Xadrez (2) – Mapeamento de jogadas

Xadrez é um jogo com modalidade estratégica, que falamos no artigo Xadrez (1) e com uma comparação ao jogo de cartas – Magic the Gathering, ao qual passei 1 ano publicando até a presente data 64 artigos sobre minhas experiências. E agora completo esse círculo de mais de 365 dias fazendo um teste de estratégia real e aparente. Xadrez é um jogo que é possível mapear jogadas e tomar decisões com níveis diferentes de informações, algo impossível de ser aplicado ‘trivialmente’ em MTG.

Mapear jogadas é uma forma de analisar sua performance, respostas, reações, ações e o onde acertou e errou. E aprimorar suas jogadas. Em MTG mesmo que houvesse uma forma, uma notação algébrica para entender como o jogo progrediu, seria dispensável, porque a gente não controla a carta que sai. Você não tem esse controle. Então não pode garantir aquela abertura ou aquele progresso.

Em Xadrez existe uma notação que varia um pouco de regra, mas uniformemente ela segue o seguinte:

  • Nome da peça (ação) casa; (Ex. Rd2) – Rei se move para casa D2;
  • Nome da peça (ação) casa: (Ex: Dxa8) – Dama toma peça na casa A8;
  • Situação de xeque: (Ex: Td3+) – Torre faz xeque na casa D3;
  • Situação de xeque-mate: (Ex: Dd1# ou Dd1++) – Rainha faz mate na casa D1;
  • Situação de roque Menor (0-0, roque menor para o lado do rei);
  • Situação de roque Maior (0-0-0, roque maior para o lado da dama\Rainha);
  • Quando o movimento se trata do peão, omite o nome da peça;
  • Em alguns casos a casa de origem para destino são exibidas;
  • As notações são feitas pelos jogadores ou por um software;
  • Quando o peão passa por promoção ou coroação e chega na última linha (a1 = D) da coluna A2 é promovido (coroado) para Dama\Rainha;
  • Regra do En passant (é quando um Peão é tomado por outro peão na diagonal quando este está na casa casa 5 e o outro faz dois movimentos da posição inicial) (exd e.p.)

Símbolos especiais:

SímboloSignificadoExemploComentários
#MateTb8#Torre dá mate ao rei ao ser movida para a casa b8.
+XequeDe5+Dama dá xeque ao rei ao ser movida para a casa e5.
xCapturaDxCDama toma cavalo.
e.p.Captura en passantexd e.p.Peão da coluna e toma peão da coluna d pela regra do en passant.
O-OPequeno RoqueRoque efetuado na ala do rei.
O-O-OGrande RoqueRoque efetuado na ala da dama.
=Promoçãoe8=DPeão da coluna e alcança a oitava fileira e é promovido à dama.

A notação é descrita com o número da jogada seguindo de um ponto de enumeração com a jogada sua e do oponente. Pois representa a ação e a reação. Assim você pode entender quais as respostas dadas. Como funciona por turno você vai perceber quais os momentos em que teve um erro, uma perda de oportunidade, ou uma jogada mestre, ou uma ótima oportunidade. Diferente de MTG que essa notação não faria nenhuma diferença. (Razão pela qual eu classifico MTG como uma estratégia condicional).

Para comentar a partida pela notação:

SímboloSignificado
!Bom lance.
!!Lance brilhante.
?Mau lance.
??Lance péssimo.
!?Lance interessante.
?!Lance duvidoso.
±Vantagem branca.
+/=Ligeira vantagem branca.
+–Vantagem decisiva branca.
± invertidoVantagem negra.
=/+Ligeira vantagem negra.
–+Vantagem decisiva negra.
Posição incerta.

Pode ser considerado esta notação é uma base da informação do SIMX (Sistema de Informação de Xadrez). É onde você vai avaliar quais suas melhores jogadas, pontos fortes e fracos. É assim que s evolui no jogo.

Xadrez (1) – Fundamentos Básicos de estratégia

Base estratégica.

Xadrez é um jogo de estratégia antigo que possui diversos formatos, o mais famoso deles, é o xadrez clássico que lida com um tabuleiro de 64 casas (8×8) com 16 peças para cada jogador atendendo uma regra de limite de tempo por jogada e partida, e regras e vantagens por peças. Não depende da sorte em nenhum momento e exige visão de campo, previsão, paciência e atenção.

Até o artigo 64 de Magic The Gathering, leia sobre o diretório, finalizei (não vou deixar de publicar artigos por lá) que MTG pode ser considerado um jogo de simulação e orientação de estratégia, que se baseia na sorte para obter resultados de vitória ou de derrota. Ao contrário do jogo Xadrez. Que depende inteiramente de sua tática e esquema.

Procurei por um longo tempo no ano passado sobre boardgames de RPG e acabei encontrando um jogo de estratégia (MTG) e dali me inteirei sobre tudo que era material. Agora no final de 2020, acrescento na família, o xadrez. Que já era um velho conhecido. E que esteve presente em mais vezes do que eu posso contar. Todo jogo de estratégia utiliza as teorias de Xadrez para sua aplicação, o próprio MTG quando a sorte permite.

Tabuleiro x Cardgames.

Durante o meu período de 1 ano em MTG, senti que a criação de Decks era a fase mais importante do cardgames. Garantir uma forma de aplicar a estratégia com outra estratégia, conhecida como engenharia de deck. Era enfadonho, continua sendo. Exige pelo menos no cardgames físico ter um poder de aquisição considerável para se ter uma chance na mesa.

É uma verdade que tem que ser dita. MTGA mascara bem isso, porque você aparentemente não precisa ‘pay-to-win’ para tirar o melhor deck. Mas ainda sim há quem gaste ‘money’ real para conseguir os packs necessários. Diferente do físico, no virtual você não tem card avulso. Precisa comprar booster para tirar a carta essencial. E há uns usuários espertinhos que vendem contas com um número incrível de cartas por um valor alto….sim existe já isso.

Apesar de pensar que Xadrez é um jogo elite, nós temos um contrapeso enorme quando analisamos as chances de vitória e como a vitória ocorre. É certo que se você é jogador de Magic há muito tempo, pode vir a discordar dessa visão. Mas decks baratos (Groselha) tendem a ser menos eficientes em jogos de competição. E mesmo que muitos falem que é possível, é uma fala meio ‘for fun’. No fundo todo mundo sabe que os decks mais potentes são os mais caros.

Em Xadrez você não precisa comprar carta, não existe rotação. Você só precisa treinar todos os dias e jogar. Não precisa nem levar o tabuleiro, dependendo de onde você vai jogar. Se for num clube, numa loja, na casa do amigo, no campeonato, você só precisa levar o seu cérebro. Você não gasta nada. Percebe? Os valores dos prêmios de torneios são maiores que o da Wizard.

