praxe, aprende a clave do sol primeiro e por padrão é a mais difundida quando se quer relacionar a música a algum assunto de forma pública.

Então é muito comum, você ver o padrão DÓ DÉ MI FÁ SOL LÁ SI no formato de escala da Clave do Sol. Mas a fá nem de perto é divulgada desta forma, logo você tem mais dificuldade. E a maioria nem sequer dedica tempo para estudá-la, deixando para bem depois.

Clave do fá como a clave do sol sse refere a chave de tom de uma música. O Sol é porque a ‘barriga’ da chave corta a segunda linha do pentagrama de baixo para cima, que se refere ao SOL. E dali em diante ou anterior contamos pela escala das notas musicais. Por isso é que temos o formato a seguir:

E há uma informação inerente a também esta escala que é pouco estudada pela maioria, que são as oitavas 2 e 5. A maioria estuda com frequência as oitavas 3 e 4. O que torna ainda mais restrito o uso das partituras que estão envolvidas em músicas mais sofisticadas, as que em especial, trabalham com 5 oitavas em uma mesma música.

A escala que vem na clave do fá se torna um bicho papão, e ela é seguida:

Como praticamente ela ‘muda’ as regras do jogo da já conhecida clave do sol, a maioria desiste quando olha esse ‘monstro esquisito’. E quando normalmente, a escala 1 e 2 são as mais vistas, qualquer outra escala maior é simplesmente ignorada. E então a maioria dos iniciantes, eles forçam ou procuram partituras em que existem duas claves do sol (uma no lugar da clave do fá) para facilitar isso.

TEM PROBLEMA EM NÃO APRENDER A CLAVE DO FÁ?

É comum achar partitura com duas claves do sol. No entanto existe uma implicação, mesmo que ocorra a alguém que é uma boa ideia, embora não seja má ideia (por uma fração de segundo), na clave do sol por exemplo, a referência inicial é a oitava terceira. Se ela já descer para oitava segunda, seria na clave do fá o que seria referente na clave do sol a quarta oitava. No passado as partituras eram bem mais caóticas. Depois que houve uma formalização, foi necessário criar uma nova forma de organizar.

Seria uma boa ideia, caso não tívessemos no banco de disponibilidade, muito mais músicas com clave do sol e fá do que uma facilitação com duas claves do fá. Por exemplo, em um dos artigos aqui eu mencionei a música Poltergeist que tem como o tema Carol Anne, que é oficialmente a música do filme dos anos 80, lá cheguei a dizer que tinha duas claves do sol, quando na música original (a partitura que eu peguei era um arranjo) é uma clave do sol e do fá.

Qual é o problema? Na prática teórica seria o fato de você não diferenciar percussão de melodia. E isso já causa alguns riscos quando nós falamos de composição. A percussão é o acompanhamento, é o que dá o som de fundo, é o suporte harmônico. Para os tecladistas, são os acordes. O Piano tem acorde, mas o teclado substitui a clave do fá (não há) por acordes. E isso dá o movimento harmônico, que é aquela onda da música que nós podemos identificar como ‘volume’.

A melodia é o que chamamos da própria música. Se você tocar qualquer música e reconhecer o ‘som’, essa se chama melodia. É quase tênue dizer o que é e o que não é. E porque deveríamos seguir a risca a regra das claves, no lugar de achar que pode entendê-las. A clave do fá por exemplo é praticamente o trabalho feito por muitos instrumentos percussionistas que é o caso do BASS, BATERIA. E ainda que possam ter seu papel na melodia, Violão, Violino, Guitarra, Flauta e etc.

Se você pegar uma partitura do tipo ‘harmônica’ que compôe diversos instrumentos musicais vai notar que muitas delas estão na clave do sol (trata-se da melodia) e algumas delas estão na clave do fá (se trata da percussão). E isso quer dizer, que se você não considerar o piano como sendo um instrumento que consegue unir ao mesmo tempo melodia e percussão, terá dificuldades de como simular a parte que representa repercussão em uma partitura de concerto para o piano, compactar a música e concerto em uma partitura de piano com duas chaves seguindo compasso por compasso, linha a a linha.

Esse não é o único problema, o outro vai para uma escrita não uniformizada. Veja por este lado, você vai e compõe e escreve do jeito que sô você entende. Provavelmente a música não será reproduzida da forma que foi composta. Essa anarquia da escrita da partitura cria ‘ilhas’ musicais que não fazem muito sentido.

