Quem vale mais: O canône da HQ ou dos filmes?

UMA BREVE INTRODUÇÃO.

Uma referência clara ao MCU, os filmes da Marvel sentiram uma intensa taxa de sucesso no século 21. Engana-se que não houveram tentativas anteriores a onda de ouro dos filmes que tem como marca registrada, cenas pós-créditos. Nos anos 80 e 90, não muito felizes, os longas eram precários em tecnologia visual e narrativa. Isso mudou.

No MCU, ou qualquer estúdio que faça filmes, baseado em alguma obra, livro ou HQ, sempre vai gerar um descontentamento porque nada garante que manterá a fidelidade do que foi concebido. Leitores de HQ afirmam um lado e expectadores outro. Quem está certo? A resposta é simples. Ambos. E vamos entender o porquê.

Ainda que possamos esquecer, toda obra de cinema carrega nos créditos iniciais um ‘baseado na obra tal’. Saiba que este ‘baseado’ significa ‘influenciado’ e não ‘originalmente transcrito’. Não é uma obra que copia o que está em um livro ou HQ, pode haver casos, como Scott Pilgrim que é uma cópia exata das passagens e scripts do mangá de mesmo nome.

Mas Senhor dos Anéis, Crepúsculo, Nevoeiro são exemplos de obras que foram adaptadas. Muito se fala que adaptação é um formato que exige leitura e compreensão para poder entender o que é plausível em uma página de livro e prático em um filme. Imagine uma cena na tela que pudesse traduzir o que uma página descreve o sentimento que acontece de forma interna? Livros são fontes mais ricas em descrição que HQs.

HQs em seu formato mais simples de entender é uma associação de passagens visuais, semelhante ao storyboard utilizado pelos roteiristas com trechos que narram e criam diálogos entre as personagens. Seria na prática mais fácil de adaptar uma história assim do que pegar um livro e extrair o que seria aproveitável. Enquanto um descreve muito o outro, deixa claro, mais o visual da ideia. Entre as facilidades. Os adeptos de livros e HQs travam uma guerra com que apenas vê a adaptação do cinema.

Ou trava uma guerra com o filme diretamente. Às vezes não estamos falando de como uma pessoa reage a outra pessoa. E sim ao estúdio. Em alguns casos, raros, os leitores se revoltam com o próprio autor. Como foi o caso de George Lucas. Muitos fãs de Star Wars diziam que ele estragara a saga, sendo que ele criou a saga.

Nos localizamos. E vamos agora falar sobre quem tem a razão no MCU: Leitores de HQs ou Expectadores (apenas) dos filmes.

MCU SEGUNDO HQS.

Em parte o estúdio da Marvel antes e depois da compra pela Disney, sempre adotou como qualquer outro estúdio quando ao criar uma obra baseada em HQs ou livros fazem. Eles seguem uma linha de narrativa e adotam o que interessa e descarta o que não é possível ser inserido na trama ou mesmo porque o diretor não se interessou pela versão do livro e ofereceu sua visão.

Nenhum filme de herói, seja Marvel ou DC, fez com total fidelidade as histórias e os personagens. Como se costuma falar, os personagens das HQs são muito mais fortes que os dos filmes por exemplo. Dá-lhe uma adaptação em cascata para entender que não é só “HQ-FILME” OU “LIVRO-FILME” que o cujo ou cuja sofre com o termo “Nerfar” (enfraquecer) ou pelo alterar a linha de como as coisas funcionam.

Em todo video game do Superman, por exemplo, todas as pessoas da terra tem um fragmento de Kryptonita em casa. Quando não tem, o Superman é um quase um cara normal que voa e tem visão de calor. Entre a HQ-FILME e HQ-GAME, Filme e Game sempre serão menos canônicos e mais ou menos fantasiosos.