E embora muitos de fora possam imaginar que jogar xadrez é sopinha no mel (fácil), discordo. Especialmente se você entende de estratégia. Nada em Xadrez é óbvio. Você precisa ter uma atenção redobrada e já pensar em cenários possíveis antes da abertura. Porque você tem que pensar em quais as possibilidades que o seu oponente pode criar diante de seus lances.

Em MTG depende muito da sua mão e isso é que cria a sensação virtual de cenários imprevistos. Na maioria das vezes você precisa criar decks que funcionem como uma espécie de fetch. Cartas que buscam cartas para garantir que alguma estratégia ocorra. Mas as fetchs são cartas caras…caríssimas. Não é muito acessível. Já o Xadrez até para quem não possui muito, basta a tática mental para garantir algum retorno. Por isso citei que apesar do Xadrez parecer um jogo elite ele é ao contrário.

MTG é um jogo muito bom, não dispenso, ele me treina a pensar em cenários desfavoráveis e como lidar com situações beco sem saída. Mas não preza a parte que eu mais me interesso, a estratégia. Ela não depende muito de mim. Eu dependo da sorte e do azar do oponente para conseguir virar ou ganhar o jogo. E essa é uma habilidade única. Reviravolta em um jogo desvantajoso. Parabéns aos que conseguem revirar.

Mas ainda tenho interesse em continuar controlando minhas ações a todo momento do que depender da sorte para ter esse controle ou parcial controle. Mas jogar MTG nos ensina sobre algo que em Xadrez você levaria uns 10-15 anos para ter. Aquela pulga atrás da orelha. Quando a gente pensa como as peças vão se encaixar. Quais peças dos oponentes podemos superar, tomar ou desviar? Ou realizar o famoso lance de Gâmbito? Atrair através de um lance arriscado.

Em MTG em especial as manas que usam o famoso sacrifício, elas precisam pensar em muito, e normalmente se for a longo prazo, precisa rezar para que as cartas seguintes possam completar a tática. Em Xadrez tem movimentos no primeiro turno que influenciam suas chances no décimo terceiro ou vigésimo turno, e que você pode desfrutar se souber lidar com os cenários, é aqui que entra o papel do MTG no Xadrez.

Joguei algumas partidas e já me inteirei de regras, vantagens, notações que o Xadrez possui. Você aprende qualquer coisa rápida depois da montanha complexa que o MTG possui. Eu levei uns 3 dias. E em xadrez leveis um pouco menos de 1 dia. Fiz algumas jogatinas no chess.com, tenho até uma versão virtual para o RV (Ultra Chess) , e obtive um resultado satisfatório. Indo para dificuldade desafiadora.

Usando algumas regras da cartilha de jogadores PRO famosos, é de sempre pensar em turnos à frente. Coisa que a gente pensa também em MTG. A diferença é que em um temos uma chance de garantir a vitória e o outro depende do que vai sair. Que pode ou não nos oferecer algum resultado positivo. Em MTG tua experiência influencia de uma forma indireta suas jogada. É certo que passar 20 anos jogando MTG você vai ter algo para tirar de proveito.

Mas é diferente da proporcionalidade de jogos de estratégia pura, como o Xadrez. Quanto mais você joga pelo tempo que for, maiores serão suas táticas e mais imbatíveis será sua força. Porque como a sorte não influencia, você tem a proficiência de suas jogadas totalmente ao seu favor. A abertura do Xadrez (os primeiros lances) é uma compilação de várias jogadas. Você sabe para onde ir, colocar as peças mais no centro da tabuleiro, evitar cantos, fazer o roque, pensar em táticas de coroação, prever os movimentos do oponente. Garantir sua posição e fazer xeque-mate.

Em MTG você não controla nada…nada mesmo. Você depende de um bom deck, normalmente caro, para garantir que a sorte seja menos influente. E precisa ganhar para resgatar o valor desse deck. Pelo menos. Eu acho que até fazer campeonatos para MTG surte uma sensação injusta. Porque você praticamente coloca a mercê de inúmeras combinações de decks poderosos para gerar inúmeros outros cenários que podem te favorecer ou não. Não é exatamente um jogo, ele não é linear e tampouco harmonioso. Suas ações são dependentes dos fatores incontroláveis.

Nem esporte na prática. Será sorte que um tenista, que uma atleta de ginástica atinja aqueles pontos? Ou será maestria consciente? Ela sabe o que está fazendo e utiliza ao seu favor tudo? A competição precisa sempre ter o controle. E jogos de azar não oferecerem estes quesito. Portanto ao meu ver, o MTG ocupa o lugar de como que eu falei no último (64) artigo de Magic, um jogo de orientação e simulação.

Ele orienta cenários imprevisíveis. Com uma mão desfavorável em um cenário mais negativo ainda, temos as chances de obter resultados positivos? Não há uma garantia certo? Garantia de vitória não é consumação de vitória. É uma certeza que precisa ser concretizada ainda. Mas seria o mesmo que pensar da seguinte forma:

  • MTG é um risco alto para investimento, sem garantias e depende de muita injeção monetária (Deck caro) e de consultores habilidosos (Jogadores PRO);
  • Xadrez é um risco variável de investimento que depende do adversário (mercado), não existe muito injeção monetária, ou pode ser feita (estudos e tutores de Xadrez) e que constrói os jogadores habilidosos ao longo do tempo.

O primeiro só garante um retorno, e olhe lá, se o jogador for bom e o deck também. Com tantas combinações não sendo possíveis determinar quais, você não tem muita certeza de retorno.

Em Xadrez você não coloca um montante, então não tem pressa de resgatar. Normalmente você depende da habilidade humana para conseguir um resgate ou o prêmio, e é possível garantir mais ainda essa performance pelo tempo de seu treinamento.

Em ambos os casos, você tem um retorno muito bom caso logre êxito, um deles (MTG) você tem um alto risco contra um baixo ou médio risco (Xadrez).

Quais dos dois investimentos você prefere?

Ao longo de minhas experiências, em MTG você garante diversão e aprendizado sobre variabilidade. Mas o menos importante, até por ser um obstáculo um tanto colossal, é ganhar o jogo. Xadrez não é um jogo trivial e nem impossível. Ele é um jogo que respeita o que você sabe. Seu risco é enorme, mas você garante pelo menos que o risco pode ser o que você quiser, dependendo de suas habilidades e experiência.

Jogar dados sempre tem um lado ruim. Em DnD você pode considerar duas formas de jogadas:

  • Para dano, Saves, Skills usar o dado ou o valor inteiro que ele provoca.

Quando você usa o dado, o dano, saves ou skill podem gerar mais possibilidades. Sim. Mas pode gerar menos possibilidades. Quando consideramos que o valor inteiro é nossa vantagem. O mesmo acontece quando consideramos o Xadrez. A rainha (dama) é a peça mais poderosa do jogo. Sem sombra de dúvida. Mas imagina se você não tivesse autonomia sobre ela.