Mesmo eu buscando pela internet, já achei partituras que as claves trocadas produziram uma música sem sentido, depois ao procurar por algum lugar que as tocasse, percebi, que as claves bem identificadas faziam sentido.

De uma forma geral ignorar a clave do fá, fará você sofrer com músicas que precisam dela. Se vocês acessarem o Musescore, que possui muitas músicas free ( vão notar a quantidade de partituras que tem clave do fá) e a maioria até tem duas claves do fá (notem que apoio do compositor original) tem uma creditação “arrange” ou “arranjador”. Ali é um outro músico que foi e adaptou a música em um tom diferente da original.

CLAVE DO FÁ E COMO TREINAR.

Agora pega a original, não vai ter duas claves do sol. O arranjo ele pode sim ‘diferenciar’ como o tom é tocado, o uso de acidentes musicais, até mesmo o uso diferente na oitava. Mas não é para mudar como a música é escrita. Isso causa um caos absurdo. É como mudar as regras do jogo porque não gostou delas. Mas as regras se forem mudadas, muda o conceito até de vitória do jogo. E aí teremos alguns problemas adicionais a questão.

Não tem erro, eis algumas dicas para você treinar a clave do FÁ.

  • Na partitura, estude ela primeiro e separado;
  • Faça sem tempo;
  • Não decore, entenda as notas e suas posições;
  • Treine o ouvido para saber que tecla está tocando;
  • Procure músicas em que o uso da percussão já faz entender a música.

Juntar as mãos nem é tão complicado assim. Mas não fazemos tocando rápido. Você precisa criar agilidade para tocar as duas, então é por isso que se toca devagar e depois vai adequando ao tempo da música real.

Japonês (49) – Estudo de Katakana: Cores (1)

Como em Estudo de Kanji, em Katakana o ponto será analisar os significados, mas um pouco diferente para o caso desta escrita. Katakana é utilizado para o estrangeirismo e para ressaltar algumas palavras. Mas de um modo exagerado e praticamente sem ‘regras’, nós ocidentais usamos o Katakana para representar tudo, desde de palavras estrangeiras à originais do idioma japonês. Praticamente o seu uso se torna “universal” e acaba complicando o meio de campo. Vamos lá!

Vamos ver as cores, e isso de uma forma bastante curiosa, até professores (descendentes de japoneses) ensinam o uso como sendo, alega-se, o mais usado no Japão e não é bem uma realidade. No Japão, é usado KANJI para representar as cores. Katakana o uso é muito restrito (em particular) e específico as áreas turísticas. E quando falo em particular e específico, é que nem tudo que está na área turística está em Katakana.

Já vimos em outra publicação as cores, mas vamos ver as que são grafadas em Katakana e oriundas do idioma inglês. E entre parênteses eu vou colocar a palavra existente no idioma japonês (em Hiragana e seu correspondente em Kanji). Já li comentários de pessoas que tinham dúvidas se o idioma Japonês era todo ‘estrangeiro’ por conta disso.

Há duas cores que são convertidas ao KATAKANA:

  • Laranja para オレンジ (ORENJI) que vem do ORANGE
  • Rosa para ピンク (PINKU) que vem do PINK
  • Cinza para グレー (GURE-) que vem do GRAY

A maioria das cores são representadas em KANJI, mas algumas soltas se referem ao estrangeirismo, foge muitas vezes a explicação de como e quando foi adotado. Vamos as cores que são usadas o estrangeirismo, mas há o mesmo em hiragana e kanji (ou seja, origem japonesa):

  • Laranja é 橙色 (DAIDAIRO, だいっだいろ), a palavra DAIDAI significa ‘fruta laranja’ o IRO significa COR, se pegamos “Cor da fruta laranja” temos a cor laranja;
  • Rosa é 桃色 (MOMOIRO, ももいろ) a palavra MOMO significa “Pêssego”, na paleta de cores o Pêssego se refere a cor (que tende) a ser rosa. Ela começa clara parecendo até um laranja claro, mas a cor mais acentuada é o rosa. E como acima, o IRO é cor, temos “Cor do fruto Pêssego”;
  • Cinza é 灰色 (HAIIRO, はいいろ), a palavra HAI (não é sim) neste caso se refere a cinzas (cinza de fogo, cinza de fogo apagado) e IRO a cor. Quando se fala – “Cor das Cinzas”.

POR QUE É IMPORTANTE ‘APRENDER’ A PALAVRA ORIGINAL DO JAPONÊS?

