Breve sinopse.
Close é um filme de ação, suspense e espionagem com o toque único da atuação da atriz sueca, Noomi Rapace, que desconhece personagens que sejam fracos diante da tela. O desconforto de vê-la perecer na continuação do universo canônico de alien, Covenant, me faz questionar se Ridley Scott entende a força que ela tinha e o que poderia representar no prequel de Ellen Ripley. E aqui temos mais uma prova que no papel de Sam, uma guarda costas, não está deixa nada escapar.
A filha de um bilionário, Zoe Tanner, deixa todas as ações em seu nome após falecer. Sua madrasta não fica muito feliz com a situação, mas leva para frente o empreendimento de extração de minério conforme o planejado. Com um possível acordo para ser fechado, eles precisam garantir que a imagem da empresa, da herdeira e do negócio fique inabalável.
Após a transferência do guarda costas de Zoe, eles contratam Sam, apenas para assegura-la por um dia. Mas no dia seguinte, um grupo armado invade sua mansão em Marrocos, uma mini fortaleza e há algo suspeito que levam a crer que algo não está certo. Apesar de todos os fatos de ricos serem alvos de sequestro, o assalto não parecia planejados a sequestrar e sim matar a herdeira.
Crítica.
Noomi Rapace é uma atriz que ousa ser mais do que uma donzela em perigo. Ousa, porque temos muitas histórias no cinema que apenas adequam o papel da princesa presa no alto da torre ou ainda que não fosse esse tema, o papel da tenente que ali fica parada esperando alguém notar que ela está na sala. Não lembro de ter visto um filme dessa atriz que fosse diferente do ritmo frenético.
Ainda que pense na auto incisão no filme Prometheus, da qual sem hesitar ela remove o alien de seu ventre numa das cenas mais tensas, ela não é feita de aço, percebemos sua vulnerabilidade, mas confundam com fraqueza, ela é apenas humana. E isso não a impede de fazer o serviço. A temática do filme bate em dois pontos: Mundo corporativo e sabotagem industrial & maternidade.
Zoe Tanner perdeu sua mãe para o suicídio quando era criança e sua madrasta, Remi, é muito distante de uma relação amigável. As duas não se odeiam, mas são distantes. E com a transferência das ações para Zoe, esse cenário se torna mais vulnerável. Por outro lado, Sam pode ser uma agente convicta do seu dever, ela está mergulhada em um mar de emoções, onde suas decisões passadas a fizeram escolher um caminho perigoso.
Na procura por defender os outros, pelo abandono que teve que fazer a própria filha quando tinha apenas 16 anos. Mas o mundo deu voltas, e a filha a encontrou querendo corresponder com ela. E como não sabe como reatar, ela simplesmente ignora qualquer comunicação. Parte do que vemos no filme é essa decisão que ela teima em dar em relação a filha natural, pois então, dizemos que a filha ‘adotiva’, Zoe, por ela é um caminho para compreender que há segundas chances.
Ela tenta defender Zoe, mesmo com o contrato acabado. Sua obrigação profissional é subestimada por sua natureza materna. Os conflitos da maternidade precoce são observados ao longo do filme. Zoe tenta se aproximar de uma estranha tanto quanto não consegue lidar com sua madrasta. Fica claro que o relacionamento das duas se torna o pivô do filme.
É perceptível uma dosagem de drama, pois temos um relacionamento materno conturbado sob duas perspectivas: Zoe (filha) e Sam (Mãe) dentro de um ponto de vista alheio. Onde Sam adota Zoe e fará de tudo para protege-la de um mundo que ela se colocou após abandonar a filha biológica, sobre uma forma de redenção. Algo parecido com a Gravidade com Sandra Bullock, que fala da perda do filho, e dentro do contexto lúdico do filme, vemos o enfrentamento desse dilema por elas duas.
Uma verdadeira batalha. E no final temos um desfecho que poderia muito bem originar outras tramas, em separados, um spin-off ou apenas uma forma de ver que o final é apenas um novo começo.
Nota:
80.0