Por alguma razão. Ela teria tanta autonomia? Seria tão poderosa? Não. O mesmo vale para os peões. Que você pode pensar, são descartáveis. Longe disso. Peões normalmente são os lances que usamos para diagnosticar o campo de batalha. E de transforma-los em Rainha, Cavalo, Torre ou Bispo (coroação\promoção). E assim, eles ficam menos descartáveis, certo? Já imaginou em ter nove rainhas?

No Xadrez um sapo de MTG 1/1 consegue se tornar um URO 10/10. E você tem o controle disso. Reparou? Mais precisa quebrar a defesa do seu oponente antes, que assim como você, também tem o controle. Isso sim é um duelo. Ambas as partes tendo o controle, oferecendo ao jogo em geral uma visão de tática. Em MTG, um anão de jardim pode vencer o Drogon de GOT. Mas por sorte.

Em Xadrez, o Drogon mataria parte das peças, e você ainda precisaria ter uma bela tática para isola-lo ou usa-lo ao seu favor. Mas é sem dúvida que um dragão seria um inimigo supremo em campo, correto? Estratégias não é sorte. Nunca foi e nunca será. Embora goste bastante de MTG, minhas jogatinas de um ano, me mostraram que apesar do elemento estratégico presente ele depende de uma boa mão, de uma boa abertura.

E não temos muito disso, temos é uma seletiva. Onde podemos garantir alguma coisa dependendo da sorte. E se você precisa da sorte, em menor ou maior escala, para ter uma ação. Você não tem um jogo de estratégia. Você tem um jogo de azar que depende de todos os fatores que você não influencia ou controla. Mas o MTG é uma lição para quem quer arriscar e manter o controle no Xadrez. É um verdadeiro preparatório.

Magic the gathering (64) – Qual é o objetivo de MTG?

Joguei muito MTG para avaliar a infraestrutura e o objetivo do jogo. Todo jogo tem um objetivo. E se você pensa que é ganhar ou perder, não está enganado, mas não está completamente certo. Às vezes um jogo determina uma definição, chega em um ponto final, gera uma vitória, oferece uma resposta ou até orienta. Sua finalidade é importante porque assim podemos também saber utilizar o jogo como uma ferramenta de aperfeiçoamento.

Não me leve a mal, mas todos os jogos tem seus limites, e portanto devem ser considerados restritos ao seu campo de atuação, e não levar a mal, isso significa que mesmo que um jogo seja considerado o melhor, perfeito, ele tem uma atuação específica e não serve para todos os casos. E vamos começar pelo ano de 2019 para entender porque acho importante saber qual é a do MTG.

No finalzinho de 2019 comecei a procurar boardgames que fossem RPG e não estratégia, todos eles atuam como jogos catalisadores de um cenário e uma tática, que está a sua disposição inicial ao longo dos turnos, e que também lhe serve com uma pitada de liberdade para criar suas próprias ações conforme o jogo anda e você entende a ideia. Então de uma certa forma eu não encontrei, até porque o RPG é uma característica inata da estratégia e vice-versa.

Estratégia é basicamente uma forma de resolver problemas. E também assumir o controle. Sem o último fica difícil de gerar ações precisas e atingir objetivos. Em MTG nós temos um cenário imprevisível, ou imprevisíveis com uma mão inicial ou por turno desfavorável que nos exige montar soluções sem saber o que vamos enfrentar. Ainda que seguimos o metagame, essas surpresas podem colocar todo o nosso pensamento por algo abaixo.

Imagine que durante uma caminhada matinal você pegue um beco sem saída e quando tenta retornar aparecem três cachorros de rua raivosos. Desconsidere a situação anterior aquele beco sem saída e os cachorros. A partir dali o que você precisa fazer? Desviar dos cachorros e sair da rua sem saída. Certo? Na maioria das vezes você não possui a solução certa, ninguém possui todas as respostas prontas, esse é o objetivo de Magic the gathering.

Gerar soluções para cenários imprevistos. E com uma mão sempre desfavorável. O que se considera é o fator sorte (probabilidade) para obter resultados favoráveis. Entenda que o MTG nos coloca em uma situação sem controle, sem ciência e sem garantia. Você depende da probabilidade para ter uma chance e colocar uma solução em mesa. Mas isso nem sempre acontece, e não depende de você ter essa probabilidade. Muito embora tenhamos o controle dela, parcialmente quando obtemos cartas que controlem a saída de cartas, certo?

Por definição MTG não trabalha com estratégia, ele trabalha com probabilidade. E baseado nesta probabilidade você pode ter uma janela de estratégia. E deve estar se perguntando, depois de 3 ou 4 artigos falando sobre isso, por que novamente falo sobre isso? Porque estou determinado a explicar porque o MTG é muito importante para os jogos que são definidos como estratégia. O MTG é uma simulação onde nos encontramos em desvantagem e que como a qualidade de nosso deck builder seríamos capazes de reverter uma situação.

Ou seja, aquele beco sem saída. O MTG nos ajuda a pensar em soluções durante a situação. E nisso consiste aquela máxima, se você puder evite o risco, senão contorne o risco. Mas de forma não proposital, não nos colocamos em perigo para ganhar, MTG é 100% você em um risco e tentando ganhar. MTG é quase que uma tentativa de acertar e errar. Você monta decks que são capazes de sair de uma situação em que você não manda em nada. Imagina as pessoas que ganham campeonatos assim? São geniosas.

E é por isso que eu acho no mínimo um pouco negativo fazer campeonatos de Magic. Onde a probabilidade de uma mão desfavorável nos coloca em xeque o tempo todo. E ao usar esse trocadilho, eu vou começar a falar em artigos do famoso e centenário jogo de estratégia, que não depende de nada em sorte e que nos oferece uma visão de controle desde do princípio e que tem as margens de suas regras e táticas, um lugar muito importante para o Magic, o Xadrez.

Xadrez é um jogo que origina a ideia do que é estratégia. Magic é uma parte do jogo, seria aquele momento que escolhemos aplicar uma ação de gambito (sacrifício), de isca, de enganação, de perspicácia. É o momento da pegadinha. O Xadrez é aquela janela bem pequena que acontece no Magic que é de termos a chance de aplicar o que pensamos quando montamos o deck.

Em 2018 se não me engano saiu uma reportagem falando que as combinações resultantes de Magic the Gathering para os cenários de jogo eram incalculáveis e que contrapondo o Xadrez, haviam cenários finitos, definidos. Isso argumenta sob o meu ponto de vista. Que Magic não é um jogo de estratégia, para tantas combinações sem gerar um resultado preciso, isso se chama simulação. Como ganhar um jogo de simulação? Mas isso treina sua mente a lidar com situações imprevistas.

