Just Cause 4

Mais uma vez temos como protagonista Rico Rodrigues, o Scorpio. Em massa, o título foi vendido como sendo um parente distante de Red Faction Guerilla da Havok e um jogo tempestuoso onde tornados são a atração. Mas como No Man Sky, a síndrome da Propaganda enganosa pegou de jeito. Mas o jogo se destina um nicho em específico.

Console: Playstation 4.

Solís e um ditador.

Todos os 4 jogos sempre houve um lugar fictício e um ditador mandando em tudo, um mapa enorme e muita destruição. Aqui a ideia se repete, a fórmula deu certo nos três anteriores, daria certo no quarto. E por quê? Porque essa é a graça de Rico. Tudo explodindo, ele bancando o John Mclaine e batendo retirada de um prédio em chamas.

Apesar do clichê descritivo, é o que chamou atenção dos jogadores até hoje. A ilha é maior? Não acho que seja, mas tem muita mata, templos, bases. Mas senti um downgrade nos gráficos para uma geração PS4, contrariando o próprio Just Cause 3. Apesar do gancho ter muitas melhorias.

A ação é frenética, mas sofre com renderização, é só observar que longe você não enxerga nem um ponto. Mas apenas quando chega próximo é que o objeto aparece. E outra, mas chata, chega a irritar, missões são ridículas de difíceis em alguns momentos. Nem precisa ir longe, primeira chega a dar nos nervos. Mas tem uma lógica, a Ilha está tomada por Espinosa, então você vai enfrentar uma resistência incrível.

Mas tem algumas missões que realmente foram mal feitas. Para destruir um dirigível que faz parte do grupo de missões do Sargento, um aliado durante a guerrilha, que você precisa destruir onde está o dirigível, se você movê-lo e joga-lo contra o penhasco ou até mesmo destruí-lo fora da marca, adivinha? Não finaliza a missão, começa tudo de novo. Gostou? Falha de script (não de programação).

Cadê as tempestades?

Não tem nem garoa. Aquele tornado, sabe aquele tornado que lembra o filme No centro da Tempestade e do Twister de 1996 com Helen Hunt. Aquele tornado, o temível F5, raro que atinge as áreas remotas do mundo, que consegue jogar tudo pelo alto e que o faria comprar o jogo. Sabe? Ele só surge durante a missão. Fora isso, você consegue ver nuvens, mas nada que cause o tornado. A tela título é formado por nuvens com raios, mas no jogo não tem chuva.

Ok. Não tem chuva, vento. Mas tem tempestade de areia que passa pelo asfalto, às vezes. O problema que no trailer não deixa isso claro. Deixa claro que você andar de jipe e encontrar uma coluna de ar chutando tudo. Pois é. Não compre o jogo achando que vai encontrar um tornado por aí de bobeira.

Onde está a lua nesta ilha?

A ausência do tempo meteorológico é real. Mas a dinâmica de dia e noite não. Demora, talvez alguns minutos. É um espetáculo. A propaganda não mostrou isso. Mas é fantástico ficar na mais alta montanha e ver a lua se colocando atrás das nuvens.

Tudo é destrutível mesmo?

Surpreende que não é exatamente isso? Fizeram um vídeo na internet comparando Red Faction com Just Cause 4. E você pensa? Opa, vou destruir Solís toda. Quando você joga você percebe que o nível e complexidade de destruição é exatamente a mesma dos 3 jogos anteriores. Bem talvez não tivesse pontes para destruir. Agora tem. Mas nada mais o que já era familiar.

Você não conseguir destruir usinas, torres, prédios, muros (alguns sim), templos, asfalto. Vai conseguir destruir Tanques de combustível, veículos, pontes (algumas) e árvores. Mas é mais do que mesmo. Não dava, ao que me lembro, para destruir árvores.

Guerrilha, sim a guerrilha.