Muitos lugares ensinam o Katakana, quase como uma escrita predominante do idioma com as justificativas que daquele modo é mais usual, mais visto no dia-a-dia. E não é exatamente uma realidade. Katakana tem alguma presença, tanto quanto o idioma original tem. Ou seja no mesmo lugar você pode ver um ORENJI e ter um DAIDAIRO. E em muitos outros lugares só tem o KANJI.

Outro ponto é que nenhum LIVRO (não é revista ou mangá), LIVRO só é escrito em KANJI. Tem hiragana, mas em sua maioria é KANJI. E você não vai ler ORENJI. Vai ler DAIDAIRO. Não vai ler PINKU e sim MOMOIRO. É importante estudar o idioma propriamente dito e não o estrangeirismo, que em parte você estará “negligenciando” o estudo em si.

Japonês (48) – Japonês vs Chinês: É mais fácil?

São duas línguas similares, não são tão distantes como a gente ouve falar por aí. Japão foi influenciado deveras pelos ideogramas (Hanzi) chineses, muitas das histórias, mitologias e até trejeitos foram transmitidos entre os dois povos. Quando a China era China, o Japão foi registrado pela primeira vez como o povo de Yamatai que vivia na Ilha de Yamatai.

O termo Nippon que muitos também conhecem foi o segundo nome, até ser Nihon, o que é hoje. China em Hanzi pega dois ideogramas que significam “País central”, porque eles se consideravam (e consideram o centro do mundo. Japão significa “Saber do Sol, Doutrina do Sol” não literal já que estamos falando de ni (日) que significa sol (a depender, dia ou segunda-feira) assim associado a outros Kanji. E hon (本) que pode ser traduzido como livro (e pode ser combinado para virar constituição, estabelecimento, nacionalidade, demarcação).

Em Chinês se usa os mesmos ideogramas mudando apenas a pronúncia que riben. Do contrários termos outras similaridades e diferenças. Vamos lá!

CHINÊS VS JAPONÊS: IDEOGRAMAS E PRONÚNCIAS.

A pronúncia do Japonês difere quanto a posição do KANJI em separado (Kun’yomu) e combinado (On’yomu). De tal forma que Manabu (学) e GAKU (学) quando este associado a um adjetivo (ou qualificador) e outro sufixo como é o caso para formar a palavra escola. Em Chinês você não altera a pronúncia de separado e combinado, isso já torna o chinês um pouco facilitado.

No Chinês simplificado, que no caso o Mandarim que todos estudam, não é exatamente igual. Alguns ideogramas tem um traço a mais ou a menos, tem uma volta extra ou até uma direção ínfima diferente. Mas a maioria possuem o mesmo significado com pronúncia diferente. Sim um chinês conseguiria entender alguma parte de um texto simples em japonês e vice-versa.

Consta que todos os KANJI japoneses existem no idioma chinês, o contrário não. Há 10 mil Kanjis contra 50 mil Hanzis.

ESCRITAS.

Chinês só tem uma escrita, o uso do Hanzi. Possui uma gramática menos complicada. Japonês tem três escritas (prioritariamente depois se usa mais Kanji com do que hiragana em uma distância absurda do uso do Katakana. No início você usa mais hiragana e depois vai migrando para o Kanji.

GRAMÁTICA.

Chinês é bem mais fácil. A gramática é exatamente da língua portuguesa. Se escreve e fala do mesmo jeito. As pronúncias são iguais para hanzi separados e combinados.

Japonês tem uma estrutura mais complexa, se escreve “Pronome | Tempo | Lugar | Objetos | Verbo”, há dois tipos de pronúncias Kun’yomu (separado) e On’yomu (combinado).

FALA (PRONÚNCIA).

Chinês é tonal, e sim, o que ela facilita em gramática, dificulta na fala. Há Hanzis com pronúncia quase igual (não é por incrível que pareça), mas seus dizeres lembram a mesma frase e palavra. Isso torna o Chinês uma língua explicitamente complicada.

Japonês no que dificulta na gramática, facilita na fala. Você consegue entender porque há diferenças, há pouca tonalidade. A ausência de acentos e falas para dentro do Japonês, promove uma sonoridade menos confusa. Você mesmo que não entenda o significado, consegue distinguir os sons.

INFLUÊNCIA EXTERNA.