Xadrez é um jogo que não depende da sorte. Ele é um jogo tático onde suas peças estão em cima da mesa e que garantem o controle sob o seu ponto de vista. Para os que pensam que somente isso já garante a vitória, vamos repensar melhor isso. MTG não tem resultado específico das possíveis combinações, isso já gera uma chance quase mínima de vitória, na verdade, a maioria das vitórias e derrotas podemos atribuir em 75% influenciado pela sorte. Os demais 25% é quando temos a sorte de termos sorte.

Xadrez você define condição de vitória quando chega em um caminho para atingir essa vitória. Mas isso não garante nada. Se fosse assim, um dos oponentes na abertura do jogo estaria com os dias contados antes de começar o jogo, certo? Certo. Sabe quantas são as possibilidades de jogatina em um jogo de Xadrez comparado ao Magic?

O cálculo de Shannon avalia que sejam 900 (elevado a 40) entre as posições legais em um jogo temos uma comparação de 4×10 (elevado a 76) e 6×10 (elevado a 96) para medidas mais exatas seria um comparativo ao número de átomos no universo. Por ser uma quantidade grande de possibilidades. Ainda que possamos definir os cenários possíveis isso nos garante (que temos essa quantidade de caminhos.

Em Magic não é possível determinar por quê? Assim consiste que o jogo é mais complexo que Xadrez? Na verdade por não termos como definir algo, o jogo ultrapassa o conceito de complexo. Ele passa a ser um caminho de limite sem garantias. Ou seja Magic não garante um cenário específico. E se você não pode garantir isso, não pode garantir um resultado também. Nestes casos podemos avaliar que entre outras e uma parcialidade dessa análise, Magic depende da sorte para gerar o resultados. Podem ser 2 cenários possíveis (muito menos que o Xadrez) ou 1 trilhão (sendo movimentos legais ou não).

Ao jogar Magic notei que normalmente um deck sempre considera 2 ou 3 cenários de vitória. Muito dificilmente você tem um leque de possibilidades. Você tem muitas ações e surpresas. Mas a vitória é sempre concedida da mesma forma:

  • Arregimentar
  • Concessão (desistência)
  • Vitória por pontos
  • Empate

O arregimentar é quando o oponente brota de fichas no campo de batalha e você fica indisposto a ter uma defesa ou de ter um contraataque.

A concessão ocorre na maioria dos casos quando o oponente não tem uma resposta. Em Xadrez você sabe como ou quando deve conceder. Você prevê isso. Em Magic, isso pode acontecer quando você mesmo sabendo que tem uma criatura ou carta boa, ela não sai à tempo.

Vitória por pontos varia, mas normalmente é com ataques diretos ou fichas ou usando a criatura base mesmo.

Empate é mais difícil. Os dois precisam ter no mesmo turno a condição de vitória e que não se sobreponha. Ou seja devem ocorrer ao mesmo tempo vitória ou derrota. Em Xadrez você consegue forçar vitória, derrota e empate já bem antes de começar o jogo.

Mas em Magic muito embora as pessoas adorem falar que ele é infinito de soluções, na prática sempre temos o mesmo resultado de vitória. Concessão ou vitória por pontos. Sempre usando uma criatura nerfada ou fichas. Para ‘n’ soluções, temos 2 soluções para todos os cenários. Percebe? Em Xadrez você pode dar cheque mate em 3-4 movimentos, ou passar dias fazendo isso, ou usar um peão virando rainha (dama), ou ainda gerando um gambito (isca\sacrifício).

Ainda que pareça finitos os movimentos, eles são mais diversos que o Magic. Muito mais. Em uma mesma partida, jogada várias vezes tendo a mesma abertura, você tem inúmeras possibilidades de caminho. Em Magic a probabilidade impôe um desafio parecido. Mas como a probabilidade ela gera caminhos que são pré-definidos. Logo ela tira o conceito de controle dos jogadores.

O que gera dinamismo não é a probabilidade do cenário, é a tomada de decisão das partes. Logo o Magic é muito limitado perante o Xadrez. Por isso pedi que não me levassem a mal lá no início do artigo. Magic é excelente, para treinar nossa mente a pensar com qualidade, rapidez e em situações críticas. Mas não é um jogo de estratégia. É um jogo de orientação e engenharia de deck.

Cyberpunk 2077: Um jogo comprado pelos gráficos

Em 10 de dezembro o jogo da CDPR (CD Projekt Red) que foi anunciado em 2012, há 8 anos, e pouco menos de 4 anos em desenvolvimento, foi finalmente lançado. Mas foi recebido por uma avalanche de emoções que sofreu com uma montanha russa que acabou em uma má reputação para o lado do estúdio Polonês. Mas o mal da raiz é mais embaixo.

Final feliz para CDPR – Estúdio tem lucro de U$ 500 mi (com um total de 8 milhões de vendas)

Em valor de mercado, o estúdio em seu lançamento perdeu U$ 1 bi.

Há uns 20 anos já se sabia que gráficos x jogabilidade impactaria as experiências. E essa briga só comprova que as análises em veículos ou redes sociais demonstra superficialidade da crise e do que realmente importa na indústria do entretenimento.

Lucro sempre será o fim de qualquer empresa, pensar em algo diferente disso é demonstrar uma enorme ingenuidade. Muitos criticam com quatro pedras nas mãos que o sistema econômico é injusto e que eles só capitaliza ideias. Mas em nosso mundo, o dinheiro é uma moeda oficial de troca de serviços e construções de pontes.

Pensar diferente disso é ir contra a maré. E normalmente se contradizer. Uma vez que as próprias opiniões são expressadas utilizando do dispositivo social de liberdade de expressão (pertencente a esse mundo capital) e por meio de dispositivos de comunicação que só poderiam ser comprados pelo mesmo capital.

Cyberpunk 2077 já era uma obra prima para os fãs antes do lançamento. Já existia no imaginário, quando que seu projeto era um buraco negro há 4 anos. O jogo em si não existia, até então que você possa colocar as mãos nele, ele é um projeto não final. Compreende a natureza? Investir seu tempo, crença e dinheiro em algo que não existe, mas pode existir. É diferente de algo que existe e você tem ele. Ficava muito surpreso quando as pessoas comentavam que ele o Goty de 2020, o melhor RPG do ano, e nem tinha sido lançado.

Gameplays fomentavam a crença de um jogo insano. Um insano que não existia realmente e só nas mentes do que acreditavam em alguma coisa. Outro ponto que me fez pensar nessa cegueira, foi a crença que as pessoas diziam sobre CDPR. Uma empresa diferente, transparente e honesta. Engraçado. É o mesmo elenco de adjetivos que eu ouço as pessoas dizerem para cada candidato na política todo ano que sai e entra. Por que não fico surpreso com eles agora, desapontados? Qual é a finalidade de uma empresa? Ganhar dinheiro.