A propaganda não falou nada de uma coisa que todo amante de RPG, sim RPG. Gostava no passado. O modo Conquest. Sabe o que é? Você tinha um mapa do tipo War. Aquele jogo de tabuleiro, que tem versões digitais atualmente. Bem esse mapa representa o que você pode conquistar. Toda batalha vencida lhe oferece experiência, a experiência aumenta a presença de tropas aliadas. No seu caso, SPOILER – o Exército Caos que você acaba apoiando contra o Mão Negra e o ditador Espinosa.

Você ganha resistência, e só com ela, consegue tomar áreas dominadas pelo Mão Negra. O bacana é que você vê essa batalha e resistência ocorrer. Concretamente com conflitos armados no meio da rua. E mais, esses conflitos aumentam, oferecem experiência independente se você está envolvido ou não.

Bem o jogo é praticamente um Conquest. Será que se esqueceram de falar disso? Quem lembra do Star Wars: Battleground (2002), tinha um modo Conquest que você define ser o império ou a aliança rebelde. Funciona da mesma forma. Você define que território que tomar e precisa fazer isso manualmente.

Você é o exército de um só, esse é  problema.

As missões de Scorpio se resumem a lutar com verdadeiros exércitos, o problema é que você sempre está confinado a um setor específico, seja porque precisa ficar perto de um console que está sendo invadido ou um caminhão que precisa ser defendido. E os inimigos não perdoam, ao trocadilho, da Mão Negra, eles sentam essa mesma mão em você. E nada dos seus aliados lhe ajudarem.

Todas as missões do jogo são particularmente, você se infiltra, desativa ou destrói alguma coisa, e sempre há uma espécie de ‘mini-chefe’. Este mini-chefe é uma horda de soldados entre granadeiros, atiradores de elite e soldados blindados que não param de vir até que o tempo se esgote. Suas chances são limitadas frente a um exército de Esparta (Spawn infinito) e com munição infinita, enquanto você não perde por esperar que isso seja sua vantagem.

E não faça o favor de morrer, não é que você volte tudo. Apenas que eles te tiram do mapa, e colocam a uma distância significativa, tendo que voltar e andar bastante até lá. Já não bastasse ter que lutar com o ditador sozinho, ainda tem que ficar ouvindo seus aliados folgados a distância para não fazerem nada a não ser ficar mandando e você com a maior calma possível.

Gráfico de PS2 ou PS3?

Parece gráfico de MMO. Existe uma razão para MMO ter um gráfico descuidado, para evitar lag. Mas um jogo Off-line ter um gráfico que lembra a geração PS2 ou PS3, o crédito está mais para PS3, é no mínimo curioso. Lembra daquele quadriculado na textura, aquela adesivo que você sabia que estava sobreposto quase voando? Aquela água que lembrava um saco plástico de maquete? Bem o gráfico de Just Cause 4 sofreu uma viagem no tempo em uma Delorean perdida também no tempo.

Já havia comentado que o gráfico sofrera um Downgrade. Se você olhar para as edificações vai perceber uma sensação de estar vendo as texturas se mexendo? Bem isso se chama renderização (Geração do Mundo) que conserva o buffer (memória), ou seja eles mataram a qualidade do gráfico para evitar que o jogo ficasse travando, a queda de FPS (Mas já causou travamento, o que não adianta muito).

Mundo Grande, mais muito do mesmo.

A geração Open World é uma das minhas favoritas. Lembro do jogo Mercenaries do PS2 (o gráfico do Just Cause 4 me lembrou este jogo), foi um dos primeiros exemplos de como a geração Solo Game e Off-line viveria pelos próximos anos. E depois cada jogo começou a investir em mundos grandes e abertos, mas na prática muitos jogos vendem essa ideia, mas o jogo é linear e a liberdade é baseado em ‘regras’. Logo a liberdade só aparenta.