Chinês quase não tem nenhuma influência estrangeira em seu idioma. Eles possuem palavras para tudo. E caso usem, irão fazê-lo como no Português, fazer uso direto sem conversão.

Japonês tem uma gama absurda em influência estrangeira no idioma. Se no passado, o país teve períodos de isolamento total, podemos dizer que depois da Restauração Meiji e a forte influência dos Estados Unidos na ilha até 1972, o idioma sofre de um estrangeirismo acima da média.

ORIGINALIDADE LINGUÍSTICA.

Muitos ao estudarem o Japonês se pegam nas palavras escritas em Katakana. Escrevi um ou dois artigos sobre isso. O maior risco é confundir palavra de origem japonesa com estrangeirismo e vice-versa. Para quem entra em contato, até se engana que o Japonês não consegue se firmar sozinho com tanta influência externa.

Mas para toda palavra estrangeira há um sinônimo em Japonês. E grafar tudo em Katakana é quase sempre um erro. Já que essa escrita só serve para duas situações: Estrangeirismos como nomes próprios (tanto de pessoa como produto\marca) e para destacar.

O segundo caso não tem desculpa, porque se quer destacar pode ser fazer uso (no digital) do negrito e do sublinhado) e no tradicional basta usar os símbolos de L nos cantos diagonais, que existem na língua.

Violão (4) – Cuidado! Tocar de tablatura não é exatamente o ideal.

Acho que vocês já devem ter notado que a disponibilidade (gratuita) de tablaturas não é muito abundante. E que não é incomum vermos pessoas catando em sites como “Cifras Club” tablaturas ou mesmo por ai pedindo versões de outros instrumentos as tablaturas. Essa insistência, tem dois fatos importantes que podem se tornar uma pedrinha no sapato se não forem observadas com antecedência, em especial para aqueles que intencionam viver de música, vamos as duas:

  • Tablatura não é partitura;
  • Tablatura é essencialmente ‘tocar sem cifras e notas’.

O fator é que não é o ideal fingir que está tocando sem saber que nota está tocando. Na tablatura só tem números representando as casas. Fica a seu critério saber ou não a nota. O problema disso é que provavelmente você não conseguirá passar uma música do violão para outros instrumentos e vice-versa.

Sua dependência fica bem óbvia aqui se você é um dos que se contentam em estudar ou tocar música usando a tablatura. Senão é o seu forte e tampouco vai seguir este ramo, tudo bem. Mas se vai seguir e precisa de acervo, vamos combinar, você está um pouco encrencado(a) se persistir por aqui. Vou contar uma experiência.

COMECEI O VIOLÃO E MAL TINHA TABLATURA.

A maioria das tablaturas completas são pagas, e quando não são pagas, estão cheias de acordes. Muitas inclusive são seguidas por percussão (os acordes), outras tocam a melodia. Mas maioria disponível são aquelas básicas. Pois, não tem tanta tablatura assim. Só que você já deve ter notado, que a partitura (usada para piano) serve para violão, não sabia?

Pois é aí que você tem que pensar em tocar violão de ‘verdade’. Tablatura é o equivalente a andar de bicicleta com rodinha. Ela não serve para sempre. Serve para te acostumar ao instrumento. Com um pouco menos de 3 semanas de práticas, eu já sabia passar música do piano ou outro instrumento para o violão, e das poucas tablaturas que achei (30) eu pude converter isso em 200 músicas. Bem é um salto e tanto.

Em parte porque sou pianista e tecladista, então a leitura da partitura já faz parte do cotidiano. No artigo anterior mesmo mostrei como passar a música do Horizon Zero Dawn para o violão. Vai por mim, não tem essa tablatura de graça. E maioria dos novatos ao violão, não sabe nada de teoria musical, pegam o instrumento pensando que vão fazer uma serenata que fazem as donzelas suspirarem de paixão. Mas no final ficam frustrados.

VIOLÃO E TEORIA MUSICAL.

A grande maioria que vai por conta própria, quase não possui teoria musical. Quando possui, é a mais básica possível. Só tem noção das 7 notas musicais. Violão não é um instrumento fácil. Apesar de ser popular, ter rodas de amigos, ser usado em muita coisa, ele continua sendo um instrumento díficil. O problema piora quando a pessoa que não tem teoria musical, insiste em aprender acorde antes de passar pelo básico.