Isso faz delas desonestas, mal-caráter e bandidas? Não. Uma empresa cria empregos, melhora a qualidade de vida e coloca pontes entre níveis sociais. Melhora a redução da desigualdade e constrói mundos melhores. Há uma exceção aqui e ali, mas é essa a definição de economia. Então temos uma ausência completa disso de quem apenas afirma que a CDPR era diferente. E agora recai em uma crença cega sem argumentar se a CDPR era diferente ou não, que o seu projeto de 8 anos eram ambicioso.

Sempre me perguntei porque todos os anos das empresas lançam os MESMOS jogos. Mais do MESMO. Não muda nada. Mecânicas todas iguais. Por que o público não se importa com a mecânica. E sim pelo gráfico. Será verdade? Com certeza que o seu ponto de vista será relativamente diferente do meu neste quesito. Vale por seu sentimento subjetivo. Aquele que decide. Bem. Quem dirá que Dark Souls é ruim. Que outros que é RPG. E que não é. Vai depender das pessoas certo?

Mas o resultado é o mesmo quando estamos falando de mecânicas. Não dá para condicionar emocionalmente na ausência de uma promessa como uma IA mais sofisticada, uma causa e efeito de ações, diferentes forma de seguir um caminho, um jogo que promete que você pode não precisar matar ninguém, são informações objetivas. Elas são o que são. E não são modificadas por sua percepção. É como 2+2 = 4. É matemática. É totalmente diferente de você perguntar para uma pessoa, qual é o quadro mais bonito: Monet ou Picasso? Estética tem um significado diferente. Mesmo sem ser abstrata.

As pessoas só não deram zero para todas as plataformas, porque elas estão embasadas no gráfico do jogo. Não é possível que os jogadores estejam de acordo que a CDPR entregou o que prometeu. Só se estivermos falando de gráficos. Mas jogos não primam, redundantemente, a prioridade não é gráfico é a jogabilidade. Seria o ponto crucial para determinar que um jogo é bom ou ruim. Dai se destaca do seguinte: se os jogos da Ubisoft tivessem gráficos do tipo do Witcher, alguém xingaria eles?

Durante a fase de pré-lançamento eu via as pessoas julgando o jogo como insano. Gráficos. Gráficos. Mas e a jogabilidade? Esse jogo será melhor que RDR2, porque terá melhores gráficos? E a jogabilidade? Será o jogo mais bonito da década?…e a jogabilidade?

Depois de ver o resultado do CP, não. Seriam um sucesso. Ter gráficos bons hoje permite resolver todos os problemas. As mecânicas podem ser as mesmas ou nem existir. Parece um deboche. Mas a indústria molda conforme seu público. E tirando um jogo aqui e ali, a maioria não tem personalidade. Cyberpunk 2077 é um exemplo. Coloque os gráficos bons, mas observe a mecânica dele, o que eles prometeram?

MECÂNICAS PROMETIDAS:

  • Diferentes formas de terminar a missão (Você termina a missão de duas formas, ou completa ela ou não);
  • Você pode passar o jogo sem matar ninguém (não é verdade);
  • A física dos veículos e maneira geral (não existe);
  • A IA é nula;
  • As missões são genéricas;
  • Tem tanta missão no jogo, sidequest, que lembra mais um MMORPG do que um jogo off-line;
  • Suas ações só influenciam a linha da missão, nada mais que isso;
  • O tempo de jogo é 35-40 horas (disseram que era ligeiramente menor que W3), W3 tem entre 100-150 só no main quest;
  • Cada lifepath só muda a opção de diálogo que não causa nenhum espanto no NPC, simplesmente é uma opção a mais ali. Não faz muita diferença ser de um caminho para o outro;
  • Open world, mas o jogo é claramente linear;
  • Cidade super vazia;
  • Personalização complexa (Fallout 4 tem mais opções);
  • Sua roupa faz diferença (Só que não faz nenhuma diferença);
  • Ser em primeira pessoa é mais imersivo (neste caso não faz nenhuma diferença);
  • Dá para ver o seu personagem no espelho, veículo e menu (deveriam ter feito esse jogo em 3ª Pessoa)¹
  • O sistema de furtividade é inexistente (é como o Far Cry);
  • Por conteúdos removidos, foram tantos que não dá para saber o que tinha na fase de protótipo para a final, tem muita missão que não tem os mesmos caminhos mostrados nas gameplays, até mesmo das liberadas para a imprensa;
  • Você pode terminar o jogo sem fazer uma missão main quest (mentira, você precisa fazer a main quest) a sidequest não faz nenhuma diferença e tampouco tem ligação;
  • Exploração vertical (a quantidade de prédios que você pode entrar é menor que a quantidade de construções que você pode entrar em Fallout 4. Não existe exploração vertical ou horizontal no jogo;
  • Suas escolhas mudaram o mundo – suas escolhas não mudam nada além das missões main quest dentro da história main quest;
  • Diálogos super superficiais, em W3 por exemplo se você descobrisse alguma coisa no jogo (seja em main ou sidequest), aparecia uma linha adicional para você conversar, neste jogo qualquer diálogo é dispensável.

¹ Gosto de jogos de primeira pessoa, até prefiro, mas não faço questão quando o jogo tem qualidade. Mas o POV (ponto de vista) faz diferença. E embora a primeira pessoa possa ter a característica principal de imersão (posicionamento espacial), a experiência do jogo é impactado pelo conforto. Se a pessoa se sente bem jogando em 1 ou 3ª pessoa, essa nota pode mudar para positivo ou negativo, independente do que você pense logicamente.

Mas após o lançamento, preferiria que esse jogo fosse em terceira pessoa. Não faz sentido ele ser em primeira pessoa, quando os diálogos são superficiais, mesmo os gráficos bonitos, não faz diferença tê-los em perspectiva. E as lutas, que é o que o jogo mais foca, seriam beneficiadas por uma visão ampla.

Que parte do jogo ruim as pessoas não perceberam? Especificamente porque estão preocupadas com a estética do jogo. O problema dos jogos ruins, virem a mesma coisa é porque a cor do batom é melhor que o que a pessoa pode oferecer. Temos uma safra de jogos iguais com gráficos insanos. E o jogador paga a conta depois. Porque ele precisa de PC das Nasa, consoles da geração daqui à 5 anos para rodar o jogo prometido. Não vejo positivo esse comportamento de estética.

O que foi avaliado pelos jogadores:

  • Gráficos;
  • Narrativa.

Para estes dois temos um ramo diferentes dos games. Game é interatividade, é jogabilidade, é experiência ativa. Gráficos e narrativa temos séries, filmes ou livros. Games precisam ter os dois, sem sombra de dúvida, mas eles são critérios em segunda prioridade para serem considerados em uma nota final. Não quero ensinar o padre a rezar a missa. Mas se você responder SIM a pergunta final abaixo, talvez eu precise ensinar o seminário do zero para alguns padres por aí.