Em Just Cause 4 você só tem uma forma de terminar a fase. Vivo ou Morto. Na maioria das vezes, morto. Com sorte, sairá vivo. Lembrando as tentativas e erros de Alien Isolation. A diferença é que aqui a animação de você morrer é sempre a mesma com um replay do GTA V, câmara lenta, um palavreado legal no meio da tela e a música que você se lascou. A diferença é que não tem o adjetivo bacana e nem a música, apenas uma tela preta e um volta ‘bastante mapa’.

Como todo Open World, as Sidequests são as mais chamam a atenção, você tem missões de cada pessoa. Um arqueólogo, que fala sobre os antepassados de Espinosa, missões dos aliados, algumas pessoas avulsas e a main quest. Como é costume pensar, você pode optar por cada uma delas ou por nenhuma, e seguir a Main Quest. Para ter mais diversão, é recomendável fazer todas para ter habilidades destravadas.

Qual é o problema? Todas as missões são iguais. Não tem quase nenhuma variação. Lembrando que somente as Main Quest possuem o tornado, e não são todas. E a tela principal é de uma acúmulo de nuvens com raios por todos os lados. Mas você não vai ver esses raios, e pode ser que os perca quando for jogar dado a adrenalina.

O que você tem no mapa? Mato, matagal, floresta, rios, lagos, pontes, árvores, animais de agricultura, pássaros, Mato e mais matagal. E aí você encontra cidades e vilarejo. Mas é assim, Mato, mato, Mato, estrada e mais Mato, e uma cidade. Outra cidade, depois mais mato. Quem jogou Ghost Recon Wildlands vai se sentir em New York perto de Just Cause 4.

Propaganda.

Analisar o Marketing realizado é sempre bom. Especialmente porque as pessoas se informam de como o jogo vai ser através da publicidade e propaganda da produtora. E os influenciadores venderam o produto. Venderam um espécie de produto, mas não o que veio para as prateleiras. Não sei quantos vídeos do tal tornado eu vi, para não ver nenhum até agora. Ou de destruição em massa, quando que na verdade o desenho da Turma da Mônica tem mais explosão que esse jogo.

A prática de fazer propaganda enganosa ou pagar para Youtuber falar o que o jogo não tem era uma prática de poucos, agora tem sido generalizado. Apenas a Rockstar conseguiu entregar o que prometeu. Este jogo me fez lembrar do Home Front (o Reboot) lançado para PS4, que deveria ser uma espécie de obra prima da revolução, com uma bela proposta. Mas que fracassou em entregar.

Ofereceu um mundo vivo, cheio de revolução. Mas era um museu cheio de poeira. Onde a ação era repetida, Spawn infinito, bugs bizarros, você x Planeta inteiro, Seus aliados no sofá e você na trincheira. Mas a promessa deles era o que o Metro conseguiu fazer.

O que o Far Cry 5 conseguiu, mas pecou pro ser um jogo absolutamente curto (em qualquer dificuldade), e por terminar de uma forma bem sem noção, Far Cry tem disso, mas esse conseguiu superar (New Dawn sequência que se passa após a bomba nuclear pode dar um desfecho melhor ou quem sabe ser mais longo, um Fallout 5 que a Bethesda não fez?)

 

Vale a pena comprar?

O que a produtora entregou para os jogadores:

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E o que foi vendido ao público através da propaganda:

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Se você esperava um jogo insano, quase como Saints Row, ou até mesmo como um Duro de Matar voando, explodindo e tornados. Não, esse jogo não é para você. Sugiro que compre o Red Dead Redemption, se já não fez isso, e o jogue. Se você optar, o jogo é um Just Cause a parte da história de Rico, pode ser considerado uma espécie de DLC, onde o modo atraia para quem gosta de War ou Conquest.

Ele não é um tiro no pé como foi Fallout 76, que eu já esperava esse resultado negativo da Bethesda, mas não é o que a Propaganda fala. E nem chega perto disso. Esta mais para um DLC onde sua missão é controlar Solís numa versão War de Just Cause.

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