O superman de Henry Canvil tem mais lado humano que o superman de Christopher Reeve. Eu não tenho certeza, mas qual superman você gostaria de ser? O que é um alienígena com poderes ou o que parece alienígena, finge ser ser humano, e tem menos poder que a versão 1978? Não tenho certeza, porque não necessariamente uma é menos que o outro. A força faz diferença isso é fato. Em 2006 com Brandon Routh, o superman conseguiu levantar uma ilha inteira para o espaço.

O superman de Henry Canvil não levantou aquela máquina de terraformação do General Zod. De um filme para o outro uma bela ‘nerfada’. Comparado aos poderes de Superman de 1978 não temos um leque interessante. Lembram que o Superman tinham o poder de jogar o S do uniforme como uma espécie de ‘teia’ no inimigo?

Ou a capacidade de se multiplicar? Não houve uma explicação, mas no segundo em 1980, ele podia está apenas voando tão rápido que surgia em vários lugares ao mesmo tempo. Ou mesmo o direito de revogar os seus poderes para viver uma vida humana e feliz (em parte). Lembram de Superman de 1978 que ao voar do lado de fora da terra no sentido contrário a rotação foi capaz de voltar no tempo, evitando a morte de Lois Lane e a destruição da Califórnia e do Estados Unidos?

Não sou um adepto de Superman em HQs, li algumas boas histórias dos anos 80-90. Mas o que sei de HQs é que todo personagem tem sempre uma saga que permite uma nova interpretação do personagem. Não é de todo imperfeito, que o Superman fosse uma espécie de mago no segundo filme, e no primeiro tivesse o poder de viajar no tempo.

Já em Brandon Routh não parecia errado ser um superman padrão. Em Henry Canvil inventaram de mata-lo. Claro que quem leu a Morte do Superman nas Hqs não deve concordar com a versão do filme. Aliás o homem de aço teve uma saga contra Doomsday que era bem mais icônica, dando ao personagem uma devida atenção. Que em Batman Vs Superman não houve.

Talvez até mesmo, separando os alhos dos bugalhos, a versão do filme foi sofrível independente da versão ser boa ou ruim nos HQs. Admito que até hoje não voltei a ver, porque não engulo também a rivalidade do Superman com o Batman no filme. E voltando para o MCU. É bem válido entender que nas histórias da Marvel, o padrão da Hqs que segue em qualquer estúdio é igual. A primeira história que eu comprei do Dr. Estranho, a melhor defesa, a versão ‘remasterizada’ de os Defensores (1971) com as artes atuais e outras histórias, o Dr. Estranho morre.

Em outra saga, da Empiricus (que li em parte), ele não morre, mas perde parte da Magia. A saga do “Universo à fora”, ele também perde a magia, mas completa, devido ao preço. Esse preço de magia não existe em todas as lores, para se ter uma ideia. Na versão do Dr. Estranho de 1963, a magia era algo manipulável do universo como o éter, e usa-lo não impunha um preço.

Em certas histórias, como em Arauto, Dr. Estranho tem a oportunidade de obter o poder supremo das entidades. Por um período pequeno. Mas ele reconstruiu a existência, após uma absorção absurda de poder realizada por Galactus. Essa uma história que impõe ao Doutor um dilema em relação a Cléa e ao famoso Mephisto.

Em outras histórias, o Dr. Estranho tem a possibilidade de recuperar a habilidade das mãos e voltar a ser cirurgião. Na versão do What If, ele não teve a mesma origem repetida em Hqs, a animação de 2007 e dos filmes. A batida de carro e o dano aos nervos das mãos. Ele se torna mago por outro motivo. Já teve versão má dele, versão mestre, versão aprendiz. Já foi arauto do Dr. Destino.

A persistência dessa mudança é que promove o personagem. Isso muda o Dr. Estranho. Ao contrário. As pessoas podem entender o mago supremo de diferentes formas possíveis. E apesar de que nas Hqs ele é mais forte do que nos filmes. Tem Hqs dele que ele não é tão forte assim. Tiveram poucos números ou vezes, em que ele assumiu poderes realmente majestosos.