Para finalizar, leia a análise de Cyberpunk 2077, e pense na seguinte premissa. Você pagaria R$ 200.000 pela carrorecia de um Porsche (sem motor)?

Análise de Cyberpunk 2077

SITUAÇÃO PRÉ-LANÇAMENTO.

Cyberpunk 2077 foi lançado em 10 de dezembro pela produtora polonesa sediada em Varsóvia, a CD Projekt e por sua sub-divisão Red (CDPR, apelidada pelos fãs) dividiram as opiniões causando uma enxurrada de protestos e salvas, uma vez que o jogo não parece corresponder com o que foi promovido por 8 anos. E nesta análise vamos colocar os pés no chão e analisar se temos um jogo digno de Goty ou de um flop definitivo.

Na fase de pré-lançamento, a CDPR promoveu o seu mais recente título como uma promessa que dividiria a indústria de games entre o que vemos todos os anos no mercado como uma nova oferta de jogos mais imersivos, interativos, com causas e consequências, personalização. Ainda que a afirmação de divisor de águas não tenha sido proferido em momento algum pelos produtores. E sim pelos jogadores.

O pronunciamento em 2012 de CP2077 era um teaser que emocionou várias pessoas. Durante 3 anos sem oferecer qualquer sinal do projeto, e após o lançamento do sucesso e premiado The Witcher 3: Wild Hunt em 2015, a conta social da CDPR deu a largada para o novo e ambicioso projeto futurista. Não mais olhando para a obra de Geralt de Rívia, que tem origens na literatura fictícia polonesa, agora a vez era do norte-americano Mike Pondsmith e sua visão do mundo cibernético, que ele mesmo criou em 1988.

O jogo de tabuleiro com mecânicas de Dungeons and Dragons, recriava uma atmosfera noir e neon de Blade Runner com o caos econômico e política com segundas intenções. Posterior compra de direitos, a empresa polonesa explorou a ideia de criar um VG com as características de um RPG massivo e que tivesse um pé na realidade criada por Pondsmith e que fosse a melhor concepção da coisa. Um projeto único e poderoso.

Em 2016, a CDPR adiou o jogo por 4 anos e seu lançamento seria então realizado em 14 de abril de 2020. E durante este período estiverem mergulhados na obra que seria Cyberpunk. E até 2018, por 2 anos em silêncio completo, a conta social do CyberpunkGame fez uma simples apresentação do seu retorno. O que seria então em alguns meses o começo de uma corrida espacial com os retrofoguetes todos apontando para o dia D. Quando na E3 2018 o famoso ator Keanu Reeves seria parte do projeto.

O verdadeiro Hype nasceu neste dia. E intensificou bastante em 2 anos. E durante um ano complicado como o que foi de 2020. Para alguns mais e outros na medida de uma crise. A CDPR teve como obstáculos uma mudança crucial. Mandar os funcionários para casa e continuar a otimizar, polir e corrigir os detalhes para lançar o jogo que deveria ser o melhor do ano.

As palavras nunca saíram da boca dos desenvolvedores, dos acionistas. E sim dos jornalistas. E do público. Que estava contando as horas. Quando no começo de 2020, CP2077 foi adiado de abril para Setembro. Ainda não corria pelo mundo e nem na Polônia, o Covid-19. A afirmação do estúdio era que o jogo já se encontrava jogável, mas que eles precisavam polir as versões dos consoles, naquela então data, da atual geração.

Em junho o jogo foi novamente adiado, agora de setembro para Novembro. Naquele momento o mundo estava passando por uma transformação. E essa ação seria óbvia. Dado as mudanças, os contra-tempos. Atrasar é a melhor opção. Entregar algo não finalizado era ruim. E havia estreitas conversas e conflitos entre Haters, usuários esperando e lovers da marca. O pouco que se sabia por parte da empresa era que os três grupos seriam os juízes do produto, eles amariam a marca se o jogo fosse um sucesso, mas odiariam a marca se não fosse.

O discurso mesmo de sempre era: Atrasar para polir. Em 27 de outubro o jogo foi novamente adiado, agora de novembro para dezembro. E houve até uma situação anormal, pessoas estavam ameaçando o estúdio. Muitas estava com as emoções a flor da pele. Para os mais antigos a causa, jogadores de games tem o mesmo comportamento de torcedores de times. A exaltação é óbvia. Em muitos casos, fora da normalidade. Os que não ameaçaram, ficaram indignados. Começaram a promover que a CDPR estava mentindo e enganando.

Enquanto que os que gostam da CDPR desmentia e discursava que os atrasos eram para polir e era importante. Muitas vezes esses embates podiam durar semanas após o pronunciamento.

Ainda que dentro dessa análise não tenha incluído sobre a pressão da equipe de trabalho (Caso Crunch), de fãs da CDPR falando de Witcher 3, dos conflitos de Hater gona Haters, de lovers da marca (defende a qualquer custo), de usuários que gostam de Witcher (mas o fazem dentro da razoabilidade) e nem as situações em que o estúdio se envolveu com polêmicas. Apenas o itinerário de CP2077 até o seu lançamento. Sendo este o maior foco deste artigo.

Em dezembro a CDPR criou um mapa de pré-carregamentos que disponibilizam o download do jogo, mas não o executável. E isso porque eles queriam garantir que as pessoas tivessem a clara certeza que agora o jogo seria lançado. Uma vez que o relógio marcou meia-noite do dia 10 de dezembro. Em algumas horas, muitas pessoas já tinham uma ideia do que estavam prestes a experimentar.

Até aquela data, todos nós só sabíamos do conteúdo através dos gameplays, dos posicionamentos dos profissionais da imprensa, dos youtubers. E de alguns vazamentos que ocorreram até alguns dias antes do próprio lançamento. As imagens eram insanas, o jogo era promissor e seríamos também V, a ponto de nos criarmos no jogo e assim fazer parte daquela louca e intensa cidade da Costa Oeste, Night City.

Mas a experiência foi completamente diferente. E aqui vou narrar a minha perspectiva. Quando deu meia-noite de 10 de dezembro, meu download já estava completo, bastava entrar no jogo e vivenciar. A primeira tela mostrava uma corrente de vídeos que eram aqueles tantos que víamos nos gameplays. Estava finalmente ali conosco. Mas então houve diversos eventos que me deixaram confuso.

O JOGO.

Quando o jogo foi lançado, eu pensava em me criar. Dado as telas de personalização e os vídeos, seriam modelos 3D bem aperfeiçoados. Uma característica que a CDPR deixou bem clara durante esses últimos 2 anos. Com um aperfeiçoamento claro de modelagem e iluminação, o jogo eram bem mais bonito que aquele anunciado em 2012 e mostrado em 2018 na E3.

