Esta análise contém SPOILERS.
Seriam nossos ancestrais deuses?
Old Guardé um filme que foi feito para virar saga. Digo isso porque temos o prelúdio, alguns flashbacks e sobretudo um final que dá entender que terá uma continuação. Onde existe uma história mitológica do tipo deuses e deusas, inseridas em uma época moderna, muito parecido com a ideia de Hancock. Com uma diferença aqui e ali. Sabe qual é o engraçado, é a que a atriz Charlize Theron protagoniza os dois.
Minha comparação aos dois filmes foram apenas pela sensação do que uma história tinha haver com a outra. Mas o que temos no filme que seria tão interessante? Quando vi este filme disponível no canal streaming do Netflix eu julguei o livro pela capa. Mais um filme de ação, com Charlize Theron, deve ser Atômica 2. Ainda que fosse possível ler a sinopse e ver que não seria.

Mas também a sinopse falava sobre imortais. Imortalidade. Já vi filmes que falam do gênero e não gostei muito. Embora fosse clássicos. Um deles é o Highlander. Como assim não gostei? O tema sim, a produção não. Acho que ficou desfalcado o roteiro. Tinha como fazer melhor.
Com esse tipo de ideia, as possibilidades são infinitas. Mas também tratar de temas como a imortalidade nos filmes elas beiram a dois resultados: Experimentos científicos que não deram certo ou um inveterado drácula de 2.000 anos procurando por sua amada na próxima reencarnação.
Mensagem do filme.
Mas quando iniciei o filme, ignorei parte dele. Não todo. Mas parecia ser mais um filme onde imortais são mercenários, que vivem por aí caçando uns aos outros, um formato do Highlander misturado com um filme de ação. Mas não. Ainda bem que vi. Descobri que a personagem interpretada por Charlize Theron era tão antiga quanto o tempo. Era uma espécie de guerreira com seus tantos séculos lutando e procurando melhorar o mundo.
Ela ajudava pessoas, três gerações depois essas pessoas eram responsáveis por invenções que permitiam a humanidade contornar problemas. Mas ela estava cansada. Porque depois de tantos anos, ela sentia que todos estavam pouco ligando para tudo o que eles ganhavam com suas ações. Ela não se importava com os créditos. Ela se importava com que a humanidade fazia com suas segundas chances.

E vemos o descobrimento de uma quinta imortal. Uma jovem cabo dos fuzileiros dos Estados Unidos atuante no Afeganistão. O nome Nile (tem a haver com o Rio Nile) fértil no deserto que trouxe próspera condições ao Egito para evoluir. Uma clara mensagem que o poder dela como guerreira daria suas forças nos momentos mais áridos.
Imortalidade.
Com o fator do tempo parecem ser humanos que possuem um fator de cura que os permitam voltar a vida. Não há causa para isso. Não o filme não explica essa parte. Espero que tenha uma sequência, não apenas pela explicação, mas pela cena pós-créditos. Mas eles vivem tanto tempo, em um determinado ciclo, parece que a imortalidade acaba.
Quando um imortal surge, eles sonham entre si suas memórias. E inclusive é isso que eles vivem compartilhando entre si. O ponto é que temos imortais pé no chão. Não tem poderes, pelo menos possuem o dom de voltar a vida. Eles morrem e voltam. Não são imbatívéis. Super heróis diferentes. Mas para Wolverine do que para Superman.
No entanto o carcaju não morre e volta. Ele simplesmente não cai.
Como o filme é?
Se você vê o filme e conta para alguém, é sempre baseado em sua percepção e no imaginário. O que normalmente me faz pensar em uma história totalmente diferente quando leio uma sinopse escrita de forma pessoal. O que acontece na maioria das vezes. Já li sinopses que dizem mil coisas, parecia um filme de ficção. Mas era um filme de drama.
Quando li:
“Eles são guerreiros milenares que lutam para proteger a humanidade. Mas nem mesmo a imortalidade está livre de ameaças.”
Eu não conclui nada. É uma explicação genérica, pode ser aplicável a qualquer coisa. Mas se tivesse dito dessa maneira:
A antiga imortal Andromache, cita juntamente de outros imortais descobrem sem explicações o surgimento de uma nova imortal, uma jovem fuzileira morta no Afeganistão, enquanto eles caminham para uma cilada que colocará sua existência em xeque.
E mudassem a capa do filme, porque estando moderno assim parece um filme genérico de ação. Eu teria me interessado muito antes do lançamento no catálogo. E a ausência do nome “Andromaque” em todos os lugares, me faz acreditar (rindo), que quem escreveu a sinopse ou as análises, não viram o filme. É tão importante quando saber o nome do Godzilla no filme do Godzilla.
A parte, o filme tem haver com mitologia grega, sobrenatural, imortalidade (mais do que a questão existencialista) como um fator desconhecido, segredos seculares e ficção. Tem indústria farmacêutica, um velho conhecido nosso o Sr. Merrick (primo do Harry Potter) um pouco diferente, chato do mesmo jeito. Cresceu e deu ruim.
Eu mudaria a capa para algo mais ‘Antiguidade com uma transição no futuro’. Tem muita história a ser contada para trás. Diria que é uma boa oportunidade para investir em heróis imortais. Depois que M. Night Shyamalan (não vi Sr. Vidro, apenas os dois primeiros) destruiu a enorme oportunidade de criar uma franquia do tipo Marvel, essa seria uma solução imperdível.
O filme mantém os pés no chão. Mas também nos oferece a ideia da seguinte forma. Eles são imortais. O que viram? Presenciaram? É algo que deixa muito claro a longevidade que a saga poderia ter.
Vale à pena?
(Baseado no Old Guard: Comic)
Sempre caio na possibilidade de ver filmes baseados em sinopses. Tive surpresas na grande maioria das vezes de ver uma história completamente diferente do que descrito. Desta posso dizer, uma boa sinopse faria diferente. Não vi trailer, só vi a capa. E porque achei interessante? A sinopse dizia imortalidade. E vi o nome Old Guard. Pelo fato de gostar de classes de RPG como Mage, Witch, eles sempre possuem a possibilidade de serem guardiões durante a trama.
Então quando li Old Guard e imortalidade, dei uma chance. Pela sinopse eu teria rejeitado. Não dizia muita coisa. Imortais se veem encrencados…(risos). Em qual filme as pessoas não estão encrencadas? Mas os primeiros minutos do filme não foram nada interessantes. Quando eles foram para uma missão de resgate, foram brutalmente massacrados. Isso me chamou a atenção. Em especial porque morreram e voltaram a vida. Espera isso é bem Highlander.
A diferença é que os Highlander precisam absorver a energia de outras pessoas para se curarem ou ficarem mais jovens. Esses imortais não precisam disso. Eles se recuperam de tudo que sofreram. E continuam imortais. Algo não os deixa morrer. Espero que na sequência, que sei que vai ter, explique que história é essa. E também tenho certeza que essa explicação deve ser alvo de cobiça de algum vilão no próximo. Mas também o filme passa uma outra mensagem bacana, Old Guard lembra Velha Escola (Old School).
Uma proteção. Alguém por nós. Mas heróis sem intenção de serem heróis fazendo boas ações chegam no limite. O grupo estava exaurido. Mas encontraram na sociedade uma nova esperança. O filme é bem interessante. Gostei. E fiquei querendo mais. Para alguém que estava deixando a reprodução rolar enquanto mexia no celular. Foi uma boa reviravolta.
Sim. Vale a pena. Super pena.