Em 1989 com Tormento e Fúria, Dr. Estranho foi finalmente nomeado mago supremo. Engana-se que isso significa “Poder supremo”. Apenas o título tem haver com o arauto da dimensão Terra-616. Apenas. Em Wandavision quando Agnes aponta que a feiticeira escarlate poderia fazer até média com o Mago supremo, dado a lore do MCU e não dos Quadrinhos, podemos ter duas conclusões:

  • Isso significa um problema para Wanda Maximoff;
  • Ou isso significa problema para o Dr. Estranho.

Nas histórias em Quadrinhos, Dr. Estranho ser mago supremo não implica em temor aos seus inimigos. Acredito que inclusive os demônios achem até interessante este título e busquem um duelo com o mencionado mago para verem se conseguem além de dominar a dimensão, um título para colocar na cabeceira.

A própria Feiticeira Escarlate tem diferentes versões nas Hqs. Ora trabalha com Dr. Estranho, ora matou todos os personagens na Marvel, ora teve uma origem na Europa e outra nos Estados Unidos. No MCU, a brincadeira dos dois mercúrios só fazem sentido para os que entendem dessas ‘versões’ das HQS.

Nunca li a saga infinita, que renderam 5 volumes. No cinema rendeu 22 filmes, embora os filmes dos vingadores) é que contavam, ao total 4, para de fato a luta contra Thanos. Nas Hqs a manopla por exemplo não queima. Nos filmes queima. Ainda que eu cite essa pequena diferença, tem outras mais que fazem as adaptações no cinema seguirem uma versão ou intepretação.

Se você é leitor de HQ eu sinto dizer. Mas de todos os filmes, nenhum de fato seguiu uma lore consistente nas Hqs, e sim uma união de cada versão. Para os expectadores do filmes, não importa muito as Hqs. A partir de que a percepção desse público é versado nos filmes e não na construção da banda desenhada.

Se em Hqs você tem diferentes sagas dando uma versão do personagem. O filme é outra versão que segue a mesma linha. Queremos ver o nosso herói favorito descolando a cara dos inimigos, como naquela saga das Hqs que ele fez todo mundo de gato e sapato? Queremos. Mas temos nos atentar que tanto aqui como lá, as versões são diferentes.

Talvez até ajude você a pensar em como a saga infinita para o MCU poderia ter sido considerado um resultado do multiverso. Aliás, se perceberem, os filmes solos de cada personagem em comparação com os coletivos (Os Vingadores) não dá uma impressão que os heróis ali são diferentes e possuem até poderes mais intensos? Eu pelo menos senti que em Thor solo, ele era mais forte que o do Vingador.

Senti que o Dr. Estranho no filme solo era muito mais forte que o filme coletivo. E assim vai. Ainda é plausível. Multiverso. E esse detalhe vai deixa-lo(a) inquieto(a). Lembra da batalha em Wakanda contra o exército de Thanos e o próprio Thanos? Quando a Wanda e Visão mataram o Thanos? Lembram que ele chegou a morrer pela mãos dos dois…?

Se o Dr. Estranho não tivesse dado a jóia do tempo, eles teriam vencido ele ali. E lembrem que o Dr. Estranho deu a joia para ele. Seria um Multiverso ali? Por que o Dr. Estranho do outro universo não pensou em contatar o Dr. Estranho do problema das joias do infinito, para tocaiar o Thanos em um ciclo infinito como fez com Dormammu no filme solo, mas no lugar de parar a dimensão, ir para um mundo diferente?

O Dr. Estranho do filme solo teria matado o Thanos. O do filme coletivo comete erros básicos. Mas ainda sinto que é plausível. O Dr. Estranho nos quadrinhos também tem seus piores dias. E você pode optar por comprar a saga ou ignorar. Achar qual é a melhor opção e adota a que mais te interessa.

Então quem tem razão: Ambos.

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