Em 2013 lembro de ficar perseguindo um jogo que saiu numa review que se chamava The Last of Us, naquela altura o jogo não levava parte 1, ainda não se sabia que teria uma possibilidade de sequência. E estávamos lá como aquele sujeito chamado Joel com uma missão típica de tempos distópicos e apocalípticos. Será que havia uma cura? A menina, Ellie, carregava a esperança?
Fora qualquer questão moral que venhamos a ter devido as consequências que vimos surgir em The Last of US 2. As mecânicas eram muito boas. Algo que a Naughty Dogs são exemplares. Aquela ideia de jogo onde os personagens interagem com o ambiente e comentam. Esse é o charme do jogo. Em parte muito do que gostei de Tlou1 é justamente a interação Ellie e Joel.
No segundo jogo, com alguma distância de ter jogado Tlou1 em sua versão remasterizada para PS4, senti um outro tom. Porque quando joguei não tinha percebido que Joel parecia um matuto com um violão em uma mão e uma arma na outra. Juro que dá primeira vez não tinha percebido isso. Depois talvez tenha comparado a versão Joel final com o princípio. E ele não se importava com nada desde da morte de sua filha, Sarah.
Então faz sentido. Mas o Tlou2 dá um outro conto. Porque se passaram 5 anos, Joel tinha uma nova filha, que estava brigada com ele pelo motivo de sua mentira na base dos vagalumes e obviamente também o estopim desse jogo, ele parecia um Joel da era pré-surto. Então encaramos a coisa de forma pessoal.
Assumo que o final e o estopim não me convenceram muito. Talvez pelo fato que Joel tenha sido morto, que Ellie tenha pirado de vez e que uma garota chamada Abigail fosse uma ruptura que não queríamos que acontecesse. Assim digo que o roteiro do jogo foi bem legítimo. Até julguei ser um péssimo jogo. Nem li review para desenhar minha raiva inicialmente.
Apenas o jogo deu aquele ar de, bem no meio daquela coisa toda, rolou uma vingança. Abigail, para os íntimos, Abby. Se arrependeu quase que instantâneamente após matar Joel. Mas já era tarde demais. Foi no supetão. Ela tenta se redimir salvando Yara e Lev. Se não fosse por isso, sabemos que Lev teria uma vida muito complicada. Mas daí teríamos o quê? Uma cascata de acontecimentos porque o personagem específico não estava na situação dada…devo dizer que o jogo foi bem fundo.
Fundo até demais. Mas não me impediu de zerar o jogo 3 vezes sucessivamente. Uma para conhecer, segundo para pegar todos os colecionáveis, terceira para observar cada easter eggs. E partindo para a quarta vez para ver se consigo passar por todo mundo sem ser visto ou matar alguém. E até com essas explorações descobri que o jogo lhe permite ficar invisível caso fique se arrastando pelo chão.
Seria legal se Naughty Dogs lançasse, senão o fez, aquele jogo de Cartas que a Ellie coleciona. Uma espécie de MTG do mundo de The Last of Us.
Antes que escrevesse essa análise, escrevi uma outra e joguei na lixeira. Talvez porque eu tenha sentido que o jogo foi bom, mas o enredo não. Mas fazer o quê. Naquele mundo sem regras, onde cada infectado habita uma esquina e os seres humanos batem de frente com sua realidade crua e moralidade arranhada, seria uma questão de tempo de alguém importante para alguma pessoa fosse morta e desencadeasse uma fúria.
E quantas não foram desencadeadas. Foi uma bela história no quesito complexo, beleza em vingança é uma afronta. Mas que foi bem construída foi. Na Metacritic, um site que avalia o posicionamento da imprensa e dos jogadores, coloca a nota dos jornalista em algo 95.0 (mas aí é assessoria de imprensa dos desenvolvedores) nunca conta, eles são direcionados a falar só as partes boas do jogo mesmo, a ideia é divulgar.
A parte dos jogadores é que interessa. Está com uma nota de 5.7 Baixo para um jogo Hypado. Mas as pessoas não gostaram do desfecho. Faz sentido. São personagens queridos. Então o jeito é ficar resoluto(a). Eu fiquei. Mas depois pensei que Ellie, Abbys, Joel e cia são personagens de um mundo onde o sol gira ao redor de todos e não de um. Cai a ficha quando vemos isso ao colocarmos a perspectiva de Abbys.
E se acontecesse a mesma coisa com um membro de Jackson, como o Seth. O dono do mar que se encrenca com a Dina e a Ellie? E se fosse ele o alvo da vingança? Sentiríamos algo? Lembre que Ellie, talvez por sem querer, matou a Mel estando ela grávida. Tudo bem ela passou mal depois, mas se for usar um julgamento pessoal, a própria Ellie se tornou uma vilã no jogo.
Então acredito que The Last of Us 2 não terminou como ninguém acharia que terminou. Mas o enredo e as mecânicas foram muito bem construídas. Razão pela qual deu raiva. Naught Dogs não pretende mudar o final. E se lançar uma DLC com alguma alternativa será bem vinda. Senão também não terá problema.
Nota 100.0.