E eu vi um modelo 3D opaco. Parecia um modelo do GTA 3. Um pouco mais bonito. Com uma pele oleosa e plastificada. Não era…não era aquilo que a gente viu. E havia muitas poucas opções de personalização. Eram bem menos que o tem em Eve Online. E o jogo nem sequer prima pela imagem do personagem. Tem uma certa definição similar ao de Skyrim, até um pouco menos e menos arrojado. E bem similar também ao Fallout 4.

Eu não deveria ser capaz de comparar esses jogos. Mas a qualidade gráfica era péssima. Então desisti de criar meu personagem. Desisti de me criar. Fiz qualquer opção e fui. Escolhi primeiro Corpe. E dali vi outra coisa. No princípio dava a entender que cada um de nossos life paths seria possível que teríamos uma vida neles. Permaneceríamos neles. Mas não é bem assim.

Depois de entrar na torre de Arasaka, podemos delegar algumas tarefas para algumas pessoas, falar com o nosso chefe. E pimba, aconteceu o que sempre acontece quando o seu personagem está em uma condição favorável. A empresa te trai, você perde tudo e fica na beirada da sociedade. Mas tudo bem, entre aspas, se você fizer Nomad e Street Kid, vai notar uma coisa interessante. Você vai começar diferente, vai ter alguns diálogos próprios que podem ajudar, mas vai terminar no mesmo lugar, do lado de Jackie Welles.

Vai realizar as mesmas missões, depende de você terminar-las conforme suas escolhas, e isso independe inclusive do Life path. Ele facilita algumas coisas, mas você pode por exemplo ter os mesmos resultados que um Corpe teria no lugar de um Street Kid. Ao meu ver, esses life paths não tem qualquer efeito no jogo.

E uma coisa interessante, é que na prática você será Street Kid. Mas não faz nenhuma diferença para classes, influências, apenas no diálogo. Somente nisso. Não faz muito sentido escolher algum desses Life paths. Depois disso, seguimos um caminho que pode ser o main quest e o side quest. Mas não é aquela coisa que eles falaram. Você pode optar por fazer sidequests e nenhuma main quest. Se você não fizer main quest você não termina o jogo e você precisa finalizar atos para liberar a maioria das sidequests.

Há influências? De sidequests para Mainquests nenhuma. E vice-versa. As influências é na mesma medida da mecânica existente em Witcher 3. Ela só influencia a missão atual e garante alguns bônus para missões futuras que estejam conectadas com aquela personagem em específico. Se você limpar uma área por exemplo dos Animais, ninguém vai te reconhecer com o justiceiro. Mas você vai ganhar pontos de credibilidade e vai poder comprar coisas novas nas lojas.

E mais, sai sidequests pelo ladrão. Você faz missões genéricas o tempo todo. E os donos do canal, que são os contratantes parecem nunca desenvolver uma relação com você. Suas ações, sua forma de agir, nada disso faz diferença. Mas como em Witcher 3, você tem efeitos colaterais. Muitas vezes você não sabe como agir na missão, porque a missão não é clara ou quando é, ela não diz como você finaliza. Eu já tive que fazer loads diversas vezes porque fiquei perdido no ponto e deu um resultado negativo.

Há uma característica existente de Witcher 3, que é o modo detetive. Só vi isso em uma missão até agora. Mas você procura por evidências e determina o destino da missão dali em diante. Mas a maioria das missões são um pouco superficiais. E o que me deixou um pouco cansado é que você não tem aquela relação que havia em Witcher 3 – até a missão da famosa frigideira é muito mais valorosa do que o conjunto de todas as sidequests que já fiz até agora.

Senti que o jogo é uma pegada entre Watch Dogs, GTA, Deus Ex e Home Front revolution. Mas no lugar de pegar a vantagem, digamos o lado bom dos jogos. Eles desenvolveram uma interface que une cada um desses, mas não traz o que eles falaram que ia trazer. Um mundo vivo, sua ações influenciam este mundo, as sidequests seriam envolventes, os npcs teriam scripts únicos. O que você vê é o que existe nestes jogos.

  • Watch Dogs presente é a jogada do Hacker;
  • GTA é a ideia genérica de missões. E também da ausência completa de Karma. Se você matar a polícia. Acabou o alarme, acabou a fúria deles com você;
  • Deus Ex – Tirando a interface da cibernética que é um plágio direto do jogo, o restante não parece ter sido copiado. Os gráficos de DX são mil vezes melhores que o CP2077 e inclusive as escolhas em DX são efetivas. Você faz uma escolha, e ela determina pontos estratégicos no futuro. Se você salvar uma pessoa, evitar dos reféns morrerem, evitar inclusive e matar chefes;
  • Missões que não falham, já existem diversos jogos.

Sinto que esse jogo é muito Homefront Revolution. Inclusive o gráfico. A ideia do jogo é lutar contra resistência dos Norcos (Coréia do Norte), que invadiram os Estados Unidos. O jogo é mais Cyberpunk que este jogo. Mas tem uma quantidade absurda de bugs, mas não o suficiente para travar o jogo, ou coisas voando, ou carros voando. Texturas que não carregam, armas que somem, seus braços que ficam lado a lado estendidos, não, esse tipo de bug no lançamento pode ser normal para CDPR, mas nem a Bethesda que é a Rainha dos Bugs teve isso nos jogos.

E mais, os NPCS não tem IA. Cadê a reação. Se você carregar uma pessoa, as pessoas saem correndo. Mas não gritam. Não te acusam, não vão em sua direção para ter com você. E mais te atrapalham. Mas porque eles andam que nem robô. Você dá um encontrão em uma pessoa na rua, e não acontece nada. Se você fizer isso na série AC (Assassin’s Creed) a pessoa pode até cair no chão, ou te seguir, chamar as autoridades, te chamar atenção.

CP2077, senti que fosse um jogo inacabado. Até pensei que como eu comprei no dia 9 de dezembro ainda de fase de pré-venda e como nunca vi presenciei este caso pré-carregamento, suspeitei que a minha cópia fosse ainda a versão beta. Mas depois de ver que outras pessoas também estavam tendo as mesmas ou até piores coisas que a minha experiência, notei que aquele era o jogo final. O jogo não estava apenas feio, ele não tem mecânica nenhuma. Está vazio. Tem missões genéricas, uma cidade enorme para nada. Não tem como entrar em quase lugar nenhum, os movimentos dos personagens é robótico.

Nem para aproveitar o que eles conseguiram em Witcher 3, eles conseguiram segurar o projeto. Parece que estamos falando de duas empresas diferentes. Não sou um fã de Witcher 3 a ponto de passar pano para ele. Ele é bugado até hoje. Ele esquenta muito o meu PC. Eu rodo tudo no máximo. E quando saio do jogo, meu PC normalmente trava. É uma péssima otimização. O mesmo problema aqui. Temos uma péssima experiência porque eles não fecharam o projeto ainda.

