Especial Mágico de Oz

Não há lugar melhor que a nossa casa – Dorothy (1939)

Mágico de Oz (1939) (Foto: Reprodução/Mundo Pauta)

Mágico de Oz (1939) (Foto: Reprodução/Mundo Pauta)

Em 1939 era lançado um conto mágico que eternizaria bordões como “Não há lugar melhor que a nossa casa” e “Voe Dorothy, Kansas aí vou eu“. A grande citação última fora reproduzida no filme Twister (1996) por caçadores de tornados, e o projeto de previsão de tornados se chamava Dorothy.

Também nunca fora esquecido o cachorrinho, Totó. O mundo mágico de Oz em recentes dias deu a origem do fantástico mágico das terras longínquas de OZ. Na nova versão – Oz – Magician and powerfull estrelado por James Franco no divertido papel de um mágico falastrão de um circo itinerante. A história no entanto se passa em 1905, e a segunda história se passa em 1939.

Não é exatamente um remake, é mais um prelúdio. E no papel da adorável garota Dorothy temos Judy Garland que o fez com apenas 17 anos. Ainda com efeitos bastantes simples e com uma transformação fantástica de preto e branco em colorido, a história do mágico de oz torna-se lendária, mesmo para os padrões atuais de tecnologia.

O verdadeiro sentido do tornado em Kansas.

Mágico de Oz (1939) (Foto: Reprodução/Mundo Pauta)

Mágico de Oz (1939) (Foto: Reprodução/Mundo Pauta)

O incrível mundo de Oz, lembra muito o mundo imaginário de Dr. Parnassus, um típico deus do seu próprio paraíso e inferno. Naturalmente que criar um mundo fantasioso como Oz numa versão cinematográfica pode ser simples, mas sua concepção ou seja seu impacto real é maior do que se mostra.

Em 1939 temos uma menina que enfrenta típicos medos da adolescência para se tornar uma mulher. O mesmo acontece com Sarah (Jennifer Connelly) em 1986 com Labirinto. A expressão utilizada é usar pontos que definam uma emoção abstrata para a concreta. O homem de lata sem coração (a frieza do mundo), o leão covarde (o símbolo conhecido de segurança mais ainda sem sua definição de galhardia e ousadia) e o espantalho sem miolos (apesar de manter afastado qualquer perigo por ser um espantalho, ele não continha cérebro para pensar)

Não é o que queremos provar que somos valentes, intelectuais e usufruir da vida? O tema do filme é justamente enfrentar o medo, e se transformar numa pessoa adulta. Um tornando de emoções por assim dizer. E tudo parecia mais confuso na realidade do que no mundo fantasioso de sua mente. O mesmo tema fora explorado da mesma forma por Alice no Mundo das maravilhas, em suas diferentes versões para o cinema. Tanto a mais atual. Que demonstra essa “passagem” de menina para mulher adulta.

O mesmo aspecto abordado em Peter Pan, em relação ao menino e a Wendy Darling.

Frank Baum um fracasso no teatro, mas um Tolkien de 1856.

Lyman Frank Baum (Foto: Reprodução/Mundo Pauta)

Lyman Frank Baum (Foto: Reprodução/Mundo Pauta)

O criador de Oz, o verdadeiro mágico. Tão comum como o próprio. Ele tentou se aventurar diversas vezes como ator de teatro, e sua maior ruína em vida. Terminou sua vida encostado em milhas de dívidas, e ainda mais doente e esquecido. Não foi um esquecimento muito divulgado, muito pelo contrário. Sua vida não se retratou como a Dorothy, um tornado literalmente.

Ele dedicou sua vida inteira a escrever contos de Oz, descreveu habitantes, terras. Tais como Tolkien o fizera. Suas obras eram particularmente voltadas ao fantástico mundo de Oz, título originalmente de sua criação. Ele fez outros manuscritos sobre outras publicações que não faziam parte da história.

No entanto seu nome não é tão conhecido quanto a da própria atriz Judy Garland, seu nome foi esquecido. Suas obras continuam eternas. Talvez fosse o objetivo dele? Ninguém nunca irá saber…será?

Expressões é o que o cinema é.

Por trás das cenas de Mágico de Oz (1939)(Foto: Reprodução/Mundo Pauta)

Por trás das cenas de Mágico de Oz (1939)(Foto: Reprodução/Mundo Pauta)

Ainda é defendido pela antiga escola que cinema é expressão. Expressão? Como assim? Por falta de tecnologia e por tradição teatral, o cinema rebuscou a expressão facial para demonstrar a emoção sentida. Era tão normal mostrar pavor ao focar nos olhos, e deixar todo o resto coberto por uma leve sombra.

Há quem diga que a expressão ganhou outra forma de ser realizada, e a outros que o cinema tradicional morreu. Em 1939 o close na face, a passada de câmera eram soluções alternativas de mostrar o ponto da questão. O que os personagens estão sentindo? Mesmo assim o cinema era e é muito mais artificial que uma peça de teatro. Por assim dizer até mesmo os que adoravam cinemas mudos e preto e branco se deliciavam com figuras baseadas em cortes de câmeras, e não na naturalidade.

Essa mesma vista em Hobbit, a gravação feita a 46 quadros fez com se torna-se algo mais…real. A natureza de 1939 no quesito tecnologia impedia que o parecia ser “arte” era mais do que arte. Toda arte é criticada, muitos diriam que arte neste ponto é uma espécie de arte cult. Na verdade é apenas intolerância do expectador. Não existe um padrão de arte. Se hoje poesia é naturalmente estruturada, também podemos definir que uma bela poesia pode ser aquela que não tem forma. Ou seria anti-arte pensar assim?

O estilo tradicional de fazer filmes com necessidade de efeitos como simular um tornado exigia mais da expressão devido a ineficiência de criar um tornado que fosse real, mas não desse ao telespectador que fosse falso. É claro que sabiam. Mas ver que é falso seria uma quebra da magia. A regra que não pode ser quebrada é matar a magia da artificialidade.

Então era comum que a expressão fosse valorizada. Atualmente com a tecnologia mais avançada, a expressão não foi banalizada ou banida. Ela ganhou um novo nível. O Mundo Pauta analisou filmes antigos e atuais, e percebeu que a expressão continua lá. Só que só mudou a forma de como ela é realizada. Mas o impacto é o mesmo.

O Mágico de OZ de 1939 continua sendo particularmente a sua própria lenda. Não porque conseguiu criar efeitos ou expressões. Porque era uma obra de apreciação além de atuação. O quão seria maravilhoso aquele mundo. Vastas perguntas, tornaram possível o cinema que temos hoje. Como recriar este mundo tão ricamente? Temos alguma resposta, talvez a não ideal, mas para este momento ela é mais que ideal.

Nasceu então a famosa frase -“Não há lugar melhor que a nossa casa“. dando é claro rumo a paródias. Como Spaceball de Mel Brooks em 1987 e o Mágico de Oroz pelo grupo comediante Os Trapalhões em 1984.

Confira aqui em inglês um making of de Wizard of Oz de 1939.

Mundo Pauta.

Texto: Rafael Junqueira

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2 pensamentos sobre “Especial Mágico de Oz

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