Acorde é um campo harmônico que já exige da pessoa um nível de conhecimento e domínio do dedilhado bem acima da média. A maioria com certeza não tem esse jogo de cintura já compreendido. Todos os acordes padrões são pressionados por 3 dedos e alguns por 4 dedos e ainda tem o método da pestana, que é segurar uma coluna de casas nas 6 cordas, e usar os demais dedos para montar os acordes.

Então eu digo – “PARE”. Você não está neste nível ainda. Acordes é para depois. Você precisa trabalhar primeiro a melodia. Corda e pressão por casa. Trabalhar banger, hamming e slide. Entender partes do violão e fazer as músicas mais simples. Treinar todo dia e estudar a teoria. Não é nem possível progredir sem isso. Há quem ache, mas nunca saem do mesmo ponto.

Quando se estuda a teoria musical você já consegue por exemplo pegar partituras de outros instrumentos e converter para tablatura (só pra ínicio) ou mesmo tocar direto na partitura.

CRENÇA DO VIOLÃO POPULAR.

Como eu disse ali na teoria, as pessoas acreditam que como o violão é um instrumento popular ele é equivalente a facilidade. Embora ele não seja o instrumento mais difícil, ele não é o mais fácil. Piano é categoricamente mais fácil. Não se compare a executar peças de Vivaldi, Charlie Debussy, Mozart, porque estamos falando de prática.

Mas você consegue tocar por exemplo, a música do The last of us (série e game) com muita mais facilidade no piano do que no violão a primeira vista. Violão é preciso ter alguma certa prática no dedilhado. E no piano, você tem mais chances de ter as teclas as sua mão. Ainda é preciso prática, mas comparado, ele é mais fácil.

Daí acredito que as pessoas prefiram o violão, porque você o nota como um instrumento muito presente no dia-a-dia. As pessoas elas assistem os seus artistas que tocam entre violão e guitarra, muito mais do que assistir um pianista. E quando assiste, estamos falando de grandes compositores como Hans Zimmer e dali em diante, e mesmo em concertos. Aqueles clássicos. Com orquestra e tudo.

Mas a maioria das pessoas tem um contato com mais facilidade do cantor com o violão. Em bares com música ao vivo, é mais corriqueiro, violonista e guitarrista, e mesmo tecladista. Mas é muito mais o violão do que o piano. O Violão é visto como uma marca, no Brasil, um instrumento nacional do lado da bateria, do pandeiro e da corneta (ou a vulgo, vuvuzela). O próprio apito. Mas o violão é corriqueiro no dia-a-dia.

Então essa visibilidade persistente nos proporciona, que ele é tão presente. E isso engana. Porque ao olhar o seu artista, você pensa, que como ele, você também vai sair tirando um som. E isso não é bem uma verdade. Você pode aprender, mas não vai fazer um recital e nem um mini concerto de bossa nova. Não é assim.

Violão ele é cordas vibracionais e tensionadas. O dedo distante do traste já gera um desafinado. Então a disciplina e a cadência se fazem muito necessárias para tocar violão. E isso você não consegue em menos de 6 meses. É todo dia, dedilhando e fazendo música. Até seu cérebro entender como é que funciona. Depois de dominar o basicão, você começa a ousar a aprender acordes para tocar algumas coisas.

Começa com C, G, depois vai de um tom de maior para menor. Brinca entre eles. Depois procura partituras em que somente um grupo de acordes que você aprendeu aparece, para você ter mais fixação. E ficar nessa meses. Depois que você tiver aprendido muito bem acordes e juntamente da teoria musical, você vai ser capaz de começar a ter aquela sensação de tocar uma boa música. Até lá, é estudo atrás de estudo.

E a maioria desiste bem antes do tempo. Com ou sem aula com professor. Por conta própria a desistência é enorme. Com o professor, você só posterga, mas desiste também. Porque pensa que é só tocar a corda e tudo bem. Não é bem assim.

TOCAR INSTRUMENTO POR SI SÓ NÃO BENEFICIA, VOCÊ PRECISA USAR O SEU CÉREBRO.

Enquanto eu procurava por partituras que fossem necessárias para converter para tablatura ou diretamente delas. Eu via uma conversa entre aspirantes violonistas, que procuravam um conversor em formato de app (aplicação). Não faça isso. Se você quer aprender violão não use um sistema que facilite essa ‘tradução’, ou como eu disse, você não é um músico, é apenas quem pressiona uma corda ou tecla.