O jogo ao meu ver nunca teve 70 GB, deve ter ao total de 250-300 GB, se juntarmos todo os Patches. E mesmo com 40 GB o jogo fecha sozinho, tem lags, tem bugs e não tem as mecânicas que eles prometeram. Esse jogo é quase igual ao Homefront, mas sem a ideia da resistência que é presente. Quando você limpa uma área, ela influencia suas forças e defesas na outra área, como se fosse um Conquest. Mas em Cyberpunk sinto que estou jogando um jogo que nunca ouvi falar na vida.

Ele é sonso, não tem sal, não tem interação, brota missão de todo lado, sem justificativa, sem influencias. Você pode estar no meio do tiroteio na rua, que ninguém vai sair correndo. A polícia nem se mexe. A não ser que seja você com arma na mão. É um jogo como qualquer outro. Em 2018 lembro que entrei em contato com esse jogo pela primeira vez e vi um trailer e o classifiquei como “Mais do mesmo”. E o problema é que jogando ele, ele parece não ser “mais do mesmo” é na verdade – “Menos do mesmo”.

Cadê as promessas de um jogo personalizável. Somos obrigados a fazer cada ato independente de qualquer escolha nossa. Cadê o RPG? Em Witcher 3, diferente de qualquer outro título, farmar experiência não era possível. Você tinha que fazer missões específicas e saber fazer escolhas para ter uma montante bom. Aqui basta você ficar fazendo missões a esmo, que em 5-6 horas você vai ter mais dinheiro que a Arasaka no mundo. E crescer de nível mais rápido ainda.

Lembro que levei umas 250 horas para chegar no level 50 do jogo em Witcher. Para subir do level 4 e 5 em Pomar Branco demorou tanto tempo que eu consegui fechar The Last of Us 2 duas vezes seguidas, e ainda não tinha passado para o level. Era tanta coisa para ler, para explorar. Que era por isso que coloquei uma pequena fé em CP2077. Não vejo vislumbre desse jogo. E muito se diz, no lançamento Witcher 3 tinha bug, mas não tinha ausência de mecânicas e nem de bugs que davam crash.

Em 4 dias de lançamento o jogo já saiu 8 vezes. Nem com a Bethesda isso aconteceu. Nem com Ubisoft. Nem mesmo em lançamento. Eu peguei Fallout 4 no dia do lançamento, peguei Watch Dogs 1 e 2 no dia do lançamento. Além dos bugs, cadê o prometido? Esse é o problema. Não há nada de Cyberpunk em Cyberpunk.

PATCHES E BUGS.

É imperdoável (sim eu sei) que um jogo seja lançado pela metade com o valor cheio. É mais imperdoável ainda. Um estúdio pedir paciência para lançar os demais patches para um jogo que sai, que não tem mecânica alguma, que é horroroso de feio. Que todo jogo sai com bug não é novidade.

Mas Cyberpunk pode ser para alguém um jogo tão incrível quando que você compara uma Mona Lisa com um buraco no chão, seria essa uma nova peça de arte moderna. É incrível ter um jogo pela metade? É insano? É divertido jogar um jogo que custa 250 reais que sai todo hora e que não possui sequer uma característica ofertada nestes últimos 8 anos.

Eles deveriam ter adiado por 10 anos esse jogo. Não me parece uma proposta pequena. E tampouco fácil. Me lembra muito um jogo chamado I Am Live e outro chamado Never Dead. Eles adiaram, o jogo sai assim. Dá próxima vez, eles não vai nem lançar o jogo e vão pedir o dinheiro para as pessoas. Não falta muito para isso acontecer.

E o que eu menos vejo comentar por aí. Bugs podem ser corrigidos. Mas e a mecânica? Ausência de elementos de RPG? Ter perks não é RPG. Ter personalização, ter escolhas que impactam, um mundo que reage, isso é RPG. Cadê? Para ter isso, esse jogo vai ter que um Patch Game de 150 GB para incorporar isso. Corrigir os bugs, o gráfico não o coloca no lugar devido. Isso é 50% do problema. Os outros é o próprio jogo. Ele é linear, tanto faz suas escolhas.

Como em Witcher 3, parte dos finais eram apenas escolhas feitas prioritariamente perto do final do jogo. Ela não contava com outras escolhas ao longo da jornada. Em Cyberpunk as escolhas fazem diferença na missão e nela. E acabou. O que temos é um jogo MMO em formato off-line, com missões genéricas e com nenhuma vida em Night City. Seu personagem foi ignorado, você só pode escolher Life path (que tanto faz), algumas pré-definições de aparência (Que tanto faz) e só.

PERSPECTIVA E VALE A PENA.

Muito se falou da visão de primeira pessoa. Depois de jogar, eu até prefiro que a visão seja de terceira pessoa. Porque com a câmera um pouco afastada você evita os bugs de crash, a feiura do ambiente e favorece a batalha. Pelos Gameplays, primeira pessoa era óbvio. Mas com esse resultado…não, terceira pessoa é mil vezes favorável.

Vale a pena? É radical dizer que não. As premissas da CDPR para o jogo foram atendidas? Nenhuma. É um jogo FPS com um ambiente de missões GTA e como uma história bacana como o Witcher sabe fazer. Mas se for assim, você também muitos jogos para jogar com narrativa boa. Todos da Naughty Dogs é neste sentido. Se for para manter um circuito de história, digo que talvez a CDPR esteja no ramo errado. Ou pelo menos foi como a Bethesda, teve sorte em lançar o Skyrim e no caso deles o Witcher. Nem para frente e nem para trás, eles tiveram um sucesso tão estrondoso.

Cyberpunk 2077 estava baseado na premissa de um RPG em Primeira Pessoa, essa foi uma afirmação dos desenvolvedores, em especial de Pawel Sasko, o diretor chefe de produção. Mas o que vemos aqui é um RPG…menos do RPG de ação que vemos no Deus Ex, no Witcher. Aqui temos um sistema de missões bem parecido com o que existe em MMORPG. É uma pancadaria de missões para subir de level e conseguir tier melhores, bonus, sideouts e etc.

E menos interação com o mundo existente. Que é o que o RPG de Witcher faz. Você tem até fiscal de imposto renda. E aqui…é sem sal. Mas se você gosta de FPS do tipo GTA é uma boa. Se você não liga para gráficos também. E se não se importa com conexões, impactos, karmas (RPG efeitos), e também uma boa. Mas não espere mais do que isso. Não existe liberdade, open world. É um jogo linear. Muito linear. E eles deveriam ter feito assim.

Minha nota (devido a premissa e o que foi entregue) – 1.0 de 100.0. Compre apenas quando:

  • Estiver de graça;
  • For combo (Se outro estiver sendo vendido junto);
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  • Compre em uma plataforma que permita reembolso;
  • Tiver que jogar uma fase para ganhar 1 milhão de reais.