Você nem sabe que nota você está tocando. Só está seguindo uma sequência de casas. E você não treina a cabeça. E sobretudo, não tem os benefícios que estudar música lhe proporciona. Porque estudar música não é ouvir o som. É estudar a estrutura, é analisar o tempo, é identificar as oitavas e os tons. É essa parte que treina nosso cérebro. Se você vai tocar um instrumento e faz uso de aplicativos que automatizem esse processo e remove da sua frente, a possibilidade de estudar partituras, você está ganhando ZERO benefícios.

Tocar música não é o mesmo que ouvir música. Se fosse assim, bastaria você ligar um podcast, ou playlist ou spotfiy e deixar os benefícios virem. Mas não é isso. Tocar música, não é pressionar tecla. É estudar tudo o que tem para reproduzir uma música em um instrumento musical. Talvez você nem saiba que o violão é um instrumento melódico, que por percussão, que ele pode fazer, se vale dos acordes, mas ele está mais próximo do teclado do que do piano.

Que é bem provável que você tenha que estudar mais clave do sol do que clave do fá ou dó. No entanto se você entende que estudar música é apenas tocar instrumento sem perceber nenhum desses detalhes, você não está sendo beneficiado em aumento de qualidade de vida em nada.

Aquela recomendação de aprender um instrumento musical, não vai funcionar. Quando se fala de matemática, não estamos falando apenas do tempo, e sim da tonalidade, do pentagrama da partitura, da máscara, dos acidentes musicais, da escala, das oitavas, da composição harmônica e assim em diante.

Violão (3) – Como converter Partitura (Piano) para Tablatura? (2/2)

SEM APPS, TRABALHO 100% TRADICIONAL.

Esse método de conversão não usa nenhum programa, é um trabalho manual, exige de vocês um nível de entendimento de teoria musical e experiência com execução de peças. Compreensão mais do que básica. Como há mais partituras de piano e teclado disponíveis que tablaturas, é uma mão na roda saber fazer essa conversão.

ENTENDENDO A CONVERSÃO.

Pra este segunda parte, a primeira fizemos uma conversão de uma música do violão para o piano. Agora faremos do piano para o violão, por motivos de direitos autorais, não posso printar a tela aqui da música em partitura.

Mas vou colocar a tablatura, por um arranjo. Se você ler a primeira parte, eu explico como identificar as notas do piano com as cordas do violão, o grupo harmônico a quem pertence cada uma das 6 cordas e como identificar qual oitava e tom, a música está. Claro, me referindo a uma base de teoria musical, que você leitor(a) deve possuir também.

Este arranjo foi produzido por mim, não sei se há alguma na internet, e esta será por fins didáticos. A música que peguei começava com uma pausa de 1 tempo e seguia para um lá de terceira oitava (clave do sol). Este lá pertence a corda G (Sol), que se refere a médio agudo e que pertence ao grupo harmônico da oitava 3.

Esse tipo de informação é muito essencial para localizar onde a música será tocada. Se você achou muito rápido essa análise, sugiro lerem a parte 1 desse artigo. Fará sentido tudo o que leu aqui. Essa identificação não demora nada. Assim você precisa pensar – “Do grave para o agudo”.

Se você é novato em violão, cuidado, porque a primeira corda se refere ao MI (E) agudo, ou seja a corda de baixo para cima. Muita gente confunde isso na hora de tocar. Senão no lugar do G você vai tocar o D, e vai perceber que nem a nota e o tom farão sentido. No violão a sequências da cordas é:

(no instrumento) como se posiciona:

E -6 CORDA

A – 5 CORDA

D -4 CORDA

G – 3CORDA (Onde está localizada a canção)

B – 2 CORDA

E – 1 CORDA

No primeiro artigo dessa série Violão eu explico isso também. É essencial que tenham essa leitura para compreenderam o que está acontecendo neste artigo.

Ao identificar a oitava e tom harmônico, você localiza que corda do violão irá usar a partitura. Dali em diante é entender que a gente considera a nota em sequência da corda G (Sol) não a primeira casa próximo da boca, do corpo do violão e sim da pestana, lá na cabeça na ponta do braço (fretboard).

Esses nomes todos eu mostrei nos artigos 1 e 2.

A casa 2 que se refere a nota LÁ vem da oitava 3, se vocês tocarem a partir da boca estamos falando de um lá que já está na oitava 4, e o salto de tom será enorme (sem falar que também não irá tocara música). Quando tocamos a casa 16, o som será agudo (alta) e portanto já se encontra próximo ao mosaico do violão (em cima do corpo do violão).